quarta-feira, 20 de agosto de 2008

A ressurreição do Huambo

HENRIQUE BOTEQUILHA, Huambo










Angola. Palco de um dos mais violentos episódios da guerra civil angolana, o Huambo está a renascer na forma de um estaleiro em grande escala. Estradas, edifícios e serviços estão a ser recuperados e o 'boom' do sector da construção está a servir de alavanca para recuperar tudo o resto







Onde havia ruínas apareceram casas, nas artérias bombardeadas alisou-se o asfalto, da obscuridade fez-se luz e o Huambo, palco de um dos mais violentos episódios da guerra civil de Angola, ressuscitou. Em apenas três anos, uma das cidades mais destruídas do país renasceu na forma de um estaleiro em grande escala, em que além das obras no espaço público, arruamentos e passeios se incentivou, com subsídios estatais, a recuperação de habitações.

"O Huambo cresceu consideravelmente. As nossas estradas estão reabilitadas, as nossas casas também estão a ser reabilitadas, o Huambo cresceu e vai crescer mais ainda", atesta Odete Lucas, 32 anos, técnica da Acção de Desenvolvimento Rural e Ambiente, uma ONG angolana. "Passei aqui o tempo de guerra e pensava que não era possível desenvolver o Huambo. Actualmente, estou a ver que é possível."

Odete era uma adolescente, em 1993, quando as tropas do Governo ali estiveram sitiadas 55 dias, até ao assalto final das forças da UNITA. As ruas que já foram frentes de batalha são hoje cenário da reconstrução vertiginosa. Ainda há três anos, eram chagas urbanas abertas por balas e obuses. Agora, os carros circulam sobre um tapete liso e são ordenados por semáforos fotovoltaicos que o empresário Valentim Amões, falecido num acidente aéreo recente, plantou por toda a cidade.

O centro do poder, na actual Praça Agostinho Neto, foi retomado pelas tropas do Governo em 1995, mas da violência da reconquista já não restam sinais. Os edifícios dos serviços provinciais e os correios foram reconstruídos por empresas portuguesas, que deram à praça um toque festivo, decorando--a com luzes amarelas e azuis, abraçando um obelisco dedicado a Agostinho Neto, representado por uma imagem do primeiro presidente de Angola de livro na mão e kalashnikov à tiracolo. O aeroporto foi recuperado, novas universidades devolvem a cidade ao centro do conhecimento angolano, um novo hospital está a ser erguido numa empreitada chinesa, um arrojado pavilhão foi construído para acolher o AfroBasket 2007.

"O Huambo de hoje é um bocado consequência do que vivemos ontem", assinala Júnior Chinendele, responsável pelo projecto Casa Ecológica, que pretende fazer da cidade uma referência ambiental na África Austral. Junto do seu escritório estende-se o jardim botânico, centro do corredor verde que agora atravessa a cidade. É lá que, durante a tarde, dezenas de estudantes se deitam sobre as gramíneas a ler.

Além do quadro de destruição, os serviços ainda há três anos eram quase inexistentes, a água mal corria nas torneiras e as lâmpadas raramente acendiam. A população circulava apática: cidade fantasma. "Muitas pessoas diziam que nunca mais voltavam, mas estão a aparecer agora", testemunha Odete Lucas. Apesar das limitações que persistem no abastecimento de água e energia, o "boom" do sector da construção está a ser a alavanca para tudo o resto: infra-estruturas, serviços e emprego. "Dantes para se ter um meio de transporte como uma viatura era um sonho. Hoje, quase todo o pessoal tem", refere. "É muita coisa!", afirma a técnica da ONG angolana na sua declaração de amor à cidade. "É muito bom viver no Huambo, eu pelo menos não quero que me tirem daqui. Residir noutra província, não!"




-Jornalista da Lusa


































Novos Hospitais


Municípios de Luanda terão novos hospitais
A governadora de Luanda, Francisca do Espírito Santo, efectuou ontem o lançamento da primeira pedra para a construção de hospitais dos municípios do Cazenga, Sambizanga e de uma das escolas que vai albergar alunos saídos do Mutu ya Kevela.No bairro do Maculusso, município da Ingombota, a governadora inteirou-se do projecto de construção de uma escola, que está a ser construída nos arredores do liceu Nzinga Mbandi, um dos três estabelecimentos de ensino que vai albergar os alunos das escolas Mutu ya Kevela e do Puniv no próximo ano lectivo. Os hospitais municipais do Cazenga e do Sambizanga terão capacidade de internamento de 75 pacientes cada. As obras dos empreendimentos, avaliadas em mais de um bilião e 616 mil Kwanzas cada um, estão a cargo da empresa Somague.

As obras dos hospitais, que possuirão bloco operatório, laboratório, área para consultas externas, lavandaria, cozinha e uma morgue, terão a duração de 13 meses e estão a ser erguidas em uma área de 3.400 metros quadrados.A governadora afirmou que a construção dos hospitais faz parte de um projecto do GPL, que visa aumentar a cobertura sanitária em todos os municípios permitindo que os serviços de saúde estejam mais próximos do cidadão. “Existe uma necessidade cada vez maior de trabalhar nos cuidados primários de saúde e esses hospitais vão ter a componente importante de fazer com que a aproximação do cidadão com os serviços de saúde seja mais efectiva e mais forte”, afirmou. Na opinião da governadora, os municípios do Cazenga e do Sambizanga estavam a precisar de hospitais da dimensão dos que serão construídos naquelas localidades, não só pela sua extensão, mas também pela sua densidade populacional. Francisca do Espírito Santo afirmou que o GPL, para além do hospital municipal, pretende dar resposta à população sobre o seu pedido para a construção de um Instituto Médio Politécnico, um campo polivalente para a ocupação do tempo livre dos jovens, a melhoria do fornecimento de água, luz e saneamento do meio.A construção de centros infantis comunitários, de forma que as crianças menores não fiquem na rua todo dia, mas tenham um espaço lúdico de aprendizagem e estejam preparadas para o ensino obrigatório, é também pretensão do GPL.

Fonte: Jornal de Angola on line



Pensar e Falar Angola

terça-feira, 19 de agosto de 2008

fábula - Zeca o paralitico do Golungo

Autor/fonte: António Jacinto

Era uma hora de correr lento. Começavam os frequentadores a sair para jantar.

As mesas iam ficando vazias. Descia, então, um silêncio morno.

Àquela hora ficávamos no café como em família. Então, o paralítico, que andara arrastando-se por aqui e por ali, ganhando deste, recolhendo indiferenças e apanhando cápsulas das garrafas de cerveja para seus brinquedos, aproximava-se da nossa mesa.

