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segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Vivências press -Adolfo Maria

Procurando saídas

Estamos perante enormes problemas de ordem económica e social e também política. Já não servem mais a ninguém as atitudes e práticas de arrogância, intolerância e exclusão por parte do poder político (vigente até há pouco) para com os cidadãos e o seu autismo que o colocou tão distante da realidade. Precisamos de compreender como esse poder foi criado e desenvolvido para saber encontrar saídas.
Em Angola, foram tormentosos o acesso à independência e o pós-independência: uma luta de libertação com rivalidades fratricidas; chefias autoritárias dos movimentos de libertação; guerra civil para a tomada do poder pelas armas (em vez das eleições previstas pelos acordos de Alvor para a independência); implantação de uma feroz ditadura, sob a chefia de Agostinho Neto, no País tornado independente; uma persistente ameaça externa; uma prolongada guerra civil; um período pós-fim da guerra civil que se caracterizou por tiques autoritários do partido detentor do poder e do executivo chefiado por José Eduardo dos Santos. Tudo isto se passou em várias décadas.
O modo como decorreu a luta de libertação e o autoritarismo e intolerância reinantes em cada um dos então movimentos nacionalistas transferiu-se para a Angola tornada independente, sob o comando do MPLA. Desde logo foram marginalizados, ostracizados, aprisionados ou mesmo abatidos os que divergiam da direcção do partido no poder (mesmo sendo seus membros). Por outro lado, foram banidos os outros partidos e eram sumariamente liquidados os seus membros. De salientar que os partidos que combatiam o partido no poder, a FNLA e a UNITA, faziam o mesmo. Portanto, a sociedade angolana foi formatada, desde a independência, por uma cultura de intolerância e exclusão que teve consequências terríveis na evolução do país.
Agora (quase quarenta e dois anos depois da independência), chegámos a um ponto em que se verifica ser urgente uma nova atitude, quer por parte do poder, quer por parte da sociedade civil: as posturas de exclusão devem ser suplantadas pelas de inclusão. Começa-se a ter consciência de que é preciso um diálogo aberto entre o poder político e a sociedade civil para a discussão dos problemas, das suas possíveis soluções e uma disponibilidade da sociedade civil para a sua participação nas tarefas de urgente interesse nacional.
Por isso, em vários sectores da vida do país (jovens, intelectuais, políticos, empresários, associações, militantes e quadros partidários) se estão procurando saídas já há algum tempo. Por isso, vemos convergir em mesmas ideias e posturas indivíduos que anteriormente pensavam ou agiam de modos opostos. E estamos num momento em que é visível um arejamento da vida política, social e intelectual angolana que resultou das recentes eleições, apesar de seus aspectos controversos. São vários os sinais: desde os escritos e posturas de personalidades de variados sectores da sociedade civil a proclamações do próprio poder político que, abertamente, fala em inclusão, promete liberdade plena aos cidadãos, discussão e parceria com a sociedade civil (uma atitude que saudamos e é totalmente oposta à do anterior presidente). Compete aos cidadãos não deixar que o poder se fique por palavras e também compete a eles contribuírem para a desejada e necessária mudança.
Essa mudança terá de ser bem mais profunda que a prometida até agora e implica uma participação concreta e confiante dos cidadãos. Para isso, é fundamental saber-se “fazer o recurso à Nação”, um profundo conceito estratégico do meu companheiro de geração e de lutas e amigo, o falecido Gentil Viana, esse grande pensador e nacionalista, que tanto deu à nossa luta de libertação nacional e tanto sofreu no seu combate pela liberdade em Angola.


Pensar e Falar Angola

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

AS NOVAS LIDERANÇAS NO MUNDO


Desde  os  primórdios  de  sua  existência ,   os seres  humanos   na  sua  grande  maioria ,     têm  a  necessidade  de  lideranças   ,    muitas  vezes  nascidas   pelo  desejo  de  dominação e pela   imposição  da  força  bruta   e  não  pela  razão .

As  lutas  pela  posse  das  melhores  terras   para  caçar   e  morar   deram  origem  às  guerras    e  estas  necessitam  de  quem  as  comande    ou  seja     uma  maioria  obedecendo  a  uma  minoria  que  ordena e impõe sua força bruta ,  física  ou  psíquica .

Quando  as  guerras  surgiram  nos  primórdios   ,  a  força  bruta   era  necessária   principalmente  porque  as  armas  utilizadas    eram  pesadas    e  as  distâncias  a  percorrer    a    ou  à  cavalo  eram  longas  e  desgastantes  e  os  perigos   físicos eram  grandes  e  reais .

Estas  condições  físicas   difíceis  permitiram  ao  homem   adulto ,  animal  geralmente com  mais  força  física  do  que  a  mulher  ,   impor-se    e  dominar   assumindo  a  liderança    do  grupo   integrado  por  homens  ,  mulheres  ,  crianças  e  idosos.

