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segunda-feira, 2 de setembro de 2013

100 anos do Lobito

Novos Símbolos Heráldicos da Cidade do Lobito



Considerando que a Cidade do Lobito completa o seu Centenário no dia 2 de Setembro de 2013, o que atesta a longevidade e a maturidade dos seus citadinos e não só;
Considerando que esta cidade é detentora de uma identidade própria que esteve na sua origem e formação e que são hoje marcas inalienáveis dos lobitangas;

Considerando que ao longo destes cem anos existiram nesta cidade símbolos heráldicos diferentes, uma que vigorou até 1975 e a outra que vigora desde a década de noventa até aos dias de hoje - épocas e contextos totalmente diferentes da realidade político – social actual;

Havendo necessidade de se criar símbolos heráldicos que reflita a identidade, princípios e valores da cidade do Lobito e do País, emergindo da vontade e anseios da comunidade;

Usando das competências que lhe são conferidas pelas alíneas f) e g) do Artigo 45º da Lei nº 17/10, de 29 de Julho, coadjuvados pela alínea a) do Artigo 52º do mesmo diploma,

Esta Administração Municipal apresenta os novos símbolos Heráldicos (Brasão e Bandeira) selecionados do Concurso para Criação dos Novos Símbolos Heráldicos da Cidade, a qual o Vencedor foi o jovem lobitanga e Designer Gráfico Roberto de Almeida, formado em Design Gráfico na Univ. Federal do Paraná (Brasil-Curitiba):


Pensar e Falar Angola

sexta-feira, 4 de maio de 2012

História do Lobito


retirado do blog Linha de Rumo


Encontrei agora por acaso um site sobre o Lobito, onde tem uma breve história da cidade onde hoje habito, o Lobito.

Por ter achado muito interessante a história e querer compartilhar com todos os meus leitores, cá fica o link para a História da Cidade do Lobito e a própria história também.