Poliomielite: as pernas eram uns caniços retorcidos, que custava encarar. Ele, magrinho, vinha até nós, receoso, mansinho. Sujo-sujo, de se arrastar pelo chão, pelas ruas e pelos passeios. Receoso, porque a recepção era um enigma: por vezes corríamos com ele. Quando me dói recorda-lo! Abria, então, os olhitos em surpresa, em espanto interrogativo. Mas vinha sempre, ao fim, a rastejar, as mãos disformes em calosidades, a arrastar-se por aqui e por ali.

Éramos do bairro. Aquela hora ele vinha como a um porto final; nunca antes. E não o espectáculo da miséria, a roupita num fio , os ossos esculpidos sob a pele macilenta, que nos vinha lembrar a nossa tarde perdulária entre comidas e bebidas. Para nós, a sua presença não tinha tal poder de libelo acusatório. É que conhecíamos. Mãe. Ela, a velhinha, explorava o aleijadinho. Viria dentro em pouco, para lhe extorquir as moedas.

E se não se apresentasse o que queria e quanto esperava, havia de surrar o pobrezinho, ave implume e sem protecção nas patorras infrenes da porcaz megera. Pois a marafona - sem nunca uma meiguice para o filho - iria logo para a taberna, a dissolver as moedas em vinho, na companhia de vis amigalhaços. Era para ela, e não para o Zeca, só para ela, a nossa ira.

Não sei por quê era o Zeca que manifestávamos, a contra-senso. O filho não poderia compreender. Nem nós. Como se quiséssemos, através da nossa raiva, fazer com que o filhote verde e doentinho se voltasse contra a mãe. Ou o reconhecimento da impotência de qualquer rebeldia.

Porém, as nossas explosões de mau génio alternavam com a piedade, com a compreensão, e ele por ali ficava, comia e bebia até. Dinheiro não, que não lhe dávamos. Ele escolhia, dos tremoços, da jinguba, das batatas fritas, azeitonas, bolos, e até pão com carne. Dizia o Alcino, bochechudo, de boca atulhada, incansavelmente a mastigar, lábios em labor constante por baixo de um nariz vermelhusco, queimado pelo sol, caldeirão lá da Mutamba:

- Come, Zeca, come à vontade, que este não bebe a carcaça velha.

E ele, sempre tristinho, tímido, a ficar por ali como entre amigos.

Pobrezinho! Que infância seria a sua? Que sonhos, que fantasias passariam por aquela cabeça?

Em nós a piedade, uma certa compaixão que nada resolvia e se misturava sempre com ódio, a uma náusea, pela bruxa desavergonhada. E o Zeca a pedir um dos guardanapos de papel para embrulhar o pão e um cibito de queijo e a explicar que era "para a mãezinha".

O Alcino a tornar sarcásticos:
- mãezinha, hein? Não levas nada para aquela borrachona.

Dá-lhe trigo roxo, um bom raticidazinho, que a leve o diabo mais velho das "profundíssimas infernais"! Come, palerma! Come, jeriquinho! Mãezinha; não faltava mais nada agora? Não querem lá ver! Algum dia te deu banho?
-É sim para a minha mãezinha ...

e punha nos olhos uma chamazita de convicção inabalável, na coragem do único arremedo de amor que conhecia.

O Alcino a perder a cabeça, num vozeirão, que saísse dali, se não quebrava-lhe os olhos " que até ficaria direito dos caniços".

E ele a ir-se, qual aranhiço, e, talvez, a concluir que, na realidade, os matulões são muito complicados!

Ao lembrar-me daqueles olhos em que apontavam lágrimas, enterneço-me. E lamento, atormento-me por te dado tão pouco e por não ter dado quanto o infeliz nos pedia de carinho e amor, de amizade e camaradagem.


Pensar e Falar Angola

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Boat Dancer



Um trabalho de INESAAODH







Pensar e Falar Angola

Escritores e artistas africanos lusófonos entram na Academia de Ciências de Lisboa

Escritores e artistas africanos lusófonos entram na Academia de Ciências de Lisboa

O moçambicano Malangatana, os escritores Germano de Almeida, de Cabo Verde, e Pepetela, de Angola, e o economista Carlos Lopes, da Guiné-Bissau, são os novos membros da Academia de Ciências de Lisboa.

Brasília - O pintor moçambicano Malangatana, os escritores Germano de Almeida, de Cabo Verde, e Pepetela, de Angola, e o economista Carlos Lopes, da Guiné-Bissau, deverão tomar posse como membros da Academia de Ciências de Lisboa em cerimónia a realizar em Setembro.

A admissão dos quatro intelectuais e artistas de países africanos lusófonos foi decidida pelos académicos portugueses durante sessão realizada no dia 24 de Julho.

Na mesma sessão plenária da Academia de Ciências de Lisboa foram admitidos, também na qualidade de "Académico Correspondente Estrangeiro", o príncipe Aga Khan e a antropóloga e investigadora alemã Beatrix Heintze.

O pintor moçambicano Malangatana Valente Ngwenya nasceu a 6 de Junho de 1936, em Matalane, no sul de Moçambique.

Essencialmente um auto-didacta, Malangatana é hoje um dos artistas africanos mais conhecidos internacionalmente, estando representado em vários museus e colecções privadas de todo o mundo.

O escritor cabo-verdiano Germano Almeida nasceu em 1945 na ilha da Boavista e estudou Direito em Lisboa. Vive actualmente em Cabo Verde, onde exerce advocacia.

"O Testamento do Sr. Napumoceno da Silva Araújo" (1991) é um dos seus livros mais conhecidos, tendo sido adaptado para o cinema.

O angolano Pepetela, de nome próprio Artur Pestana, nasceu em Benguela, em 1941. Em 1997 recebeu o Prémio Camões.

Licenciado em Sociologia, é professor, romancista e dramaturgo, contando-se entre as suas principais obras "As Aventuras de Ngunga", "A Geração da Utopia" ou a "Gloriosa Família".