Hoje  em  dia  sabe-se  que  os   líderes   que    utilizam  a  força  bruta  ,  física ou psíquica ,    para  se  imporem não  são  os  mais  sapientes  e  basta  observar   os  modos  de  vida  ,  os  gostos  ,  o  lazer   ,  os  modos  de  estar  e  ser   dessas  lideranças .

Essas  lideranças  brutas   são  o pilar     na  continuação  das  guerras   pois  desenvolveram  em  si   o  espírito  de  poder  como  fim  .

O poder  pessoal  ,  como  fim ,    determina   a  necessidade  de  liderados “dominados”    para  a  manutenção  desse  poder  .

Por  sua  vez    os  liderados    desenvolvem    em  si  esse  poder    pois  o  chefe  transmite   ao  seu  subordinado  seu  modo  de  ser     embora  em  escala  menor  .

No seu  cargo  hierárquico  inferior    mas  de  comando   ou no seu  pequeno  mundo  familiar     o  subordinado   exerce  seu  pequeno  poder   ,  muito  para  ele  ,     gerando-se  assim  um  circulo  vicioso   em  que  liderados  sustentam  os    líderes  e  vice-versa   ,  um  precisa  do  outro  para  existir .

As  organizações  precisam  de  crentes    e  quantos  mais  crentes   mais  considerada     é   a  “verdade”   pregada    mas   e se não  houver  crentes  para  as  supostas  verdades  ?

Nas  sociedades   aonde  a maioria dos   indivíduos     têm  em  si  esse  espírito  de  poder  como  fim   ,      pela  imposição   do  medo  através  da  força  bruta  ou  subtil,      leis     com     castigos  ,   ameaças  ,  etc.  ,     é  possível  criar  uma  certa  ordem   exterior   social    pois  de  outro  modo  seria  o  caos .

O poder quando é exercido  como  um  fim ,   e  é  o  caso na maioria dos países  com suas democracias  regidas por grupos de partidos ,    tudo  faz  para   manter os  benefícios  desse  poder  e  dominar   mas esse poder não é  o mais inteligente e  criativo nem  se  fundamenta  num  desenvolvimento sustentado .

Tanto  é assim  ,  que  o resultado após  estes anos  de democracias tecnológicas  é  um  cada vez maior desequilíbrio  social  e  ambiental .

Como  consequência  disso ,     com o domínio cada vez  maior das  tecnologias  e  da   informação on-line  ,    os cidadãos   mais novos  caminham   para um processo de mudanças radicais nas lideranças e  vão expurgando  muitos   dos  “mais velhos”  .

Os resultados desastrosos sociais e  ambientais  gerados pelos  cidadãos  “mais velhos” ,  líderes  e  liderados ,  são   cada vez  maiores  e  não resta    aos mais novos  senão uma reacção radical  assumindo   lideranças .

Estas mudanças de  lideranças  nascem  não  porque  os mais  jovens  sejam  mais  sapientes  do que os mais velhos  mas  simplesmente porque uma  maioria dos   mais  novos ,  em  geral ,  dominam  mais  rapidamente as  novas  tecnologias  e  mais  rapidamente estão  dispostos   às  novas  mudanças  de  atitude  necessárias  para  enfrentar   as  dificuldades  actuais .

Também     “ mais  velhos”  capazes  e  sapientes   que   dominam  as  novas  tecnologias  e  têm  uma  nova  atitude , no passado  e  no  presente .

Todas   as  sociedades humanas têm  necessidade   de    lideranças      mas  estas  devem  desenvolver-se   através  de  um  espírito de  colaboração sapiente   e os partidos  devem ser Instituições  que  exercitam  o  poder   como  um  meio de  transformações  que  beneficiem  a  todos  e  não como um  fim pessoal  ou  do  grupo  .

sábado, 22 de dezembro de 2012

AVISO À NAVEGAÇÃO - PORTUGAL / ANGOLA

ANo decurso da ida de Ministros de Espanha a Angola para assinar diversos acordos de cooperação, o Ministro dos Negócios Estrangeiros Espanhol disse que está para breve o estabelecimento de um acordo de abolição de vistos entre ambos os países.

Como todos sabem, Portugal exige um infindável número de documentos aos angolanos para aqui entrar, que tem a reciprocidade de Angola que inferniza quem queira o visto, inclusive ter de ir ao consulado tratar diretamente.
A Suiça, muito zelosa do dinheiro dos outros e suficientemente moralista, confiscou em 2008 cerca de 43 milhões de euros de fundos angolanos por desconfiar que seria lavagem de dinheiro.

