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quinta-feira, 15 de julho de 2010

Presidente Português visita Angola

O Presidente da República de Portugal desloca-se a Angola, de 18 a 24 deste mês, para uma visita de Estado que inclui a participação na VIII cimeira da CPLP, que decorrerá em Luanda, no dia 23.

A visita de Estado decorre de um convite do presidente angolano, José Eduardo dos Santos, que em Março de 2009 realizou igualmente uma visita de Estado a Portugal, a primeira a esse nível, desde que subiu ao poder, em 1979.

Aníbal Cavaco Silva viaja acompanhado da mulher, Maria Cavaco Silva, e integra na sua comitiva, o Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado, os secretários de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação, e do Comércio e da Defesa do Consumidor, João Gomes Cravinho e Fernando Serraqueiro, respectivamente, bem como uma delegação parlamentar.

O programa da visita inclui deslocações às províncias de Luanda, Huíla e Benguela, onde o Chefe de Estado português manterá encontros com o Presidente José Eduardo dos Santos, e ainda o presidente da Assembleia Nacional, Paulo Kassoma, autoridades locais e provinciais, e com as comunidades portuguesas. Cavaco Silva vai ainda conceder uma audiência ao líder do maior partido da oposição, a UNITA.

PR de Portugal vai falar da promoção internacional da língua portuguesa

No primeiro dia, após as cerimónias oficiais de boas-vindas, o Presidente da República vai proferir uma intervenção perante a Assembleia Nacional de Angola, reunida em sessão plenária extraordinária. Ainda no dia 19, Cavaco Silva dirige-se aos alunos e professores da Universidade Agostinho Neto, num discurso que vai incidir “na promoção e projecção internacional da língua portuguesa, sublinhando a importância que atribui a um tema que tem constituído, também, uma das prioridades da Presidência Portuguesa da CPLP”, revela uma nota da Presidência da República.

O Chefe de Estado Português vai ainda inaugurar uma exposição no Centro Cultural da Embaixada de Portugal em Angola, intitulada «Uma Estrada, Dois Olhares», com fotografias do português Jordi Burch e textos do escritor angolano Ondjaki. O programa do primeiro dia encerra com um Banquete de Estado, oferecido pelo presidente José Eduardo dos Santos, em honra de Cavaco Silva e da mulher.

No dia 20, os dois presidentes inauguram uma nova unidade fabril da NOVICER, uma empresa de materiais de construção, de capitais portugueses e angolanos. Uma visita a Feira Internacional de Luanda (FILDA), inaugurada nesse dia, durante a qual se dirigirá aos empresários participantes no certame, preenche a tarde do segundo dia da Visita de Estado a Angola.

A agenda dos dias 21 e 22, contempla deslocações às províncias da Huíla e de Benguela, onde, para além dos contactos que manterá com os respectivos governadores provinciais, Cavaco Silva irá proferi intervenções em dois seminários empresariais organizados pela AIP e AICEP, que se realizarão, respectivamente, no Lubango e no Lobito.

Na cidade de Benguela, o Chefe de Estado português vai visitar a Escola de Formação de Professores, e reunir-se com os docentes portugueses colocados nas províncias de Benguela e do Namibe, ao abrigo do programa «Saber Mais», levado a cabo em parceria pelo Instituto Português de Apoio ao Desenvolvimento (IPAD) e pelo Ministério da Educação de Angola (MED).

Ainda no dia 22, já após o regresso a Luanda, o Aníbal Cavaco Silva será recebido na União de Escritores Angolanos e à noite participa num jantar oferecido pelo presidente José Eduardo dos Santos aos Chefes de Estado e de Governo da CPLP, antecedendo o início da VIII Cimeira da CPLP, que terá lugar ao longo do dia 23. A Cimeira de Luanda marcará o fim do exercício da Presidência Portuguesa da CPLP e o início do mandato da Presidência Angolana.



Pensar e Falar Angola

segunda-feira, 19 de abril de 2010

ENTREVISTA: MÁRIO PINTO DE ANDRADE

ENTREVISTA: MÁRIO PINTO DE ANDRADE

"Há reticências em Luanda sobre Acordo Ortográfico"

por A.C.M.DN

"Há reticências em Luanda sobre Acordo Ortográfico"

O Reitor da Universidade Lusíada de Angola esteve em Lisboa para um seminário sobre a diplomacia angolana no novo contexto internacional da Universidade Lusíada. Na ocasião, salientou ao DN as prioridades de Luanda e a situação regional.

Quais as prioridades da diplomacia angolana?

A nossa diplomacia tem uma dimensão externa e uma outra interna. Nesta última, o Governo tem um programa, temos uma nova Constituição e objectivos a alcançar até 2012: criação de um milhão de empregos, um milhão de casas, o redimensionamento do ensino superior, o reforço da formação profissional e o relançamento da agricultura e da indústria. No plano externo, Angola está a consolidar o seu papel nas organizações regionais, a reforçar a cooperação com a África do Sul e assume-se como a potência regional da África Central.

Qual é, para Luanda, a melhor solução da crise no Zimbabwe?

Angola tem uma atitude de mediação na crise. A solução passa, numa primeira fase, por este Governo de transição e, depois, por uma nova Constituição e por um acordo nas elites da ZANU-PF para a substituição de Robert Mugabe por nova liderança que possa trazer estabilidade ao país. Este teve papel importante na luta de libertação e é o pai da independência do Zimbabwe, mas, quando o líder no poder já não gere consensos, é melhor sair com dignidade do que originar uma guerra civil, factor de instabilidade no país e na região.

O conflito com a RDCongo pode considerar-se sanado?

Há ainda um diferendo sobre a delimitação da fronteira marítima, mas foi ultrapassada de forma razoável a tensão resultante da ida em massa e de forma ilegal de cidadãos da RDCongo para Angola.

Como vê hoje a CPLP?