"Durante mais de 300 anos o Lobito e a sua baía foram totalmente ignorados pela Administração Portuguesa. No início do nosso século, quando a povoação se tornou testa do Caminho de Ferro deBenguela e o principal porto de Angola, conheceu um desenvolvimento sem paralelo na colónia. Tanto assim que aquando da Independência, em 1975, o Lobito era, sem dúvida, a mais promissora das cidades portuguesas do Ultramar.
Não há quem tenha conhecido o Lobito que não reproduza, quase automaticamente, a frase assaz repetida nos folhetos turísticos da colónia nos anos 60: “A Sala de visitas de Angola.” E, se uma sala de visitas mostra o que há de melhor numa casa, então à cidade do Lobito, em relação a Angola, o epíteto assenta como uma luva. A urbe era arejada, limpa, modernamente traçada, com uma restinga de areia que se prolongava por mais de 3 km, toda ela bordada de viçosas e floridas moradias, que dividiam o mar alto do remanso da baía de águas tão tranquilas como uma piscina. O jornalista Julião Quintinha, em África Misteriosa, chama-lhe “(...) cidadezinha-cromo, cidade azul, quasi flutuante, que o mar beija e namora com perigoso amor”. O jornal O Lobito, o único título que ainda hoje resta da nossa imprensa colonial, refere a cidade como “uma estrofe d’Os Lusíadas, escrita por todos nós, numa estreita restinga de areia, sob a inspiração do mar”.Todavia, por estranho que possa parecer, a cidade do Lobito é das mais recentes na colonização portuguesa de Angola. Durante 300 anos ninguém ligou nenhuma àquele couto de corsários e contrabandistas. Nesses longos anos todo o movimento passou pela vizinha e histórica Benguela, a 30 km dali. Esta sim, prosperou e tornou-se a segunda da colónia.Diversas explicações há para justificar a tardia ocupação da baía do Lobito: há quem diga que os primeiros navegadores a terão passado sem dela fazerem reparo devido à grande restinga que a oculta; outros argumentam que terá sido a falta de água potável; estudiosos dizem também que é fácil passar a 4 milhas da baía sem a ver. O que se sabe é que no início do século XVII, Manuel Cerveira Pereira recebera ordens para navegar para sul e fundar uma cidade quando encontrasse uma baía. Foi assim que, em Maio de 1617, nasceu Benguela.A letargia atravessada pelo Lobito foi tal que só no fim do século XVIII passa a ter este nome, porque até aí o assentamento era conhecido, para se distinguir da Catumbela propriamente dita, por Catumbela da Água Salgada ou Catumbela das Ostras. Só depois da fundação da caieira de mariscos é que o Lobito entra para a história da ocupação do Reino de Benguela. O escritor Ralph Delgado, num apontamento sobre a história do Lobito, refere-se-lhe: “Baía abrigada e prenhe de matagais marinhos de caprichoso efeito (os mangais), onde se escondiam, à vontade, navios de contrabando, foi ela lugar de eleição para descaminho de direitos, a despeito das medidas adoptadas por Benguela, que destacara, para lá, um soldado com funções de cabo, a fim de dirigir os serviços da preparação da cal (...) Dentro destas duas serventias (fornecimento da cal, de ostras e de mangues e embarques abusivos sem despacho) o Lobito evolucionou lentamente, com fraca sinalização do interesse despertado ao governo subalterno de S. Filipe.” Foi curiosa a criação do Lobito. Nasceu a pedido de alguns moradores de Benguela, cansados com as baixas causadas pela insalubridade desta. E foi tal a vontade de o fazer que num ápice subscreveram 31 contos de réis para auxiliarem as despesas de transferência. Deste modo, em 1842, ainda antes da portaria régia aprovar a transferência, iniciou-se no Lobito a construção de um forte e do palácio do Governo, com fundos dos benguelenses e mão-de-obra escrava dos seus moradores. Quando, em Março de 1843, D. Maria II aprova o nascimento da cidade do Lobito, mais não havia que alguns barracões e uma plantação de coqueiros para consolidação da restinga de areia. Contudo, os interesses enraizados às pantanosas margens do Coringe, a carência de fundos e o esquecimento das epidemias – havia alguns anos que aquelas não fustigavam Benguela – adormeceram o ambicioso projecto, caindo o consentimento real na poeira dos arquivos sob a indiferença dos Chefes de Distrito. De tal forma que em 1853, quando o Lobito foi assaltado por uma quadrilha de gentio armado, apenas existiam escassas e insignificantes casas ligadas ao precário fabrico de cal das suas ostras. Em 1888 foi criado um posto fiscal, que foi confiado ao velho José Maria dos Santos, então o único branco que ali residia há mais de 30 anos.Efectivamente, a baía do Lobito só começou a atrair as atenções mesmo nos fins do século XIX, quando o comércio da borracha atingiu o seu zénite. O volume de transacções começou a reclamar um ancoradouro maior que o de Benguela, com capacidade somente para pequenas cargas. Foi assim que se começou a aproveitar as condições naturais da antiga Catumbela das Ostras. Mas foi só nos alvores do presente século (1902), com o início da construção do Caminho de Ferro de Benguela, que o Lobito saiu do marasmo em que esteve mergulhado durante mais de 300 anos. Com a concessão do caminho-de-ferro dada ao inglês Robert Williams, a cidade lançou definitivamente os seus alicerces, num combate quotidiano contra o pântano. Em menos de 20 anos o Lobito passava de uma baía abandonada coberta de mangal para uma cidade moderna, testa do Caminho de Ferro de Benguela e possuindo um moderno porto. Nestes anos aterraram-se pântanos, iniciou-se a construção do mercado, ergueu-se a ponte na Estrada Lobito-Benguela, levantou-se o edifício dos correios, do C.F.B., o Hotel Términus (o melhor da Província durante largos anos), acapela da N. S. da Arrábida. O “Boletim da Agência Geral das Colónias” de 1925 não tem pejo em afirmar que “o Lobito é a mais bela cidade desta costa”. E explica que tal se deve a três factores: “Excelência do seu pôrto; Ser testa da linha do C.F.B; Riqueza da ‘bacia económica’, ou seja o conjunto das regiões cujas vias de comunicação para o litoral devem ter a sua testa no Lobito.”Efectivamente, nessa altura a ponte-cais já possuía 225 m de muro acostável, comportando os maiores paquetes do mundo, sendo igualmente porta marítima de todo o vastíssimo planalto central de Angola, compreendendo as riquíssimas zonas do Huambo, Bié, Moxico. Mas não era só uma “gare” marítima do interior da colónia, era também o porto natural de uma grande parte da África Austral, e o mais económico para as comunicações entre as minas de cobre do Catanga (Congo Belga) e os portos da Europa. Em 1929, o C.F.B. atingiu finalmente a fronteira do Congo Belga. Em território angolano a linha ficou com 1347 km. Agora o porto do Lobito, mais económico por ser muito mais perto da Europa, já podia substituir os da Beira e do Cabo no escoamento do minério. O aumento do número de passageiros do comboio é impressionante: em 1908 é de 25.957 para passar, em 1926, a ser de 233.865. O jornalista Julião Quintinha, em África Misteriosa, não deixou de registar este enorme progresso: “(...) esta nova cidade marítima do Lobito, entre palmeiras, elegantes avenidas, chalets, pequeninos palácios, mimosos jardins orvalhados, e paquetes arrumados à terra, deu-me a sensação daqueles postais ilustrados que reproduzem magníficos portos estrangeiros - qualquer coisa de aguarela muito fresca e azul, com sabor salino, cheiro a carvão e ambiente cosmopolita (...)”Mais adiante, descreve: “Primeiro o Lobito velho de casebres derrubados onde se acoitam mendigos e pretos ladrões; depois, sucessivamente, o Mangal com salgueiros encharcados; o bairro indígena, de palhotas em fila por onde os negros gritam, pulam ou tombam a descansar; as construções do Porto, Caminho de Ferro, oficinas, residências operárias; grandes armazéns alfandegários, um pequeno posto aduaneiro enfeitado a trepadeiras, guardado por soldados negros, descalços, vestidos de caki; ruas comerciais onde passam comboios com vagões carregados de mercadorias, moradias ajardinadas de ar estrangeiro e feliz; e o palácio do govêrno, com parque e court de tennis, entre krotonos e roseiras.”No fim dos anos 40 rasgaram-se grandes avenidas: Duplo Centenário, Império, Marechal Carmona, Marginal do Atlântico, D. Maria II. Iniciaram-se trabalhos de jardinagem e o primeiro arranjo das praças Salazar, Camões e Infante D. Henrique. Começaram-se a desenhar os principais bairros: a Restinga, o mais chique, exclusivamente residencial, com espaçosas moradias que ora dão para o Atlântico, ora para a baía. Com 3 km de extensão e em alguns sítios nem 300 m de largura, era um autêntico jardim emergido do mar. Dizia-se que até as palmas das palmeiras batiam palmas à sua beleza. O único senão era quando o mar galgava tudo em tempo de cheias; o Bairro Central ou Comercial alternava esta actividade com as residências, aqui ficava também o porto e todas as suas dependências, a estação terminal do Caminho de Ferro de Benguela, a Câmara Municipal, os Correios, o Hotel Términus e o Mercado Municipal; mais à frente, no caminho para Benguela, já fora da zona portuária e de construção mais recente, situava-se o Bairro do Compão, uma zona reservada à classe menos abastada; com características idênticas, talvez um pouco mais comercial, surgia o Bairro da Caponte; mesmo em frente à restinga, do outro lado do porto, ficava a habitação reservada aos indígenas, conhecida pela Canata. Aqui, embora já houvesse construções de alvenaria, predominava ainda o caniço e o zinco.Na dobragem da década de 50 o Lobito “cosmopolitou-se” definitivamente. Para dar resposta ao constante apelo dos seus habitantes e visitantes, cujo número não parava de aumentar, sofisticou o comércio cada vez mais intenso nas três ruas que envolviam o Mercado Municipal, que se viu em pouco tempo completamente rodeado de requintadas lojas a fazer lembrar o portuense Bulhão. Surgiram novos hotéis. Nos arredores incrementou-se a indústria. A actividade portuária conhece um desenvolvimento sem precedentes. E com a Guerra da Secessão do Catanga, no ex-Congo Belga, o porto do Lobito ganhou ainda mais movimento. Nesta altura o total de minérios escoados rondava as 500 mil toneladas por ano. Tinha um movimento semelhante ao de Leixões, só sendo ultrapassado, quanto à tonelagem, pelo de Lisboa, Lourenço Marques e Beira. Do Lobito saía também milho, cimentos, plásticos, zincos, sisal, óleos e açúcares. Eduardo Fernando de Matos, no seu livro Viagem por terras de África, chegou mesmo a afirmar: “(...) Comparando este porto ao de Luanda, temos a impressão de que é o Lobito e não Luanda a capital da colónia. Porém, Luanda, como cidade, é muito superior.”De 1952 a 1962 a população branca da cidade subiu 150%. O Anuário de Angola de 1962-63 regista 6500 europeus, 420 mestiços e 25000 negros. E nos últimos tempos do colonialismo (1974), a cidade rasava os 100 mil habitantes, dos quais 30 mil eram brancos. Não havia dúvida que era a urbe da colónia que registava maior crescimento a todos os níveis, e, se assim continuasse, facilmente ultrapassaria capital do Distrito, a histórica Benguela.Agora, a população jovem da cidade demandava diversões e entretimentos. Ficaram célebres as sessões de cinema no Cine-Esplanada do Jardim Flamingo, lá para os lados do Compão. Debaixo de uma gigantesca pala de betão,construída pelo engenheiro Edgar Cardoso, crianças, jovens e senhores respeitados abrigavam-se do sol e da chuva deleitando-se com os últimos sucessos de bilheteira. Era sobretudo um ambiente informal e descontraído, permitindo uma mobilidade jamais consentida no velho e pesado Cine-Imperium. Na época de Natal, a fachada do Mercado Municipal cobria-se de luzes e na Praça D. Carlos erguia-se uma enorme árvore profusamente iluminada.O Carnaval tinha fama de ser o melhor de Angola. Ficaram célebres os seus desfiles na Praça Salazar. Aqui, em frente da Câmara Municipal e sob decorativa calçada portuguesa – esta praça pretendia assemelhar-se ao Terreiro do Paço, não faltando sequer o cais das colunas – tinham lugar também as marchas dos santos populares, em que os diferentes bairros competiam em função da originalidade dos trajes e da dança."



