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quarta-feira, 24 de junho de 2020

João Melo, irreverente e livre

João Melo, irreverente e livre

Adriano Mixinge
Para mim, ele começou sendo apenas um poeta mais. Soube que existia, em finais dos anos 80: os seus primeiros seis livros são de poesia, tendo o primeiro deles, “Definição”, sido publicado em 1985.
Mas, foi “Fabulema”, o livro que publicou no ano seguinte, o que me chegou às mãos, na “Ciudad Libertad”: o livro estava entre vários outros na caixa de livros, que, em 1990, a minha irmã São me ofertou quando eu ainda vivia naquela cidade universitária, no bairro de Marianao, em Havana.
Para ser sincero, na altura, dei pouca ou nenhuma importância àquele livro de João Melo (Luanda, 1955). Depois de tudo, - creio ter pensado na época -, no nosso país, os poetas surgiam e proliferavam como cogumelos depois da chuva, para além de que, como sabemos, apesar do muito que se publica em poesia, escasseiam os bons livros deste género literário: eu sempre tive ( e continuo a ter) dificuldades em encaixar o João Melo, entre os poetas da geração 80 e ainda bem.
Porém, apesar do escritor ter publicado “Limites & Redundâncias” (1997), quando eu já tinha regressado à Angola e vivia, em Luanda, foi com “Imitação de Sartre & Simone de Beauvoir” (1998) que eu desfrutei, fartei-me de rir e descobri o escritor livre, sem tabús e irreverente que ele é: a ideia do escritor insosso, asfixiado na sua própria gravata, sério, que nunca foi boémio e bon vivant como eu imaginava - talvez, com pouco tino-, que tinham sido os “escritores revolucionários” dos anos 60 e 70 esvaiu-se, completamente, quando eu li o primeiro livro de contos de João Melo, foi uma autêntica revelação.
Falando sobre a obra do escritor, o ensaísta Pires Laranjeira, professor da Universidade de Coimbra (Portugal) afirma que: “é imperdoável o desconhecimento de uma obra contística única nos cinco países africanos de língua portugesa, que não busca o efeito castiço de origem étnico-pop, nem o delicodoce das ternurentas aventuras infanto-juvenis ou das estórias piadéticas para entreter turistas, que merecem o seu lugar”.
Apesar de ter escrito e continuar a escrever poesia, o conto é o género literário em que João Melo se exprime e se espraia com maior acutilância, com muita piada, com um humor por vezes corrosivo e com absoluta liberdade: quem quiser compreender as subtilezas, os acertos e desacertos de parte significativa da sociedade angolana actual deve ler, atentamente, os livros de contos do escritor.
João Melo é um dos escritores que melhor soube navegar dentro do sistema político, social e económico que se instalou, em Angola, nos últimos trinta e cinco anos, adoptando diferentes perfis sócio-profissionais, mas, em todos eles, e à sua maneira, empurrando as barreiras do conservadorismo, ajudando a consumar transformações positivas dentro do próprio sistema: jornalista, publicitário, professor universitário, consultor e político.
“O dia em que Charles Bossangwa chegou à América” é o seu mais recente livro, que reúne contos escritos entre 2017 e 2019. Editado pela editorial Caminho, com prefácio de Maria Teresa Salgado da Universidade Federal de Rio de Janeiro (Brasil), este livro de contos de João Melo traz sete contos, nomeadamente, “O país está desgovernado”, “Uma pequena saga ministerial”, “o perigo amarelo”, “Uma mulher séria”, “O torcicolo”, “O angolano que não gostava do verbo malhar” e “O dia em que Charles Bossangwa chegou à América”.
Longe da ideia e da atitude de intelectual eremita e solitário, apático e indiferente ao seu tempo e às suas circunstâncias, João Melo é um cidadão que fez-nos ouvir sempre a sua voz – a troca de galhardetes com o actual embaixador do Brasil em Angola foi uma consequência das posturas e ideias que bem defende - e não tem receio nem tabú nenhum em abordar temas escabrosos, - já sejam eles temas sociais, políticos e ou sexuais-, falar sobre os problemas e as inquietações do homem, em todas as suas facetas existenciais.
“Mestre do conto”, no dizer da professora Maria Teresa Salgado da Universidade Federal de Rio de Janeiro (Brasil), João Melo é, sobretudo, um escritor irreverente, útil, livre e à ler, permanentemente.
Ele é o contista que não devemos ignorar.
in Jornal de Angola
23-06-2020