Creio que a CPLP podia fazer mais. Angola, Brasil e Portugal têm sido os mais dinâmicos da CPLP e têm ajudado a estabilizar vários conflitos. Agora, no âmbito da CPLP, temos posições divergentes, como no caso do Acordo Ortográfico. Há reticências em Luanda sobre a sua aplicação; achamos que se deve respeitar o padrão da língua em cada país, preservando a matriz global do português. Outro ponto de divergência é o estatuto do cidadão lusófono. Aqui há duas questões: os direitos de cidadania que as pessoas residentes no espaço da CPLP devem ter, e os direitos de livre circulação de pessoas e bens no espaço da comunidade sem entraves. E ainda não há consensos.

Assiste-se à aproximação entre Angola e os EUA. O facto indicia novas prioridades de Luanda?

É uma vitória diplomática do Governo angolano, primeiro que tudo. O Presidente Eduardo dos Santos esteve nos EUA, o MNE Assunção dos Anjos também, Hillary Clinton visitou Luanda. Hillary disse então que "os EUA queriam ser amigos e aliados de Angola" e que reconheciam o nosso papel estratégico na pacificação da África Austral e Central. Isto demonstra a importância de Angola para os EUA, uma importância que é mais do que os investimentos no petróleo; é também investimentos noutras áreas. Angola tem sabido posicionar-se em cada região geopolítica e encontrar parceiros relevantes para o nosso desenvolvimento.



Pensar e Falar Angola

sexta-feira, 13 de março de 2009

PORTUGAL PARIU DOIS GIGANTES

PORTUGAL PARIU DOIS GIGANTES : BRASIL E ANGOLA .

Os pais , progenitores , não são donos dos filhos pois todos nascemos e morremos sozinhos , apesar de alguns suporem-se donos dos outros .

Quando os filhos se desenvolvem mais que os pais e se tornam mais fortes que estes , deverá haver por parte dos progenitores um sentimento de orgulho e união pois os benefícios cabem a todos , geralmente .

O mesmo se passa em relação aos gigantes que Portugal gerou pois cada Nação é dona de seu destino .

A lusofonia no mundo torna-se mais forte e respeitada na medida em que as Nações lusófonas também o sejam e não há dúvidas que o Brasil e Angola são motores fundamentais no fortalecimento e prestigio da comunidade lusófona .

Portugal deve observar essa realidade global e sentir-se orgulhoso disso e unir-se cada vez mais a esta comunidade sentindo-se um elo que se quer cada vez mais forte .

Só na união é possível à CPLP caminhar e desenvolver-se sustentadamente neste mundo globalizado de hoje , muitas vezes voraz .

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

ANGOLA DE ONTEM E DE HOJE

Pensar e Falar Angola


ANGOLA DE ONTEM E DE HOJE

Em 1988 , indo do Brasil aonde vivi durante treze anos e me formei em Economia , estive em Portugal durante um ano aonde foi meu tutor o professor Agostinho da Silva , privilégio que agradeço à vida .

Após diálogos longos e prazeirosos com o professor Agostinho , decidi ir voluntariamente leccionar Economia em Angola e após demarches junto à embaixada de Angola em Lisboa e junto à Universidade Agostinho Neto em Luanda , foi possível leccionar Economia no Núcleo de Economia do Lubango , Província da Huíla no sul de Angola , no ano de 1990 .

Mais ou menos nesta data , a paz entre a UNITA e MPLA , Organizações políticas que lutavam entre si , foi assinada e iniciou-se o primeiro processo eleitoral angolano .

Muitos empresários portugueses e outros começaram a investir com toda a força em Angola pois muitos queriam acreditar que era possível a paz .

Entretanto , a UNITA em suas assembleias e comícios populares políticos , pela voz de seu líder Jonas Savimbi , incentivava seus apoiantes para uma atitude de força e em discursos na sua língua autóctone defendia uma atitude de guerra .

A UNITA perdeu as eleições e seu líder decidiu retornar à guerra para tomar o poder pelas armas .

Uns dias antes de recomeçar uma nova e violenta guerra em Angola , 1992 , na cidade do Lubango notava-se uma movimentação estranha de carros transportando tropas com aspecto de guerrilheiros da Unita em atitude de guerra .

Ninguém quis acreditar no que via mas os sinais de guerra eram evidentes e foi o que aconteceu logo em seguida .

E esta nova guerra só terminou com a morte do líder da UNITA Jonas Savimbi em 2002.

Hoje estamos em 2008 e a paz em Angola já tem mais de cinco anos .

Das muitas Organizações candidatas a serem partidos políticos , apenas catorze preencheram os requisitos mínimos necessários para se legalizarem como partidos e concorrerem às eleições democráticas .

Estas Organizações políticas estão a fazer campanhas políticas pelo país aparentemente de maneira totalmente livre e ordeira .

Os discursos nos comícios políticos e na mídia são de apaziguamento e unidade nacional e dão claros sinais de que as Eleições em Angola serão transparentes , livres e pacíficas , denotando isso um amadurecimento político muito grande do povo angolano , na sua maioria , e a certeza de um caminhar mais equilibrado rumo ao desenvolvimento que muitos almejam , dentro e fora do país .

Comparando as duas situações , 1992 e 2008 , os sinais são claramente opostos e , desta vez , as atitudes dos partidos políticos e outras organizações em geral dão sinais claros de um grande amadurecimento , clareza de espírito e objectivos pacíficos ..

Muitos dos estrangeiros e seus familiares ausentaram-se de Angola nesta época de eleições e nota-se muito claramente isso nas ruas com a diminuição de circulação de carros de mais de trinta por cento , na área urbana da cidade de Luanda .

Nos bairros fora do centro urbano a circulação automóvel pouco se alterou .

Nesta época do ano é normal muitas pessoas ausentarem-se do país em virtude do verão na Europa mas é notória uma ausência maior de pessoas , principalmente estrangeiros .

A maior parte dos angolanos por aqui continuam tranquilos e a movimentação de pessoas e bens é bem pacífica tanto na cidade de Luanda como nas estradas em direcção às outras Províncias e pode-se viajar de carro com segurança em qualquer hora do dia ou da noite para qualquer ponto do país , com certeza .

A não ser alguns acidentes rodoviários graves por motivo de melhoramento das estradas e maiores velocidades .

