Mostrar mensagens com a etiqueta Cinema. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Cinema. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2023

NAMIBE EMPRESTA CENÁRIO PARA FILME DE HOMENAGEM A RUY DUARTE DE CARVALHO

NAMIBE EMPRESTA CENÁRIO PARA FILME DE HOMENAGEM A RUY DUARTE DE CARVALHO
A margem das festividades do 111º aniversário do município da Bibala, Archer Mangueira, Governador Provincial do Namibe, recebeu em audiência naquela localidade, a equipa da produtora LEOPARD FILMS.
O encontro abordou a produção e realização no Namibe, da uma longa metragem e minissérie, intitulado “OS PAPÉIS DO INGLÊS – Os Filhos de Próspero”.
A aventura que será transmitida pelo canal português RTP, é baseada na trilogia “Os Filhos de Próspero” de Ruy Duarte de Carvalho, e narra as aventuras do antropólogo, poeta e romancista angolano, quando descobre que o pai terá deixado, algures no deserto do Namibe, papeis que poderiam ajudar a esclarecer um drama passado em 1923.
Para a rodagem que deverá ocorrer entre os meses de Abril e Junho nos municípios de Moçâmedes e Bibala, Archer Mangueira garantiu apoio institucional, frisando que a iniciativa coloca a província do Namibe no Mapa Cultural.
Mónica Mota, Directora de Produção da LEOPARD FILMS, referiu que a façanha com varias historias, passa-se maioritariamente pelo Namibe e afirmou estar a ver quase tudo aquilo que Ruy Duarte de Carvalho descreveu nas suas obras.
Cenários com imbondeiros, tribos mucubais, a cidade de Moçâmedes, Caraculo, Praia Amélia, Pico do Azevedo e outros, vão preencher o filme de homenagem a Ruy Duarte de Carvalho, que trará ao Namibe uma vasta equipa de um elenco português e angolano, para às gravações do enredo, que promete movimentar o sector econômico e das artes na província.



Pensar e Falar Angola

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

IV Mostra de Cinema OLHARES

IV Mostra de Cinema OLHARES SOBRE ANGOLA 
25 e 26 de OUTUBRO de 2017
Sessões às 19h e às 21h, seguida de debate.
Com a presença de KAMY LARA (realizadora e diretora de fotografia)
Uma programação integralmente dedicada ao trabalho da produtora angolana GERAÇÃO 80.
ENTRADA LIVRE

Olhar o cinema angolano. O cinema em países como Angola representa algo de muito importante, não só no que diz respeito à preservação da memória de todo um povo, mas ao mesmo tempo a imagem de uma identidade e de desenvolvimento que pode mostrar ao resto do mundo. Assim, organizar um programa como o “Olhares Sobre Angola” em Portugal, país que por laços históricos reconhece essa identidade e onde reside a maior comunidade angolana no mundo, faz todo o sentido. Permite uma reflexão sobre outras formas de pensar, olhar e comunicar, contribuindo assim para um maior desenvolvimento cultural não só de Angola, mas da comunidade lusófona.
Curadoria: Maria do Sameiro André e Jorge António
Apoio: Associação il Sorpasso 
Técnico de vídeo: Pedro Louro

PROGRAMA
Quarta-Feira, 25 Outubro 
19h 
A NOSSA GERAÇÃO, Angola, 2017
(Sessão Videoclips, VideoArte, Making of’s)
21h 
INDEPENDÊNCIA, Angola, 2016, 95’
Realização: Fradique (Mário Bastos)

Quinta-Feira, 26 Outubro 
19h 
ALAMBAMENTO, Angola, 2008
Realização e Argumento - Mário Bastos
A LUZ NO QUARTO ERA VERMELHA PORQUE NÃO EXISTIA AMOR, Angola, 2016
Realização – Ery Claver
HÁ UM ZUMBIDO, HÁ UM MOSQUITO, SÃO DOIS, Angola, 2017
Realização - Ery Claver
HAVEMOS DE VOLTAR, Angola, 2017
Realização – Kiluanje Kia Henda
21h
DO OUTRO LADO DO MUNDO, Angola, 2016, 52’
Realização e fotografia: Sérgio Afonso

imagem: Do outro lado do mundo, Angola, 2016 de Sérgio Afonso
Pensar e Falar Angola

