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quinta-feira, 24 de julho de 2014

Ciclos - Fim de um

Este blog festejou o 7º aniversário no passado mês de Junho. Propositadamente deixámos passar a efeméride em silêncio, deixando apenas uma pequena nota no canto superior esquerdo do blog. O número de visitas, segundo estatísticas do google, tem-se mantido estável, mesmo sem actualizações dignas de nota, mesmo sem ter que levar a política para 'primeiro plano'. 
Na verdade as pessoas definem a vida por ciclos. O blog Pensar e Falar Angola não podia fugir a essa regra. Curto ou longo o seu período é definição que em coração não posso dizer. Às vezes pareceram dias e outras vezes eternidades. Muito aconteceu, muito se transformou. Muita gente entrou e saiu, uns voltaram outros nem sabemos. Será o fim deste ciclo? Será o renascimento doutro? Muitas perguntas e muitas respostas. Talvez até tenha que se pôr um fim para se começar de novo, ou talvez não haja renascimento. 
Tudo o que um dia começou um dia terá fim. Caberá à dúvida decidir se há vida nova ou não.
A todos o meu muito obrigado!


Pensar e Falar Angola

terça-feira, 11 de junho de 2013

7º ANO

Numa conversa pelo MSN nasceu este BLOG. 7º ANO  e aqui estamos. Menos do que gostaríamos de ser mas unidos num gosto: ANGOLA
7º ANO. Continua a valer a pena. Não só porque o que aqui se tem vindo a dar ao público, mas fundamentalmente por aquilo que são os arquivos deste blog. Manter-nos-emos por aqui. 
Estamos Juntos!


Pensar e Falar Angola

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Recreativo da Caála

Exmº Senhor(a)

Sabendo do interesse que tem para com tudo que diga respeito a Angola, desporto, formação tomamos a liberdade de lhe enviar o endereço de novo do Blog que o Clube Recreativo do Caála entendeu renovar e desenvolver.



Com esta iniciativa pretendemos, fomentar a aproximação ao nosso clube, agora, através de um mero “clique”, a qualquer hora, em qualquer lugar, além de todos poderem aceder à informação que dá vida ao Recreativo da Caála.

É também nossa intenção que a informação disponibilizada permita não só um acompanhamento do sector desportivo do Clube com a divulgação dos resultados sempre actualizados, dos jogos das próximas jornadas, etc., mas também dar a conhecer imediatamente os eventos agendados, a consulta das actividades desenvolvidas, os projectos que temos em mente e os objectivos a que nos propomos.

Queremos também através deste meio conhecer e desenvolver acordos e parcerias com agentes desportivos e clubes de todo o mundo.

Escreva-nos por intermédio dos vários endereços de email ao seu dispor no Blog.

Desde já informamos que vamos levar a efeito a quando do nosso estágio em Portugal de 19 de Janeiro a 10 de Fevereiro 2012 um seminário que vai contar com convidados Portugueses e Angolanos na área do treino e gestão. O Seminário vai decorrer durante o dia 4 de Fevereiro próximo. Se desejar informação sobre o assunto queira por favor manifestar esse interesse por intermedio do email aluis1954@gmail.com.

Visite o nosso Blog e coloque nos seus favoritos.


António Luis Monteiro



Pensar e Falar Angola

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Angola Rural

Por: Jotta

De Angola se diz que a sua maior riqueza é o seu povo. E é verdade.

Na longa caminhada muitas vezes tortuosa e que tornou possível construir os caboucos desta nova nação, o mérito terá ser sempre atribuído ao seu povo ao longo de gerações.
Depois desse capital de riqueza, é comum olharmos para outras riquezas e aí todos os olhos se viram para o ouro negro que brota das profundezas do offshore angolano. Mas os mais avisados em termos de quantificar as riquezas existentes, falam-nos dos recursos hídricos e da bênção que são os riquíssimos solos para a agricultura e pecuária.



O futuro, tal como o foi no passado terá que passar por aí. O aproveitar o que esta terra maravilhosa nos dá.

Num mundo em que a falta de alimentos é uma realidade com o aumento da população mundial, e o seu crescente aumento poder de compra, produzir alimentos e tornar este país um dos celeiros do nosso continente deverá ser o grande desafio das próximas décadas.
A guerra de má memória e que foi erradicada recentemente, derreteu quase tudo, e o nosso país passou a importar o que exportava.

Vivemos e continuamos a viver tempos que barcos vindos de várias partes do mundo nos entopem os portos do país com batatas, massa de tomate e ananás enlatado e toneladas e toneladas de sacos de farinha de milho e de trigo por exemplo. Por via aérea chega(va)m tomates e alfaces.

Hoje ainda resistem resquícios desses tempos. Mas parece que se acorda para o inverter dessa situação. Um longo caminho nos espera.

A vontade política manifesta-se nesse sentido, e aqueles que se querem virar para o campo e começar a produzir impacientemente aguardam que todos os quadros legais e jurídicos se concretizem, e que o sistema bancário faça o seu papel para que a produção interna avance.

No Angola Rural vamos olhar para o que se vai fazendo aqui e ali, nestes novos tempos em que falar de agricultura parece que virou a nova moda nacional.


Pensar e Falar Angola












Posted by Toke

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Visitando blogs (14) - Hoje falo, para comer

Hoje, passeava eu no sufocante calor da net quando descobri este blog. De restaurante em restaurante lá me passeei por Luanda. Eu comi nas Ingombotas, na Maianga e no Maculusso, me perdi na Ilha e me reencontrei no Hotel Trópico e descansei na Discoteca Maiombe lá para os lados da Cidadela. Pena foi que tive que viajar em inglês mas isso não é problema pois para comer qualquer língua serve. Haja fome que lugares pelos vistos já não faltam, apenas faltam algumas referências a lugares que conhecemos e se calhar pela diagonal leitura não os encontrámos. É, hoje me passei por restaurantes e bares de Luanda através de http://luanda-nightlife.blogspot.com/

Pensar e Falar Angola

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Visitando Blogs (13)


Sexta-feira, Setembro 25, 2009

O LEGADO DE NETO

.
Por MARTINHO JÚNIOR

Setembro está a ser um mês de conteúdos ricos para Angola, uma espécie de balanço que se faz da história, da cultura, da vida, tornando-se cada vez mais sensíveis as correntes filosóficas que os angolanos têm em presença, um pouco como vai acontecendo aliás em todo o mundo: quer queiram quer não é sempre um balanço geral, mesmo que as questões que se ponham sejam de cariz local.