Pensar e Falar Angola

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Okupapala – Encontro Internacional de Artes e Culturas Urbanas

A OMUNGA, associação Angolana de defesa dos direitos humanos, associa-se de forma inédita a diferentes grupos e organizações nacionais e internacionais, respectivamente, a plataforma culturalMu_Seke de Angola/Portugal, o coletivo cultural Potof Prod de França, a TintaPreta Design de Portugal,Minibus Media da Alemanha, Grupo Entrou Por Uma Porta, Rede Latinoamericana de Teatro em Comunidade e a Associação MisturaPura de Italia/Portugal, a co-produzir o 1º Encontro Internacional de Artes e Culturas Urbanas - Okupapala (brincadeira), a partir de 10 de Novembro 2011, coincidente com as comemorações do centenário da cidade do Lobito, e para as quais poderá dar um excelente contributo.

Okupapala
 – Encontro Internacional de Artes e Culturas Urbanas
 – é um encontro socio-cultural que pretende juntar expressões artísticas e culturais de proveniências diversas, com um forte envolvimento das comunidades locais, num intercâmbio vivo, dialogante, criador e potenciador de desenvolvimento(s). 
A rua, as praças e os bairros da cidade do Lobito serão o palco preferencial. Expressões artísticas como o teatro, a música, a poesia, a pintura, a dança, o graffitti, o cinema e o multimédia entram no espaço público dando a este o seu significado pleno, espaço de vivência social e de partilha, partilha do processo criativo e transformador.
Okupapala significa em Umbundo brincadeira. Brincar como descoberta, experimentação, prazer e desenvolvimento. Ao brincar, a criança (mas também o adulto) constrói sua experiência de se relacionar com o mundo de maneira ativa, vivencia experiências, desenvolve autonomia, criatividade e responsabilidade quanto às suas próprias ações. A brincadeira e o jogo do faz-de-conta podem ser considerados como espaços de interacção, de descoberta, de construção de conhecimento, de apropriação e ressignificação. Okupapala é um projecto cultural e de desenvolvimento,
numa perspectiva dialética: o ser humano, enquanto sujeito criativo é capaz de transformar a sua própria história e a da humanidade, uma vez que por seu intermédio muda o contexto social em que se insere, ao mesmo tempo modifica-se a si mesmo.