Acaba de assinar a devolução do dinheiro a Angola porque reconheceu que há um governo eleito e afinal é um país importante para a sua economia. O resto é anedota.

Portugal, através do nosso MP, resolveu investigar altos dirigentes angolanos por terem muito dinheiro em Portugal, mas não contente, o MP resolveu estender a sua competência e pretende fazer investigação sobre a construção da cidade do Kilamba Kiaxi, um aglomerado de prédios para mais de 100 mil habitantes, uma nova centralidade de Luanda, executada por empresas chinesas, cuja qualidade é reconhecida má.

Mas não é por os chineses enganarem os angolanos porque os prédios apresentam patologias inconcebíveis, rachadelas de pasmar qualquer um (até porque é uma intromissão inaceitável).

O argumento do nosso MP é que Manuel Vicente, atual vice-Presidente de Angola, possa ter beneficiado do negócio.

Eu nem quis acreditar nesta incursão colonialista no coração de um país independente mas é a verdade .
Justamente o nosso Ministério Público  que ainda não resolveu nenhum dos casos e que os deixa a criar mofo nas catacumbas das suas instalações.,  lança suspeitas sobre pessoas influentes e o processo vai queimando em lume brando até caducar o prazo.

Imaginem agora o Ministério  Público angolano,   ante a incompetência da justiça portuguesa, resolver investigar as PPP em Portugal, porque há indícios de que vários figurões se beneficiaram das negociatas?
Estes casos revelam a “inteligência” e o senso (eu nem quero bom senso) com que as nossas autoridades tratam os assuntos de Estado.

Palavras para quê?

Mário Russo (Cidadão Português vivendo em Portugal )

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

NOVA REFINARIA DE PETRÓLEO NA BAÍA DO LOBITO

 Foi lançada a primeira pedra no dia 11 de Dezembro de 2012 ,  dando inicio à construção de uma  Refinaria de Petróleo na cidade do Lobito , em Angola , inserida  junto à  sua bela  baía .

Esta obra custará um bilião e quinhentos milhões de dólares americanos e será construida pelas empresas Odebrecht (brasileira) , MotaEngil (portuguesa)  e  Zagope (brasileira) e em cinco anos deve estar a funcionar .

A “AIA” ,  Associação Industrial Angolana ,  não é favorável  à localização desta Refinaria  na cidade do Lobito .

Justifica  esta posição  afirmando o seguinte : 

-          A cidade do Lobito com sua bela baía  sempre foi um local privilegiado para turismo desde há muitos anos .

-          Os derrames de petróleo da Chevron , da Sonils ,  o incêndio na FINA localizada na cidade do  Lobito , os dois  incêndios da Petrangol em Luanda , na EMUL  , os acidentes na Venezuela  e  em Londres ,  etc ,   por si já indicam  que as águas desta bela baía do Lobito e seus habitantes futuramente  correm riscos  de  uma poluição ambiental grave e  problemas de saúde pública.

-          Há também  a consequente  poluição atmosférica e das águas marinhas e sua vida animal e vegetal  ao redor das refinarias .

Ou seja ,  há enormes riscos ambientais  ao ser construída esta refinaria  na baía do Lobito .

-          Como contrapartida  a esta localização ,  a  AIA  sugere que esta importante refinaria angolana seja construída num futuro Polo de Desenvolvimento Industrial Petro Químico   localizado a sul da Baía Farta  constituindo-se uma Zona Económica Especial .

-          A  AIA  também propõe que o futuro porto mineraleiro seja construído fora da baía do Lobito .

-          As  empresas  cimenteiras  também devem ser deslocadas para  longe dos granes centros devido à grande poluição  gerada .

-          Deveriam também  serem plantadas  árvores  ao longo  da  nova linha dos Caminhos de Ferro de Benguela , com mais de  mil quilómetros de extensão , para enriquecer o ambiente florestal e preservação das chuvas .

-          A  AIA  também  alertou  e  continua  a  alertar que  há grupos empresariais importadores diversos ,   alguns  indianos ,  alguns chineses  e  alguns libaneses que tudo fazem para destruir  a  nascente industria angolana .

Em  conclusão  ,  a  Associação Industrial Angolana  tem uma posição bastante clara e firme acerca  do desenvolvimento  industrial angolano  construído  de forma  sustentada  e tendo como objetivo primordial um grande  equilíbrio económico , social e ambiental .   

domingo, 9 de dezembro de 2012

FRATERNIDADE LUSÓFONA ?

 No  Brasil ,  muitos de seus cidadãos ,  apenas há alguns anos começaram a interessar-se mais  por  conhecer e  entender melhor Portugal  e  sua cultura .

Ou seja , despertou-lhes a  curiosidade de conhecerem melhor seu passado , após  tantos anos de independência  e relativo afastamento e  ausência .   

