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segunda-feira, 28 de abril de 2008

Visitando Blogs (10)

É interessante pensar em como só conseguimos compreender certas coisas através do posicionamento espacial e emocional que tivermos num determinado momento das nossas vida em relação às mesmas.É interessante pensar que, só apenas quando se derem relevantes transformações em nós, temporais ou outras, estaremos então preparados para penetrar mundos de complexa organização e expressividade.
É ainda interessante sentir em como por que qualquer razão desconhecida se despoleta em nós uma repentina disposição para nos conectarmos, como que num êxtase, a universos distantes e partilhamos os seus códigos através de uma deliciosa simbiose espiritual.Vi Um Eléctrico Chamado Desejo aos 17 anos, não gostei, voltei a vê-lo aos 26 e adorei. Li Madame Bovary aos 16, não percebi, voltei a lê-lo aos 25 e passei a considerar um dos maiores marcos da história da literatura. Adorei Ravell aos 18 anos, desprezo-o aos 28. Adoro Orson Welles, detesto Cecil B. DeMille, aos 20 anos era o contrário. Li Se Numa Noite de Verão Um Viajante… e adorei, quem sabe daqui há uns anos (o que acho difícil de acontecer) passe a detestar? Ninguém sabe. Isso vai depender: depender do meu posicionamento emocional e da disposição espiritual para a obra no momento; vai depender essencialmente do que eu me vier, entretanto, a transformar; vai depender, portanto, da alquimia transfigurativa que o tempo processar em mim.
Falo em alquimia porque, às vezes, para que se abram os portais da compreensão, é necessário combinar elementos de variada natureza substancial. Ainda que a ordem seja aleatória e a natureza da substância diversa. Pode até nem se tratar de substância natural mas sim de inatural substância, como a música, por exemplo. O importante, no fundo, é que se saiba combinar. Mas há ainda um aspecto essencial: esse processo de combinação não deve descurar o elemento tempo. Somos substâncias a mercê do tempo. Ele nos transfigura incessantemente, a todo o momento somos dilatados e contraídos pelo tempo. É assim que o tempo nos pode transpor para uma dimensão do existir aonde nos podemos achar em melhor disposição espiritual para conectarmos universos complexos.
Conheci Viteix aos 17 anos por via de Henrique Abranches, na altura achei bonito mas não o compreendi. Aos 25 voltei a encontrar Viteix mas reconheço que não estava preocupado com a fruição desinteressada da sua obra e isso toldou-me a compreensão. Três anos depois, em vias de me separar da casa, recolhendo papéis e documentos antigos, dei novamente com o arquivo de Viteix. É constituído por fotografia, cópias de artigos de jornais e impressões scanneadas de quadros e esboços. Espalho tudo pelo chão como peças de puzzle e deixo-o ai, como que amadurecendo, fermentando, germinando uma lógica esforçada.
É madrugada, as insónias voltaram, sinal da mais recente crise de ansiedade. Levanto-me e passeio pela casa, percorro os ruídos infra-sons dos bichos que nela habitam. Sirvo um whisky, ligo o computador e ponho música. A perdição do momento. O bib-hop de Duke Ellington preenche o ambiente. Outro gole. Ponho o computador de lado e fico de frente, com o copo à mão, para as imagens de Viteix.
E então tudo se dá: o que parecia ser a simples figura de um bailarino reproduz-me em três, mas já não são bailarinos e sim apenas duas mulheres e um homem, em êxtase, num bacanal sexual. Mas dançam, dançam ao ritmo de uma música que não encontra equivalência no fundo cinzento cru da madrugada. A eles juntam-se outras figuras de outros quadros. Vão se juntando em frenesim corporal despindo-se dos disfarces de arte Tchokwe. As alusões sexuais ganham substância e o ritmo tropical já é audível. Partem mergulhados em êxtase num cortejo de prazer. Afunilam-se no ritmo, incorporam-se, fundem-se, descobrem-se nos outros e liquefazem-se. Mas o ritmo permanece, aspira ser uma constante… ups! O Whisky acabou. Acho que consegui partilhar o universo de Viteix. Descodificá-lo, será? A composição dos três elementos é essencial: Whisky, jazz e madrugada. Parte do processo de criação de Viteix era resultado da junção destas componentes. Fico ainda ali um pouco, olhando para aquelas figuras que entretanto voltaram ao que eram antes de tudo, inertes, surdas e inócuas nos seus disfarces.“Viteix é um lúdico lúbrico!”, penso para comigo e não me contenho a rir “…uhmmm! Como será bom morrer amando Viteix!”



Cláudio Tomás
Luanda, Angola, Lisboa, Portugal
Sociólogo







Pensar e Falar Angola

sexta-feira, 25 de abril de 2008

Expo Colecção Ensa-Arte 2008

A Expo Colecção Ensa-Arte 2008, uma realização da seguradora angolana Ensa, nas disciplinas de pintura e escultura, a ter lugar no Salão de Exposições do Museu Nacional de História Natural, em Luanda, tem o seu início marcado para hoje, 25.

De acordo com uma nota de imprensa daquela instituição, o evento, que servirá para homenagear o falecido artista plástico angolano Viteix, exibirá obras de 16 autores, entre eles, Álvaro Macieira, António Olé, Hildebrando Melo, Jorge Gumbe, Luandino de Carvalho, Massongui Afonso e Francisco Van-Dúnem “Van”. A actividade, que se realiza até ao dia 10 de Maio, enquadra-se nas comemorações do 30º aniversário da seguradora nacional e reúne um conjunto de obras de arte contemporânea e moderna do seu acervo. O objectivo do evento é promover e divulgar a colecção de obras de arte da Ensa, que é constituída por 113 peças de pintura e escultura. Esta colecção começou a ser reunida em 1991, por altura da primeira edição do Prémio Ensa-Arte, integrado na estratégia global da empresa cujos objectivos e critérios orientados mostram duas abordagens complementares. O Prémio Ensa-Arte, que comporta duas categorias intituladas "Grande Prémio" e "Prémio Juventude", é destinado aos artistas plásticos angolanos residentes ou não no país e os estrangeiros residentes, que fazem obras de pintura e escultura.


O 1º prémio em pintura e escultura para o Grande Prémio está avaliado em 15 mil dólares e 7 mil e 500 dólares para o segundo, sendo igualmente atribuído um prémio especial para uma das províncias, também nas duas disciplinas em referência, estimado em 250 dólares norte-americanos. Os vencedores em pintura e escultura do Prémio Juventude recebem o valor de 5000 dólares, cada.




Pensar e Falar Angola

RITA GT em Viana do Castelo

https://youtube.com/shorts/qZkb4CfXTZQ?si=3K65JJEr5VQqsZZS Ao longo dos últimos dois anos tive a oportunidade de desenvolver “8”, uma obra d...