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Njinga Rainha de Angola - trailer oficial - cinema

Queres saber mais???? Então não perca sexta feira dia 8 de Novembro PELAS 20 HORAS No Centro de Convecções de Belas (Futungo) a antestreia, bilhetes a venda nos locais habituais por 2500 Kzs e leva toda a familia, isto é a HISTÓRIA DE ANGOLA.







http://videos.sapo.ao/2DsqW58Uc3TdQkuIO9yl


Pensar e Falar Angola

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Angola - Nascimento de uma nação - Vol. I - o cinema do Império

Qquinta-Feira - 26 de Setembro, a partir das 18H30, no Centro Cultural Português de Luanda far-se-á o lançamento da obra "Angola - Nascimento de uma nação - Vol. I - o cinema do Império" Coordenação: Maria do Carmo Piçarra e Jorge António (Editora Guerra & Paz) Não se esqueçam de aparecer para um brinde e três dedos de conversa.



Pensar e Falar Angola

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Angola - Nacimento de uma Nação vol 1

ANGOLA, Nascimento de uma Nação - VOL I o cinema do Império - já tem calendário onde eu ou um dos gémeos (sim, sou gémeos, ascendente gémeos) estará presente:

Dia 9 Julho - Lisboa, Cinemateca Portuguesa, 20H00
Dia 10 Julho - Lisboa, FNAC Colombo, 18H30
Dia 11 Julho- Porto, Universidade de Letras, 17H30
Dia 26 Julho - Évora, Casa da Zorra, 22H

Pensar e Falar Angola

domingo, 16 de setembro de 2012

Teatro para que te quero.

Pensar e Falar Angola



Depois de anos na prática teatral, recheada de cursos e formações práticas chegou a hora da partilha, uma partilha que começou em Fevereiro de 2012. Depois de criar a marca Estúdio de Actores e querer juntar todos os praticantes da arte da interpretação, as solicitações de cursos não pararam. Portanto, eis o workshop de expressão dramática que visa a contribuir no que já se tem feito a nível da interpretação para teatro, cinema e  televisão.
Continua a ser muito pouco para os muitos interessados, mas já diz o velho ditado: grão a grão a galinha enche o papo e esforços para uma situação melhor,tal como uma educação formal nessa área, têm sido envidados. Contudo ainda temos que esperar e enquanto esperamos, praticamos com o que temos.

De 15 de Setembro a 6 de Outubro, todos os sábados das 10h00 as 13h00 no espaço Elinga Teatro (por trás do BPC sede) as portas da sala de ballet estarão abertas para receber todos os interessados em aprender um pouco mais.
Os contactos para mais informações são 930579393 e o 915869511

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Realizadora angolana distinguida nos EUA


Realizadora angolana distinguida nos EUA

Cineasta angolana ganha prémio do júri

O filme “Por Aqui Tudo Bem”, da realizadora angolana Maria Esperança (Pocas) Pascoal, ganhou no domingo o primeiro prémio do júri para a ficção no Los Angeles Film Festival, anunciou a organização.
“A realizadora transformou a sua história pessoal de exílio de Angola num drama profundamente comovente, cujo poder cinematográfico é particularmente impressionante no trabalho de um realizador estreante”, refere a declaração do júri do festival de cinema independente da Costa Oeste dos Estados Unidos.
Escolhido pelo júri entre 200 curtas e longas-metragens de mais de 30 países, “Por Aqui Tudo Bem” – “All is Well”, na versão inglesa – conta a história de duas irmãs angolanas que fogem da guerra civil no seu país para Lisboa e, depois, para França.
Para o júri, trata-se de uma “exploração da experiência de emigração e, especialmente, dos laços entre parentes, num trabalho de marcante eloquência visual e honestidade emocional”.
Produzido por Luís Correia, o filme conta com a interpretação de Cheila Lima, Ciomara Reis, William Brandão e Vera Cruz. O Prémio Narrativa tem um valor monetário de 15 mil dólares, atribuído pela organização cultural sem fins lucrativos Film Independent.
O festival, na sua 18ª edição, atribuiu ainda um prémio a um documentário, este ano para “Drought” (“Seca”), de Everardo Gonzalez.
“Por aqui tudo bem”, de Pocas Pascoal, foi distinguido com o prémio de melhor longa-metragem portuguesa de ficção, na IX edição do IndieLisboa, Festival Internacional de Cinema Independente, que encerrou a 6 de Maio.