As culturas e artes urbanas são espaços de confluência e de diversidade artística, de acção, de expressão criativa que podem evoluir de forma segregada ou antes, e preferencialmente, dialogante, mais interessante no desenvolvimento de respostas aos desafios e contextos existentes.
As trocas interculturais são hoje um produto do aumento exponencial das comunicações e deslocações possíveis ao ser humano, mas nem sempre essa possibilidade é transformada em processo de conhecimento e de criação conjunta, de desenvolvimento, de inclusão e valorização. Neste encontro pretende-se um processo orientado para o intercâmbio, valorização de aprendizagens, exploração de recursos, procura de processos de desenvolvimento e sustentabilidade de comunidades, de apropriação e valorização dos espaços físicos e simbólicos, de valorização de diversidade e de especificidades locais, combatendo a massificação homogeneizada da cultura.
OBJECTIVOS
Promover a cultura e a arte como processos criativos de estimulação, interacção e
desenvolvimento das e com as comunidades locais;
Promover a apropriação e (re)interpretação do espaço público, como espaço colectivo,
criativo, de proximidade e relação;
Procurar integrar a história e o passado com o presente, a acção e o sonho, integrando o
sujeito nesse processo nunca acabado de construção do meio e de si próprio.
Estimular trocas de saberes, valorizando a diversidade mas também os recursos e
práticas locais.
Promover as expressões artísticas, quer seja o consumo e usufruto livre ou a sua criação
enquanto processo que pensa e questiona, que interpreta, que aprofunda e alarga
horizontes de possibilidades;
Promover a construção de identidades com autoestima, ricas em experiências e
diversidade de contatos de forma a aumentar a confiança, os interesses e as escolhas,
quer seja de comunidades, quer seja do indivíduo;
Encontrar dentro da complexidade e dos desafios que as cidades nos colocam
actualmente, caminhos de sustentabilidade e participação a vários níveis;
Criar uma oportunidade para a cidade do Lobito/ Benguela se afirmar na área artística
e cultural como polo de desenvolvimento, tão importante no contexto actual de
reconstrução do país, criando-se um novo polo de acção e de atractividade, criando
novas dinâmicas de desenvolvimento para a região.
PÚBLICO ALVO
Toda a população

DURAÇÃO:
5 dias

PARCERIAS:
Governo Provincial da Provincia de Benguela, Potof.Prod, Plataforma -
Socio-Cultural Mu seke, Grupo de Teatro Entrou Por uma Porta, Christian Aid,MiniBus Multimedia, TintaPreta Design & Publicidade, Associação ArtinPark e Associação MisturaPura.
LOCAIS DO EVENTO:
Liro, Zona Comercial, Compão, Canata, Bela Vista, Bairro da Luz, Restinga, Caponte, São João, Academico, Cabaia, Santa Cruz, Bairro do 28 e Catumbela

ADMINISTRAÇÃO DO PROJETO

Associação Omunga
SUPERVISÃO E COORDENAÇÃO GERAL DO PROJETO
A implantação, supervisão, execução e administração deste projeto e dos cursos de capacitação, bem como a supervisão da metodologia das oficinas e dos seminários, contarão com uma comissão organizadora dos Grupos: MU SEKE (Angola/Portugal), Entrou por Uma Porta (Brasil),
FM Produções (Angola) e a Tinta Preta Design (Portugal). Tal medida tem o objectivo de facilitar a realização dos mesmos e sua acessibilidade pela clientela capacitada.
A comissão estará responsável pelo preparo dos relatórios das oficinas, prestações de contas orçamentárias, e entrega de certificados com comprovação de participação nas oficinas e encontros/seminários realizados.
Concepção, Coordenação 
Meirinho Mendes
Curador/Direção Artistica
Meirinho Mendes




Pensar e Falar Angola

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Lobito - o Flamingo Rosado quase desapareceu