Pensar e Falar Angola

sábado, 3 de março de 2012

Loanda, Luuuanda, Luandauééé


por João Melo na apresentação do livro·

Roderick Nehone, autor do celebrado “O ano do cão”, lança hoje o seu mais recente título: “O catador de bufunfa”. Trata-se de uma pequena novela, de pouco mais de cem páginas, que tenho o prazer de apresentar. Serei breve, para não retirar aos presentes a curiosidade da leitura.
Começo por dizer que, do ponto de vista diacrónico, este “O catador de bufunfa” se insere num dos mais antigos e ricos filões da literatura angolana moderna: a utilização de Luanda como espaço geográfico privilegiado, para não dizer único, da estória narrada. Nehone insere-se, assim, conscientemente, numa linha que vem, pelo menos, de Óscar Ribas, passou por Luandino – o grande mestre - e Arnaldo Santos e é agora representada por Jacinto Lemos, Ondjaki, Isaquiel Cori e outros. Eu próprio tenho feito da Luanda contemporânea o cenário da maioria das minhas estórias.
Obviamente, a cidade mudou, desde a primeira metade do século XX até aos nossos dias, assim como a maneira de olhar para ela. Novas realidades físicas, novas gentes, novos actores, novos problemas e situações foram emergindo no espaço cada vez mais expandido de Luanda, acompanhando as vicissitudes e as transformações históricas que afectaram e continuam a afectar a urbe, umas correspondendo às suas próprias dinâmicas internas e outras, a dinâmicas externas (nacionais ou cosmopolitas).
De Loanda a Luandaué, surgiu uma nova realidade antropológica. A cidade transformou-se de um espaço de construção de uma crioulidade de raíz luso-quimbunda, com as suas cumplicidades e tensões próprias, no espaço de edificação de uma outra crioulidade, genericamente afro-cosmopolita.
A tradicional pequena burguesia caluanda, que na verdade é uma espécie em vias de extinção, queixa-se que a cidade se ruralizou, mas eu discordo: em termos urbanísticos e sociológicos, Luanda é hoje uma metrópole terceiro-mundista semelhante a outras cidades africanas, sul-americanas ou asiáticas.
Em “O catador de bufunfa”, Roderick Nehone mostra-nos essa cidade em rápidas descrições, afirmações e comentários. Estão lá todos os novos habitantes de Luandaué: angolanos de todas as origens (de tal maneira que já não sabe de onde vieram) e estrangeiros de todas as proveniências (portugueses, brasileiros, americanos, chineses, malianos, congoleses, senegaleses, etc.), pobres, ricos, miseráveis, trabalhadores, oportunistas, bandidos, polícias, polícias-bandidos…
Como lembra o autor, os habitantes de Luandaué, todos eles, sem excepção, lutam apenas pela sua afirmação ou simples sobrevivência, engendrando todo o tipo de actividades, inventando criativamente novas “profissões”, procurando realizar toda a sorte de negócios, entre sonhos, desejos, projectos, queixas, raivas, frustrações e desistências. Nehone não se esquece da proliferação das igrejas e do papel da religião como uma das estratégias de afirmação ou de sobrevivência dos habitantes da Luanda dos nossos dias.  
De igual modo, do ponto de vista físico, o autor mostra-nos Luanda como ela é hoje: uma cidade em profunda, mais ou menos caótica e inevitável transformação, com todo o frenesi da construção civil, os arranha-céus, os novos bairros, as estradas, os problemas com as infraestruturas, a maka do trânsito, etc.
É nesse cenário instigante que se desenrola a história de Nazaré dos Relâmpagos de Abril, um estafeta e autodidacta que deixa o emprego público onde trabalhava para tentar a sorte como trabalhador informal. Por sugestão de um amigo, que reencontra numa igreja talvez evangélica, depois de dez anos sem vê-lo, ele adopta uma nova e inverosímil profissão: “transitário polivalente”, ou seja, um intermediário de todos os negócios possíveis e imaginários. Não vou contar o livro, mas peço licença ao autor para antecipar um desses “negócios”: Nazaré, não hesitando em ser informante (bufo), passou a revelar aos polícias de trânsito em serviço na cidade quais os carros mal estacionados na via pública, recebendo dez por cento de comissão por cada carro “bufado”.
Essa referência é uma das muitas presentes em “O catador de bufunfa” que confirma que, se Luanda mudou, permanece entretanto uma das estratégias mais criativas usadas pelos escritores angolanos para olhar e retratar a cidade: o humor e a ironia. Aliás, o humor de matriz caluanda é hoje um dos traços identificadores não apenas da literatura, mas dos próprios angolanos. Roderick Nehone utiliza esse recurso estilístico na sua obra mais recente com parcimónia e bonomia, sem sarcasmos nem intuitos provocatórios, mas com bastante competência. Isso, aliado ao rigor e à leveza da escrita em primeira pessoa, torna o livro de leitura fácil e amena.
Outro recurso que Nehone utiliza livremente, fiel à mais radical tradição literária angolana, é o uso da linguagem coloquial, do calão e da gíria, assim como o aportuguesamento de palavras de origem africana, em especial o quimbundo. No entanto, ele não só se mantém dentro da norma gramatical portuguesa, como não se coíbe, aqui ou ali, a demonstrar a sua sólida cultura geral, sem cair no pretensiosismo.
A finalizar, atrevo-me a dizer que a pretensão do autor, ao escrever este livro, foi exaltar a capacidade de adaptação e criação dos luandenses (e dos angolanos), transmitindo, assim, uma mensagem positiva. Esse constitui, digamos assim, o “projecto ideológico” de “O catador de bufunfa”, o que, acrescento, está, em geral, em consonância com o tempo histórico actualmente vivido pela nossa sociedade. Dez anos depois da paz que se seguiu a 27 anos de guerras que destroçaram o país desde a independência, em 1975, Angola vive hoje, apesar da persistência de muitas dificuldades e problemas, um momento de grandes transformações e sobretudo de esperança, sendo natural que a literatura procure reflectir e expressar esse momento.
Não por acaso, na parte final do livro, a personagem principal de “O catador de bufunfa” como que se regenera, fazendo uma escolha que compensa os negócios esdrúxulos ou mesmo pouco limpos em que esteve metido no passado. Aliás, o livro encerra com uma alegoria que mistura pão e sexo, talvez as duas necessidades básicas fundamentais de todos os seres humanos. Para conhecê-la, os presentes terão de ler o livro até ao fim.