Nota-se algum policiamento nas ruas da cidade de Luanda mas isso tem sido normal nos últimos anos .e pouco se alterou e a policia de trânsito melhorou bastante , comparativamente ao passado .

Há uma orientação por parte do Governo de Angola para que todos os cidadãos tenham uma atitude de unidade nacional e exemplar .

É possível constatar uma clara e real organização das eleições , inclusivé através da Internet , com fácil acesso a todos de maneira a obterem as informações necessárias para que haja uma votação sem atropelos nem desorganização .

E Angola está de parabéns pois está sabendo , por si , construir os melhores caminhos no seu desenvolvimento , apesar das contínuas dificuldades conjunturais e estruturais internacionais .

Os países lusófonos terão muito a ganhar com este exemplo de Angola .

Todos nós queremos e desejamos o melhor para esta grande e bela Nação lusófona , após tantos anos de suor e lágrimas .

Angola com certeza vai ganhar sua medalha olímpica .

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

``A GUISA DE ENSAIO ...SOBRE O ACORDO ORTOGRÁFICO E CPLP

Pensar e Falar Angola

A propósito de um comentário afixado no texto “ LINGUA PORTUGUESA INTERNACIONAL” .... e editado no BLOG " NOVAÁGUIA " ..

Como é necessário fazer algumas observações numa abordagem suficiente , este assunto será tratado aqui em forma de ensaio .

A pergunta de Casimiro Ceivães tornou-se oportuna diante do comentário anterior escrito por um anónimo em relação ao texto acima identificado : “ Qual a sanção para o incumprimento da lei se o Acordo Ortográfico não for cumprido pelos cidadãos dos países envolvidos ? " .

Realmente a maioria dos governantes ou pessoas ligadas directamente às funções políticas , principalmente nos países considerados não tão desenvolvidos na média de seus cidadãos , consideram que as “ maiorias” que os elegem são perfeitamente moldáveis , balançando ao sabor das ondas ... e até têem uma certa razão ao suporem isso .

As leis , por vezes , são feitas para não serem cumpridas , por diferentes razões que não interessa agora aqui discutir .

Muitas vezes as leis , em países não tão desenvolvidos , só são cumpridas através da ameaça do castigo .

Basta observar o Brasil aonde as leis criminais e outras por vezes são feitas para beneficiarem os não cumpridores das leis .

Por exemplo , as leis que asseguram os direitos humanos no Brasil protegem sempre os não cumpridores das leis durante e após estes executarem seus crimes mas não protegem , muitas vezes , o cidadão cumpridor , trabalhador , honesto , que em qualquer instante pode perder sua vida ou de qualquer seu familiar apenas porque uma pessoa qualquer não cumpridora da lei decide matar ou roubar ou agredir .

Em qualquer instante , o cidadão cumpridor da lei pode ser morto por uma pessoa que não cumpre a lei e que muitas vezes já esteve preso .

Morreu , acabou-se....., não teve tempo de se defender ou que a lei o defendesse .... é um nada ... é apenas mais um corpo de um cidadão ou de uma criança que se vai ...são átomos que se vão ... são brisas ... que não trazem tempestades senão os tempos a vir seriam outros .

No entanto , aquele que matou terá a lei a protegê-lo com certeza e muitas vezes já passou por alguma prisão aonde aprendeu ainda mais as lições da vida fora da lei e como se defender perante uma lei que o pode beneficiar bastante .

Qualquer criminoso mais informado e experiente e com advogados certos sabe como utilizar a lei em seu beneficio e construindo até carreiras criminosas , basta olhar alguns , políticos ou não , Fernandinhos Beira-Mar e tantos outros fardados ou não .

Quer isto dizer que as leis por si nada são , apenas palavras escritas

O mesmo se pode dizer em relação ao “famoso” Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa e CPLP , existem ambos no papel mas de concreto na maior parte das vezes é vento a passar ... se pelo menos fosse brisa do mar ...

Se for feito uma enquete no Brasil sobre o Acordo Ortográfico , possivelmente mais de noventa por cento das pessoas não saberiam responder o que isso quer dizer .

Apenas em certos meios culturais ou estudantis de segundo ou terceiro nível , nas aulas de português , alguns professores mais atentos e interessados comentem sobre o assunto .

Basta ler , por exemplo , alguns dos comentários feitos por leitores da Internet no Site da BBC-Brasil , desvalorizando a CPLP e o Acordo Ortográfico e até menosprezando a Lingua Portuguesa , pessoas minimamente informadas pois utilizam-se de um meio tecnológico avançado.

Quanto à CPLP , talvez mais de noventa por cento das pessoas no Brasil ignore o que isso significa pois na sua vida real , no dia a dia , a CPLP nada representa de real .

Estas percentagens são conservadoras e se em Portugal também fizerem enquetes , certamente que haverá muita desilusão .

Talvez só nos ambientes mais cultos ou em alguns meios empresariais interessados nos mercados lusófonos , e são um percentual pequeno , se dê importância ao que a CPLP pode representar .

Na realidade , a CPLP pouco é de real , apesar dos milhões de euros já gastos , a não ser nos meios privilegiados de alguns políticos que já se beneficiam directamente desta Organização ou algumas Editoras que certamente já estarão a ser beneficiadas ou brevemente serão beneficiadas com isso .

A consciência desta realidade não impede que os cidadãos mais conscientes e interessados insistam em querer construir realmente uma união lusófona maior entre os povos e tudo façam para que a CPLP e seu Acordo Ortográfico venham a ser um facto real na vida de todos os lusófonos .

Para aqueles que gostam de escrever e ler bem , certamente irão rapidamente comprar o NOVO E MELHOR DICIONÁRIO DA LINGUA PORTUGUESA INTERNACIONAL pois isso é uma necessidade real para os seus espiritos e até profissionalmente senão não comprariam tão cedo este novo dicionário , apenas quando na escola de seus filhos ou netos fosse necessário mas a maioria das pessoas certamente não o irão comprar tão cedo .

A alimentação física é mais premente do que a do intelecto e do espirito .

Em geito de humor , uma vez um familiar directo me perguntou se o que eu escrevia me dava dinheiro .