Em Angola tem uma vantagem: tudo está a ser balanceado sem se perder de vista o filão de poesia feita dum misto de paixão, de entusiasmo, de esperança, de nacionalismo e de solidariedade, de quanta dádiva, desafiando a responsabilidade de cada um e a colectiva… quer queiram quer não e isso também por causa do legado de Neto!...


Dirão que perante a crise o que é humano é cada vez mais se levantarem as interrogações, filosofar, medir e balancear o que foi feito, o que se está a fazer, como foi feto, como é feito, como deve ser feito, quando e porquê…

Pouco a pouco em Angola as interrogações vão sendo colocadas (tem havido apesar de tudo alguma possibilidade nesse sentido) e entre elas também aquelas que se prendem ao estado, ao poder, às elites deste país, bem como em relação às tendências que se vão desenhando, as suas perspectivas, os seus enredos, os ciclos que se geram muitas das vezes com envolvências dentro e fora das fronteiras…

Alguns manifestam um elevado grau de consciência, sublinhando o respeito para com o movimento de libertação e, como estão vivos, o respeito para com o seu sentido histórico, que transparece no seu comportamento e na sua atitude, desde logo para consigo próprio, para depois se aprofundar para com a sociedade.

A esses preocupa fundamentalmente a situação humana, colocando o homem, o ambiente e a natureza na prioridade de todas as atenções, por isso cultivam a dignidade, são incorruptíveis, modestos e valem sempre e apenas pelo último acto que praticam em obediência à sua formação, à sua consciência.

Outros, não passam da afirmação da mentalidade corrente, aproveitando da lógica em vigor: uns são arrogantes, outros ostentam seu poder e riqueza, outros ainda escondem-se timidamente para melhor poder usufruir o que foi “conquistado” com compromissos de toda a ordem mesmo aqueles que obrigam a vender por vezes mãe e pátria; esses são os medíocres, mas são os que marcam a cadência dos tempos actuais… são as primeiras vítimas mentais do sistema “kuduru e cabeça mole”…

A esses, cada vez mais poderosos, preocupa fundamentalmente o dinheiro, o lucro, o poder, como garantir o exercício continuado dos privilégios alcançados por vezes a golpes de tanta vilania, a única coisa que realmente pretendem a prazo tão dilatado quanto o possível e por isso vão preparando o “the day after” para os filhos que se lhes seguirão.

Os grandes mestres dessa ordem, no momento em que todo o mundo a começar pelos Estados Unidos, começam a pedir contas aos banqueiros cuja filosofia feita cobiça ilimitada está a atirar a humanidade para o caos, atraem até alguns daqueles que se sentam no Bilderberg e noutros “think tank” da opressão, para se instalarem como os grandes salvadores da pátria de Agostinho Neto!

Em Luanda, por detrás de cada torre que se ergue, está quase sempre um banco que esconde as piores mazelas do mundo e pior de tudo, agarrado a cada um deles, estão as figuras que vão compondo pelo menos uma parte muito substantiva das novas elites!

Poderão alegar que há outras tendências para além dessa dicotomia, todavia a minha observação redunda da análise de duas lógicas: aqueles que são pelo capitalismo neo liberal (que detêm agora o controlo do estado), que tão bem usam as instituições como cobertura e os outros que optam pela alternativa, cada vez mais identificada com o legado de Neto, a maior parte deles já fora das instituições!

Os jornais de Setembro têm espelhado bem essa dicotomia que cada vez se vai tornando como o vento do sudoeste que transporta grátis o oxigénio que Luanda tanto precisa todas as tardes quando o sol aperta mais, cada vez mais presente, cada vez mais evidente.

Tenho antes de mais uma posição de reserva que não quero aqui deixar de referir, em relação a muitos desses jornais:

Quem está por detrás deles?

Quem os financia, quem os alimenta, que pressões não têm cada um deles de satisfazer, vindos de quem?

São justas essas minhas reservas, pois na esmagadora maioria das intervenções verifica-se que a lógica capitalista dominante nunca é posta em causa, quando eu sou pela coragem crítica que está na raiz da sempre possível alternativa.

Tudo isso acontece por que em Setembro avalia-se sempre, quer-se queira, quer não, o legado de António Agostinho Neto.

No “Novo Jornal” de 11 de Setembro, edição nº 86, a filha do primeiro Presidente de Angola Irene Neto, em “dossier”, aceitou responder a uma entrevista do jornalista António de Freitas sobre a vida e a obra do seu pai e também sobre si própria.

Para mim, houve uma pergunta chave que o jornalista colocou sobre seu pai e Irene Neto respondeu de forma cuidadosa, inteligente, sóbria e muito substantiva.

Teve a ousadia o jornalista de perguntar:

“Qual o legado de Neto que tanto se fala?

Existe esse legado?”

Vale a pena transcrever na íntegra a resposta madura de Irene Neto:

O legado de Agostinho Neto é a independência, a cidadania angolana, o MPLA, a libertação da África Austral, o não alinhamento e a importância norteadora de resolver os problemas do povo.

E a SONANGOL que foi criada por um despacho seu e que foi igualmente convertida em concessionária pela Lei das Actividades Petrolíferas, em 1978.

Sabia que as bases do que são hoje o boom e a pujança económica de Angola foram lançadas por ele?

O seu legado é também o seu exemplo de homem íntegro, honesto e defensor do seu povo.

A sua mestria política e diplomática priorizou as soluções políticas e por isso mesmo estavam em curso contactos com a África do Sul, com os Estados Unidos, com o Zaire e com a UNITA visando o fim da guerra e a pacificação do país e da África Austral.

O seu estilo independente e defensor dos interesses nacionais foi sempre reforçado com a sua qualidade moral e visão estratégica.

Nunca confundiu a ajuda com a subserviência e nunca aceitou ser um serviçal de nenhuma potência.

O seu legado não é de riquezas porque o seu trabalho e inteligência foram sempre para a luta.

O que era seu foi investido na luta.

Não acumulou patrimónios nem privatizou haveres e activos do estado para seu benefício ou para benefício de seus filhos.

Não retirou benefícios nem vantagens das suas funções e dos poderes que lhe estavam investidos.

O seu legado é acima de tudo o seu exemplo de vida que mostra a importância da educação e da personalidade íntegra”.

Sobre si própria foi logo a seguir:

“Você esteve no governo e é agora deputada.

Foi por influência do nome do seu pai?”

Irene Neto salvaguardou:

“Sou angolana e constitucionalmente tenho os mesmos direitos e obrigações que qualquer cidadão angolano.

Não aceito ser discriminada por ser filha de quem sou.

Tenho um capital humano que me torna capaz de fazer e conceber.