O economista guineense Carlos Lopes é um alto quadro das Nações Unidas, acumulando desde Março de 2007 o cargo de Subsecretário-Geral das Nações Unidas com o de director executivo do Instituto da ONU para a Formação e Pesquisa (UNITAR).


domingo, 17 de agosto de 2008

MARILYN


Pensar e Falar Angola

(27) Ágora - A epidemia da fome



A Etiópia foi sempre um lugar de caminhos entrecruzados, alguns deles a revelarem-se muito maus, e a engrossarem os exercícios de expiação, que de quando em vez, temos de ir fazendo quando somos confrontados com realidades objectivas.
Exultei quando Mengistu Haillé Mariam, em 1974, ascendeu ao poder, e acreditei que o sofrido povo etíope, podia ter direito a uma maior dignidade, assente num quotidiano diferente do que prevalecia no “Império” do Negus.
A Etiópia era um dos poucos países que apenas episodicamente foram colónia, concretamente com aquele devaneio de Mussolini, que revelou um Hailé Salassié com enorme diplomacia, mas sobretudo com um forte fervor patriótico e determinado a manter uma Etiópia independente e herdeira de uma das grandes civilizações africanas.
De 1930 a 1974, o “Rei dos Reis”,”Eleito de Deus”, “Soberano Todo Poderoso”, “Imperador da Etiópia”, Hailé Salassié governou-a, mantendo a fome onde lhe convinha, matando a fome quando lhe agradava e interessava.
Era o “Imperador” que dava os empregos aos vulgares cidadãos, o mesmo que nomeava e destituía ministros; O comandante militar determinava quem era a chefia das forças armadas, mas também o vulgar comandante da polícia de uma obscura esquadra do Ogaden; Designava quem era reitor da Universidade e os alunos que tinham direito a frequentá-la, enfim um Império feito de alguém que nunca se deu conta que as pessoas passavam fome, mas que alertava quando um dos leões do seu jardim podia ficar enjoado com o excesso de carne! Uma bizarria governativa que custou cara!
Equilibrista na política externa, instrumento dos EUA na sua luta contra a “comunista” Somália de Siade Barre, foi o anfitrião da constituição da OUA em 25 de Maio de 1963, disponibilizando Addis-Abeba para sua sede, era este mesmo homem que tinha de tomar banho numa banheira de sangue de bebés de uma determinada tribo que episodicamente se lhe opunha, para ser “purificado”.
Quando em 1974, o então capitão Mengistu toma o poder, deixa Haillé Salassié no seu palácio quase completamente sozinho, prisioneiríssimo das suas megalomanias e também das suas quimeras diabólicas, e os seus últimos tempos de vida são um definhamento total não só em termos físicos, mas o seu brando enlouquecer, aliás muito explorado em termos de imagem.Mengistu surge como um verdadeiro libertador, mas a realidade vem mostrar num curto prazo, que a Etiópia, apesar de berço da OUA, se mantinha completamente distante, de um quadro de respeitabilidade que era exigível a um dos mais antigos países independentes de toda a África.A guerra permanente com a Somália por causa do Ogaden, a perseguição aos Eritreus, como aliás já fazia Salassié, e a eliminação física em massa dos que contestavam o “todo poderoso” Mengistu Halé Mariam, levaram a Etiópia a primeira notícia em todo o mundo, pelas piores razões: a epidemia de “fome”.Indiferente a tudo isso, no meio de enormes desfiles militares, de grande ofensiva em termos militares e propagandísticos, Mengistu ignorava a maior catástrofe dos anos 80, quiçá mesmo uma das piores da história contemporânea. Os seus detractores levavam com uma bala na cabeça, e a sua família era obrigada a pagar a bala, porque “ a revolução não podia perder dinheiro de balas com contra-revolucionários”, servindo o recibo de certidão de óbito.Quando se soube do reiterar da sua condenação à morte, bem como de alguns dos seus colaboradores mais próximos, resta a consolação dos familiares de mortos, que foi feita justiça, e que em lado algum estes crimes deixaram de ser impunes.Cabe aqui uma referencia em termos bibliográficos a Ryzard Kapucinski, que no seu livro “O Imperador” coloca as palavras de muitos que viveram e serviram Salassié e também os que se entusiasmaram com Mengistu, pelo menos por terem a sorte de ter sobrevivido para contar o que hoje sabemos!





Pensar e Falar Angola

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Sobre o reino de Ginga - ensaio II

Fotografia: Ricardo Diz
Pintura: João Inglês
Design Gráfico: Anabela Quelhas


Pensar e Falar Angola

Revista de imprensa semanal: tempo de campanha morna

A 'pobreza' de conteúdo dos espaços de antena cedidos aos partidos políticos, obrigam o MPLA a dormir descansado e, por isso, diz a manchete do semanário A Capital «Riam-se camaradas».
Uma longa entrevista de Isaías Samakuva apresenta as novas linhas orientadoras do seu partido e que permitem concluir que a «A UNITA está mudada».
O terceiro e último destaque vai para a fertilidade apresentada pela semana no que toca a alianças entre os partidos políticos, no que conclui o jornal que «Há mutantes na política».


O Novo Jornal alerta que «A Campanha começa sem Chama» depois de frizar que «08-08-08 Festa em Pequim e Esperança no México» aludindo à inauguração dos Jogos Olímpicos e ao encerramento da XVII Conferência Mundialsobre o SIDA.

O Folha 8 traz como grande destaque o título «Angola deve preparar-se para ter um presidente branco».
Sobre as eleições, o jornal diz que os dois maiores partidos angolanos jogam a fundo, numa clara alusão ao facto de, até aqui, serem os únicos partidos que têm dado algum ânimo à campanha política que antecede as eleições.
Outros titulo chamados à primeira página pode ler-se «Sílvio Vinhas, director das alfândegas, espanca esposa».
Folha 8 vai votar na imparcialidade e outro destaque, sendo o último «No Zango, onde o MPLA tencionava levar um milhão de pessoas, este partido ajuntou apenas duzentas mil numa actividade qualificada de showmício».

O Semanário Angolense diz no ante-titulo que encima a manchete «Não se envolverá na corrida eleitoral», «JES fica na bancada». Em nota explicativa o jornal diz que ele deve explorar a campanha das legislativas para vincar a sua condição de presidente de todos os angolanos e não apenas daqueles que se revêm no MPLA.
No outro destaque lê-se no ante-título «Carlos Leitão surpreendeu a Precol». «Despeito de um pirralho?» é a questão à qual associa uma nota explicativa onde se lê que ao afastar a ala de Leitão, o Tribunal Constitucional poupou os angolanos de uma grande trabalheira: seria difícil aturar pelos próximos anos um político com tanto desapego à lei.
O jornal traz ainda as dez razões para votar no MPLA e na UNITA esgrimidas pelos escritores Adriano Botelho de Vasconcelos e Sousa Jamba, respectivamente.

E no Angolense o destaque é «Na luta pela vitória nas eleições legislativas: partidos travam batalha final», ilustrado com fotos de JES, Samakuva, Kuangana, Filomeno Viera Lopes, Sediangani Mbimbi, e outros.
Persiste a discriminação social «Petrolíferas rejeitam portadores de HIV». A história de um grupo de jovens portadores do vírus do Sida que embora aptos nos testes de admissão foram rejeitados depois do exame médico revelar a sua condição serológica. As empresas denunciadas são a ESSO, Chevron e Petrobrás.
Na rubrica Tempo de Antena «População clama por acesso à habitação».