Respondi : - não , a não ser indirectamente .

Ouvi o seguinte : - então se não dava dinheiro o que eu escrevia não prestava !

E muitos pensam assim .

Falando de Angola , pode-se dizer perfeitamente avalizado e com muita tristeza , que a situação é bem menos favorável tanto em relação ao “famoso” Acordo Ortográfico quanto à CPLP .

Se perguntar a qualquer pessoa nas ruas ou até mesmo à grande maioria dos estudantes do ensino médio e niveis acima o que representa para eles o Acordo Ortográfico ou a CPLP , certamente irão perguntar com um sorriso maroto no olhar se isso é algum tipo de alimento , ou algum tipo de tecnologia ou outra coisa qualquer vindo do estrangeiro.

Os governantes deveriam prestar mais atenção pois as leis podem até ser impostas de cima para baixo através da ameaça do castigo ou de qualquer outra forma de prepotência mas quando a ameaça deixar de funcionar com certeza que as leis deixam de se cumprir .

Para que as leis sejam levadas à prática , é necessário uma interiorização delas , é preciso que cada um , individualmente , através da reflexão inteligente compreenda as raízes das leis e então as cumpra , não através da ameaça do castigo mas de maneira correcta .

Basta olhar o que aconteceu com a URSS e com tantas outras Revoluções impostas de cima para baixo através da ameaça .... implodem-se .

Os países do norte da Europa são os mais cumpridores de suas leis , na grande maioria de seus povos , pois a união de todos os cidadãos é um facto real e não uma lei imposta de cima para baixo .

É preciso que as questões importantes da vida sejam profundamente analisadas , discutidas , reflectidas para serem compreendidas nas suas raízes e só então possam tornarem-se realidades num número cada vez maior de pessoas .

As “ maiorias” continuarão lentamente a caminhar .... como o “Velho do Restelo” e , como dizia Fernando Pessoa , " só percebem a chuva quando esta lhes cai em cima " .





A LINGUA PORTUGUESA INTERNACIONAL

Pensar e Falar Angola


A LINGUA PORTUGUESA INTERNACIONAL

É importante aqui deixar bem claro que o autor deste Ensaio é apenas um pensador lusófono com preocupações socio-ambientais , muito envolvido na construção da Comunidade Lusófona , e que procura utilizar-se da sua rica e bela língua materna denominada Língua Portuguesa inserida num contexto internacional , para construir dedutiva e positivamente pensamentos lógicos , transmitindo-os oralmente ou através da escrita de maneira objectiva e clara , com preocupação estética e sonora .

Não sendo o autor um profissional em matéria linguística , isso não justifica um alheamento ou não participação no enriquecimento desta discussão bem pelo contrário , nem tão pouco suas reflexões ou a de qualquer outro pensador podem ser desvalorizadas na tertúlia sobre a Língua Portuguesa .

Este autor construiu sua personalidade psíquica e cultural basicamente em três países - Portugal , Angola e Brasil , mas observando sempre e atentamente outras sociedades humanas não lusófonas e nestas três Nações procurou sempre observar e compreender todos os valores linguísticos e culturais , aqueles que considera menos bons e os que considera melhores , os mais e os menos ruidosos , e dedutivamente construíu e continua a construir sua personalidade , não estática mas em permanente aprendizado e transformação , mutante que é .

As pessoas que constrõem suas personalidades linguísticas , culturais e psíquicas em mais de um país e em contacto com diferentes culturas , podem enriquecer muito sua própria ao comparar valores muitas vezes diferenciados .

A Língua Portuguesa desde os primórdios foi sendo semeada no meio cultural de outros povos através dos viajantes lusófonos , enriqueceu muito e assumiu características novas próprias e , hoje em dia , é um instrumento linguístico suficientemente rico e capaz para através dele se poder exprimir profundamente as questões do mundo humano ou outras e as questões mais universais e em particular as questões da Comunidade Lusófona , em franca expansão e união .

Neste nova Era , é necessário compreender que existe uma Língua Portuguesa Internacional que ao transformar-se numa Língua mais simples , não simplista , mais lógica , mais diversificada , mais estética , mais musical , ficou mais interessante e atractiva .

É necessário reflectir urgentemente e com clareza se a Comunidade Lusófona quer que os povos inseridos na CPLP mas cuja língua materna não é o português , sintam-se parte activa e importante nesta Comunidade lusófona ou se mesmo os povos cuja língua materna é o português devem ou não aprender com mais facilidade sua língua materna , exprimindo-se e escrevendo o mais correctamente possível , sem complexos .

Cristalizar a língua portuguesa não a torna mais universal nem mais querida .

O computador é definido como um instrumento moderno fundamental e poderoso no desenvolvimento humano neste século XXI pois permite um aprendizado mais amplo entre as sociedades humanas e quanto mais lógico , prático e fácil for este instrumento na sua utilização mais eficiente e eficaz se torna , permitindo que um número cada vez maior de pessoas utilizem-se dele para se desenvolverem mental e fisicamente .

As Línguas são um dos principais instrumentos de desenvolvimento da inteligência humana e de outros seres e como ferramentas importantes que são devem transformar-se no melhor instrumento tecnológico capaz de ajudar na construção de uma inteligência mais apurada , mais intuitiva .

A Língua , quanto mais simples , lógica , clara , objectiva e ampla mais eficiente e eficaz se torna pois permite uma comunicação mais correcta , um entendimento mais rápido e directo entre as pessoas dos diferentes meios culturais regionais , nacionais e internacionais .

Com as facilidades de comunicação actuais e com o advento da Internet , os diferentes leitores e escritores lusófonos têem acesso a textos escritos segundo as características linguísticas de cada país .

Este autor procura editar seus textos respeitando as características linguísticas de cada país , evitando impor uma mistura anárquica de regras diferenciadas mas isso exige um grande esforço de sua parte em leituras repetidas cuidadosos mas muitas vezes cansativas e com desperdício de tempo .

Havendo um acordo ortográfico único construído por todos os países lusófonos , certamente isso facilitaria muito a comunicação escrita comunitária e seu desenvolvimento , em todos os sentidos .