O nome do meu pai demanda de mim um desempenho moral e humano muito elevado.

Ter um pai como ele foi, encoraja a lutar pelo bem de todos e não apenas de um grupo de pessoas”.

Em muitos que seguiram a saga do movimento de libertação, o legado de Neto, para lá da profundidade de sua poesia, não está apenas escrito, mas está sobretudo inscrito: ele existe na memória e na consciência daqueles que lhe foram e são fieis, que lhe vão ser fieis até ao fim, como uma cumplicidade indelével que ata a vida rebelde e recusa a mentalidade do que em Angola quantas vezes se torna fácil, disponível, fútil, o que quantas vezes nutre a mentira continuada, passa como é óbvio sempre ao lado da busca da verdade.

Para isso os fieis tiveram e têm de passar por duras provas:

- Renunciar às riquezas, mesmo que elas lhes tivessem passado dezenas, centenas de vezes, pelas suas próprias mãos.

- Renunciar a uma carreira, por que foi sendo cada vez mais dado espaço aos venais do templo e era impedido o acesso aos honestos, aos modestos, aos inteligentes, aos empenhados por inteiro e sem outros compromissos que não luta pela pátria, pela independência, pela solidariedade, pelo internacionalismo, pelo aprofundamento da democracia, pelo povo angolano e não por grupos de pressão, muitos dos quais estiveram por detrás da opressão e são causadores dos imensos sacrifícios que foram vividos ao longo das últimas décadas…

- Renunciar à lógica que impuseram paulatinamente a partir de 1985, por que a vida fruía e a vida era a verdadeira lógica, a sua barricada, a sua resistência, mesmo que isso por vezes tenha posto em causa a sua própria sobrevivência ou a de sua própria família.

- Passar pelas prisões por via de condenações injustas, mesmo que por aí se jogasse o destino da sociedade e dum estado afinal a ser alterado a partir dos seus alicerces, foi o mesmo acidente de percurso que por várias vezes viveu António Agostinho Neto, que viveu Fidel… e a esses a história os absolverá…

Antes de 1985 a cultura foi o respeito escrupuloso pelo estado, pelo património público, pelo que era do povo angolano e era preciso desde logo honrar, honrando a vida.

Depois de 1985, passou tudo a ser cada vez mais susceptível de negócio, a começar o que existia à mercê nos próprios mecanismos de poder (as “transformações” operadas por dentro da segurança, do interior e das forças armadas acabaram por se tornar num óptimo ingrediente).

A passagem para mãos privadas de bens, equipamentos e património que era do estado foi de tal ordem que quando as gloriosas FAPLA foram dissolvidas, recorde-se aquele poderoso exército que fez frente ao “apartheid” e aos seus sequazes, pouco sobrou para as novas FAA e em muitos sectores teve-se que adquirir tudo de novo nos termos que tinham a ver já com a nova lógica (Pierre Falcone não aparece por acaso, “caído dos céus aos trambolhões”).

Os fieis, aqueles que acima de tudo assumiram a cultura do antes de 1985, são assim, devotados ao povo angolano, por inteiro e até ao fim, fazendo sua a aspiração de Neto, uma qualidade que tudo indicia também fruir em Irene Neto, para lá dos laços de sangue, no âmbito dos laços insuspeitáveis, sublimados pela via da memória, da constância, da perseverança e sobretudo da consciência.

Hoje em época de crise, pode-se até aceitar condescendentemente muita coisa, por exemplo:

- Aceitar o sacrifício dos mortos que pavimentaram o chão e nos conduziram à identidade independente, soberana…

- Aceitar o rejuvenescimento dum país em canteiro de obras, por que quantas e quantas vezes não será aberta pela primeira vez uma estrada, um estádio, uma ponte, uma escola, um posto sanitário, um fontanário de água potável, uma casa, quando para trás existe um vazio imenso…

- Aceitar o trabalho humilde de sol a sol numa Angola em reconstrução e em reconciliação, por que durante tantas décadas as armas foram empunhadas, quando era cada vez mais premente empunhar a enxada, a ferramenta, conduzir o tractor…

- Será contudo justo aceitar desvarios, como as ilhas artificiais, os monumentos megalómanos, a urbanização visionária guardada nos segredos dos gabinetes quando necessário seria mobilizar tanta gente, gente do nosso povo, para a sua realização, aceitar a rotura “inexplicável” dos orçamentos?…

- Será justo manter “parcerias público – privadas” de cada vez mais duvidosa pureza, com programas opacos inibindo qualquer tipo e transparência e cada vez mais duvidoso sentido de oportunidade, como aqueles que se têm gerado a partir da SONANGOL?

- Será justo aceitar os cada vez maiores e mais evidentes desequilíbrios sociais, aceitar a corrupção, as cumplicidades, as venalidades, a ostentação, o que é feito na sombra quando se esconde da mão esquerda o que é feito com a mão direita?…

- É admissível assistir-se cada vez mais às “parcerias” daqueles que durante tantos anos instigaram Savimbi (é só fazer a leitura atenta dos “Jogos Africanos” de Jaime Nogueira Pinto) e agora estão empenhados em trazer cada vez mais desequilíbrios e injustiças sociais para o povo angolano, pela mão de alguns dos mais responsáveis do próprio aparelho de estado?

- É admissível a mentira continuada, o esvaziar das instituições aprontando-as para os negócios e só para os negócios, por vezes embrulhando as acções mais torpes no cativante papel celofane que advém do próprio movimento de libertação?

Nunca se poderá aceitar que o homem e a natureza deixem de merecer aquela prioridade que teve sempre no pensamento e acção de Agostinho Neto, o que deixou de ter aplicado desde que o capitalismo neo liberal foi sendo lenta mas inexoravelmente imposto tirando partido das manipulações injectadas gradualmente, inclusive pela via das sucessivas negociações, a partir de 1985.

Os banqueiros e todos os que lhes são subservientes no poder, não comandam a vida, em muitos casos comandam sobretudo a morte!...

Para os fieis não há “jogos africanos”, há povo angolano e povos africanos por inteiro!