AngoNotícias e não só

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segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Legislativas2008 - Consulta pela internet de locais de voto

Os internautas angolanos podem, a partir de hoje (segunda), visualizar o local de votação para as eleições legislativas de 05 de Setembro, através do site www.registoeleitoral.com, da Comissão Interministerial para o Processo Eleitoral (CIPE).
Para além da localização das mesas de votos, a CIPE põe à disposição dos eleitores e outros interessados várias informações úteis relacionadas com o processo eleitoral no país.
Na página, o internauta encontra um espaço denominado “Consultar o meu registo”, onde o eleitor coloca o número do grupo e de registo, para visualizar as assembleias de voto.
Os eleitores poderão igualmente aceder à informação, através do telemóvel, bastando para isso seleccionar o menu mensagem (sms) e marcar o número do registo, dar um espaço, seguido do número do grupo e depois enviar para o numero 114 (rede Unitel).

ANGOP
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Homossexualidade

ASPECTOS DA HOMOSSEXUALIDADE HISTÓRICA NO ANTIGO TERRITÓRIO DE ANGOLA, EM ÁFRICA


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Pensar e Falar Angola

"A Primeira Nacionalista Angolana"

Literatura: História da Rainha Ginga, "a primeira nacionalista angolana", marca estreia literária de Manuel Ricardo Miranda

Lisboa, 10 Ago (Lusa) - Economista de profissão, Manuel Ricardo Miranda, decidiu aos 65 anos tentar a literatura e escreveu uma história da Rainha Ginga, a quem chama "a primeira nacionalista africana".

Nzinga Mbandi Ngola, conhecida como Ginga, foi Rainha dos Mbundos durante 40 anos e, segundo o autor, "uma mulher de forte personalidade, que tinha uma visão política e de nação e não aceitou a escravidão do seu povo, pois sabia que sem pessoas não podia ter uma nação".

"Sempre se opôs à escravatura e, ao contrário do Rei do Congo e das elites congolesas, nunca pactuou com os negreiros para abastecer de gentes as plantações de açúcar no Brasil", afirmou à Lusa o autor.

Manuel Ricardo Miranda salientou ainda o facto de a monarca, baptizada pelo rito católico como Ana de Sousa, mas sempre apelidada de Ginga, ter governado os Mbundos durante quatro décadas, morrendo aos 82 anos, em 1663. Sucedeu-lhe o seu irmão.

A história deste livro começou quando Manuel Ricardo Miranda foi militar em Angola ao serviço do Exército português e conheceu um descendente desta Rainha, que viveu há mais de 300 anos.

Um militar negro, Cangula, sob seu comando, disse-lhe certa vez ser descendente da Rainha Ginga e prová-lo uma tatuagem que tinha, mas se recusou então a mostrar.

Cangula viria a falecer numa emboscada quando patrulhava um troço da linha-férrea de Benguela. Agonizante, disse a Manuel Ricardo Miranda que "ia ver a tatuagem da Rainha e pediu para lhe levantar o braço direito onde, sob o sovaco, tinha tatuada uma galinhola, que representava essa ascendência régia".

Manuel Ricardo Miranda regressou, entretanto, a Portugal e, "nunca tendo esquecido esta história", foi-se dedicando à sua vida profissional, "em que lia muitos relatórios e as memórias por vezes esfumavam-se".

"A minha vida profissional não me permitiu dedicar-me à escrita, apesar de ler sempre e a História ser um dos meus interesses", disse.

Durante dois anos investigou em arquivos e bibliotecas, leu várias obras e foi escrevendo o seu livro intitulado "Ginga, Rainha de Angola", que define como "uma ficção baseada em factos históricos".

Além da documentação sobre uma figura "em que se mistura muito a lenda com a verdade histórica", foram também "decisivas" para a escrita do romance as recordações que guarda das paisagens angolanas.

Tendo em vista "uma outra ficção totalmente diferente", Manuel Ricardo Miranda observou estar a aguardar a recepção a "Ginga, Rainha de Angola" para, se for positiva, se abalançar "a uma outra carreira, na área da literatura".

© 2008 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A.
2008-08-10 10:50:02


domingo, 10 de agosto de 2008

Jogos Olímpicos - Pequim 2008


BASQUETEBOL

A selecção nacional sénior masculina de basquetebol, estreia-se hoje nos jogos olímpicos de Pequim.

O cinco nacional esta inserido no grupo B ao lado das formações dos EUA, China, Espanha, Grécia eAlemanha. ´

Calendário completo da primeira fase dos dois grupo (A e B):

10 de Agosto

Rússia - Irão

Alemanha - Angola

Espanha - Grécia

Lituânia - Argentina

Austrália - Croácia

EUA - China


12 de Agosto

Irão - Lituânia

Croácia - Rússia

Grécia Alemanha

China - Espanha

Angola - EUA

Argentina - Austrália


14 de Agosto

Alemanha - Espanha

Áustria - Irão

Angola - China

Lituânia - Russa

EUA- Grécia

Argentina- Croácia


16 de Agosto

Grécia - Angola

Rússia - Austrália

Croácia - Lituânia

Irão - Argentina

China -Alemanha

Espanha - EUA


18 de Agosto

Irão - Croácia

Austrália - Lituânia

Grécia - China

Angola - Espanha

EUA- Alemanha

Argentina- Rússia


A selecção nacional sénior masculina de basquetebol estreou-se hoje com uma derrota frente à Alemanha, 66-95. Angola começou com um cinco composto por Olímpio Cipriano, Armando Costa, Carlos Morais, Kikas Gomes e Eduardo Mingas.


ANDEBOL


A selecção nacional sénior feminina de andebol estreou-se nos Jogos Olímpicos de Pequim com derrota frente a sua congénere da França, por expressivos 21-32, em partida potuável para o grupo A .


VOLEI de PRAIA


A dupla angolana, constituída por Morais Abreu e Emanuel Fernandes “Manucho”, perdeu nos preliminares da Pool C, no Chaoyang Park BV Ground, diante da congénere brasileira (Ricardo/Emanuel), por 2-0, no torneio de voleibol de praia dos Jogos Olímpicos.

Angola volta ao Chaoyang Park, palco das partidas do Grupo C do torneio de voleibol de praia dos Jogos Olímpicos de Pequim, para defrontar na segunda-feira a dupla Schacht/Slack (Austrália), em desafio da segunda jornada das preliminares.