As diferenças entre a escrita da língua portuguesa de Portugal no inicio do século XX e a escrita de hoje são muito maiores do que as mudanças necessárias hoje com este novo acordo ortográfico .

Este acordo Ortográfico pouco altera a linguagem fonética própria de cada grupo e esta não perde suas características regionais e nacionais felizmente , sendo a diversidade da Língua Portuguesa muito enriquecedora em todos os aspectos e mais ainda na estética sonora que muito ajuda na valorização e globalização desta Língua tornando-a mais musical e agradável ao ser escutada .

A influência africana na Língua Portuguesa do Brasil e permitiu que ela se transformasse numa das Línguas mais cantadas e divulgadas no planeta .

A Lingua Portuguesa após o inicio da Era dos Descobrimentos influenciou e foi influenciada pelas diversas Línguas Africanas e Asiáticas .

É importante que todos os países da CPLP transformem rapidamente este instrumento linguístico que é a Língua num instrumento internacional capaz de responder com eficiência e eficácia às solicitações específicas de cada povo e assim seja possível avançar-se num maior desenvolvimento socio-cultural , económico e ecológico pois a união gera força .

A CPLP é uma excelente opção , paralelamente a outras uniões regionais ou internacionais , para se ultrapassarem uma série de barreiras muito difíceis neste caminhar humano planetário , neste século XXI , Era das grandes crises humanas e ecológicas planetárias.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

ENSAIO SOBRE A LÍNGUA PORTUGUESA INTERNACIONAL E CPLP

ENSAIO SOBRE A LÍNGUA PORTUGUESA INTERNACIONAL E CPLP



FRONTEIRAS PERDIDAS

(texto abreviado de José Eduardo Agualusa)


”””Nos últimos meses, primeiro no Brasil e depois em Portugal, o Acordo Ortográfico regressou às páginas dos jornais. Entre promessas de que agora sim, e depois recuos, mais promessas e novos recuos, ninguém consegue compreender ao certo em que pé está o processo e se de facto/fato o referido acordo realmente acordou, e está prestes a ser aplicado, ou se, pelo contrário, dorme ainda o sono das grandes indecisões políticas.

Quanto a mim, confesso o cansaço. No que diz respeito a Portugal e ao Brasil creio que já tudo foi dito. Compreendo, e subscrevo, os argumentos de quem se posiciona a favor, e algumas das objecções de quem se vem manifestando contra. Falta, talvez, olhar o projecto numa perspectiva africana. África tem sido referência apenas enquanto entidade passiva, com alguns analistas portugueses a argumentarem que o Acordo Ortográfico irá prejudicar Portugal ao facilitar a entrada das editoras brasileiras em Angola e Moçambique... Os países africanos de língua portuguesa não produzem livros. Necessitam desesperadamente de livros, mas não os produzem...


Um dos objectivos declarados do presente acordo é o de simplificar a ortografia, de forma a facilitar a aprendizagem do português escrito. Podia-se ter ido mais longe, evidentemente...

Portugal e o Brasil não podem ser vistos como países concorrentes, inimigos, batendo-se em África por um pedaço de mandioca. Trata-se de uma visão mesquinha, comercialeira, de quem na realidade não ama nem Portugal, nem o Brasil, nem África, e sequer a língua portuguesa.

Portugal, o Brasil, Angola, Timor-Leste, Moçambique, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe e a Guiné-Bissau são companheiros, em parte igual, nessa aventura extraordinária que é a construção da Língua Portuguesa.......

Uma mão lava a outra. As duas lavam o rosto.””” ************************************************ clique em ler mais ****


É importante aqui deixar bem claro que o autor deste Ensaio não é um especialista linguístico mas sim um pensador com preocupações sociais e que procura utilizar-se da sua língua materna denominada Língua Portuguesa inserida numa realidade internacional, para construir dedutivamente pensamentos e transmiti-los oralmente ou através da escrita de maneira objectiva, clara, lógica e estética.

Não sendo o autor um especialista em matéria linguística isso não justifica uma não participação no enriquecimento desta discussão bem pelo contrário, nem tão pouco suas reflexões ou a de qualquer outra pessoa, seja quem for, pode ser desvalorizada nesta tertúlia sobre a Língua Portuguesa .

O autor construíu a sua personalidade psíquica basicamente em três países, Portugal, Angola e Brasil mas observando sempre e atentamente outras sociedades humanas não lusófonas e nestas três Nações procurou sempre compreender e respeitar todos os valores culturais, aqueles que considera menos bons e os que considera melhores, e dedutivamente construíu e continua a construir sua personalidade, não uma personalidade estática mas em permanente aprendizado ou evolução .

As pessoas que constrõem suas personalidades em mais de um país podem enriquecer muito sua própria cultura pois têm a sorte de contactar com outros valores culturais diferenciados .

A Língua Portuguesa original semeada no meio cultural de outros povos enriqueceu muito e assumiu características novas próprias de cada país e bem diferenciadas das originais e hoje em dia é um instrumento linguístico suficientemente rico e capaz para através dele se exprimir profundamente as questões do mundo humano ou outras, as questões mais universais e as da Comunidade Lusófona .

Neste novo século, é necessário compreender que existe uma “Língua Portuguesa Internacional” que pode transformar-se numa Língua mais simples, não simplista, mais lógica, mais musical e mais fácil de ser aprendida de maneira a ser um instrumento tecnológico fundamental no desenvolvimento e união dos povos da CPLP .

O computador é definido como um instrumento moderno fundamental e poderoso no desenvolvimento humano neste século XXI pois permite um aprendizado mais amplo entre as sociedades humanas e quanto mais lógico, prático e fácil for este instrumento na sua utilização mais eficiente e eficaz se torna, permitindo que um número cada vez maior de pessoas utilizem-se dele para se desenvolverem mental e fisicamente.

As Línguas são o principal instrumento de desenvolvimento da inteligência humana e de outros seres e como ferramentas que são devem transformar-se no melhor instrumento tecnológico capaz de ajudar no desenvolvimento duma inteligência mais apurada.