Pensar e Falar Angola

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

'Os angolanos' de João Melo

com a devida vénia e os nossos agradecimentos aqui reproduzimos o artigo de João Melo (Escritor e jornalista. Autor de 12 livros de poesia, cinco de contos e um de ensaios. Publicado em Angola, Portugal, Brasil e Itália. Director da revista África 21. Ainda "está" deputado)

A propósito do debate suscitado pela minha crítica à "ivoirité" e a sua analogia com as teorias da "autenticidade" ou "genuinidade" defendida por algumas vozes em Angola, resolvi alinhavar esta nota, na qual pretendo formular o meu conceito de angolanidade. Antes de avançar, reitero que fiquei levemente perturbado com o facto de alguns jovens angolanos - que deveriam ser generosos e humanistas como se pede à juventude -, sobretudo no exterior, defenderem um conceito fechado e excludente de angolanidade. Talvez isso seja um sinal dos tempos - afinal, as tendências para a xenofobia hoje espalham-se um pouco por todo o lado -, mas, para quem continua a acreditar ser possível construir uma nova humanidade, livre de preconceitos e discriminações, é imperioso desconstruir e mostrar a incorrecção desse pensamento.
Muitos desses jovens (e não só) estão emigrados na Europa e sofrem os efeitos do aumento do racismo e da xenofobia a que se assiste em vários estados do continente, para não dizer todos. A tendência mais fácil, portanto, é responder ao preconceito com o preconceito de sinal inverso. Convoco, por isso, a lição do sociólogo brasileiro (negro), Muniz Sodré:-"O ressentimento é a doença infantil do anti-racismo".
Outros tentam intectualizar e racionalizar o preconceito, mas apenas misturam alhos com bugalhos, confundindo os problemas políticos e sociais do país, a desigualdade de classes e os desiquilíbrios regionais - que são inegáveis - com uma suposta questão racial ou étnica, que não resiste à análise factual, mesmo superficial.
Finalmente, outros, ainda, não passam de oportunistas e demagogos, que usam o discurso da "genuinidade" apenas para tentar ocupar espaços, pois não possuem outros instrumentos para consegui-lo, como a competência e a capacidade.

Quem somos nós?