Hoje em dia , O Brasil busca posicionar-se melhor  na sociedade das nações  e  ninguém pode evoluir  sem conhecer  bem o seu passado , sua cultura , de  onde veio  pois  só assim pode definir melhor e  ter consciência  para onde quer ir . 

Por isso nota-se  claramente ,  para quem acompanha a sociedade brasileira bem de perto ,   que  há um interesse cada vez maior em muitos cidadãos em quererem conhecer melhor as suas raízes lusitanas   e  essa descoberta lentamente vai transformando-se num motivo de respeito e até de orgulho pois , queiram alguns  ou não , a nação lusitana tem uma história que sobressai e uma cultura humanista universal mui interessante .

Não se pode esquecer que foi a língua portuguesa com  sua cultura quem muito ajudou  a  criar a  atual Nação brasileira continental  , definiu  suas  fronteiras  geo-politicas e  construiu-se  uma nova sociedade  cuja  essência e beleza está na mestiçagem racial e cultural sendo o Brasil atual  uma nação líder global .

Há , hoje em dia ,  uma maior  aproximação  e  compreensão do Brasil para com Portugal  e  vice-versa .

Nas Nações africanas da CPLP  ,  ainda  com pouco tempo de independência ,  os   consequentes traumas  originados  pela descolonização  ainda são bem visíveis.

O  Brasil iniciou um processo mais profundo de contacto  e reconhecimento das culturas africanas lusófonas construindo-se uma nova relação , de parte a parte ,  com maior respeito , irmandade e orgulho .

Portugal ,  numa grande parte de  seus cidadãos ,  tem uma relação muito forte e próxima com as culturas  africanas lusófonas .

Há poucos dias ,  no mês de Novembro de 2012 ,  o PCA da RTP   numa visita a Angola aonde foram assinados acordos bilaterais com a  TPA ,   disse  em bom tom e claramente ,   que é necessário uma relação mais profunda  e  respeitosa entre  estas nações irmãs  pois isso é benéfico para ambas e para seus cidadãos ,  nesta hoje cada vez mais  difícil globalização .

É necessário haver um maior conhecimento entre as culturas dos povos da CPLP  pois assim  pode-se avançar numa maior integração politica , económica , social e  ambiental  que  beneficie  a  todos .

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

HÁ UMA OUTRA ANGOLA

Há uma  Angola  dos  cidadãos  que se esforçam  e acreditam numa conduta  ética   norteados pela  moralidade do respeito  na  construção deste  novo país .

É nesta  Angola  que  acreditamos  ,  aplaudimos  , labutamos  e nos  orgulhamos  mas tendo  consciência  das  dificuldades  ainda grandes ,  em  todos os campos .

Esta  Angola  com  moral   existe  ao  nosso  redor , diariamente  ,      e  nela    existem  crianças , jovens , adultos  , mulheres  e  homens de  todos  os  tons  e  culturas   , pessoas que  realmente  trabalham  e  se  esforçam  todos os dias  para  ganhar  seu  sustento  e  de  sua  família   ,  pessoas  que querem  aprender  e   se  esforçam em  agir  com  ética  mesmo  que  por  vezes  não  saibam o significado  desta  palavra  .

Estes  cidadãos ,  a  maior  parte  nascidos  em  berços que não são de ouro ,  cresceram  e  crescem em  estruturas  familiares    respeitosas e com  moral ,  apesar da  realidade  da  vida  os  querer levar muitas  vezes   por  caminhos  menos  correctos  ,  gananciosos e falaciosos  .

Em todos os recantos deste grande país chamado Angola há  um  povo  eclético  que  diariamente  labuta , se esforça por  melhorar ,   que  busca  ser  honesto ,  que  estuda ,  que  cumpre  horários ,  que  recebe  salários mensais ganhos  com seu próprio esforço e suor  e que  à noite ,  após o jantar  com sua família  ,   dorme e acorda  cedo  para ir trabalhar .

  nesta Nação pessoas   que ,   apesar de todas  as  dificuldades ,    são   alegres ,  amigas  , fraternais  ,  humildes ,  orgulhosas  de si e   de  suas  raízes e que  colaboram  na  construção de um desenvolvimento sustentado .

  em  Angola   gente     que trabalha  por  amor  ao que faz ,     gente    que  é  professor ,  artista ,  médico , advogado ,  desportista ,    estudante ,  arquitecto ,  empresário , funcionário ,  pedreiro ,  dona de casa ,  mãe , pai ,  irmão ,    jornalista ,  professor  de  ballet ou de música ou de   artes plásticas  ou de  informática , ...   enfim ..   gente   que  gosta de seu trabalho e o faz por amor à sua arte ,    pessoas  normais  como  existem   em  qualquer outro  país   normal .  