O Fim dos Flamingos Rosa no Lobito
Descrição: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEi-dyEAciz6GKpeIWEr6UqoGR9OlZtAxdznj5R7-eFh5YqmyWnhXod046QE3dtbvzUUVA8aqzatxfv7sL9scaAgVX-f3-c4ejClQ9Uw4EZnS_yyB6FNfRYczfRPYok_DXWGyd5dQpYmU5K_/s400/Fauna-aves-Flamingos+67.jpg
Está a acontecer o que os mais avisados previram há muitos anos.O flamingo rosado, a ave pernilonga das lagoas do Lobito, praticamernte desapareceu. Com desenvoltura e simpatia, o flamingo conquistou, por mérito próprio, o direito de ser o símbolo da cidade, o seu “ex-libris”. Sem ele, a urbe está a perder um dos traços mais marcantes da sua graciosidade.
Poisados ou voando em grupos, os flamingos eram facilmente encontrados nos mangais e lagoas do Compão e da Caponte. A visão da ave proporciona um espectáculo de singular beleza e curiosidade. Criatura arredia, tem uma penugem rósea que lhe cobre o corpo, sustentado por dois caniços longos e aparentemente frágeis. A cabeça está na extremidade superior do pescoço de traçado harmonioso e sinuoso como um ponto de interrogação. Depois está o bico adunco, encimado por duas missangas nos orifícios nasais.Muita gente desconhece como surgiram os flamingos nesta zona. O Lobito é uma cidade de águas interiores. A foz do rio Catumbela, a Sul, é irregular. Em época de cheias, o delta do rio ramifica-se. Aluviões criam novos braços do rio que chegaram até ao Lobito Velho. No percurso, deixaram lagoas, que se foram interligando e são chamadas de mangais, devido à floresta de mangues que ali se criou. Dadas as características do terreno, as lagoas permaneceram em movimento sincronizado com as marés. Mantidas com vida, as águas foram povoadas por peixes que atraíram um leque de aves aquáticas, como pelicanos, garças e os flamingos, que ali passaram a dispôr de alimento.Tacitamente existia um pacto de coexistência pacífica entre o homem e a colónia de flamingos, que agora se está a quebrar. Homem e flamingo disputam um espaço vital comum, os tão cobiçados terrenos do Lobito. Os mangais da Caponte e do Compão com os seus peixes, flamingos e garças ocupam terrenos financeiramente valiosos apetecidos para projectos imobiliários.A cidade tem de crescer e para ela crescer, necessita de espaço. Quem conhece o Lobito, sabe certamente que, em termos urbanísticos, a parte baixa da cidade tem severas limitações de espaço. As lagoas, após drenagens e aterros, são o local ideal para implantar novas florestas de concreto, pretensos símbolos de modernidade e de progresso. Na hora de demarcação de fronteiras acaba a complacência para com a desditosa ave.Desde há muito o flamingo pareceu entender o perigo envolvente. Existiram alturas em que as aves praticamente haviam debandado. Devido à realização de obras de circunstância, o canal de ligação das lagoas com as águas da baía, tinha ficado bloqueado e as águas ficaram putrefactas, emanando um cheiro nauseabundo que se espalhava por aquela zona. O ecossistema local alterou-se a tal ponto que tanto a flora como a fauna marinhas começaram a desaparecer e com eles seguiu também o flamingo rosado.Lembramos um passado não muito distante, quando a ave pernilonga foi caçada à fisga e à bala por militares inconscientes. Houve até quem lhe tenha provado a carne, segundo nos informaram.É fácil prever o resultado de uma batalha entre o insaciável bicho-homem, com suas “bulldozers” e basculantes e o indefeso e frágil flamingo que unicamente reclama o direito de existir como um elemento da mãe natureza.A cidade continua a crescer, a cidade tem de crescer. Nós aproveitamos para perguntar: será que dentro do plano director do Lobito, a sobrevivência do flamingo não poderá estar salvaguardada? Será que já não é possível partilharmos espaço com as outras espécies do nosso único mundo?




Pensar e Falar Angola

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

do Lobito ao Cubal



O comboio já circula entre o Lobito e o Cubal. Uma equipa de reportagem do Jornal de Angola fez essa viagem atravessando savanas e montanhas. O Caminho-de-Ferro de Benguela está em obras avançadas até à ponte sobre o rio Kwanza, na província do Bié, não muito distante da província do Moxico.
O comboio mete passageiros em pequenas e grandes estações. No Cubal entraram centenas de pessoas. Em Caimbambo muitas mulheres carregam os seus “negócios”, sobretudo produtos do campo. Há dezenas de pontes construídas ou reconstruídas, estações erguidas de raiz, carris prontos a serem montados, tudo a pensar na reposição da circulação do comboio até ao Luau, na fronteira com a República Democrática do Congo.
Tchinjenje, Ukuma, Longonjo, Kamacupa, Katabola, Chipeta, Tchicala Tcholohanga só se fala no regresso do comboio.
No Lobito, a placa giratória é a zona do “Negrão”, onde se cruzam todos os comboios. O Porto do Lobito é um importante aliado do CFB. “Aqui no Lobito todas as famílias têm um membro a trabalhar ou no porto ou no caminho-de-ferro”, diz um empregado do hotel “Turismar”, que nos serve de poiso enquanto esperamos pela “hora da largada” para o Planalto Central.
O “gigante adormecido” que é o Caminho-de-Ferro de Benguela (CFB) começa a dar sinais claros de recuperação, com os trabalhos de reposição da linha-férrea. A circulação do comboio de passageiros já é regular até ao Cubal, um centro urbano importante do interior de Benguela.
Daniel Kipaxe é administrador e director-geral dos Caminhos-de-Ferro de Benguela (CFB) há nove anos. “Vocês vão viajar num ATL até ao Cubal. Podem parar quando quiserem para fotografar tudo o que está a ser feito na reabilitação do Caminho-de-Ferro de Benguela”.
Os ATL (Automóveis para Transporte de Linhas) são veículos ferroviários que servem para apoio aos trabalhos de reparação e inspecção de linha. Têm oito lugares e a sua velocidade pode chegar aos 120 quilómetros por hora, mas, à cautela, o nosso ATL não passou dos 50.
O inspector-chefe Paiva Humberto Sacadura Cabral e o chefe da protecção física do CFB, António de Carvalho, acompanharam a reportagem do Jornal de Angola. Descreveram os trabalhos na via com todos os detalhes e a realidade de cada uma das localidades por onde passa o comboio. Pelo meio, contaram cenas do “tempo da guerra” para fazer chegar o comboio ao Huambo e mesmo alguns episódios tristes, como aquele em que um técnico perdeu a vida ao ser arrastado pela fúria das águas do rio Cubal, na região do Guviriri, enquanto trabalhava na montagem da estação geométrica.