Afinal, quem somos nós, angolanos? A angolanidade (como qualquer outro tipo de identidade nacional) tem de ser formulada objectiva e cientificamente e não emocional, politica e muito menos partidariamente. Aliás, em todos os partidos há pessoas que defendem uma angolanidade mais aberta e dinâmica e outras, mais fechada e restritiva.
Nessa linha, começo por dizer que a angolanidade precisa de ser caracterizada, portanto, à luz da história, da antropologia, do direito e da cultura, entre outros.
Recorro ao antropólogo angolano Carlos Serrano, professor da Universidade de São Paulo, para afirmar que, historicamente, os primeiros povos que habitaram o território que hoje constitui Angola foram os khoisan (erroneamente chamados "bosquímanes") e, possivelmente, os pigmeus. Os grupos bantu chegaram depois, forçando os pigmeus a fixarem-se nas floresta do actual Gabão, enquanto os khoisan foram confinados ao sul e sudeste de Angola, sendo hoje um grupo minoritário.
Os grupos bantu não chegaram todos ao mesmo tempo. Os kikongos entraram no século XIII, pelo norte. Os nhaneka-humbi chegaram no século XV, pelo sul, chegando até ao planalto central. Nesse mesmo século, chegaram os hereros, provenientes dos Grandes Lagos. Do encontro entre kikongos, nhaneka-humbi, hereros e outros, resultaram os kimbundus, ovimbundus e nganguelas.
No século XVI, entrou outro grupo pelo norte, os jagas, que, derrotados pelos kikongos, se foram instalar mais a sul e também no leste. No século XVIII, chegaram os ganguelas, ovambos e tchokwés. O último grupo bantu a emigrar para Angola, já no século XIX, foram os xindonga, provenientes da actual África do Sul.
Como se sabe, os primeiros europeus chegaram a Angola no final do século XV, limitando-se, durante muito tempo, ao litoral e ao eixo Luanda-Malanje. Ou seja, os europeus chegaram ao país antes de muitos povos de origem bantu, como os ganguelas, os ovambos, os tchokwés e os xindongas. Embora poucos, há brancos que, portanto, já são angolanos há várias gerações.
Todos esses grupos, europeus incluídos, se misturaram desde sempre. Portanto, do ponto de vista da história, os angolanos resultam do encontro e das misturas entre esses vários povos.
Assim, podemos afirmar que a quase totalidade dos angolanos são, como diz o antropólogo angolano Victor Kajibanga, mestiços, mesmo biologicamente (o que não quer dizer "mulatos", que são apenas um tipo de mestiços). Essa mestiçagem resulta, pois, quer da mistura entre os vários grupos bantu quer do contacto dos grupos bantu com os europeus. Após a independência, a grande mobilidade social verificada, assim como a própria guerra, embora paradoxalmente, acentuaram essa mistura, pois os angolanos dos diferentes grupos movimentaram-se, livre ou forçadamente, por todo o país, onde casaram, fizeram filhos, etc.
Demograficamente, a esmagadora maioria dos angolanos é composta por pessoas de origem bantu e de pele negra (que, como vimos, se misturam entre si há séculos), mas também fazem parte da população, embora minoritários, brancos e mulatos (mestiços resultantes do contacto entre negros e brancos), sem esquecer os khoisan. Essa composição poderá mudar ou não, no futuro, conforme as movimentações demográficas internas, os fluxos populacionais externos, os novos contactos e misturas a estabelecer, etc.
A cultura angolana é o resultado do contacto entre as culturas dos diferentes grupos que compõem a população do país, incluindo a europeia (portuguesa). Ela não é uniforme nem homogénea, pois não há culturas uniformes e homogéneas. A sua matriz predominante são as as culturas de origem bantu, mas também a integram, desde logo, elementos culturais europeus, como a língua portuguesa ou o cristianismo. Mas não só europeus: a mandioca e o milho - apenas para dar um exemplo -, base da alimentação da maioria da população, são originários das américas. Todos esses elementos originariamente extra-africanos (incluindo a língua portuguesa) já foram absorvidos e devem ser considerados tão nacionais como os demais.
Assim como não é uniforme nem homogénea, a cultura angolana, como acontece com todas as culturas, também não é estática. Na nossa época, a urbanização (mais de metade dos angolanos já vive nas cidades) e a influência da chamada globalização marcam cada vez mais acentuadamente a maneira de ser, pensar e agir dos angolanos. Existe nisso um risco: o esquecimento e anulação de importantes manifestações culturais "tradicionais", incluindo as línguas de origem africana. Não posso, obviamente, deixar de partilhar a ideia de que é preciso resgatar e valorizar essas manifestações, pois isso contribuirá para o enriquecimento da cultura nacional. Mas isso implica uma investigação científica e séria, assim como uma postura crítica (nem todas as "tradições" são aceitáveis), e não discursos românticos e/ou demagógicos e muito menos excludentes.
Em suma, a resposta à pergunta - "Quem somos nós, angolanos?" - só pode ser uma: somos um povo com uma origem histórica diversa, afro-europeia, de maioria negro-bantu, mas etnicamente misturado e epidermicamente variado, cuja cultura resulta não só do contacto das culturas dos diferentes grupos que compõem a população que hoje habita o território do país, mas igualmente da influência de elementos e valores universais. Para resumir com uma espécie de slogan: a nossa identidade é a nossa diversidade.