E  não  são  poucas  estas  pessoas   ,    apesar  de  não  parecerem  muitas  pois  seus  rostos não aparecem  nas luzes  da  ribalta  e da  média  e  pouco  delas  se  fala .

Esta  é  a  ANGOLA   da  qual  muito  se precisa  falar .

quarta-feira, 22 de abril de 2009

De Benguela para a Gabela…

aproveitando a oportunidade e a disponibilidade para colaborar neste blog, enquanto não entra em nome próprio, eis a primeira crónica de Helena Magalhães, chegada por e-mail.


por Helena Magalhães

 

O fim de semana prolongado da Páscoa, precedido de um compromisso profissional em Benguela,  foi aproveitado para nova incursão naquelas paragens e, no regresso, uma visita à Gabela, a terra dos cafezais  que, segundo informação espúria, estariam em período de floração. 

As flores já se tinham transformado em pequenos bagos verdes, não imediatamente visíveis aos olhos de quem não conhece  o arbusto cafezeiro, de modo que após minuciosa busca lá se percebeu  que estávamos em presença de vastas plantações de café, de um e de outro lado da estrada. O mar verde de onde se erguiam imbondeiros, bananeiras, e um nunca mais acabar de troncos, ramos e folhas numa algazarra de passarada, flores garridas e frutos  “desconhecidos” – a  diversidade  não aproveita à ignorância de visitantes bio-analfabetos  - era afinal o demandado cafezal.  A estrada da Gabela é um espécie de  pesponto ziguezagueante na vastidão da paisagem verdejante, espampanante  no exagero de tons e viços, espelhada no azul prateado do rio que se esgueira por palmares e lagoas, e onde aqui e ali se arredondam aldeias de cubatas e de adobes. Estas, como as da vila,  de casas vermelhas da cor da terra, colmadas ou com telhado de zinco, encarrapitadas nos morros em cascata, assim a  lembrar o  presépio,  humildes  na singeleza dos cómodos e dos haveres. Maravilha para quem vê, é um espanto, dureza para quem lá vive, dá que pensar, mas que não se adivinha no vaivém colorido das gentes e na garridice da catraiada. Dir-se-ia que de tão pouco ter esta gente com pouco se contenta, e se entrega em perfeita harmonia ao brilho da luz ,  apesar do sol  inclemente, que se derrama nas cores cálidas da mãe natureza, ela que a todos se impõe e tudo domina.  Enfim, a visão romântica do passante, bem acantonado no ar condicionado, que no devaneio da miragem  se escusa a  pensar nas endemias e apêndice de enfermidades e escassezes que determinam vidas desprotegidas e mortes prematuras. Beleza e ironia….

A meio caminho, paragem nas cachoeiras do Sumbe, imponente espectáculo natural de luz e som, grossas cortinas cantantes de água a esfumear brancura no verde do entorno recortado no céu azul pintalgado de farrapos de nuvens, e o rio segue lesto a reverberar dourados na manhã soalheira.  Ali perto uma aldeia, e o formigueiro do mercado de rua , cabanas e casas de pau-a-pique, outras mais de alvenaria, porém  esconsas,  perene o abandono das gentes  que se afadigam no  frenesim  de acrescentar  às vidas minguadas  o pão-nosso-de-cada-dia.

Benguela, a cidade das acácias rubras, continua esbelta e mal trajada. Belas vivendas do período colonial,  à vista bem  restauradas, bordejam amplas avenidas,  boas enfiaduras, junto à zona ribeirinha, onde um passeio marítimo a pedir  restauro, salvo no pedaço  ocupado  por restaurantes  e esplanadas, tal como os edifícios, os passeios e os jardins de boa parte da cidade reclamam intervenção urgente. E então Benguela será a bela.

Uma volta pela costa, nos  arredores da cidade, levam-nos à linda praia da Baía Azul, enfeitada  de árvorezitas de rendilhada folhagem, extenso areal  perlado de conchas e pequenos búzios onde um mar canelado, esticadinho,  azul e verde  desenha bicos de espuma branca. Tudo é luz, cor e serenidade apenas agitada   pelo pipiar dos pássaros em revoada.  Adiante,  picada fora na vastidão do festival de verdes da paisagem,  assoma-se à aldeia, paupérrima, e porto de pesca da Caota, com destino à Caotinha, pequeno promontório debruçado sobre  uma extensão de mar de crépon  azul  e esmeraldado  a perder de vista. E a vista perde-se em deleites de lavar-olhos-e-enxaguar-alma.  Num repente, enxameiam os meninos da aldeia dos pescadores, olhitos fosforescentes na lengalenga  da  pedinchice  suscitada pela presença de estranhos, estrangeiros,  entretém de graúdos e pequenada num lugar onde não acontece nada.  Na  desvairada beleza da natureza selvagem e dominadora.  Só a pobreza das gentes mora aqui.