Comboio do progresso

Mal tomáramos o ATL, fomos confrontados com a possibilidade de parar a viagem em Caimbambo “porque anda um comboio a espalhar brita na linha”, disse o inspector comercial do CFB, Pedrosa de Oliveira. A brita é matéria-prima indispensável para a colocação das travessas e outros componentes para a montagem de uma linha-férrea.
O ATL fez uma ligeira paragem na estação da Catumbela e outra no Negrão, a placa giratória dos comboios. Do Negrão a Caimbamdo, apenas uma paragem no Guviriri, onde existe um aparelho que mede a posição das águas do rio Cubal, cujas enchentes causaram, num passado recente, enormes perdas de vidas e bens, sobretudo colheitas e gado. Depois de alguns contactos telefónicos chega a informação: “podemos chegar até ao Cubal”, diz António de Carvalho. Para trás ficaram as localidades de Cango, Ombe, Câbio e Mina.
Cubal fica a 154 quilómetros do litoral e a 32 do Caimbambo. A estação do caminho-de-ferro está funcional e existe um serviço de transporte de passageiros regular, às segundas, quartas e sextas-feiras. A composição tem 15 carruagens e transporta uma média de 1500 passageiros por viagem.
Lopes Eugénio é o chefe da estação no Cubal e trabalha há 50 anos na empresa. Desde 1992 que está no Cubal, depois de ter passado, como diz, por quase todas as estações de Angola. Vestido a preceito, o ferroviário mostrou-nos os cantos da casa e falou da importância do comboio na vida das populações.
“Esta estação é muito importante, porque o município vive da agricultura e os camponeses precisam de escoar e vender os seus produtos, sobretudo nas cidades do litoral. Ora, isso só é possível de comboio, pois ele transporta tudo”, refere Lopes Eugénio, acrescentando que “no dia em que há comboio, esta estação fica cheia de gente, vinda de todas as comunas e aldeias do município do Cubal. Até gente de Benguela chega aqui”.

Sinais de vitalidade

Há sinais de grande vitalidade no Cubal. O comboio devolveu a esperança de uma vida melhor às populações. “Havia muitos produtos a estragarem-se no campo, mas agora as pessoas podem ir a Benguela ou ao Lobito e venderem milho, feijão, batata-doce e outros produtos e adquirirem, depois, o que quiserem”, afirma Lopes Eugénio.
Despedimo-nos do velho ferroviário com um “tulissanga” (até breve). Do Cubal para frente, o comboio de passageiros ainda não apita. Só circula o comboio de material para a reparação da linha.
Mais 54 quilómetros e estávamos na vila da Ganda, passando por Membassosso, Chimboa e Sambú, localidades atravessadas pela linha-férrea. Na Ganda prosseguem os trabalhos na linha. É uma corrida contra o tempo, afinal 2012 está perto. Já é noite quando alcançámos Tchinjenje, município da província Huambo. Os trabalhos prosseguem em “grande velocidade”. Vai ser assim até ao dia em que o comboio parta do Lobito até à fronteira.

Fotos do Jornal de Angola e da página de CPires

Pensar e Falar Angola

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

A nova ponte 4 de Abril



O Presidente da República de Angola, José Eduardo dos Santos, inaugurou hoje a nova ponte sobre o Rio Catumbela, que vai ligar as cidades do Lobito e Benguela.

Teve um custo de 27 milhões de euros.

A inauguração da ponte, baptizada Ponte 4 de Abril, alusiva à data da assinatura dos acordos de paz de 2002, que pôs fim à guerra em Angola, decorreu na presença de milhares de pessoas.

O director-geral do Instituto Nacional de Estradas deAngola (INEA) informou que a ponte 4 de Abril tem um comprimento de 438 metros, englobando dois viadutos de acesso e a plataforma sobre o rio, com 170 metros, contando ainda com duas faixas de rodagem em cada direcção e um passadiço para peões.

Joaquim Sebastião considerou a obra como "de grande importância na rede fundamental de estradas do país" porque permite a ligação sem entraves entre várias províncias do país, como sejam Luanda, Benguela, Huambo e ainda as do sul, como Huila e Namibe.

A conclusão da empreitada, que se realiza sobre o rio Catumbela era há vários anos esperada e vai facilitar o tráfego rodoviário entre Benguela e Lobito e tinha a sua inauguração prevista para 1 de Julho, altura em que ficou concluída.

A construção da ponte teve início em Maio de 2007, envolvendo uma mão-de-obra de 400 trabalhadores entre angolanos e estrangeiros.

Em declarações aos jornalistas, Rita Monteiro, do Instituto de Soldadura e Qualidade de Portugal, entidade fiscalizadora da obra, considerou que foram cumpridas todas as etapas de construção previstas com a qualidade exigida.

Para testar a segurança da ponte, a empresa procedeu à colocação de 18 camiões, com 30 toneladas cada um, em cima da estrutura.


fotos de Semanário Angolense e Angola in
Pensar e Falar Angola

domingo, 12 de julho de 2009

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Todo-o-terreno: de Luanda à Foz do Cunene (revisto)

Seis províncias, seis maravilhas

O raide TTT (Turismo Todo-o-Terreno) 2008 teve como destino a foz do rio Cunene. O trajecto estendeu-se pelo Kwanza-Sul, Benguela, Namibe, Huíla, Huambo e um pouco de Kwanza-Norte. foi o dar de caras com imagens que fazem desta terra um lugar abençoado. Tudo o que o resto do mundo tem Angola tem. Bem, neve não há, mas no frio de Junho, no Lubango, forma-se uma película de gelo nas superfícies vidradas e nas folhas das plantas. De repente vivemos, com mais beleza, paisagens das que apenas se vêm nos filmes e pela televisão, depois de montadas e enlatadas para nos impressionar. Aqui é tudo ao vivo. É belo, simplesmente. E não há fotografia que faça justiça.