Cidadania e igualdade

Durante a época colonial, o regime português levou a cabo em Angola uma política discriminatória, cujas vítimas, em diferentes graus, foram os pretos, os mulatos e até os brancos nascidos no país, considerados "brancos de segunda". As principais vítimas sempre foram os angolanos pretos, em especial, mas não só, das áreas rurais. Quando começou a luta de libertação nacional, o regime começou a acentuar a política de diferenciação entre pretos, mulatos e brancos nascidos em Angola, favorecendo relativamente os dois últimos (mais os brancos do que os mulatos), assim como entre os vários grupos étnico-culturais. Era a velha máxima, criada pelos romanos: dividir para melhor reinar.
Apesar disso, note-se, a luta de libertação nacional foi feita por angolanos de todas as origens étnico-culturais e de todas as cores, sem qualquer excepção. Os jovens angolanos precisam de conhecer essa história, para não cairem no engodo dos demagogos e populistas, que insistem em racializar a luta necessária para promover o desenvolvimento equilibrado do país.
Quando a independência de Angola foi proclamada, em 1975, o facto é que, devido à política discriminatória do regime colonial, que marginalizou principalmente os pretos, vedando-lhes, entre outros, o acesso à educação e à cultura, havia mais quadros mulatos e brancos para ocuparem cargos de responsabilidade, sobretudo técnica e administrativa. Hoje, mente com todos os dentes que tem na boca quem continuar a afirmar que a situação se mantém. Graças aos inegáveis esforços do poder pós-independente, foram formados massivamente quadros de todas as origens e de todas as cores em todos os sectores de actividade, o que permitiu que a actual representatividade em todos os sectores de actividade do país esteja muito mais de acordo com a composição étnico-cultural e "racial" da população angolana. Para atestá-lo, basta olhar para a constituição do governo, das forças armadas, dos partidos políticos, do empresariado, etc. Por exemplo: de que origem ou qual é a cor da pele dos maiores empresários angolanos actuais ou, se quisermos, dos principais "endinheirados" do país?
Isso não significa que, no plano microssocial, nas relações entre pessoas, nas empresas e instituições, em espaços públicos, etc., não haja por vezes tensões e problemas étnicos e "raciais". Mas manda a honestidade reconhecer que, nesse domínio, há de tudo: brancos que não gostam de pretos, pretos que não gostam de brancos e mulatos, mulatos que não gostam de pretos ou não gostam de brancos, enfim, há culpados e inocentes em todos os grupos. É preciso combater essas tendências, a todos os níveis, começando pela nossa casa, a nossa família, os nossos amigos, etc.
O que eu defendo desde que me conheço como gente é que todos os indivíduos nascem iguais e devem ter oportunidades iguais. O contrário é discriminação e preconceito, na Europa ou em Angola. É da responsabilidade do Estado promover políticas que possibilitem a todos os cidadãos as mesmas condições e oportunidades de afirmação e desenvolvimento. Considero que os esforços do Estado angolano para promover a educação generalizada e massiva constituem uma medida justa e correcta para isso, mas aqueles que acham que são necessárias outras acções devem pôr as suas ideias concretas na mesa, para permitir a sua discussão. Pela parte que me cabe, não tenho tabus em discutir qualquer assunto.
Há um ponto em relação ao qual não faço concessões: a luta contra a discriminação e pela igualdade não significa inverter o sinal da discriminação e das desigualdades do passado, promovendo novas discriminações e desigualdades. O preconceito não se combate com preconceito. 
A Constituição diz que são angolanos de origem os indivíduos de pai ou mãe angolana, onde quer que tenham nascido. Isso abrange, portanto, todos, pretos, mulatos e brancos, kimbundus, kikongos, ovimbundus, tchokwés, ganguelas, luvales, hereros, khoisan, etc., etc, etc. Pessoalmente, vou até um pouco mais longe, pois defendo que todos aqueles que nascessem em Angola deveriam ser automaticamente angolanos, como acontece em grandes países, como os EUA, o Brasil e outros. Esses países são grandes, entre outros factores, devido à sua política de nacionalidade aberta e dinâmica... Defendi essa posição no recente debate constitucional, mas, nessa matéria, fui voto vencido...
De qualquer modo, parece-me também um facto que a nossa diversidade não impede a nossa unidade e as profundas semelhanças entre os diferentes angolanos, com as suas virtudes e defeitos. Podemos afirmar, sem grande risco, que Angola é consideravelmente mais "integrada" do que a maioria das outras nações africanas. Além disso, o país precisa do trabalho de todos (e mais alguns) para desenvolver-se. Se perdermos tempo a discutir quem é mais genuíno do que o outro, não iremos a lugar nenhum. Precisamos de concentrar-nos em discutir as condições para o pleno exercício da cidadania por parte de todos, sem excepção.
Lembremo-nos da canção de Teta Lando: "Se você é preto / isso não interessa a ninguém/ Se você é branco / isso não interessa a ninguém / Se você é mulato / isso não interessa a ninguém..."             



Pensar e Falar Angola

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Para além do CAN - João Melo