Por isso muitos desses fieis, neste mês de Setembro que é um mês de poetas e também um mês para lá dos poetas, fazem ainda sua a muito legítima “aspiração” afinal tão bem inscrita no legado de Neto e tão oportuna para os tempos que correm:

Aspiração

Ainda o meu canto dolente
e a minha tristeza
no Congo, na Geórgia, no Amazonas
Ainda o meu sonho de batuque em noites de luar
ainda os meus braços
ainda os meus olhos ainda os meus gritos
Ainda o dorso vergastado
o coração abandonado
a alma entregue à fé
ainda a dúvida
E sobre os meus cantos
os meus sonhos
os meus olhos
os meus gritos
sobre o meu mundo isolado
o tempo parado
Ainda o meu espírito
ainda o quissange
a marimba
a viola
o saxofone
ainda os meus ritmos de ritual orgíaco
Ainda a minha vida
oferecida à Vida ainda o meu desejo
Ainda o meu sonho
o meu grito
o meu braço
a sustentar o meu Querer
E nas sanzalas
nas casas
no subúrbios das cidades
para lá das linhas nos recantos escuros das casas ricas
onde os negros murmuram:
ainda
O meu desejo
transformado em força
inspirando as consciências desesperadas.
.
(Sagrada Esperança)

Pensar e Falar Angola

terça-feira, 7 de julho de 2009

Música angolana em Portugal nos anos 60 – Continuação.

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Segunda-feira, 6 de Julho de 2009

Música angolana em Portugal nos anos 60 - continuação

Relativamente ao meu artigo anterior, fiquei profundamente desiludido com o facto de não ter encontrado uma gravação em video que fizesse minimamente justiça à memória da falecida cantora angolana Lilly Tchiumba. A minha afirmação, segundo a qual Lilly Tchiumba foi a mais autêntica de todas as vozes angolanas que se radicaram em Portugal na década de 60, não podia ser ilustrada por uma apagadíssima interpretação de uma medíocre cançoneta, que nem sequer respeitava a Angola nem nada. Era urgente que eu encontrasse algo que pudesse justificar a minha afirmação.

Procurei, voltei a procurar e continuei a não encontrar nenhuma gravação em video. Mas encontrei várias gravações em áudio, o que já não é mau. Nada mau mesmo. Assim, volto a pedir licença ao nosso amigo Toke para voltar a este assunto e dar a ouvir um pouco da verdadeira Lilly Tchiumba, tal e qual como ela cantava perante as câmaras da RTP, na década de 60 e princípios da de 70, sem ser em festivais da canção, bem entendido.

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Lilly Tchiumba em "Nzambi", Deus 


Encontrei esta e outras canções nesta página:

http://www.esnips.com/_t_/lilly.tchiumba.

Não hesitem em escutar as outras canções que estão nela. Vale a pena ouvir Lilly Tchiumba.

Antes de terminar, quero ainda corrigir uma injustiça que cometi no meu anterior artigo. Esta injustiça diz respeito ao Duo Ouro Negro. Raul e Milo merecem muito mais do que a ligeiríssima referência que me limitei a fazer-lhes. A qualidade da sua música exige que eu também lhes dê o devido destaque. De entre todos os músicos angolanos, eles foram aqueles que tiveram maior êxito em Portugal, em qualquer momento. E não foi por acaso. A sua dignidade e o seu profissionalismo honraram sobremaneira Angola e os angolanos. É importante que isto seja dito.




Duo Ouro Negro em "Kurikutela", o comboio do Caminho de Ferro de Benguela

(Colocado por Denudado)

 
Posted by Toke


Pensar e Falar Angola

sábado, 4 de julho de 2009

Música angolana em Portugal nos anos 60

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Sábado, 4 de Julho de 2009

Música angolana em Portugal nos anos 60

Foi um acontecimento histórico a actuação do conjunto angolano Ngola Ritmos (com Lourdes van Dunem na qualidade de vocalista) no único canal de televisão que havia em Portugal no já longínquo ano de 1964. Foi de tal modo histórico, que há em Portugal pessoas que ainda se recordam dessa actuação e do agrado que ela então lhes provocou.

Diversos cantores e grupos musicais angolanos vieram nesse tempo fixar-se em Portugal, com o fim de dar continuação às suas carreiras iniciadas em Angola. Ainda que fosse muito limitado, o meio musical português era, apesar de tudo, mais amplo do que o da Angola colonial de então. Assim, em busca de um maior êxito para as suas vidas, demandaram a capital portuguesa artistas como Sara Chaves, Eleutério Sanches, Trio Ouro Negro (que logo a seguir passou a duo) e outros mais. Quase todos estes artistas trouxeram consigo uma música de raiz angolana, sem dúvida, mas que eles mais ou menos adaptaram aos gostos e convenções então prevalecentes em Portugal e na Europa em geral, a fim de a tornarem aceite pelo seu novo público.

Talvez porque não tencionassem fazer carreira na metrópole colonial, os Ngola Ritmos fizeram precisamente o contrário. Na sua memorável viagem a Portugal, eles procuraram dar a conhecer ao público português a mais genuína música popular angolana, que eles faziam tão próxima quanto possível das suas raízes. Ao mesmo tempo, interpretaram canções portuguesas em jeito de semba, com resultados surprendentemente bons. A canção popular portuguesa "Margarida vai à fonte" foi uma delas.

Portanto, enquanto artistas angolanos radicados em Portugal aportuguesaram e europeizaram a música angolana, os Ngola Ritmos angolanizaram a música portuguesa... Excepção a esta regra foi a cantora Lilly Tchiumba, que sempre interpretou música angolana no pleno respeito pelas raízes desta. Depois que os Ngola Ritmos e Lourdes van Dunem regressaram a Angola, Lilly Tchiumba ficou sendo a voz mais genuína de Angola que se podia ouvir em Portugal. Cantou múltiplas vezes perante as câmaras da RTP, sempre com inteiro agrado do público. Alguns anos mais tarde, outras vozes se juntaram à sua, nomeadamente as de Rui Mingas e Bonga.




Lourdes van Dunem e o conjunto Ngola Ritmos em "Manazinha", uma peça do Carnaval de Luanda




Lourdes van Dunem e o conjunto Ngola Ritmos em "Mon'ami"


Depois do que escrevi sobre Lilly Tchiumba, seria de esperar que aqui aparecesse um video que a mostrasse cantando música angolana. Para minha grande estranheza, porém, não encontrei um tal video! Como escrevi acima, a Lilly cantou múltiplas vezes na televisão portuguesa. Com toda a certeza que haverá nos arquivos da RTP pelo menos uma gravação (uma só que seja!) em que ela interprete música angolana. Será possível que nenhuma delas tenha sido posta na Internet?! Na única gravação que encontrei dela, a Lilly Tchiumba canta uma musiquinha sem qualquer ponta de interesse, e que de angolana não tem absolutamente nada, num festival RTP da canção... Oh, sorte malvada!