Pensar e Falar Angola

(26) - Ágora - Algumas letras dum longo caminho



Recentemente, saiu o livro “ Viriato da Cruz, o Homem e o Mito”, numa co-edição da Prefácio e Chá de Caxinde, com depoimentos dos coordenadores Edmundo Rocha, Francisco Soares e Moisés Fernandes e com depoimentos também de Adriano Parreira, Fernando Mourão, Noémia de Sousa, Patrícia Pinheiro e Tomaz Jorge.
Viriato da Cruz é provavelmente uma das figuras da história recente do País, que concita mais silêncios, mas que muita gente, hoje desejaria que em seu redor houvesse mais discussão. Estou provavelmente a hiperbolizar, quando digo que acontece com Viriato da Cruz, um pouco o que aconteceu com Trotsky, e outras vítimas das purgas estalinistas, que foram pura e simplesmente apagados da historiografia oficial, incluindo das fotos onde eles apareciam; Só timidamente os seus poemas aparecem em manuais de ensino oficial, já que o “Namoro” e “Mamã Negra” (Em memória do poeta haitiano Jacques Romain), foram musicados e atingiram uma certa notoriedade, e pouco mais há a acrescentar.
Este livro, vem de certa forma complementar o do Dr. Edmundo Rocha, “Contribuição ao Estudo da Génese do Nacionalismo Moderno Angolano”, e vem divulgar alguns textos do Viriato, que provam que era uma pessoa de grande capacidade intelectual, profundamente empenhado em libertar Angola do colonialismo, com enorme disponibilidade para trabalhar, mas também pouco paciente e quiçá mesmo com alguma “pontaria” para o erro político circunstancial, o que o prejudicou sempre entre os seus pares e aumentou desmesuradamente a sua permanente angústia.Como diz a historiografia actual, foi com esta frase onde tudo começou, e é da mão de Viriato da Cruz que saiu o “Manifesto”, em Dezembro de 1956, que em dado momento diz: «Porém, o colonialismo português não cairá sem luta. Deste modo, só há um caminho para o povo angolano se libertar: o da luta revolucionária. Esta luta, no entanto, só alcançará a vitória através de uma frente única de todas as forças anti-imperialistas de Angola, sem ligar às cores políticas, à situação social dos indivíduos, às crenças religiosas e às tendências filosóficas dos indivíduos, através portanto do mais amplo MOVIMENTO POPULAR DE LIBERTAÇÃO DE ANGOLA.»
Confesso que ao ler o livro, que expõe mais alguma coisa do espólio, do malogrado fundador do PCA, do PLUA. do MPLA, de que foi seu 1º secretário-geral, vejo análises de uma lucidez extraordinária, sobre como se deveria evoluir para um País, e como se teria de construir uma sociedade angolana, contextualizada objectivamente na ausência de industria, com uma elite crioula de pouco peso económico e intelectual, e um campesinato rural, que sai de uma situação híbrida entre a proletarização e o quase esclavagismo, textos escritos no dealbar da década de 50 até meados da década de 60.Tem-se em conta que grande parte destes documentos, fazem parte de correspondência trocada entre Viriato da Cruz e outros angolanos no exílio, principalmente Mário Pinto de Andrade, Mário António de Oliveira, Edmundo Rocha, Carlos Rocha (Dilolwa), José Carlos Horta, Lúcio Lara, Hugo de Menezes e tantos outros que com ele partiram para o exílio.
Não acho que o livro possa ser um pouco o grito de Viriato da Cruz, “Vamos Descobrir Angola”, mas é certamente um trabalho que vai trazer novo debate, sobre um período em que há cada vez menos sobreviventes para contarem como tudo aconteceu, de uma forma descomprometida de grupos, aparelhos, líderes ou candidatos a caudilhos.Da vida de Viriato da Cruz, que talvez pelo mistério em que sempre se envolveu a sua pessoa, e que me intriga e fascina simultaneamente, não deixa de ser estranho que nem o MPLA, nem a FNLA, gostem muito de falar no assunto, e de certa forma há alguma incomodidade no assunto, entre alguns kotas que viveram Dolisie, Brazza, Argel, Conakry, Leo, Kinshasa, etc.

Fico a aguardar que mais gente escreva e que o faça alto e bom som!




Pensar e Falar Angola

Hospital de Chibia



(clique para ampliar)


O comandante, major sr. Malbeiro, a passar revista à infantaria 16; camiões ao serviço das tropas e fotografias de um hospital para feridos de guerra. Em baixo indígenas que transportam carga da expedição.Fotografias de Teles Grilo.


Ilustração Portugueza nº 480 de Maio de 1915

Fonte: Blog ilustração portuguesa






Pensar e Falar Angola

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

``A GUISA DE ENSAIO ...SOBRE O ACORDO ORTOGRÁFICO E CPLP

Pensar e Falar Angola

A propósito de um comentário afixado no texto “ LINGUA PORTUGUESA INTERNACIONAL” .... e editado no BLOG " NOVAÁGUIA " ..

Como é necessário fazer algumas observações numa abordagem suficiente , este assunto será tratado aqui em forma de ensaio .

A pergunta de Casimiro Ceivães tornou-se oportuna diante do comentário anterior escrito por um anónimo em relação ao texto acima identificado : “ Qual a sanção para o incumprimento da lei se o Acordo Ortográfico não for cumprido pelos cidadãos dos países envolvidos ? " .

Realmente a maioria dos governantes ou pessoas ligadas directamente às funções políticas , principalmente nos países considerados não tão desenvolvidos na média de seus cidadãos , consideram que as “ maiorias” que os elegem são perfeitamente moldáveis , balançando ao sabor das ondas ... e até têem uma certa razão ao suporem isso .

As leis , por vezes , são feitas para não serem cumpridas , por diferentes razões que não interessa agora aqui discutir .

Muitas vezes as leis , em países não tão desenvolvidos , só são cumpridas através da ameaça do castigo .

Basta observar o Brasil aonde as leis criminais e outras por vezes são feitas para beneficiarem os não cumpridores das leis .

Por exemplo , as leis que asseguram os direitos humanos no Brasil protegem sempre os não cumpridores das leis durante e após estes executarem seus crimes mas não protegem , muitas vezes , o cidadão cumpridor , trabalhador , honesto , que em qualquer instante pode perder sua vida ou de qualquer seu familiar apenas porque uma pessoa qualquer não cumpridora da lei decide matar ou roubar ou agredir .

Em qualquer instante , o cidadão cumpridor da lei pode ser morto por uma pessoa que não cumpre a lei e que muitas vezes já esteve preso .

Morreu , acabou-se....., não teve tempo de se defender ou que a lei o defendesse .... é um nada ... é apenas mais um corpo de um cidadão ou de uma criança que se vai ...são átomos que se vão ... são brisas ... que não trazem tempestades senão os tempos a vir seriam outros .