Mas as paisagens não são tudo. Há a gastronomia. Se na costa os mariscos fazem as delícias, cozidos, assados, com ou sem jingungo, a caldeirada de cabrito, os lombis, a batata doce, a cabidela, o lombo de javali e a feijoada, fazem com que nos percamos pelo estômago, no interior do país. A caldeirada de cabrito, não se percebe se pela vegetação que alimenta os animais, se pelo pimento, a verdade é que sofre pequenas variações de região para região, qual delas a mais saborosa? No Namibe, o peixe tem sempre outro sabor, como o reservado apenas aos deuses.

Há a ternura grátis no olhar das crianças das aldeias e vilas, como se toda a gente fosse família. Ficou longe, para trás, a imagem de crianças andrajosas e subnutridas com que Angola era reconhecida. Eram imagens a pedir uma oportunidade. Uma oportunidade de paz. A que hoje nos permite correr o país e tornar mais estreito o abraço às suas diversidades.

Por favor, asfalto não

Os 19 carros da caravana raide ttt (Turismo Todo-o-Terreno) que juntou angolanos e portugueses, jornalistas, políticos e militares (o chefe do estado maior da força aérea portuguesa também participou), percorreram uma extensão de 4500 km. Havia um rádio em cada automóvel (Nissan Hardboby) e, de repente, as reclamações começaram no trajecto Luanda-Benguela. Onde estava afinal o tal de todo o terreno? 600 km de asfalto, que brincadeira é essa? Pois, as estradas que até há dois anos pareciam coadores que nos passariam para lá da vida estão agora a vestir-se de preto liso. É bom para tudo menos para aventureiros… irónico, este sentimento de que para apanhar buracos é agora uma aventura. Adiante. Mas atenção que isso não é em todas as estradas do país. Há ainda muito por fazer. Foi numa estrada rota que seguimos de Benguela ao Namibe, antes que se fosse trocar também. Depois do Dombe Grande, foi o deslumbramento, todo o terreno, finalmente. Tudo pedra, é melhor assim. Por sorte não se partiu qualquer diferencial e deu para chegar à Lucira com o pôr-do--sol. É proibido chegar-se à Lucira fora desta hora. É um arrebatamento tal que apetece montar aí casa, parar o tempo e ser eternamente feliz. Antes, fora o encontro com chimpanzés que observavam do alto da montanha os tolos que se tinham perdido numa estrada de pedras.

No grupo havia dois veterinários, um deles, Carlos Magalhães, é apaixonado por répteis e foi director do parque nacional do Iona, de 1972 a 1975. A viagem estava ganha, em termos de explicações sobre a fauna ao longo do percurso. O parque do Iona, criado nos anos 50 do século passado, tem 1200km2. O soba Catraio é o soba grande da área e vive junto ao rio Sarojamba, um afluente do Curoca, cuja água tem 40 por cento de sal. Soube-se que a águia-real, também no Iona, é o maior pássaro a voar no mundo, a abetarda chega aos 150 cm de comprimento…

Maior oásis do mundo

Bem no deserto do Namibe, perto da estrada para o Tômbua está o oásis das três torres – o maior lago do mundo num deserto – é um pequeno mar. Ao lado vive uma família (30 pessoas) cujo patriarca é bisneto de escravos vindos do Bié, do Bailundo e do Kwanza-Sul. O Soba Rogério, que tem 63 anos, fala kimbundo, umbundo e mukubal. A chegada a este sítio foi uma gentileza do general Lanucha, um cidadão do Namibe que apresentou ao grupo o restaurante Beira Mar, junto às Portas do Mar. Inventou-se lá o sabor da boa lagosta assada.

A aventura, no entanto, apenas o é quando se chega à Omauha (pedra em Curoca). No lodge Omauha, outra vez o deslumbre. Comer num restaurante que é uma caverna no interior de uma pedra, ver as estrelas à noite, aquecer-se, virar as costas ao frio em frente a uma fogueira. E na manhã seguinte um safari para ver orixes, cabras de leque, avestruzes.

Seguem-se as dunas, vazar os pneus e seguir em alta velocidade até ao sítio onde termina o país, bem no canto sudoeste. A instalação é no Lodge Flamingo, com a protecção próxima da tropa guarda fronteira. Depois é ir ver os pelicanos e os pescadores e seguir rumo aos norte a beira-mar. Pneus vazios e rolar com as velocidades mais altas. À direita, uma parede de dunas e à esquerda, o mar. O tempo é contado, se se pára o carro enterra e se enterra a maré sobe, se sobe leva o carro. É o máximo que se pode exigir em termos de aventura. Perto de 400km de fuga e com a Baía dos Tigres, deserta a acenar, como que dizendo "Aventura, aventura, é vir à ilha que já foi cabo, que se isolou e guarda os canídeos mais famosos de Angola". Os edifícios estão lá, vêm-se da costa. À espera de quem for capaz.

Uma aventura no sudoeste angolano

A terceira edição do raide turismo todo-o-terreno cobriu as zona ocidental e sul do país. O mapa mostra o percurso que levou os participantes ao Sumbe, Lobito, Catumbela, Lobito, Lucira, Namibe, Omauha, Foz do Cunene, Tombwa, Lubango, Matala, kaconda, Caála, Huambo, Waku-kungo, Kibala, Kalulu, Dondo e Catete. O percurso permitiu o contacto com a grande variedade cultural e paisagística das zonas visitadas.