 

Luanda, 16 Abril 2009


Pensar e Falar Angola

domingo, 5 de outubro de 2008

A ENTREVISTA SOBRE ANGOLA NA SIC

A PROPÓSITO DA ENTREVISTA DO ESCRITOR ÁGUALUSA NA SIC , DURANTE O PROCESSO ELEITORAL EM ANGOLA .

Foi interessante observar a forma como o angolano Águalusa defendia suas razões , suas visões angolanas , sem perceber que Angola está a mudar em velocidade acima da média normal.

As mudanças em Angola parecem ser num sentido evolutivo mas algumas vezes , como em muitos países, parecem ser num sentido menos positivo, principalmente ao se considerar os aspectos ambientais e até culturais.

Esperamos que na média venham a ser num sentido ascendente evolutivo.

Voltando ao nosso amigo angolano Agualusa, pareceu-nos ver naquela entrevista um homem cuja mulher o traíu ou abandonou, tanta era sua preocupação em questionar o caminhar de Angola e falando quase que exclusivamente apenas das dificuldades e pouco se referindo às situações positivas .

A análise do Águalusa pareceu-nos ter um enfoque bastante ocidental esquecendo-se que Angola é uma Nação africana ocidentalizada e como tal , caminha de uma maneira diferenciada do Ocidente .

Nem nós , que aqui estamos a viver permanentemente, sabíamos de algumas das mudanças económicas que aconteciam e por vezes ficamos admirados com as novidades e procuramos andar sempre minimamente informados.

As pessoas que estão fora de Angola há mais de seis meses não sabem de muitas das mudanças económicas que estão a acontecer .
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A paz foi alcançada 2002 e só após esta data foi possível começar obras novas ou de reconstrução , até porque agora o orçamento do Estado começou a ficar mais disponível para uma reconstrução e construção do país .
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Por isso , na altura das eleições , pareciam que essas obras estavam a ser feitas exclusivamente com objectivos eleitorais, como acontece muitas vezes no Brasil e Portugal .

E o nosso amigo Agualusa, aparentemente fora de certos acontecimentos angolanos , claramente demonstrava algum desconhecimento da realidade actual de Angola e também parece esquecer que Angola é um país africano com algumas características ocidentais.

A expressão facial do Agualusa , durante a entrevista e diante de algumas novidades económicas colocadas pelos outros intervenientes mais informados , parecia um homem traído pela mulher Angola que desfilava evoluindo pela " passerelle" sem lhe pedir licença e sem lhe prestar atenção .

Foi cómico e teatral assistir ao debate da SIC com pessoas mais informadas e menos informadas e umas parecendo maridos traídos .

Se queremos construir uma Angola melhor, agora e no futuro, precisamos de atitudes e críticas positivas, encontrando e incentivando o que de melhor se faz para que os cidadãos caminhem em sentido evolutivo.

Na educação pedagógica, quando queremos que uma criança se desenvolva, devemos tornar visíveis seus melhores aspectos e suas melhores atitudes para que elas busquem, por si, sempre as melhores alternativas de vida.

Quando se castiga permanentemente uma criança por suas atitudes menos louváveis certamente que essa criança não vai desenvolver uma mente equilibrada e torna-se um adulto com dificuldades mentais e até agressivo .

E é isso que assistimos muitas vezes, pela vida fora, adultos com comportamentos notadamente negativos, insistindo e martelando nos aspectos mais negativos da vida em geral e com isso demonstrando um certo desequilíbrio mental e pedagógico.

Está demonstrado que os pedófilos, na maioria das vezes, foram crianças violentadas, física e mentalmente .

E pela expressão facial das pessoas é possível ler a profundidade mental das mesmas, algumas realmente hilariantes.

Quem souber ler a expressão facial do sr. Bush , muitas vezes identifica uma pessoa superficial e com pouca profundidade mental.

Os noticiários em Portugal geralmente só falam de acontecimentos negativos ou menos bons, esquecendo-se que educar é elevar os aspectos positivos da vida.

Desejamos que o nosso amigo Agualusa se informe mais sobre a nossa actual Angola e seja mais um a construir uma Angola positiva , elevando sempre o que de melhor tem e polindo sempre o menos bom, para que este diamante brilhe cada vez mais, pois muito merecemos .

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

A SOCIEDADE NUMISMÁTICA PLANETÁRIA

A SOCIEDADE NUMISMÁTICA PLANETÁRIA


O mais cego é aquele que possuindo instrumentos não quer ver .

Todos os humanos são frágeis energias físicas quando colocadas ao lado de, por exemplo , uma montanha , de um mar , de uma árvore gigante , de uma baleia , de um dinossauro gigante , e são mais frágeis ainda quando comparados com a lua , o sol e seu calor , os pólos norte e sul e seu frio , etc. .