Hesitei muito, mas acabei por decidir colocar aqui a referida gravação, apenas para mostrar como eram a cara e a voz da saudosa Lilly Tchiumba. Peço-lhes, por favor, que não se deixem influenciar pela gravação. Apesar do que nela se ouve, a verdade é que Lilly Tchiumba foi mesmo a voz angolana mais autêntica que cantou em Portugal na década de 60, à excepção de Lourdes van Dunem, é claro.



(Colocado por Denudado)




 
 
Posted by Toke

Pensar e Falar Angola

sábado, 6 de dezembro de 2008

Obrigado ao Jornal O País

Na revista Vida, suplemento do jornal 'O País' que ontem foi para as bancas, no seu nº 5, o blog , que é um apêndice deste Pensar e Falar Angola - foi eleito o site da semana. O nosso muito obrigado.



foto by Kapofy
Pensar e Falar Angola

Visitando Blogs (11)

Na 'nossa cruzada' de fazer uma listagem de todos os blogs que falam de Angola (neste momento encontram-se muitos que estão desactivados assim como outros que não deveriam ser enquadrados na categoria de blog) encontramos coisas muito giras, quer em informação geral quer em informação mais específica.


Hoje, quase nos cai no colo uma preciosidade:

não só pela ideia como também pela funcionalidade.

Bem haja!



Pensar e Falar Angola

quarta-feira, 25 de junho de 2008

A FLIP, ONDJAKI E EU





Transcrito directamente do blog Loucuras De Lady Lita de 9 de Junho

“escrevo porque tenho estórias para contar.”


Ondjaki


Em 2006, na FLIP (Festa Literária Internacional de Paraty), o escritor angolano Ondjaki esteve presente, infelizmente eu não estava lá.

Eu nem conhecia o trabalho de Ondjaki, mas fiquei conhecendo através das entrevistas que ele concedeu para várias emissoras de tv.

Eu acompanhei os acontecimentos da FLIP via Internet.

Um certo dia, eu estava assistindo tv, então mudando de canal acabei por botar no canal Futura que eu gosto muito! Tinha uma repórter entrevistando um escritor, então fiquei prestando atenção e gostei muito dessa entrevista, era o Ondjaki, falando de uma maneira tão solta, firme, mas com muita suavidade sobre vários assuntos.

A partir desse dia eu comecei a procurar material sobre ele, li várias entrevistas em vários blogs. Então, me despertou algo...lembrei da minha infância e dos meus amigos angolanos de quando eu morava no interior de São Paulo, pois aquele tempo foi um tempo único e fora do normal. Eu amava aquelas pessoas, pois elas eram muito alegres...era só alegria.

Mas, Ondjaki é assim: faz a gente voltar lá na infância.

Lendo os livros, as poesias, vendo seu trabalho no cinema; foi me despertando muito interesse por tudo o que ele faz.

Graças a ele comecei a procurar blogs angolanos. Passei por alguns blogs interessantes como: A Minha Sanzala do JotaCê Carranca e o Attelier dos Mangueirinhas do Ngoi Salucombo Jr., de quem me tornei amiga, e assim trocamos muitas informações sobre Brasil e Angola. Preciso dizer que, antes de chegar nesses dois blogs, passei pelo blog Floresta do Sul do António Manuel Venda, e foi através do blog dele que cheguei aos outros.Estou relatando tudo isso, porque para mim, foi muito importante esse acontecimento. É como uma viagem boa e agradável; e isso, porque eu estou sendo breve, porque se eu fosse contar tudo; daria um livro.



e depois eu acrescentei:



http://floresta-do-sul.blogspot.com/2007/04/entrevista-ondjaki.html






Pensar e Falar Angola

segunda-feira, 28 de abril de 2008

Visitando Blogs (10)

É interessante pensar em como só conseguimos compreender certas coisas através do posicionamento espacial e emocional que tivermos num determinado momento das nossas vida em relação às mesmas.É interessante pensar que, só apenas quando se derem relevantes transformações em nós, temporais ou outras, estaremos então preparados para penetrar mundos de complexa organização e expressividade.
É ainda interessante sentir em como por que qualquer razão desconhecida se despoleta em nós uma repentina disposição para nos conectarmos, como que num êxtase, a universos distantes e partilhamos os seus códigos através de uma deliciosa simbiose espiritual.Vi Um Eléctrico Chamado Desejo aos 17 anos, não gostei, voltei a vê-lo aos 26 e adorei. Li Madame Bovary aos 16, não percebi, voltei a lê-lo aos 25 e passei a considerar um dos maiores marcos da história da literatura. Adorei Ravell aos 18 anos, desprezo-o aos 28. Adoro Orson Welles, detesto Cecil B. DeMille, aos 20 anos era o contrário. Li Se Numa Noite de Verão Um Viajante… e adorei, quem sabe daqui há uns anos (o que acho difícil de acontecer) passe a detestar? Ninguém sabe. Isso vai depender: depender do meu posicionamento emocional e da disposição espiritual para a obra no momento; vai depender essencialmente do que eu me vier, entretanto, a transformar; vai depender, portanto, da alquimia transfigurativa que o tempo processar em mim.
Falo em alquimia porque, às vezes, para que se abram os portais da compreensão, é necessário combinar elementos de variada natureza substancial. Ainda que a ordem seja aleatória e a natureza da substância diversa. Pode até nem se tratar de substância natural mas sim de inatural substância, como a música, por exemplo. O importante, no fundo, é que se saiba combinar. Mas há ainda um aspecto essencial: esse processo de combinação não deve descurar o elemento tempo. Somos substâncias a mercê do tempo. Ele nos transfigura incessantemente, a todo o momento somos dilatados e contraídos pelo tempo. É assim que o tempo nos pode transpor para uma dimensão do existir aonde nos podemos achar em melhor disposição espiritual para conectarmos universos complexos.
Conheci Viteix aos 17 anos por via de Henrique Abranches, na altura achei bonito mas não o compreendi. Aos 25 voltei a encontrar Viteix mas reconheço que não estava preocupado com a fruição desinteressada da sua obra e isso toldou-me a compreensão. Três anos depois, em vias de me separar da casa, recolhendo papéis e documentos antigos, dei novamente com o arquivo de Viteix. É constituído por fotografia, cópias de artigos de jornais e impressões scanneadas de quadros e esboços. Espalho tudo pelo chão como peças de puzzle e deixo-o ai, como que amadurecendo, fermentando, germinando uma lógica esforçada.
É madrugada, as insónias voltaram, sinal da mais recente crise de ansiedade. Levanto-me e passeio pela casa, percorro os ruídos infra-sons dos bichos que nela habitam. Sirvo um whisky, ligo o computador e ponho música. A perdição do momento. O bib-hop de Duke Ellington preenche o ambiente. Outro gole. Ponho o computador de lado e fico de frente, com o copo à mão, para as imagens de Viteix.
E então tudo se dá: o que parecia ser a simples figura de um bailarino reproduz-me em três, mas já não são bailarinos e sim apenas duas mulheres e um homem, em êxtase, num bacanal sexual. Mas dançam, dançam ao ritmo de uma música que não encontra equivalência no fundo cinzento cru da madrugada. A eles juntam-se outras figuras de outros quadros. Vão se juntando em frenesim corporal despindo-se dos disfarces de arte Tchokwe. As alusões sexuais ganham substância e o ritmo tropical já é audível. Partem mergulhados em êxtase num cortejo de prazer. Afunilam-se no ritmo, incorporam-se, fundem-se, descobrem-se nos outros e liquefazem-se. Mas o ritmo permanece, aspira ser uma constante… ups! O Whisky acabou. Acho que consegui partilhar o universo de Viteix. Descodificá-lo, será? A composição dos três elementos é essencial: Whisky, jazz e madrugada. Parte do processo de criação de Viteix era resultado da junção destas componentes. Fico ainda ali um pouco, olhando para aquelas figuras que entretanto voltaram ao que eram antes de tudo, inertes, surdas e inócuas nos seus disfarces.“Viteix é um lúdico lúbrico!”, penso para comigo e não me contenho a rir “…uhmmm! Como será bom morrer amando Viteix!”