A aventura no deserto e na foz do Cunene

Pode começar por um telefonema à administração do lodge Omauha - hotel na pedra (264266096, 923568442 ou 923452748; malmo:alvaro@omauha.com)ou ao Flamingo - acampamentos na Espinheira e na Foz do Cunene (925667962 - Ned). Ambos recebem grupos, com ou sem carro próprio. Levam os turistas do aeroporto do Namibe ou do Lubango à Foz do Cunene e ao parque do Iona. Em todas as cidades há hoteis de qualidade aceitável.
Partir à descoberta de Angola tem tudo o que um aventureiro pode exigir. Nissan, TAAG, ENSA, TDA, Sonangol, UNITEL, Expresso 24, Governo do kwanza-Sul e câmara de Almada apostam em novas rotas turísticas. Miradouro da Lua, à saída de Luanda, para o sul. É só uma pequena amostra das belezas que Angola tem para quem a percorra.
O barco do Kwanza Lodge, na barra do Kwanza. Almoço e um passeio pelo rio …
Toda a gente que vai do Sumbe ao Lobito tem esta fotografia … mas é mesmo um bom postal…
Na Caota, em Benguela. A água é mesmo límpida e quentinha. Ondas há poucas. É uma piscina com tamanho de mar.
Praia da Macaca, perto da baía Farta,
em Benguela. Só lá indo…
Matrindindi. O insecto todo o terreno que é o símbolo do TTT, tem uma couraça na cabeça (que nos leva à "Guerra nas Estrelas" de George Lucas).

Crianças na Baía Farta, são o maior encanto de Angola.
Início do verdadeiro todo-o-terreno, depois do Dombe Grande, em direcção à Lucira.
Dombe Grande (Benguela). Aulas à sombra
das arvores, para os meninos da iniciação. Fresco e silencioso… que inveja.
Lucira. Sem montagens e sem truques. É a cor do por-do-sol, enfeitiça.
Porto do Namibe.
Lago das Três Torres. O general Lanucha, um kwanza-sulano que pegou de estaca no namibe, diz que é o maior lago do mundo num deserto. É mesmo grande. A foto mostra apenas uma parte.
Igreja da Sé (Namibe), património cultural.
Uma das torres que circundam o lago
das três torres.
Aldeia do soba Rogério, cujos bisavós vieram como escravos, do Bié, Bailundo e Kwanza- Sul.
Cabo Negro. Um ensaio para aprender a guiar no deserto. 95 % dos carros enterrou. Sorte é que era perto
da cidade.
A caminho do parque do Iona, no meio de nada há um cone de pedras. Diz a tradição herero que é o túmulo dum soba. O viajante deve depositar uma pedra para ter sorte. Já não há pedras no raio de 200 metros.
Uma Welwitchia gigante … ou várias welwitchias sobrepostas?
Omauha significa pedra. É na pedra este restaurante do Lodge Omauha.
Paisagem plana que se perde de vista, deve ter sido um mar, há milhões de anos.
Escorpião. A partir deste encontro foi
a multiplicação de olhos … atenção e medo a dobrar …
Rio Sarojamba, (água salgada) marca a entrada no parque
do Nacional do Iona.
Cabras de leque. Felizmente avistam-se muitas, tal como Orixs, avestruzes … e escorpiões.
Zona da Espinheira. Instalações da administração do Parque do Iona.
Na precipitada fuga de 1975, rumo à Namíbia e à África-do-Sul, um colono perdeu o seu Ford. Deve ter sido uma máquina na altura, tinha mais de 2000 de cilindrada.
Chegada à zona das dunas. Faltam duas horas e pouco para a chegada à foz do Cunene.
O que se vê a frente intimida.
A duna do lado de lá do rio já é Namíbia. Vista do acampamento Flamingo. O guia chama-se Ned, está sempre a rir. Suaviza
a dureza do passeio.
Mais um quilómetro e estamos no local em que o Cunene encontra o mar. Emoção sem medida.
Pelicanos, patos e outras aves
na foz do Cunene.
Início do regresso rumo ao norte, sempre pela costa.
Areia, areia e areia, dunas, dunas e dunas. Qual Dakar qual quê! Agora é Namibe.
Mexilhões na costa. Uma imensa riqueza por explorar.
Fuga contra-relógio. São 400 km de praia com uma parede de dunas. Acaba por ser uma longa garganta que a maré alta cobre. Ou se corre ou a maré fica com o carro.
A Vanessa Seafood. Diz-se que ficou na primeira viagem. Assentou na areia.
Com o mar não se brinca. Chispa!
Encalhou. Ganha-se consciência de que se tem de andar depressa.

Apesar das vertigens … fenda da Tundavala, desta vez sem névoa. Mais que um arrepio é um encanto a 2246 metros de altitude.
Meninas Mumuílas. Nota-se que o mar ficou atrás, estamos no Lubango.
Kwanza-Sul. Bicicleta significa que já se vendeu alguma coisa da lavra.
As pedras do Waku-Kungo …

Waku-Kungo. Uma anhara traiçoeira: tudo verde por cima e tudo lodo e água por baixo. Zona de muitas aves de grande porte e hipopótamos.
Igreja de Santa Comba Dão no Waku-Kungo. Réplica de uma igreja de Santa Comba Dão, em Portugal.
Aqui eles ainda fazem fila antes de entrarem na sala de aulas. Cantam o hino …
Há esperança de sorrisos para Angola.

Forte da Kibala. Ainda lá está uma pequena unidade militar.
Depois da serra da Cabuta. O rio Kwanza por baixo da ponte Filomeno de Câmara (nome colonial), a caminho do Dondo.
O grupo de aventureiros que muito agradece à TAAG, UNITEL, Sonangol, TODA, Cuca, Eka, Nocal, ENSA, Expresso 24, Banco Keve, Governo provincial do Kwanza- Sul e Câmara Municipal de Almada.


Obrigado Carla por este maravilhoso e-mail.


Pensar e Falar Angola

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