No entanto a mente humana pode tornar-se bastante perigosa e virtualmente poderosa pois é capaz de destruir uma vida humana pelo simples prazer de o fazer , é capaz de destruir uma montanha , um rio , uma floresta , as camadas de ozono , fazer experiências nucleares violentas , dizimar raças inteiras de seres humanos ou outros seres que ainda tinham muito para viver em seu espaço natural .

A sociedade humana ocidental , oriental e africana está envolvida pela emaranhada rede numismática dos cifrões monetários , o mundo da adrenalina , das altas velocidades , das altas viagens , ...

Tome-se como exemplo a propaganda apresentada num canal televisivo americano convencendo as pessoas a fazerem ginástica no espaço fechado do lar pois não precisam mais de utilizar espaços fora de casa .

Através desta propaganda cria-se um mundo denominada "hodierno" , mundo que se supõe forte ao utilizar a expressão americana de "mais um dia mais um dólar" e que implícita ou explicitamente convida cada um a "fechar-se" em seu espaço caseiro , isolando-se , pois o mundo lá fora está contaminado e as horas e oras são ocupadas com números de cifrões .

O humor diário da maior parte dos seres humanos adultos urbanizados depende da quantidade de cifrões monetários amealhados vivendo-se permanentemente em erudições matemático/financeiras , qual delas permitindo um amealhar maior , e se assim não for contradiz-se a sociedade numismática dos cifrões e a felicidade não é alcançada .

Observando-se a sociedade humana no seu conjunto planetário identifica-se claramente um conjunto de características que a enquadram no mesmo estilo de vida , esbatendo-se as diferenças regionais cada vez mais .

É interessante "ler" a sociedade numismática planetária actual , no seu dia a dia , através dos telescópios planetários que são os canais televisivos internacionais , instrumentos que privilegiam uma análise profunda da psique humana .

Diante desses visores amplos que são os canais de televisão internacionais identifica-se claramente os estilos de uma sociedade global estressada pelos cifrões que não se importa com os meios utilizados para conquistar os fins financeiros .

As tensões psíquicas complicam-se entre os seres humanos manietados pela ditadura dos cifrões e enredam-se cada vez mais no exterior consumismo ditado pelo desejo do só para ele e , no máximo , para mais alguns que lhe estão próximos .

A sociedade numismática absorve e suga a energia da maior parte dos seres humanos urbanizados .

A sociedade planetária das estatísticas supremas , em todo o planeta , emaranhou-se de tal modo no "consumismo" que o ser humano tem de produzir permanentemente para satisfação dos "egos" influenciáveis pelas propagandas intensas e muitas vezes deturpadoras das naturais necessidades .

Parece impossível conter esta onda consumista e viver ou morrer transformou-se num comprar e vender e quem assim não preceder é considerado "inferior" pelo sistema social numismático .

É necessário nesta complexidade em que a humanidade vive observar os diferentes sub-conjuntos deste conjunto humano submetido à ditadura dos números e das estatísticas e captar a "mensagem" que cada um transmite com seu "modus vivendi" em seus diferentes espaços-tempos regionais .

Cada um constrói seu caminho .

Valdemar F. Ribeiro
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Projecto " Vamos plantar 1.000.000 de árvores na Huíla/Angola

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

RESPONDENDO À QUESTÃO " FOME , CORRUPÇÃO , POBREZA"

RESPONDENDO À QUESTÃO " FOME , POBREZA , CORRUPÇÃO"

Nesta fogueira agradável angolana , nossa em cada dia novo a construir , decidi apear-me deste meu cavalo à brida e tertuliar de forma sucinta mas considerando a relatividade das ideias .

Não gosto muito de masturbações teóricas mentais sobre a vida dos outros , pois prefiro reflectir sobre a vida real em mim e sobre os meus actos , e isso já me dá muito trabalho , muito mesmo , mas também tenho mais gozo e satisfação comigo mesmo e cumpro a vida em mim .

Um voyeur é aquela pessoa que em vez de gozar , ser feliz , ter alegria , criar , etc. com sua própria vida prefere sentir algum pequeno prazer com a vida dos outros espreitando-os através de um monóculo de maneira a não ser visto ou seja é uma pessoa que foge da vida escondendo-se nas moitas .

As organizações humanas , desde os primórdios , geralmente gostam de levantar a bandeiras dos pobres ou dos ricos , mas sempre as bandeiras dos outros , dizendo-se os defensores ou os preocupados com as realidades do mundo .

Os chamados Mestres ou gurus ou chamados especialistas sabem sempre muito da vida dos outros mas de sua própria vida muitas vezes pouco sabem e quem sabe faz em si .

Já vi , neste meu caminhar que já vai longo pela vida , muitos pratos encherem-se com as misérias ou dízimos dos chamados pobres .