Cláudio Tomás
Luanda, Angola, Lisboa, Portugal
Sociólogo







Pensar e Falar Angola

domingo, 27 de janeiro de 2008

Afrikya - Encruzilhadas de um continente


Todos os domingos, das 09 horas até às 10 horas o Afrikya é emitido em Luanda nos 95.5 em FM, o espaço em modulação de frequência da LAC (Luanda Antena Comercial).


No entanto o Afrikya vem de longe, com a dupla Luzía Fanconny e António dos Santos, o continente africano é prescrutado sonoramente através das suas musicalidades, dos seus pensadores, sempre a passo com a premência da actualidade que um continente desta dimensão não deixa de urgir.

Carregue aqui para visitar o novo blogue e ouvir a emissão em excelente "streaming" mpeg, ou para fazer o "download" em mp3 de excelente qualidade.



Carregue aqui para copiar o código deste "player" e inserí-lo no seu blogue ou página de internet.

Pensar e Falar Angola

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

Visitando blogs (9) - Entre o Leninismo e o Sobalismo



Juventude vs Álcool...


Não é preciso conhecer a etimologia da palavra juventude pra chegar-se á conclusão de que essa palavra tem sido alvo de uma interpretação abusiva muito aquém do seu real sentido e alcance...

Angola é considerada mundialmente como sendo um país jovem, pois dos estimados 16 milhões de Angolanos, 49% são jovens...

Existe e prevalece um equivoco por parte da imprensa e não só sempre que são abordados temas relacionados com a juventude Angolana, tem-se feito afirmações generalizadas que abarcam até aqueles que se encontram a margem dos temas em questão...

Tem-se falado erradamente "juventude Angolana",q uando em questão apenas estão jovens de determinados municipios ou comunas...

A juventude Angolana não é um uniforme!!!

Definitivamente a juventude da Maianga, Ingombota, Kilamba kiaxi e Rangel é completamente diferente da juventude do Xangongo, Chibia, Andulo, Luena ou Matala...Por isso não cairei nesse erro de utilizar erradamente o termo "juventude Angolana" quando apenas pretendo falar de uma minoria instalada em determinado local (Luanda).

Sendo assim farei uma abordagem sobre o álcool e a Juventude de Luanda e não Angolana... por motivos de veracidade e conhecimento de causa... E ao falar sobre a juventude de Luanda, estarei também a falar de uma "maioria" e não de todos os jovens!! como é óbvio...Nos últimos anos o consumo de álcool por parte da "juventude de Luanda" subiu de uma forma vertiginosa e assustadora, a juventude de Luanda não conseguiu resistir ao apelo consumista feito pelas "majors" fabricantes de cerveja... (nomeadamente a Unicer, distribuidora da marca super bock e muitas outras) essas empresas tem feito uma campanha pró-consumo que tem deixado de rasto os jovens de Luanda... A juventude de Luanda esta no meio de uma encruzilhada provocada pela cultura de massas impostas pelas industrias do álcool, que tem como objectivo transforma-lhes em cidadãos passivos... As discotecas, roulotes, bares e botecos de Luanda,transformaram-se em verdadeiros santuarios de adoração do álcool,c ulto esse que esta a deixar os jovens em estado deplorável e longe de qualquer salvação... Quais devem ser as verdadeiras causas...?Muito se tem falado na pobreza e desemprego como causa principal do recurso ao álcool como forma de afogar as mágoas da vida... Mas a realidade de Luanda desmente esse facto...pois o maior índice de consumo de álcool tem como protagonistas jovens com uma condição económica acima da media e em locais de algum requinte, como são as discotecas de Luanda... Mais uma vez esses factos levam-me a conclusão de que a verdadeira causa é a politica social existente no País, que facilita esse apelo desenfreado ao consumo de álcool... É bastante urgente que se contenha o rítmo de crescimento do consumo de álcool por parte da juventude de Luanda. É bastante urgente que se trace uma métrica de actuação das escolas e lares no sentido de fazerem da prevenção uma regra... pois este fenómeno tem efeitos graves e a curto prazo... Muito se tem falado dos efeitos do álcool nos jovens de Luanda e tem-se priorizado os efeitos deste em relação a saúde do homem... mais muito mais do que problemas de saúde, o álcool tem vários efeitos a curto prazo, visíveis a qualquer diagnóstico a olho nu em um consumidor activo de álcool... nomeadamente:

-Raciocínio lento

-Perda da capacidade de análise

-Perda da capacidade de debate

-Ganha-se uma visão ingénua e desprevenida da vida...

-Visão do mundo com a perspectiva de uma criança...

Por isso é que a juventude de Luanda encontra-se em plenas condições de saúde, mais mergulhados em um abismo mental e moral terrível, a beira da afogamento, a saúde moral desses jovens degradou-se de tal forma que a juventude de Luanda já vive um "coma social"...

O drama social é tão grave,que actualmente são ultrajados aqueles jovens que passam o fim-de-semana em casa em detrimento de um boteco, bar ou discoteca... a caça ao álcool em Luanda tornou-se a regra desta pseudo-sociedade por partes dos jovens... Não são bêbados ou alcoolatras apenas os consumidores de "kimbombo" "maruvu" ou "kapuka"mais também os consumidores de "shots de tequilla" "whisky e redbull" ou "Martini". Não existe nenhuma diferença entre um consumidor de "kimbombo" e um consumidor de "whisky e redbull" quando é apenas uma diferença de forma e não de conteúdo... ambos estão no mesmo barco e farinha do mesmo saco...