No entanto , aquele que matou terá a lei a protegê-lo com certeza e muitas vezes já passou por alguma prisão aonde aprendeu ainda mais as lições da vida fora da lei e como se defender perante uma lei que o pode beneficiar bastante .

Qualquer criminoso mais informado e experiente e com advogados certos sabe como utilizar a lei em seu beneficio e construindo até carreiras criminosas , basta olhar alguns , políticos ou não , Fernandinhos Beira-Mar e tantos outros fardados ou não .

Quer isto dizer que as leis por si nada são , apenas palavras escritas

O mesmo se pode dizer em relação ao “famoso” Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa e CPLP , existem ambos no papel mas de concreto na maior parte das vezes é vento a passar ... se pelo menos fosse brisa do mar ...

Se for feito uma enquete no Brasil sobre o Acordo Ortográfico , possivelmente mais de noventa por cento das pessoas não saberiam responder o que isso quer dizer .

Apenas em certos meios culturais ou estudantis de segundo ou terceiro nível , nas aulas de português , alguns professores mais atentos e interessados comentem sobre o assunto .

Basta ler , por exemplo , alguns dos comentários feitos por leitores da Internet no Site da BBC-Brasil , desvalorizando a CPLP e o Acordo Ortográfico e até menosprezando a Lingua Portuguesa , pessoas minimamente informadas pois utilizam-se de um meio tecnológico avançado.

Quanto à CPLP , talvez mais de noventa por cento das pessoas no Brasil ignore o que isso significa pois na sua vida real , no dia a dia , a CPLP nada representa de real .

Estas percentagens são conservadoras e se em Portugal também fizerem enquetes , certamente que haverá muita desilusão .

Talvez só nos ambientes mais cultos ou em alguns meios empresariais interessados nos mercados lusófonos , e são um percentual pequeno , se dê importância ao que a CPLP pode representar .

Na realidade , a CPLP pouco é de real , apesar dos milhões de euros já gastos , a não ser nos meios privilegiados de alguns políticos que já se beneficiam directamente desta Organização ou algumas Editoras que certamente já estarão a ser beneficiadas ou brevemente serão beneficiadas com isso .

A consciência desta realidade não impede que os cidadãos mais conscientes e interessados insistam em querer construir realmente uma união lusófona maior entre os povos e tudo façam para que a CPLP e seu Acordo Ortográfico venham a ser um facto real na vida de todos os lusófonos .

Para aqueles que gostam de escrever e ler bem , certamente irão rapidamente comprar o NOVO E MELHOR DICIONÁRIO DA LINGUA PORTUGUESA INTERNACIONAL pois isso é uma necessidade real para os seus espiritos e até profissionalmente senão não comprariam tão cedo este novo dicionário , apenas quando na escola de seus filhos ou netos fosse necessário mas a maioria das pessoas certamente não o irão comprar tão cedo .

A alimentação física é mais premente do que a do intelecto e do espirito .

Em geito de humor , uma vez um familiar directo me perguntou se o que eu escrevia me dava dinheiro .

Respondi : - não , a não ser indirectamente .

Ouvi o seguinte : - então se não dava dinheiro o que eu escrevia não prestava !

E muitos pensam assim .

Falando de Angola , pode-se dizer perfeitamente avalizado e com muita tristeza , que a situação é bem menos favorável tanto em relação ao “famoso” Acordo Ortográfico quanto à CPLP .

Se perguntar a qualquer pessoa nas ruas ou até mesmo à grande maioria dos estudantes do ensino médio e niveis acima o que representa para eles o Acordo Ortográfico ou a CPLP , certamente irão perguntar com um sorriso maroto no olhar se isso é algum tipo de alimento , ou algum tipo de tecnologia ou outra coisa qualquer vindo do estrangeiro.

Os governantes deveriam prestar mais atenção pois as leis podem até ser impostas de cima para baixo através da ameaça do castigo ou de qualquer outra forma de prepotência mas quando a ameaça deixar de funcionar com certeza que as leis deixam de se cumprir .

Para que as leis sejam levadas à prática , é necessário uma interiorização delas , é preciso que cada um , individualmente , através da reflexão inteligente compreenda as raízes das leis e então as cumpra , não através da ameaça do castigo mas de maneira correcta .

Basta olhar o que aconteceu com a URSS e com tantas outras Revoluções impostas de cima para baixo através da ameaça .... implodem-se .

Os países do norte da Europa são os mais cumpridores de suas leis , na grande maioria de seus povos , pois a união de todos os cidadãos é um facto real e não uma lei imposta de cima para baixo .

É preciso que as questões importantes da vida sejam profundamente analisadas , discutidas , reflectidas para serem compreendidas nas suas raízes e só então possam tornarem-se realidades num número cada vez maior de pessoas .

As “ maiorias” continuarão lentamente a caminhar .... como o “Velho do Restelo” e , como dizia Fernando Pessoa , " só percebem a chuva quando esta lhes cai em cima " .





A LINGUA PORTUGUESA INTERNACIONAL

Pensar e Falar Angola


A LINGUA PORTUGUESA INTERNACIONAL

É importante aqui deixar bem claro que o autor deste Ensaio é apenas um pensador lusófono com preocupações socio-ambientais , muito envolvido na construção da Comunidade Lusófona , e que procura utilizar-se da sua rica e bela língua materna denominada Língua Portuguesa inserida num contexto internacional , para construir dedutiva e positivamente pensamentos lógicos , transmitindo-os oralmente ou através da escrita de maneira objectiva e clara , com preocupação estética e sonora .

Não sendo o autor um profissional em matéria linguística , isso não justifica um alheamento ou não participação no enriquecimento desta discussão bem pelo contrário , nem tão pouco suas reflexões ou a de qualquer outro pensador podem ser desvalorizadas na tertúlia sobre a Língua Portuguesa .

Este autor construiu sua personalidade psíquica e cultural basicamente em três países - Portugal , Angola e Brasil , mas observando sempre e atentamente outras sociedades humanas não lusófonas e nestas três Nações procurou sempre observar e compreender todos os valores linguísticos e culturais , aqueles que considera menos bons e os que considera melhores , os mais e os menos ruidosos , e dedutivamente construíu e continua a construir sua personalidade , não estática mas em permanente aprendizado e transformação , mutante que é .

As pessoas que constrõem suas personalidades linguísticas , culturais e psíquicas em mais de um país e em contacto com diferentes culturas , podem enriquecer muito sua própria ao comparar valores muitas vezes diferenciados .

A Língua Portuguesa desde os primórdios foi sendo semeada no meio cultural de outros povos através dos viajantes lusófonos , enriqueceu muito e assumiu características novas próprias e , hoje em dia , é um instrumento linguístico suficientemente rico e capaz para através dele se poder exprimir profundamente as questões do mundo humano ou outras e as questões mais universais e em particular as questões da Comunidade Lusófona , em franca expansão e união .