A Língua, quanto mais simples, clara, objectiva e rica mais eficiente e eficaz se torna pois permite uma comunicação mais correcta, rápida e directa entre as pessoas dos diferentes meios culturais regionais, nacionais e internacionais.

O autor procura escrever seus textos respeitando as regras e características linguísticas de cada país evitando impor aos seus leitores uma mistura anárquica de regras linguísticas após muitos anos de contacto e aprendizado com as diferentes culturas lusófonas, pois isso complicaria ainda mais as já, por si, complicadas regras linguísticas da Língua Portuguesa.

Havendo um acordo ortográfico único construído por todos os países interessados certamente isso iria acelerar o desenvolvimento dos mesmos e da Comunidade Lusófona.

A linguagem fonética própria de cada grupo não perde suas características regionais e nacionais felizmente, sendo a diversidade da Língua Portuguesa muito enriquecedora em todos os aspectos e mais ainda na estética sonora que muito ajuda na valorização e globalização desta Língua tornando-a mais musical e agradável ao ser escutada.

A influência africana na Língua Portuguesa do Brasil permitiu que ela se transformasse numa das Línguas mais cantadas e divulgadas no planeta.

Sabemos que todas as línguas faladas e escritas e suas culturas enriqueceram muito devido às influências de línguas e culturas de outros povos e as línguas europeias têm características acentuadamente latinas, gregas, germânicas e, hoje em dia, têm também influências africanas, asiáticas e outras .

A língua ortuguesa, além das raízes gregas, latinas, germânicas, hoje tem influências espanholas , francesas, inglesas e outras .

A língua portuguesa após o inicio da Era dos Descobrimentos influenciou diversas línguas africanas e asiáticas e também adquiriu influências asiáticas e africanas ou seja ajudou a enriquecer e foi enriquecida e definiu-se com uma das línguas mais faladas no planeta Terra graças aos povos lusófonos.

Quando alguém transmite pensamentos ou ideias e outras pessoas escutam ou lêem e deduzem esses pensamentos interiorizando-os , o transmissor do pensamento não pode dizer-se dono exclusivo daqueles pensamentos pois eles passam a pertencer também aos outros em função do “ penso e posso pensar ” que a natureza sábia permitiu aos seres através de um cérebro genial .

O som , a luz , o ar , a água , a terra , a lógica universal da vida , etc. , existem anteriormente aos humanos ou qualquer outro ser vivo e cada ser humano apenas é um simples instrumento transmissor dos sons , das ideias ou das lógicas da vida .

À medida em que os seres humanos se tornam mais intuitivos , mais sensíveis , mais apurados , vão captando e vibrando as lógicas universais da vida tal como se fossem uma antena de alta capacidade e sensibilidade e através das linguagens podem transmitir ou retransmitir essas lógicas .

Quantas vezes os seres humanos mais sensíveis , na sua realidade do dia a dia , em qualquer lugar , de repente , sem nenhum esforço físico ou mental , captam ideias , pensamentos , lógicas muito necessárias para se entender a vida e no desenvolvimento das sociedades humanas e outras .

Muitos chamam a isso inspiração , dom ou intuição , etc. .

Só após a natureza ter criado um cérebro genial nos humanos foi possível utilizarem-se os sons , implícitos na vida , de uma maneira lógica e construir linguagens de comunicação que permitiram a capacidade de desenvolvimento de uma inteligência mais lógica , mais apurada .

As Linguagens são simples e ao mesmo tempo complexos instrumentos de transmissão de ideias , nada mais do que isso e a partir do momento em que qualquer pessoa passa a dominar esse instrumento linguístico , falando ou escrevendo , certamente essa Língua pertence àquele que a domina deixando assim de ser exclusiva .

Cada Nação pode afirmar que é dono da Língua através da qual se comunica entre seus cidadãos .

Cada Povo pode alterar ou não radicalmente sua Língua criando novas regras mesmo que estas sejam contrárias às regras iniciais ou diferentes das regras de outros países .

Cada Nação pode , se a maioria de seus cidadãos quiser , mudar sua Língua nacional mesmo sabendo que isso implicaria numa série de profundas e radicais mudanças culturais .

Se um Nação quiser pode fazer isso mas não o fará certamente sabendo que a maioria de seu povo já adoptou aquela Língua como sua .

Os países dos PALOP não escolheram a Língua Portuguesa pois esta foi-lhes imposta de cima para baixo e o mesmo aconteceu com a Língua Inglesa e Francesa e outras Línguas em outros países .

Os povos da CPLP passaram a ter um domínio muito acentuado sobre a Língua Portuguesa e adaptaram-na às suas realidades culturais e hoje em dia a Língua de origem portuguesa transformou-se numa Língua Internacional com características exclusivas a cada povo .

A partir disso nasceu um movimento real e bem visível aonde os povos que adoptaram a Língua portuguesa transformaram-na profundamente e hoje influenciam de diversas maneiras a Língua original .

Gerou-se assim o embrião da união lusófona chamada de Comunidade dos Países de Língua Portuguesa ( CPLP) .

Se esta união de povos tivesse sido construída até ao ano de 1940 , que era o “momentum“ certo capaz de alterar inclusivé a ordem social e política mundial , possivelmente a CPLP seria hoje uma realidade mais profunda e respeitada a nível planetário .

Como isso não aconteceu até 1940 desperdiçando-se o “momentum“ , gerou-se desnecessariamente uma série de dificuldades às Nações Lusófonas .

Isto porém não deve impedir de se continuar a construir esta Comunidade Lusófona pois este caminho da união cultural entre os povos da CPLP é certamente uma excelente opção , paralelamente a outras uniões regionais ou internacionais , para se ultrapassarem uma série de barreiras muito difíceis neste caminhar humano planetário , neste século XXI , Era das grandes crises humanas e ecológicas planetárias.

Os maiores pensadores lusófonos consideram as dificuldades como alavancas para a construção de uma maior consciência sobre a lusofonia e razão para uma maior união entre estes povos de mesma índole , como são os lusófonos .