Por isso prefiro sempre construir em mim e desse modo crescerá nos outros ao meu redor , se quiserem ... senão ... cada um sabe de si , cada um tem a liberdade de escolher o melhor para si e nossos filhos e netos também têem de escolher o que é melhor para eles , isso é uma obrigação .

Nesta vida há os que de mão estendida fingem estar sempre à espera de um lugar no céu da terra ou no céu do céu pois assim não precisam de fazer muito esforço visto que pensar ou construir em si exige esforço .

Aprecio os que experimentam , mesmo que muitas vezes as experiência não dêem certo mas o simples facto de experimentar já é dar certo pois aprende-se muito com os erros ou desacertos .

E o que é certo ou errado para uns pode não ser para outros pois a vida é muito relativa .

Quem não experimenta não erra mas também não acerta , e é essa a máxima do chamado “Velho do Restelo” .


Nós aqui em Angola não somos uma sociedade ocidental mas sim uma sociedade africana ocidentalizada e quem não compreender isso “dará sempre com os burros na água” , como diz o ditado .

Nós aqui em Angola temos uma maior consciência e muita informação sobre o que se está a passar no mundo globalizado de hoje .

Mas nós aqui , quando atingimos mais de cinquenta anos de idade não estamos à espera das esmolas das reformas que algum governo nos irá oferecer para paramos de ser produtivos e esperar a hora .... do fim .

Nós aqui , nesta sociedade africana ocidentalizada , construímos sempre muitos sonhos de projectos para viver e essa é a nossa maior vitória

Nós aqui sabemos que a vida sem sonhos é uma “ quase morte” como diz o poeta Fernando Pessoa .

A pessoa negativa transforma todas as oportunidades em dificuldades e a pessoa positiva transforma todas as dificuldades em oportunidades e esta é a filosofia dos guerreiros .

A vida sem sonhos é o mesmo que desperdiçar a oportunidade de estar vivo , é um jogar no lixo a vida numa esquina qualquer , de um parque qualquer , como uma beata num canto qualquer ou na boca , jogando conversa fora como passatempo e distraindo-se da mediocridade da vida num carteado ou pôker qualquer sem sentido .

Ainda bem que neste nosso futuro , nesta nossa sociedade africana ocidentalizada de hoje , muitos de nós precisamos de trabalhar sempre pois não temos essa alternativa aparentemente atractiva de esperar uma reforma/esmola qualquer , dada por um governo qualquer sem dignidade pois qual a dignidade de uma reforma de 500 , 1000 ou até 2.000 euros após tantos anos a trabalhar ? ... a produzir ... a criar (?) ... ? .

O que adianta uma reforma/deixar de produzir/criar para logo em seguida a pessoa se embrulhar num lençol sem sonhos nem sentido , numa vida que ainda tinha muito para dar e construir ?

É com o exemplo de nosso trabalho , dia a dia , que esperamos resolver os nossos ainda muitos problemas e é com educação que esperamos que Angola se resolva .

Temos a certeza disso e muita energia para levantar esta bandeira à volta desta nossa fogueira .

É importante que todos estejamos bem vivos quando o outro lado da vida aparecer diante de nosso olhar mas que seja benvinda quando vier e com um sorriso positivo abraçaremos essa outra vida , conscientes de que fizemos o nosso melhor e a nossa parte e os outros que façam a deles .


Muitas pessoas da civilização ocidental analisam a sociedade africana segundo os padrões ocidentais e isso tem sido um grave erro desde o século XIV e parece que continua a ser , o que é mais grave ainda neste século XXI , Era da informação .

É importante aqui deixar claro que o ambiente natural do planeta está a ser destruído e o responsável maior é a civilização ocidental , na grande maioria das pessoas , pois não querem perder seus privilégios demonstrando assim uma completa falta de sensibilidade e inteligência universal .

Podemos afirmar que aqueles que destrõem seu próprio habitat são inteligentes ?

No mínimo são ignorantes .

Que fique claro também que em 2008 o mundo atravessa uma gravíssima crise financeira cujo epicentro está nos Estados Unidos da América e também na Europa .

Ou seja , os donos do capital e do chamado mundo democrático desfilam pelo planeta como senhores absolutos dele achando-se os génios da economia mundial mas afinal os “reis” do mundo andam vilipendeando as economias das sociedades não ocidentais e da sua própria e dizendo-se “mestres” .

Afinal aonde está a verdadeira corrupção , fome e pobreza de espirito ?

Vakêto ou vaketu .







RITA GT em Viana do Castelo

https://youtube.com/shorts/qZkb4CfXTZQ?si=3K65JJEr5VQqsZZS Ao longo dos últimos dois anos tive a oportunidade de desenvolver “8”, uma obra d...