Sem recuo
TODAS AS ANALISES CONVERGEM: embora não tenha parado e muito menos recuado, Angola
sofreu uma dramática desaceleração em 2009.
Não me refiro somente ao facto de a economia ter crescido apenas 1,3%, contrariando, seja como for, as previsões das organizações económicas internacionais, que juraram que o país iria entrar em recessão.
A sensação, expressa por muitas vozes, de que teria havido uma paralisação da evolução do país, está relacionada sobretudo com as seguintes questões: a ideia que o processo de democratização terá estagnado, devido, sobretudo, à não realização das eleições presidenciais; a demora da resolução de certos problemas básicos; e, por fim, a falta de medidas para moralizar a administração e melhorar a boa governação, o que foi uma das mais incisivas promessas eleitorais do Presidente José Eduardo dos Santos, em Setembro de 2008.
Tenho uma opinião própria acerca de cada uma dessas percepções.
Relativamente à primeira, defendo que as eleições não são em fim em si mesmo, mas um meio. Quanto a mim, a prioridade política número um em Angola é encerrar a transição iniciada nos anos 90, assegurando a continuidade da estabilidade no futuro. Para isso, é necessário aprovar a nova Constituição.
Realizar as eleições presidenciais à luz da lei constitucional em vigor seria prolongar desnecessariamente o fim da transição (para lá de 2012), uma vez que o mandato do Presidente da República é de quatro anos. Por isso, concordei desde o início com a estratégia de aprovar primeiro a Constituição.
Em relação à demora da resolução de certos problemas básicos, partilho, de um modo geral, dessa percepção. É certo que os efeitos da crise mundial sobre a economia angolana não podem ser ignorados, o que implica compreender algumas das consequências sociais desse facto. Mas, apesar disso, a inércia de determinados sectores não tem explicação. O que me continua a inquietar é a inversão das prioridades do Governo, pelo menos em alguns domínios, onde projectos que beneficiam sobretudo as classes mais elevadas têm merecido mais atenção e recursos do que aqueles capazes de melhorar as condições de vida dos mais pobres.
Quanto à falta de medidas para moralizar a Administração e melhorar a boa governação, ninguém tem dúvidas que pouco ou nada foi feito em 2009.
Entretanto, o ano termina com alguns sinais dignos de menção. O MPLA, que foi escolhido em Setembro de 2008 para continuar a dirigir o país, reafirmou, no seu VI Congresso, de 7 a 10 de Dezembro, a sua filiação político-ideológica à «esquerda democrática» e, concomitantemente, a sua disposição de colocar a justiça social no centro da sua acção governativa. De igual modo, recomendou expressamente o combate à corrupção, à falta de transparência e à má governação em geral.
Por outro turno, e falando no encerramento do congresso, o Presidente José Eduardo dos Santos reafirmou, pela terceira vez no espaço de um mês, a necessidade de combater a corrupção, o esbanjamento e o desvio de recursos públicos. Chegou ao ponto de anunciar que todas as figuras sobre as quais recaem suspeitas serão investigadas.
Ao mesmo tempo, o Presidente reiterou as promessas feitas pelo MPLA em 2008, apesar de ter passado um ano depois das eleições legislativas, sem que o Governo tivesse cumprido 2 5% das mesmas.
José Eduardo dos Santos antecipou que, para executá-las, vai montar um Governo mais eficaz e eficiente, quase certamente mais enxuto e racional do que o «gigantesco » Executivo actual.
Apoio para fazer o que tem de ser feito não lhe falta, como se ficou a perceber da entusiástica ovação com que as suas palavras foram acolhidas pelos mais de dois mil congressistas do MPLA. Além disso, tudo indica que a futura Constituição, que deve ser aprovada até ao final de Janeiro de 2010, irá mantê-lo à frente da chefia do Governo e do Estado até 2012, para poder concluir a transição. O Presidente terá, portanto, todos os instrumentos necessários para cumprir as suas promessas.
Ele está «proibido» de recuar.

ÁFRICA 21

Pensar e Falar Angola

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

LIVROS - O Homem que não tira o palito da boca

O HOMEM QUE NÃO TIRA O PALITO DA BOCA


NOTA DE IMPRENSA


A Editorial Nzila anuncia (e convida para acobertura d) o lançamento, no dia 21 de Dezembro (Segunda-feira), às 18 horas, na União dos Escritores Angolanos, do livro de estórias O HOMEM QUE NÃO TIRA O PALITO DA BOCA, da autoria do escritor João Melo.


A apresentação do Livro estará a cargo da professora Fátima Sampaio Fernandes.

O Acesso é livre!


Editorial Nzila

___________________


O livro


O autor usa uma linguagem magnificamente técnica, semiótica, de lógica formal e jurídica – obsessivamente perfeccionista, requintada, paranoicamente explicativa – para tratar de questiúnculas ou, pelo contrário, explicar formalmente, com uma lógica administrativa, a podridão familiar, politica, económica, o quotidiano de miséria, prostituição, indecência, malfeitoria e sacanice (no Sambila e outros bairros) de pobres diabos e cidadãos abandonados pelos coevos. Histórias de casais e traições (infidelidades) são uma das obsessões divertidas de Melo. E, depois, há o tema das raças, cores de pele, classes, mas também o do assassinatopiedoso, entre tantos.


Mesmo brincando e gozando com tudo e com todos, pressente-se que disfarça oincómodo do sofrimento humano com esse riso, que, afinal, não passara de piedade compungida pelos semelhantes, mas não iguais – essa consciência da diferença social funda a auto-ironia que, afinal, é a mais funda (e disfarçada) estratégia da sua prosa cáustica, verdadeira soda agreste.


João Melo leva ao ponto de rebuçado o uso da teoria da literatura e da linguagem tecnocrata como subtexto para o humor: divertimo-nos tanto com as situações cómicas em que as personagens chafurdam quanto com os chistes semióticos dos narradores, que tratam oleitor (e a leitora) por tu.


Parece um ensaísta que perdeu o pé na ficção: dá lições de moral e outras que tal, usa jargão escorreito, ficciona o ensaísmo e ensaia a escolástica. Não é para qualquer um, mas somente para um fauno das letras – como João Ubaldo Ribeiro ou Luiz Fernando Veríssimo – , que inventa a profissão de «localizadores" de mulheres estrangeiras, em mais um dos seus inenarráveis tipos de caluandas.