Neste nova Era , é necessário compreender que existe uma Língua Portuguesa Internacional que ao transformar-se numa Língua mais simples , não simplista , mais lógica , mais diversificada , mais estética , mais musical , ficou mais interessante e atractiva .

É necessário reflectir urgentemente e com clareza se a Comunidade Lusófona quer que os povos inseridos na CPLP mas cuja língua materna não é o português , sintam-se parte activa e importante nesta Comunidade lusófona ou se mesmo os povos cuja língua materna é o português devem ou não aprender com mais facilidade sua língua materna , exprimindo-se e escrevendo o mais correctamente possível , sem complexos .

Cristalizar a língua portuguesa não a torna mais universal nem mais querida .

O computador é definido como um instrumento moderno fundamental e poderoso no desenvolvimento humano neste século XXI pois permite um aprendizado mais amplo entre as sociedades humanas e quanto mais lógico , prático e fácil for este instrumento na sua utilização mais eficiente e eficaz se torna , permitindo que um número cada vez maior de pessoas utilizem-se dele para se desenvolverem mental e fisicamente .

As Línguas são um dos principais instrumentos de desenvolvimento da inteligência humana e de outros seres e como ferramentas importantes que são devem transformar-se no melhor instrumento tecnológico capaz de ajudar na construção de uma inteligência mais apurada , mais intuitiva .

A Língua , quanto mais simples , lógica , clara , objectiva e ampla mais eficiente e eficaz se torna pois permite uma comunicação mais correcta , um entendimento mais rápido e directo entre as pessoas dos diferentes meios culturais regionais , nacionais e internacionais .

Com as facilidades de comunicação actuais e com o advento da Internet , os diferentes leitores e escritores lusófonos têem acesso a textos escritos segundo as características linguísticas de cada país .

Este autor procura editar seus textos respeitando as características linguísticas de cada país , evitando impor uma mistura anárquica de regras diferenciadas mas isso exige um grande esforço de sua parte em leituras repetidas cuidadosos mas muitas vezes cansativas e com desperdício de tempo .

Havendo um acordo ortográfico único construído por todos os países lusófonos , certamente isso facilitaria muito a comunicação escrita comunitária e seu desenvolvimento , em todos os sentidos .

As diferenças entre a escrita da língua portuguesa de Portugal no inicio do século XX e a escrita de hoje são muito maiores do que as mudanças necessárias hoje com este novo acordo ortográfico .

Este acordo Ortográfico pouco altera a linguagem fonética própria de cada grupo e esta não perde suas características regionais e nacionais felizmente , sendo a diversidade da Língua Portuguesa muito enriquecedora em todos os aspectos e mais ainda na estética sonora que muito ajuda na valorização e globalização desta Língua tornando-a mais musical e agradável ao ser escutada .

A influência africana na Língua Portuguesa do Brasil e permitiu que ela se transformasse numa das Línguas mais cantadas e divulgadas no planeta .

A Lingua Portuguesa após o inicio da Era dos Descobrimentos influenciou e foi influenciada pelas diversas Línguas Africanas e Asiáticas .

É importante que todos os países da CPLP transformem rapidamente este instrumento linguístico que é a Língua num instrumento internacional capaz de responder com eficiência e eficácia às solicitações específicas de cada povo e assim seja possível avançar-se num maior desenvolvimento socio-cultural , económico e ecológico pois a união gera força .

A CPLP é uma excelente opção , paralelamente a outras uniões regionais ou internacionais , para se ultrapassarem uma série de barreiras muito difíceis neste caminhar humano planetário , neste século XXI , Era das grandes crises humanas e ecológicas planetárias.

VASCO DA GAMA


Pensar e Falar Angola

IV CONCURSO LITERÁRIO POESIAS SEM FRONTEIRAS





IV CONCURSO LITERÁRIO POESIAS SEM FRONTEIRAS

(inscrições de 10 de agosto até 20 de dezembro de 2008)

Realização: http://marceloescritor.blig.ig.com.br/

Com o objetivo de estimular poetas de todo o Brasil e Países de Língua Portuguesa, o concurso premia os três melhores trabalhos, comprovando o sucesso com sua 4ª edição.

Os interessados devem enviar uma única poesia, tema LIVRE (digitada ou datilografada) inédita sob pseudônimo, em duas vias, dentro de um envelope maior. No envelope menor, deverá constar a ficha de inscrição com o nome, endereço completo, idade, profissão,escolaridade, endereço, título da poesia, pseudônimo, telefone, e-mail (se tiver), comprovante de depósito de R$ 7,00, em nome de Marcelo de Oliveira Souza, conta poupança BRADESCO : No 5920 digito 0 Agência 3679 digito 0. Não esquecer de dizer como tomou conhecimento do concurso e se já participou de concursos anteriores.

Formas de pagamento:

· Em espécie junto à ficha de inscrição (envelope menor)

· Depósito Bancário ou transferência de conta

· Fora do país o equivalente a 5 dólares ou euros.

RESULTADO: Dia 20 de janeiro de 2009

No site: http://marceloescritor.blig.ig.com.br e por e-mail, para quem enviar o endereço eletrônico.

PREMIAÇÃO:

1o lugar: Troféu + certificado + Livro A SALA DE AULA

2o lugar: Certificado + Livro A SALA DE AULA + 1 PEN DRIVE

3o lugar: Certificado + Livro A SALA DE AULA + imã literário

Obs:Haverá também duas menções honrosas que receberão certificados + livro A SALA DE AULA.

Contatos: marceloosouzasom@hotmail.com e celular 71-87266649

ESCREVER é PRECISO!