O Festival de Cinema de Los Angeles, que já vai na sua 18ª edição, patrocinado pelo “The Times”, decorreu de 14 de Junho até domingo à noite com a estreia do filme “Magic Mike”, estrelado por Channing Tatum e Matthew McConaughey.

Crítica sobre o filme

No início dos anos 80, com o começo da guerra civil em Angola, duas irmãs são enviadas para Portugal pela mãe, que pretende ir mais tarde ter com elas, mas que fica impedida de o fazer. As duas irmãs, Alda e Maria, vêem-se sozinhas, menores e sem papéis, em Lisboa, perdidas entre o receio da situação e o não querer preocupar a mãe. Trata-se de uma história com contornos autobiográficos, segundo a própria realizadora Maria Esperança “Pocas” Pascoal, baseada na sua própria experiência e na das pessoas que foi conhecendo.
De acordo com algumas críticas que foram publicadas na imprensa internacional, o filme apresenta planos exteriores marcantes, e a construção dos espaços, tal como a reconstrução histórica, são irrepreensíveis. Se as representações não são tudo o que podiam ser, também não desiludem ou servem mal a história. O ponto mais fraco do filme, dizem alguns críticos, é o seu argumento, com algumas cenas mais forçadas e um diálogo desajeitado, pouco fluido.



Pensar e Falar Angola

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Cinema e Música - Alliance Francaise

Quarta-feira, 6 de Junho de 2012




A Alliance francaise de Luanda, numa parceira com o CEFOJOR, apresenta o terceiro ciclo de cinema " Cinema e Musica" no ambito da Festa da musica celebrada anualmente na Franca e no mundo no dia 21 de Junho. Para a abertura deste ciclo sera projectado o documentario "CANTA ANGOLA" de Ariel de Bigault, apresentado pelo musicologo Jomo Fortunato.


Guião e Realização : Ariel de Bigault com Carlitos Vieira Dias, Lourdes Van Dunem, Moisés e José Kafala, Paulo Flores, Carlos Burity, Banda Maravilha, Simmons Massini, Novatos da Ilha e Ndengues do Kota Duro. Film documentário. 59 min. 2000.

As gravações das músicas e das imagens do filme CANTA ANGOLA realizaram-se em Luanda em Janeiro 2000, em condições difíceis. Nesta terra devastada, a criatividade afirma a resistência ao desespero. Os artistas reflectem nas suas músicas os sentimentos e as aspirações populares. As letras dizem os sofrimentos. O compasso marcado suporta a esperança. Os ritmos, dolentes ou rápidos, levam à alegria da dança. Os músicos expressam a energia de viver para além da sobrevivência.

A capital congrega um terço da população de Angola, incluindo centenas de milhares de refugiados. Cada um parte diariamente em busca da sobrevivência. Dos bares finos do centro da cidade até aos bairros populares da periferia, ouvem-se músicas de todos os cantos do país. Inspirando-se nas tradições regionais, cada artista recria, com a sua personalidade e talento, uma faceta da pluralidade angolana.

Vindos do passado colonial, do tráfico negreiro e da escravidão, os cantos em tons menores vibram pelo imenso sofrimento de hoje. Urdidas pelas violas, apoiadas pelas percussões, as melodias resoam entre África e Américas. Nas músicas de Angola, encontram-se as chaves de um som atlântico que já percorreu o mundo. Herdeiros desta história, os músicos são artesões de acordos, harmonias, emoções. As baladas, os lamentos e as danças de Canta Angola parecem-nos familiares.



Quarta 6 de Junho, as 19h, no CEFOJOR.
Legendas em portugues, entrada livre



Pensar e Falar Angola

terça-feira, 3 de abril de 2012

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

“Melhor Documentário Estrangeiro” - FIC de Luanda

O Viking Club e a Associação Kalu, em colaboração com a Chá de Caxinde, têm o prazer de anunciar a realização de uma sessão especial sobre o filme My Heart of Darkness, vencedora do prémio “Melhor Documentário Estrangeiro” na última edição do FIC_Luanda, que terminou no passado dia 25 de Novembro.
O evento terá lugar no Cine-Teatro NACIONAL, na Baixa de Luanda, no dia 5 de Dezembro, Segunda-feira e começará às 19h, com duração aproximada de 2h30.