O que confunde a opinião pública é o local de consumo e o designer dos recipientes...* O mais velho "Simão kamundongo" que bebe nas calmas a sua jarra de "tombo" nas praças de Ndalatando, é igualissimo ao Jovem Ricardo Coelho júnior, que bebe o seu whisky/redbull em pleno Éden ou Palo´s... ambos são consumidores de álcool, mas em circunstâncias diferentes... Entre(tanto) é preciso que se aposte na prevenção, é preciso que se resolva os problemas pelas verdadeiras e causas e não pelos efeitos, é preciso inovação na forma de ensino escolar sobre os nossos problemas sacias... já é tempo das escolas abandonarem esses textos pré-formatados e olhar mais pra nossa realidade... é bastante importante fazer-se um apelo á responsabilidade social das escolas sobre esses assuntos... Porque a pobreza não é a única causa deste coma social... mais sim a educação que por sua vez é mais importante que a proibição... Realmente se o que eu vejo é juventude,definitivamente eu não sou jovem....

Lenny aka Soba L

Bacharel em Direito


Pensar e Falar Angola

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

Visitando blogs (8) - Destinus







Os Donos de África





Muitas vezes relegados para segundo plano, os verdadeiros donos de África continuam a ser os povos tribais. São eles os portadores da cultura, da arte e do espírito africano.
Em Angola existem dezenas de tribos e dialectos, e apesar da guerra ter originado muitas movimentações e descaracterização, existem tribos que nunca abandonaram os seus territórios. No Sul o caso é típico.
Os Mucubais vivem no deserto do Namibe e Serra da Chela. Na Huíla habitam os Mumuilas e os Nhanheca Humbe. No Cunene podemos encontrar os Cuanhama.
Muitos dos costumes e organização social são idênticos. O Soba é o chefe, uma espécie de patriarca, juiz e representante junto das entidades oficiais.
Os Mucubais
São um povo um pouco misterioso. A sua grande riqueza são os bois, e com eles um homem pode ter quantas mulheres quiser. Vivem em harmonia umas com as outras e são elas que trabalham nos campos e têm o máximo número de filhos para pastarem o gado.
Os homens limitam-se à gestão do trabalho e ao prazer. Andam semi-nus e cobrem-se apenas com peles e panos típicos e coloridos, não dispensando a catana. São capazes de percorrer dezenas de quilómetros num só dia e vivem muito isolados e pouco expostos.
Cada Mucubal dispõe de um kimbo (várias cubatas dispostas em círculo) onde reúne todas as mulheres e família.
Pouco sociais, não se fundem com outras raças, afiam os dentes e recusam-se a ir à escola.
Não são de muita confiança (avisaram-me para ter cuidado com os Mucubais) e são conhecidos por roubar gado às tribos em seu redor.
Desde a guerra de 1939, em que os portugueses os derrotaram e confinaram ao seu actual território, que ficaram com um certo rancor aos brancos.

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Com a independência, alistaram-se no exército, para depois desertarem levando as armas. Foram os Mucubais que em 1975 impediram os sul-africanos de avançar no território em direcção ao Namibe. Desconhecendo o que se passava no resto de Angola, apresentaram-se a Agostinho Neto reivindicado o facto de terem ganho a guerra e implantaram uma “portagem” para atravessarem o seu território. O MPLA não deu a devida atenção a este facto, e o certo é que as relações entre este povo e o governo ainda hoje não estão normalizadas.
Tal como em muitas outras tribos, os herdeiros de um Mucubal não são os filhos, mas sim os sobrinhos, filhos da irmã. Assim têm a certeza de que os herdeiros são do mesmo sangue.
Apesar da poligamia ser usual, não é permitido o adultério. Este crime é punível com o pagamento de vários bois ao queixoso. Contaram-me que quando chega a época das chuvas, e um Mucubal não dispõe de bois suficientes para arar as terras, induz uma das suas mulheres a seduzir um vizinho rico, com o fito de que este seja apanhado em adultério e tenha de o retribuir com o pagamento em bois. Espertos, não?
Um certo general de origem Mucubal, cada vez que visitava o seu povo, era forçado a desfardar-se antes de entrar no seu kimbo e vestir os trajes típicos.

Muitas outras tribos existem em Angola e milhares em todo o continente africano. A sua vivência em estado que nós europeus consideramos primitivo, está impregnada de um espírito muito próprio e interiorizado pelos indígenas. A lógica das coisas é itinerante e muda conforme o local onde nos encontramos.
África não é para se perceber ou entender. É para se sentir e viver!!!




Pensar e Falar Angola

sábado, 20 de outubro de 2007

Visitando blogs (7) - Jindungo Puro

Segunda-feira, 8 de Outubro de 2007
Angola “entra no sangue, talvez mais fundo ainda."

Três semanas após o regresso, acho que faz sentido pôr em ordem o jindungo puro…
Por isso, para quem ainda não percebeu toda “a agitação que vai dentro desta cabeça", para a Gisela e para o Rui e, sobretudo, para mim, aqui fica tudo o que não vou esquecer (sem sentido nem ordem, como é próprio das memórias):
- a cor da terra,
- a trovoada e o fogo no regresso de Musselege,
- a Maria e a mãe, a Professora Isabel,
- o arrepio que senti com o hino de Angola cantado pelas crianças no Lombe,
- o carinho do Director Escolar do Lombe,
- o interesse, a vontade e a partilha durante as formações,
- a alegre loucura da viagem para Malange no cockpit do avião,
- os saltos e balanços das viagens de jipe para o Lombe,
- o cabrité, as laranjas e as bananas no caminho para o trabalho,
- a festa de noivado da sobrinha da FF,
- a FF, o Bola de Neve, o Sérgio, o Cambuta, o Dinho...,
- o banho de caneca, o pão quente, as imagens e as fotografias no Quela,
- o churrasco em Kalandula,
- as quedas de Kalandula (onde tudo parece simples e possível),
- as EKAs,
- a entrada e saída das meninas em visita ao senhor N. na Casa de Passagem (eheh),
- a caça ao mosquito em Luanda,
- o repelente todas as noites,
- a viagem de jipe para o Quela,
- o sentir-me mais “eu” do que alguma vez me senti,
- a cumplicidade, as conversas e as gargalhadas,
- a mala da roupa da Gi (parecia uma cartola de mágico, saía sempre de lá alguma coisa...),
- a depilação da Gi,
- o “rrroder!” todas as manhãs,
- Ngazakele Catarina! Ngazakele Gisela! Ngazakele Rui!
- “Domingar”,
- a viagem para Luanda com o Sérgio Godinho,
- os sentimentos de aventura, de liberdade e de pertença,
- e tudo o mais que Angola me deu, que "entra no sangue, talvez mais fundo ainda".