Enviar para:

IV Concurso literário: Poesias sem Fronteiras

A/c Marcelo de Oliveira Souza

Conjunto Edgar Santos Bloco 14/204

Engenho Velho de Brotas Salvador Ba

Cep 40240-670



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quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Sobre o reino de Ginga - ensaio I

Fotografia: Ricardo Diz
Pintura: João Inglês
Design gráfico: Anabela Quelhas



Pensar e Falar Angola

DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL

Pensar e Falar Angola

SUGESTÃO feita pelo sr. Manuel de Souza , àcerca de ENERGIAS RENOVÁVEIS , no seguinte SITE :

http://www.parlamentoglobal.pt/

REPETIMOS AQUI UMA PARTE DE SUA CARTA :
=======================================

SIC - ""A aliar a isto, há as fontes de energia alternativa da natureza, como o vento, que já é usado em certa escala, para produzir energia limpa e por conseguinte, electricidade, havendo ainda a eólica, proveniente do Sol, ou a termal, proveniente do fundo da Terra, assim com a hídrica e a das ondas, etc, para não falar de outras, etc, que Portugal podería investigar e potencia ao máximo, incentivando por meios de vários subsídios e incentivos de toda a ordem, desde os financeiros, aos fiscais, etc, ao surgimento de novas Empresas/Firmas voltadas tanto para a investiação, como para a utilização e produção dessas mesmas energias, a fim de potencia a alimentação do mercado consumidor com todas as alternativas viáveis, fossem elas combustíveis ou fontes alternativas para a produção de energia eléctrica, etc. ,,,

Há ainda a possibilidade de Portugal, em novas parcerias agrícolas nesse sentido com Angola, Moçambique, etc, Países onde há grandes extensões de terras aráveis e férteis, e com bastante água disponível, introduzir Projectos de Produção de Colheitas de Plantas potenciais para a produção de óleo vegetal e etanol, virados essencialmente para a produção de combustíveis vegetais alternativos aos fósseis, etc, criando assim potenciais reservas para o fornecimento aos mercados de grande demanda, tanto no Ocidente, nomeadamente parceiros da Europa Comum, como no Oriente, no caos das emergentes China e Índia, onde a demanda por combustíveis, é cada vez maior.

Muitos acusam oa agro-combustíveis de serem os culpados pela alta dos preços de alimentos a nível Mundial, como o Milho, Soja, Arroz, Cereais em geral, mas, como disse e muito bem o Presidente Lula, do Brasil, somente se quer tapar o Sol com uma peneira e desviar a atenção para o verdadeiro País, provocando a continuidade da dependência dos Países pelo Petróleo, quando é precisamente este Producto que subiu como nunca antes, que provocou a alteração de tudo o que é preços e demandas, a nível do mercado Internacional, uma vez que aumentaram logo os custos de aquisição, processamento, transporte de e para, e consequentemente, da produção e dos serviços e dos alimentares e consumíveis, etc. """ .


É claro que este senhor ainda pensa à moda antiga , e ao ouvir falar em energias renováveis achou que descobriu novamente a árvore das patacas ......

Este senhor precisa primeiro estudar para entender o que são energias alternativas e não afirmar que a energia eólica é energia solar ou seja este senhor confunde-se ..

Diz que o sr. Lula sabe muito de enrgias alternativas mas o sr. Lula também estudou pouco ... por isso repete muito aquilo que ao seu governo mais interessa dizer ...

Nenhum país na Europa quer produzir em alta escala produtos agricolas para utilizar como energia alternativa pois isso iria prejudicar muito as populações locais com o aumento dos preços alimentares .

As pessoas mais informadas sabem muito bem que as populações do mundo continuam a aumentar exponencialmente logo , cada vez mais , precisam de alimentos ..

Este senhor Manuel sugere que os portugueses venham plantar os tais girassóis ou outros produtos para produzir energia alternativa e vender para os outros países pois iriam ganhar muito dinheiro com isso ... .

Aquilo que ninguém quer nas suas terras , este senhor sugere que venham plantar em Angola ou Moçambique , países que ""não têem problemas de fome pois produzem alimentos com fartura e podem-se dar ao luxo de produzir aquilo que ninguém quer nos seus países"" .

Por favor , senhor Manel , Angola já é um país independente e tem inteligência suficiente para pensar e construir melhores caminhos do que esse que o senhor sugere .

Angola precisa é de plantar alimentos comestíveis para a sua população e exportar excedentes e não continuar a alimentar os luxos dos outros ..


ALGUNS GRUPOS ECONÓMICOS querem explorar a madeira em Angola e solicitam ao Governo terras com florestas para cortar as árvores transformando-as em madeira para exportar - claro !

Por quê em vez de pedirem florestas para destruir , não compram terras vazias de árvores ou obtêem concessão das mesmas , plantam árvores nobres nativas próprias para produzir madeira e depois de crescidas as árvores , exploram a madeira de forma equilibrada e ecológica ?

Não se pode esquecer que o Governo não é o dono das árvores pois não foi ele nem qualquer outra pessoa quem plantou as florestas originais existentes no país .

Com excepção dos Eucaliptos que foram plantados antes da independência em grandes áreas , árvores que não são nativas e desertificam os solos pois têem um crescimento muito rápido e necessitam de muita água .

O Governo é o Órgão responsável pela preservação das florestas que pertencem à Nação Angolana , não pertencem exclusivamente a alguém em especial nem podem ser derrubadas .

Se alguém quer produzir madeira ou derrubar árvores , primeiro plante e depois ordenadamente , num equilibrio ecológico , pode ir cortando uma parte e ao mesmo tempo voltando a reflorestar .

Isso seria desenvolvimento sustentado .

Angola precisa de uma economia desenvolvida sustentável .

terça-feira, 5 de agosto de 2008

CRIANÇA

Pensar e Falar Angola


CRIANÇA DO MUNDO
.
Na imensidão do só no horizonte
Descalço na terra a vida é bela
Bate à porta e entra na rua
Menino que joga com bola de pano
.
Goleiro pra cá goleiro pra lá
Metade de uns metade de outros
Juiz não mas Pelé e Schillaci há ..
Bola voando à baliza chutada
Grito de gol : pelééé ... marcou !!!
Volta ao centro o astro contente .
.
Sorriso de menino , diz o caminho
Mostra a estrada da rua perdida
Diz o destino da Eva no tempo
Aponta teu dedo ao sol , que diz ?
.
Seja eu de si pequeno
Imagem de um sol maior
Na rua de ti mostrada !
.
E os tambores da noite ecoam´
Nas vozes do vento a vibrar´
Dizendo de ti menino do mundo
Dizendo no olhar o que lhe vai
Na alma de seu calmo ardor
Nos espaços dos tempos
De seu sofrer sem pão e "Con/dor"
.
Dizei montes o que vedes do céu
Da flor criança em jardins de Jasmim
Falai ser alado que voas alto
Da imensidão do só nas alturas
.
Falai criança , o que dizes ?"
.
As pernas grandes dos homens
Gostam de assustar meninos
Fazem guerras e não se olham
E não sabem escutar o vento
Nos castelos areados à beira-mar
.
Só quero brincar na terra
De deuses adultos crescidos
Com alma no sorriso do olhar
Só quero rosas , espinhos para quê ?
Só quero a paz dos humanos brincar " .
.
Sei criança o que dizes ?

(vfr)

RITA GT em Viana do Castelo

https://youtube.com/shorts/qZkb4CfXTZQ?si=3K65JJEr5VQqsZZS Ao longo dos últimos dois anos tive a oportunidade de desenvolver “8”, uma obra d...