É importante que todos os países lusófonos transformem rapidamente este instrumento linguístico que é a Língua Portuguesa Internacional num instrumento mais moderno e capaz de responder com eficiência e eficácia às solicitações específicas de cada povo e assim seja possível avançar-se num maior desenvolvimento socio-cultural , económico e ecológico .

O ideal é que os humanos utilizassem um só instrumento linguístico planetário que lhes permitisse uma maior união entre os povos da Terra mas já que assim não é , é preciso aprender as línguas de outros povos para haver uma maior comunicação e desenvolvimento .

A existência de um instrumento linguístico planetário não invalida a existência de outros instrumentos linguísticos regionais ou nacionais que naturalmente podem e devem ser preservados .

A Língua Inglesa está a tornar-se no instrumento linguístico mais comum a todos os humanos devido à facilidade gramatical e sonoridade e isto parece ser o caminho inevitável mas um bom caminho .

A Língua Inglesa utiliza-se também de algumas complexidades para construir suas palavras e sonoridades e certamente estas complexidades dificultam aqueles que querem aprender a falar e escrever correctamente visto que é necessário uma memorização maior não muito lógica , por vezes , e um tempo maior para esse aprendizado , nem sempre disponível ou possível .

Pensar e Falar Angola

domingo, 28 de outubro de 2007

O REENCONTRO PLANETÁRIO DAS CULTURAS

O CONSTRUÇÃO DA COMUNIDADE LUSÓFONA

Os continentes que formam o planeta são placas boiando em permanentes movimentos alterando-se fisicamente no tempo e no espaço e ao se olhar o mapa-múndi constata-se claramente o encaixe perfeito dos continentes sul-americano e africano , ambos delimitando margens ao oceano Atlântico .

Aceitando-se como verídica a teoria cientifica que afirma ser o humano "Australopithecus" originário da África Austral por ser uma teoria lógica , é possível desenharem-se os caminhos percorridos pelos seres humanos através do planeta , em sua busca incessante do desconhecido ou seja do conhecimento , em acordo com a teoria da evolução das espécies de Charles Darwin .

Nos primórdios , os humanos não dispunham ainda de barcos capazes de atravessar os oceanos que permitissem ir e vir e retornar ao porto de partida com relativa segurança e é natural que seguissem a pé ou a cavalo ou apenas em pequenos barcos costeiros através dos continentes à procura das terras com mais alimento e mais protegidas de conflitos inter-humanos e o retorno às terras de origem dificilmente acontecia ou demorava muitos anos a acontecer morrendo os viajantes muitas vezes nesse caminho de retorno .

Os descendentes dos "Australopithecus" foram caminhando não só mais para o sul de África como também para o norte espalhando-se pelo leste e oeste europeu , subindo a Ásia , atravessaram o "Estreito de Bering" perto do pólo norte e desceram pela América do norte até chegar à América do Sul e ao Brasil , fim do caminhar e daí em diante existia o oceano atlântico , e na outra margem a África aonde parece ter começado esta aventura humana , em curiosa busca do conhecimento e consequente desenvolvimento racial e cultural .

Os cientistas genéticos afirmam que os povos existentes nas Américas antes da chegada dos europeus vieram da Ásia e realmente os índios têm uma aparência física muito semelhante à dos asiáticos .

As características genéticas observadas nos índios da América do Sul e do norte confirmam que a primeira ocupação deste território aconteceu do norte para sul depois de terem atravessado o "Estreito de Bering" , vindos da Ásia .

O caminhar humano desde a África até à América atravessando a Ásia até chegar ao Brasil processou-se em tempo lento e com modificações do corpo e da mente na adaptação às novas condições ecológicas de cada região originando grupos humanos diferenciados física e culturalmente .

No continente africano , o clima , a vegetação , a abundância de caça , peixe e frutos permitiram um determinado tipo de vida ; a temperatura quente não obrigava o corpo a produzir grandes quantidades de gordura e a pigmentação escura da pele protegia o corpo dos raios solares .

Na Europa e Ásia , regiões mais frias do planeta , o corpo produzia e retinha maior quantidade de gordura para se proteger do frio e os cabelos devido à gordura do corpo tornaram-se lisos deixando de ser curtos e encaracolados e a pigmentação da pele passou a ser mais clara devido à incidência menor de raios solares .

Ou seja , pode-se entender perfeitamente as diferenças físicas e culturais dos grupos humanos através de uma análise das condições ecológicas ambientais aonde cada grupo se inseriu e insere e quanto mais difícil o meio ambiente maior a necessidade de ampliar as capacidades mentais e físicas para superá-lo , obrigando isso a desenvolvimentos mentais e físicos diferenciados .

Segundo a ciência , os seres humanos têm uma origem comum e possuem o mesmo potencial mental dependendo de cada individuo ou grupo o desenvolvimento desse potencial .

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Seis mil anos antes da era cristã , a humanidade assemelhava-se bastante em seu desenvolvimento cultural e a agricultura ainda era desconhecida para a maioria dos habitantes já estabelecidos em todos os continentes .

A agricultura foi a mola impulsionadora nas diferenças sociais e económicas actuais .

Ao mudarem seus sistemas de vida nómada de caçadores e colectores de alimentos para um sistema sedentário e fixarem-se em moradias ao redor dos campos plantados surgiram os primeiros aglomerados humanos , embrião das futuras cidades , iniciando-se o processo de trocas de experiências entre os indivíduos das comunidades e surgindo daí a plantação extensiva dos campos , as primeiras rotas do comércio e mais tarde a comunicação escrita da língua falada .

Séculos antes da chegada dos portugueses e espanhóis à América no século XV , as civilizações "Incas" e " Aztecas " que viviam na América Central e do Sul cultivavam o milho , feijão , algodão, batata , etc. , e dominavam a técnica da irrigação dos campos , conheciam a matemática , a astronomia e a escrita .

Nos fins do século XIV , os portugueses construíram e desenvolveram as primeiras caravelas que utilizavam velas latinas e enfunaram as proas dos navios contra os ventos à bolina , possibilitando o ir e vir para qualquer lugar do globo, implodindo-se as fronteiras marítimas e unindo-se os continentes e culturas através dos oceanos .