No programa:
- projecção do filme (93’)
- debate na presença do autor, Marius vem Niekerk, convidado do FIC. (~60’)

Contamos com a presença de todos interessados pelo cinema de qualidade e pelo debate de ideias à volta do importante tema da paz, da reconciliação e da abordagem dos problemas socio-psicológicos que afectaram e ainda afectam tantos Angolanos envolvidos nas violentas guerras vividas ao longo da sua História recente.
ver cartaz aqui


Pensar e Falar Angola

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

TERMINADA A IV EDIÇÂO DO FIC LUANDA AQUI FICA A LISTA OFICIAL DOS PREMIADOS



TERMINADA A IV EDIÇÂO DO FIC LUANDA AQUI FICA A LISTA OFICIAL DOS PREMIADOS:

Melhor Documentário Estrangeiro - 
"My Heart Of Darkness" de Marius Van (África do Sul)
Melhor Curta Metragem Estrangeira -
"Garagouz" de Abdenour Zahzah (Argélia)
Melhor Longa Metragem Estrangeira -
"A Menina dos Olhos Grandes" Alexis Tsafa e Fonseca Soares (Cabo Verde / Grécia
Melhor Longa Metragem NAcional -
"Por Aqui Tudo Bem" de Pocas Pascoal (Angola)
* O Júri decidiu não atribuir nenhuma prémio nas categorias de Documentário e Curta Nacional


Pensar e Falar Angola

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Cannes e o Cinema Africano

POR JEAN-PIERRE GARCIA*
Borom Sarret, Sembène Ousmane, 1963

O filme que consagra o arranque dos cinemas africanos é Borom Sarett, realizado pelo senegalês Sembène Ousmane, em 1963. Muito embora o primeiro filme rodado por um africano no continente negro seja Song of Karthoum (1950), um documentário do sudanês Gadalla Gubara, Sembène Ousmane continua a ser para todos a figura de proa. Indo ao encontro da vida de um carroceiro, exposto aos regulamentos da nova administração, Borom Sarett toma partido do Dakar dos pobres. Esta curta-metragem constitui o despertar das consciências e a tomada simbólica da palavra. Abre a via a várias gerações de cineastas enraizados no respectivo continente.
Gadalla Gubara, 2007 © Nadja KorinthGadalla Gubara, Song of Khartoum, 1950

Os cineastas, despertadores de consciência
A Lição de Cinema de Sembène Ousmane, 2005
A conquista da independência política não fazia sentido para o “pai” dos cinemas africanos a não ser que fosse acompanhado por uma restauração da dignidade, dignidade essa apagada até aí pelo peso da administração e dos seus mecanismos redutores (língua, religião, escola, polícia). O cinema foi, desde logo, a ferramenta a privilegiar na reconquista em curso: as imagens para reconstruir a sua imagem, a imagem de cada um dos povos do continente.Sembène Ousmane relembrava na sua lição de cinema, em Cannes, em 2005: “Fui tomado pela necessidade de “descobrir” África. Não apenas o Senegal, mas sim o continente na totalidade, ou quase. (…) Tomei consciência de que tinha de aprender a fazer cinema se quisesse mesmo tocar o meu povo. Um filme talvez visto e compreendido mesmo por quem não é letrado. Um livro não pode tocar todo um povo”! Sembène Ousmane construía as bases estéticas (muito próximas do neo-realismo italiano) do seu cinema e situava-o numa perspectiva panafricana. No início, a equação era simples. A África independente “precisava” de cineastas que despertassem consciências, em oposição a um cinema colonial assente no divertimento e na alienação dos públicos.