Muita ironia – justa, amável – sobre Portugal (a "tugolandia") ou o Brasil – esta, concupiscente e amabilíssima – e os EUA verdadeiros bo(m)bos da festança, incluindo Bush. Sugiro, pois, que os leitores se tornem, digamos assim, "localizadores".


Género: Literatura
Acabamento:
brochado
Dimensão:
9,5x13,5 cm
Páginas:
176
Peso: 203 g

Colecção: Letras angolanas - 45
ISBN:
978-989-631-179-7
1.ª edição:
Novembro 2009
Data:
Novembro 2009
Preço: Kz 2000,00




Pensar e Falar Angola

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Minha prenda de Natal - Um livro de João Melo

"FILHOS DA PÁTRIA", de João Melo.
Este livro de contos de João Melo (1955) é uma viagem pelo cotidiano angolano. Surpreende a forma crua com que ele apresenta os mais diferentes personagens: homens e mulheres que se deparam com uma realidade extremamente severa, que extermina seus sonhos, sempre adiados.
Uma das epígrafes do livro é do português José Saramago - "Saberíamos muito mais das complexidades da vida se nos aplicássemos a estudar com afinco as suas contradições em vez de perdermos tanto tempo com as identidades e coerência." A ironia de João Melo alia-se à reflexão profunda sobre os temas tratados em cada um dos dez contos.
João Melo é jornalista e deputado da Assembléia Nacional de Angola. -

«Até onde é capaz de ir a capacidade de humilhação do ser humano?»

É com esta interrogação que João Melo inicia a sua mais recente viagem pelas estórias do quotidiano angolano. A cada virar de página somos surpreendidos com a sua forma clara e honesta de apresentar os diferentes personagens, homens e mulheres que a todo o momento se movem entre uma realidade extremamente dura e os sonhos sempre adiados face à severidade do dia-a-dia, num movimento que se torna muitas vezes demasiado alucinante, demasiado presente. Utilizando, como ele mesmo diz, uma «prosa rápida e rasteira», o autor prende-nos pela acção ritmada que contém em si mesma muito da alma africana, pela ironia simples (embora não simplista...) e todavia plenamente ligada a uma reflexão profunda e cuidada das questões que são o ponto central de cada um dos dez contos, onde a palavra e a imagem se entrelaçam de forma admirável numa dança que abre diferentes caminhos (conforme a sensibilidade e a opinião do leitor), sem que nela se intrometa qualquer tipo de decadência, mesmo quando esta parece evidente.



Pensar e Falar Angola

domingo, 16 de novembro de 2008

Angola na Imprensa (2)

"Tragicômico retrato dos filhos de Angola"

Salim Miguel, escritor brasileiro, assina, no Diário Catarinense, crítica literária ao livro de contos "Filhos da Pátria", do angolano João Melo.

Da Redação

No Brasil para divulgar o lançamento de seu livro pela Record, João Melo estará em Florianópolis para participar de eventos da Semana da Consciência Negra, nos dias 18 e 20.

"Angola pós-independência, com seus conflitos e contradições, sua conturbada construção de uma identidade, as feridas abertas no período colonial e as dores e violências de uma guerra civil fratricida, os sonhos e pesadelos antagônicos de gerações, é o pano de fundo dos contos de Filhos da Pátria (Editora Record, 2008), do jornalista, poeta e professor universitário João Melo, editor da importante revista África 21", escreve Salim Miguel, na edição de sábado (15) do Diário Catarinense.

"Os 10 contos que compõem o volume revelam um autor preocupado com seu tempo e sua gente, o que se constata já a partir do primeiro texto, O elevador, em que acompanhamos a rendição de Pedro Sanga, acicatado pelo desprezo da mulher, ao canto de sereia de um antigo camarada de luta pela independência, agora chamado por seus subordinados de "Camarada Excelência". A subida no elevador - avanço tecnológico - torna-se, de fato, uma descida aos infernos. Pedro aceita a "mamata", porém, com resquícios tênues de ética, vomita. O conto termina numa nota de humor corrosivo, que não encobre o trágico da situação", na leitura do autor do artigo.

O trecho a seguir - escreve Salim Miguel - é um exemplo da proposta do autor: "Como é que este gajo ficou assim? O tipo sempre foi o mais radical de nosso grupo, defendia que na Angola do futuro as classes deveriam ser abolidas e a exploração do homem pelo homem, extinta para todo o sempre - como é que se transformou assim num novo-rico nojento?"

"Duas vertentes marcam as 10 narrativas: a visão neonaturalista e a interferência constante do narrador, que discute a inter-relação entre a fabulação apresentada e a realidade sociopolítica. Sua linguagem é sempre direta e desataviada, faz do leitor seu parceiro, e ele logra uma eficiente cooperação entre a objetividade jornalística e a sensibilidade poética", avalia o escritor e crítico literário do Diário Catarinense.