Ao serem eliminadas as fronteiras marítimas , aceleraram-se as comunicações entre os grupos humanos miscigenando-se ainda mais as culturas e as características raciais de maneira rápida entre a Europa , África , América e Ásia .

É importante notar que após centenas de milhares de anos de colonização do planeta , foi possível aos descendentes dos primeiros colonos na terra , POVOS NEGROS ORIGINÁRIOS DA ÁFRICA AUSTRAL , reencontrarem-se pela primeira vez na história humana , quando a América se religou à África através das pioneiras viagens marítimas oceânicas iniciadas pelos portugueses e deixando os mares de serem fronteiras mas agora importantes vias de comunicação .

O século XIV , sem esquecer a turbulência social , económica e ecológica gerada pelos europeus , deve celebrar o acto de religar a humanidade à sua origem africana , despertando-se a curiosidade para um maior conhecimento entre os povos que fazem parte da COMUNIDADE DOS PAÍSES DE LÍNGUA PORTUGUESA ( CPLP ) e incentivando-se o intercâmbio educacional entre os jovens destes países .


Pensar e Falar Angola

terça-feira, 16 de outubro de 2007

CONSTRUÇÃO DA CPLP

CONSTRUÇÃO DA COMUNIDADE LUSÓFONA

Somos lusófonos e é necessário captar esta realidade passada , presente e futura para nos respeitarmos e sermos respeitados.

É necessário que cada um tenha consciência de si através de auto-reflexão e desse modo os outros certamente irão respeitá-lo.

O espirito dos lusófonos tem demonstrado ser, em geral, pacífico e fraternal, propenso à miscigenação física e cultural e à descoberta dos melhores valores humanos.

O poeta Camões é o primeiro mensageiro desta Comunidade Lusófona ao contactar e apreender com outros povos de diferentes culturas.

O poeta Fernando Pessoa antes de 1935 vislumbrou também esta Comunidade e tinha consciência sobre a difícil realidade portuguesa e seu pseudo império após viver alguns anos na África do Sul ..

Fernando Pessoa tem uma percepção universalista das sociedades humanas e dos países e talvez por isso fez referências a um Quinto Império que seria o império da cultura ou seja, união de diferentes povos com suas diferentes culturas, preservando-se as especificidades de cada um mas com objectivos comuns profundos, fundamentando-se esta união no respeito, na independência, na preservação dos valores culturais, na modernidade, na harmonia, no equilíbrio, na sustentabilidade de um desenvolvimento social, económico e ecológico.

Não seria um império de domínio mas de colaboração e criatividade capaz de responder equilibradamente aos novos desafios deste século XXI.

Muitos pensadores nos seus países de origem têm alertado para a necessidade de se avançar mais rapidamente e realmente para a construção desta Comunidade.

O pensador Cunha Leal, ex-ministro do Governo de Salazar e outros pensadores, na sua época também falaram, de um outro modo, nas mudanças necessárias para transformar a sociedade colonial portuguesa numa verdadeira Comunidade Lusófona, não de domínio mas de colaboração.

Mas os detentores do poder no pseudo-império português e eram poucos , pois a maioria do povo apenas tinha deveres e muito poucos direitos, com sua visão fechada para a inovação e pouco universalista não vislumbraram o “momentum“ clamado pelos poetas e pensadores maiores lusófonos , na metrópole e nos territórios ultramarinos .
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O “momentum” foi desperdiçado e Portugal deixou de cumprir-se .

Se os pseudo-donos do poder em Portugal tivessem compreendido as mensagens escritas em prosa e poesia pelos maiores pensadores da língua portuguesa, antes de 1940, saberiam que aquela era a ocasião para as necessárias e profundas mudanças sociais, políticas e económicas em Portugal e suas colónias e certamente que a CPLP hoje estaria em pleno funcionamento e união, sem complexos nem âncoras.

Se os governantes portugueses, por volta do ano de 1940, tivessem preparado o país e suas colónias para uma futura união e com total independência...,

se os povos nas colónias e em Portugal tivessem isso à escola prepararem-se para assumir democraticamente seus destinos e seus governos...,

se Portugal tivesse assumido em 1940 uma postura de liderança mundial dando exemplo com transformações sociais, políticas e económicas no seu pseudo-império...,

certamente ter-se-iam alcançado outros patamares de desenvolvimento sustentado sem guerras fratricidas nos PALOP e sem maiores traumas e certamente hoje esta Comunidade Lusófona seria muito mais respeitada não só perante os lusófonos mas também perante os outros povos e Portugal ter-se-ia cumprido plenamente como país inovador e criativo.

O facto de ter havido uma chamada “Revolução dos Cravos” em Portugal quase sem derramamento de sangue, como resultado dos movimentos independentistas nas colónias, já serviu como exemplo para outras chamadas revoluções políticas na Europa do Leste e até em outros lugares.

A ocasião, “o momentum” foi perdido e as consequências foram e ainda são traumáticas.

É importante reflectir-se sobre tudo isto, sem complexos de superioridade ou inferioridade, e lendo com profundidade as mensagens dos maiores lusófonos, em todos os quadrantes e em todos os países da CPLP, captando-lhes a essência e lendo nas entrelinhas.

É preciso querer agora, no presente, construir uma comunidade pacifica, fraternal, moderna, racial, numa perspectiva de desenvolvimento social, económico e ecológico sustentado aonde todos os povos e cidadãos desta Comunidade tenham plenos direitos e deveres.

Certamente que este movimento lusófono na construção de um novo “momentum”, terá de ser assumido e liderado por todos os povos da CPLP , sem excepções , sem preponderâncias ou intenções de maiores domínios por parte de algum país , grupo ou pessoas pois estamos no século da informação e muitos sabem ler nas entrelinhas dos actos , transparentes ou não, e nas entrelinhas das intenções e dos objectivos a serem alcançados .

Já que Portugal não se fez cumprir até ao ano de 1940 , espera-se agora , neste início do século XXI , que saibamos cumprir uma verdadeira e desenvolvida Comunidade Lusófona (CPLP) .

É o nosso desejo!



Pensar e Falar Angola

RITA GT em Viana do Castelo

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