Ao longo desta primeira década (1964-1974), destacam-se uns quinze títulos: todos eles dizem respeito quer ao passado colonial e aos movimentos de libertação, quer à aculturação e aos males dos estados independentes (corrupção, burocracia, novos ricos...). O passado colonial é portador de traumas emCabascabo de Oumarou Ganda (1968, Níger), Monagambee de Sarah Maldoror (1968, Angola), Rhodesia Countdown de Michael Raeburn (1969, Rodésia), Emitaï de Sembène Ousmane (1971), Last Grave at Dimbaza de Nana Mahomo (1974, África do Sul). 
Cabascabo, 1968Emitaï, 1971Concerto pour un exil, 1968


Trata-se frequentemente das ligações sufocantes entre as metrópoles europeias e as capitais africanas; assim, Concerto pour un exil e À nous deux France de Désiré Écaré (1968 e 1970, Costa do Marfim), Badou Boy de Djibril Diop-Mambéty (1970, Senegal); a perda de identidade através da imigração La Noire de... de Ousmane Sembène (1966); o conflito com as novas autoridades ou a corrupção em Le Mandat (1968), Xala(1974) de Sembène Ousmane... 
La Noire de..., Sembène Ousmane, 1966

Reconstruir a sua própria história, tecer a sua identidade.

É uma África cheia de contrariedades coloniais que entra no mundo do cinema a partir de 1975. Nove filmes são assim retidos em Cannes entre 1975 e 1985. Nove filmes que reflectem as realidades africanas e que se interrogam ao mesmo tempo sobre as raízes culturais de sociedades em mutação. Uma imagem podia servir de denominador comum a obras tão diferentes como Njangaan de Mahama Johnson Traoré (1975, Senegal),La Moisson de 3 000 ans de Hailé Gerima (1976, Etiópia), Ceddo de Sembène Ousmane (1977), Jom de Ababacar Samb (1981, Senegal) e Finyé de Souleymane Cissé (1982, Mali): um movimento perpétuo de ida e vinda entre o presente e o passado. É neste movimento que abarca o colectivo (da cidade ou da aldeia) e onde os indivíduos só existem relativamente ao destino comum que se podem situar os filmes deste período. Filmes que iam à reconquista da história do respectivo país: a história dos homens comuns, como a que é trazida pelas narrações iniciáticas e pelos mitos fundadores.




Jom, Ababacar Samb, 1981
Finyé, Souleymane Cissé, 1982

Sembène Ousmane não cantou os grandes feitos de uma personagem, valorizou o “espírito de resistência” em Emitaï (1971) ouCeddo (1977), assim como Ababacar Samb não vangloriou um homem de honra, mas celebrou sim o Jom, o sentido da honra. Portanto, não há heróis, no sentido ocidental do termo, nos filmes que pretendem testemunhar. Este constante embaraço (para os Ocidentais!) e a dificuldade de se inserirem nos respectivos modelos de produção-distribuição explica a relativa dificuldade na conquista dos públicos na Europa, o que mantinha no grupo de epifenómenos, filmes-chave da história do cinema como Touki Bouki de Djibril Diop Mambéty (1973) ou Finyé (1982).
O cinema africano não tinha ainda saído do seu gueto, ou seja, ainda não tinha obtido ou conquistado um estatuto internacional. Era inteiramente consagrado à apropriação do seu espaço cultural e humano. Os respectivos cineastas tinham definido o seu território. Fazer com que fosse reconhecido a nível nacional e internacional constituía o desafio nos anos oitenta.


Touki Bouki, Djibril Diop Mambéty, 1973



1987: a Luz (Yeelen)
Souleymane CisséIdrissa Ouedraogo

A verdadeira reviravolta para os cinemas africanos situa-se em 1987 com a selecção, por um lado, para a competição oficial, deYeelen (A Luz) do maliano Souleymane Cissé e, por outro, na Semana da Crítica, de Yam Daabo (A Escolha), do burquinenseIdrissa Ouedraogo. Yeelen foi, de facto, o primeiro filme da África negra a participar na competição de Cannes. Yeelen desempenhou plenamente o seu papel. A viagem iniciática, empreendida pela sua personagem principal para atingir a mestria das forças que o rodeavam, seria a de todo o cinema africano no universo dos festivais, nomeadamente em Cannes. As etapas chamam-seTabataba de Raymond Rajaonarivelo (1988, Madagascar) e Yaabade Idrissa Ouedraogo (1988, Burkina Faso), ambos na Quinzena dos Realizadores. Depois disso, Tilaï (1990), do prolífico realizador burquinense, esteve uma vez mais na competição oficial.