"Tio, mi dá só cem aborda a condição da infância abandonada, principal vítima da insânia dos adultos, num quadro que, infelizmente, não é exclusivo de Angola; o piá protagonista que perambula pelas ruas, não fosse a crueza por vezes excessiva da linguagem, poderia ser um dos personagens de Capitães de Areia, de Jorge Amado".

As palavras são de Salim Miguel: "O efeito estufa nos apresenta Charles Dupret. Apesar de ter este nome, claramente anglo-afrancesado, ele era o mais acérrimo defensor da autenticidade angolana. Angola é um país de pretos! Esta frase contundente e absoluta estava presente em todos os discursos que fazia, mesmo quando falasse apenas do estado do tempo."

O conto nos revela a ars poética de João Melo, ao mesmo tempo em que satiriza um certo "nacionalismo" estreito e vesgo. A certa altura, o protagonista afirma sem rebuços, durante um desfile de modas, que as pretas e os pretos autênticos de Charles são imunes ao efeito estufa.

"Não tenho a intenção de examinar todos os contos, pois é sempre melhor deixar que o leitor tire suas próprias conclusões na plena fruição de suas descobertas", opina o crítico.

E, mais adiante, escreve: "João Melo estabelece um diálogo permanente com a literatura, temos um exemplo no texto em que retoma com audácia a história de Romeu e Julieta, ambientada na Angola de hoje, Shakespeare ataca de novo; ele nos faz ver que embora o amor seja um sentimento vindo de priscas eras, é modulado pelo espaço e pelo tempo".

Salim Miguel aborda um outro conto. "Abel e Caim nos apresenta dois amigos de infância que se afastam e passam a se odiar, um no MPLA de Agostinho Neto e outro no Unita de Savimbi; não nos é revelada a escolha de cada um. O narrador conclui, transferindo para o leitor o encargo de achar um fecho para o conto, com as seguintes palavras: "Resta-me, portanto e - confesso - muito convenientemente, sugerir aos leitores que, se acharem que tal vale a pena, resolvam com a própria cabeça como deverá acabar a estória [ou história?] de Abel e Caim [ou Caim e Abel, como decidirem]."

O escritor brasileiro, autor de "Jornada com Rupert", lembra que "desde tempos imemoriais, as gentes contam e ouvem histórias, passadas de geração a geração; nas sociedades ágrafas, a tradição oral tem papel decisivo na constituição de sua identidade, importância que passa a ser compartilhada com os escritos nas sociedades letradas".

"Angola tem uma rica herança recebida das várias etnias que a constituem e que tem servido de material literário; não se pode separar a luta pela independência de Angola da produção de seus escritores, basta citar Antonio Jacinto, Viriato da Cruz e Luandino Vieira, este, felizmente, ainda em plena atividade. João Melo é de nossos dias, e o quadro que nos traça da realidade angolana é amargo, onde se pergunta que pátria e que futuro terão seus filhos; a indignação que perpassa seus escritos é uma ferramenta para a reafirmação da esperança".


Pensar e Falar Angola

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

João Melo lança no Rio de Janeiro "Filhos da Pátria"


O jornalista e escritor angolano João Melo lança hoje(3), no Rio de Janeiro, o livro de contos "Filhos da Pátria".

A apresentação do livro, na Biblioteca Nacional, será feita pelo professor Muniz Sodré.

Além do Rio, "Filhos da Pátria" será lançado em Salvador, Brasília, Porto Alegre, São Paulo, Belo Horizonte e Florianópolis. Coletânea de contos, o livro teve sua primeira edição em Angola, em 2001, pela editora Nzila, e em Portugal foi lançado pela editorial Caminho. Da poesia ao conto João Melo nasceu em 1955 em Luanda, onde vive.

É escritor, jornalista, publicitário, professor universitário de Comunicação e deputado à Assembleia Nacional de Angola. Fez os estudos primários e secundários em Luanda. Estudou Direito em Coimbra.

De 1984 a 1992 morou no Rio de Janeiro, onde trabalhou como correspondente de imprensa. Nesse período, graduou-se em Jornalismo na Universidade Federal Fluminense e fez o mestrado em Comunicação e Cultura na Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Como escritor, é poeta, contista, cronista e ensaísta. Publicou dez livros de poesia, quatro de contos e um de ensaios. Tem actualmente no prelo três livros de poesia, dois de ensaios e um de contos. Está representado em várias antologias, em Angola e no estrangeiro. Teve três menções honrosas, duas no Prémio Sonangol de Literatura e uma no Prémio Sagrada Esperança, ambos em Angola. Publicado habitualmente em Angola e Portugal, tem textos traduzidos para mandarim, alemão, italiano e húngaro. É membro fundador da União de Escritores Angolanos, da qual já foi secretário geral, presidente da Comissão Directiva e presidente do Conselho Fiscal.Como jornalista, recebeu em 2008 o Prémio Maboque de Jornalismo, a maior distinção jornalística de Angola. É um dos autores africanos mais estudado nas universidades brasileiras. João Melo é diretor-geral da revista África 21 e parceiro do portal de informação África 21 Digital



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