Yeelen, Souleymane Cissé, 1987



Tilaï , Idrissa Ouedraogo, 1990


Isto até ao evento de 1991, a que alguns jornalistas, com falta de “destaques” exóticos, chamaram de “a Croisette negra”. De facto, vimos então, pela primeira vez, quatro longas-metragens africanas em Cannes: Ta Dona de Adama Drabo (Mali), Sango Malo de Bassek Ba Kobhio (Camarões) e Laada de Drissa Touré (Burkina Faso) foram apresentadas em Un Certain Regard, enquanto Laafi de Pierre Yaméogo (Burkina Faso) retinha o interesse da Semana da Crítica.
A década anunciava-se prolífica: Hienas de Djibril Diop Mambéty entrava na competição internacional em 1992 com uma brilhante adaptação de A visita da velha senhora de Friedrich Dürrenmatt. Isto enquanto um pequeno país como a Guiné Bissau entrava no Un Certain Regard com Os Olhos Azuis de Yonta de Flora Gomes, ao mesmo tempo que Outubro, de um cineasta mauritano desconhecido, Abderrahmane Sissako.
Hienas, 1992
Os Olhos Azuis de Yonta, 1992Outubro, 1993


Os olhares para os filmes realizados na África subsariana evoluíram. A força dos temas propostos, a relação original com o espaço fílmico, mas também com os universos sonoros e musicais, bem como as ideias de encenação (sofisticadas na sua simplicidade) geradas pelos autores africanos deram as respostas que muitos procuravam. Além das evidências temáticas, o que ontem desorientava, tornou-se hoje sinal de vitalidade e prova de energia criadora constantemente renovada. A ligação à tradição oral é expressa em imagens simbólicas, dramáticas ou engraçadas, subtis como provérbios. Os cinemas africanos tiverem, em 1991, “o seu bonito mês de Maio” como dizia o falecido Jacques Le Glou. Acreditava-se que os cinemas de África iam no bom caminho. Desdenhavam a sua economia frágil, a dependência destes cineastas face a financiamentos vindos dos países do norte. Vendo a produção africana de perto, podemos constatar que a quantidade de filmes realizados todos os anos é variável e cíclica. Tudo depende das políticas de apoio dos organismos ou administrações europeias e do nível do financiamento dos mesmos. Limitando-nos às duas últimas décadas: um pico de produção foi atingido no início e em meados dos anos 80. Resulta de um apoio consequente, regular e muito bem repartido. Depois tudo parece ter bloqueado.





Desde então afirmaram-se autores de pleno direito: Abderrahmane Sissako (La Vie sur terre - 1998,Heremakono - 2002, Bamako - 2006) e Mahamat Saleh Haroun (Abouna - 2002, Daratt - 2006, Un homme qui crie - 2011- Chad), Flora Gomes (Po di Sangui - 1996, Nha Fala - 2002), Newton Aduaka (Ezra - 2007- Nigéria). Sembène Ousmane terminou brilhantemente a sua carreira com Moolaadé (2004). Estas grandes obras não constituem excepções numa paisagem cinematográfica demasiado empobrecida por falta de compromissos da parte dos financiadores ou dos Estados africanos perante os respectivos cineastas e produtores. Será que a esperança do renascimento virá das novas produções em formato digital? Não parece que seja o caso num futuro próximo, mas África sempre teve uma espantosa capacidade para nos surpreender!




Po di Sangui, Flora Gomes, 1996


Daratt, Mahamat Saleh Haroun, 2006




Bamako, Abderrahmane Sissako, 2006
_______________________________________

(1): Foi Jean Rouch quem “descobriu” Oumarou Ganda em Moi, un Noir (1958) e o incitou (tal como fez com vários cineastas africanos), a fabricar as suas próprias imagens. Longe de “ver os africanos como insectos”, Jean Rouch soube associar os valores do etnólogo às exigências estéticas de um cineasta realizado. Como humanista com respeito pelos outros e por si mesmo.


TRANSFERIR O ARTIGO EM PDF


Artigo original Aqui

* Jean-Pierre Garcia é Chefe de redacção da revista Le Film africain & du Sud.


O Festival de Cannes agradece aos autores pela sua livre contribuição.


Pensar e Falar Angola

RITA GT em Viana do Castelo

https://youtube.com/shorts/qZkb4CfXTZQ?si=3K65JJEr5VQqsZZS Ao longo dos últimos dois anos tive a oportunidade de desenvolver “8”, uma obra d...