Pensar e Falar Angola

domingo, 14 de outubro de 2007

Visitando blogs (6)

Ensaios

BLOGGUISMO ANGOLANO: AMADORISMO OU JORNALISMO?

Consultando o blogguer encontramos cerca de 1200 blogs domiciliados em Angola, de angolanos no estrangeiro e doutros que se apresentam como tal. Vasculhados um a um notamos que o número não é tão grande assim.E se procurarmos por nomes conhecidos vemos que são pouquíssimos os detentores de páginas na web. Raríssimos ainda aqueles que escrevem coisas.

O movimento bloggista que na Europa e América até estremece as vendas de grandes jornais, dado o seu carácter digital, rápido e sem preço (há os que já publicitam), é em Angola algo muito novo.
O Cibernauta atento encontra páginas como a do Manuel Vieira que escreve o www.serradachela.blogspot.com, onde se publica um pouco de tudo, como sejam, ensaios, actualidade informativa, reflexões, etc..

Temos as páginas do Soberano Canhanga http://www.olhoatento.blogspot.com/, onde escreve a título de exemplo

CLIQUE EM LER MAIS PARA LER ESTE POST


NUVEM DE ESTRELAS
Por "compaixão" da Manú, cansada, talvez, de me ver a vegetar pelos corredores do alojamento , fui ao Luari (5/08/07) para a primeira edição em Saurimo da "Nuvem de estrelas".

Com certeza que o nome é muito mais atraente. "Chuva de estrelas", concurso cujo vencedor tem direito à participação noutro concurso de índole nacional, organizado pela LAC e TPA. Matias Damasio, Yolas, Beto Dias, Bruna Tatiana Lawilka, entre outros nomes da nossa e doutras praças musicais foram bem ou mal imitados. Casada com a feia esteve a moda cujo destaque foi mesmo a passagem de uma menorzinha nos seus 6 anos.
Ou ainda http://www.10encantos.blgspot.com/ e http://www.scanhanga.blogspot.com/ onde se publicam textos de actualidade geral, ensaios, poesia e provérbios.

Já lá se foi o cenas angolanas, inicialmente distribuído via e-mail aos jornalistas amigos, tendo sido transformado depois em Blog, mas de pouca dura, devido às criticas e ataques que lhe eram feitos por pessoas citadas/visadas.


Fora do Jornalismo e dos blogs que me são familiares, encontro o Don't give up da economista e professora Ana Mathaya. Trata-se de uma página onde se escreve da infância à docência universitária, mas sem conter textos jornalísticos.


Em Don’t give up encontramos textos como “Amanheceu Segunda Feriado, como muitos Luandenses madruguei na luta pelo "comburente" Galp, Marginal, Rádio e finalmente a longa fila do 1º de Maio, que também denominaram de Praça da Paz. Quem eu encontrei? Agostinho Neto, firme imponente. Tentei a duras penas ler-lhe as feições do rosto na ânsia de descobrir se o Poeta, o politico ou o médico humanista: tudo nele se confunde.
Lembrei-me então de ontem a noite: Três gerações - a de meu Pai, a minha, e a depois de mim - reuniram-se na sala lá de casa, todos em torno do tão esperado feriadão. Se aos últimos a data quase nada dizia, aos da geração de meu pai e aos da minha, era sinónimo de nostalgia! Meu pai lembrou nostálgico aquele 22 de Agosto, quando nossa cidade natal foi palco do último discurso do agora "Guia Imortal": "tem kizak 'aí??" perguntara o líder levando o povo ao delírio, fazia-se já sentir a pouca intensidade da voz do líder; minutos depois, Maria Eugenia lhe passara um bilhetinho. Desculpou-se então por não poder fazer um discurso mais longo: "minha voz não esta boa". Quase 20 dias depois o país vestiu-se de preto e as lágrimas rolaram inconsoláveis, a nós que éramos criancinhas…”. Ou ainda a poesia

“Novamente as discordâncias do eu

[o EU de facto e o eu lírico

Mas sigo em frente

Fazendo de ti um terceiro eu/…”


Em Edson Macedo que é um cronista de rádio e cinéfilo, encontramos escritos como


“Agosto. Há uns anos era o mês das grandiosas FAPLA. O exército angolano que conquistou respeito até do exército sul-africano. Até hoje ainda se lembram do Cuito Cuanavale.

Hoje por hoje o mês de Agosto é lembrado pelo nascimento de José Eduardo dos Santos (28), Jonas Savimbi e já agora minha filha Lízia Adrianne (3) e ainda Fidel Castro e minha filha Alana Keyla (13). No dia 28 completa mais um aniversário. Dos Santos, quer se queira quer não é sempre um estadista e com pinta e postura de Chefe de Estado. Por muito que se goste dele, ou não, estava a ser chato neste mês só se ouvir falar de Dos Santos através de actividades feitas mais na base da graxa do que da ovação. Agosto deste ano, remete para segundo plano o aniversário de Dos Santos e enaltece o desporto. O Basquete. O país. É verdade.

Apesar de vários entretantos, no dia 15 de Agosto (data de Malange… Alguém conhece Malange? Sabe o que é a sensualidade do cacimbo de Malange? Não? Então será noutro texto okay?), um dos árbitros vai lançar a bola e começa o Afrobasket´2007 o mesmo, ou o tal onde Angola já conquistou 8 taças. Oito de um ouro brilhantemente angolano e com características próprias. Porque ao som de bombas ganhamos, ao som de morteiros ganhamos e é lógico que ao som do semba havemos de ganhar…” .

Olhemos agora para a Serra. A http://www.serradachela.blogspot/com de Manuel Vieira que escreve:
“Jornalista?
Foi por estes dias que, há 35 anos, me ensinaram que se os jornalistas não vivem para servir aqueles que não têm voz, não servem para viver.

Como continuo a pensar que isso é verdade (cada vez mais verdade, tal é o crescente número dos que continuam sem voz), é caso para dizer que o que nasce direito… tarde ou nunca se entorta (também pode ser ao contrário).

Hoje, digo eu, os media estão cada vez mais superlotados de gente que apenas vive para se servir, utilizando para isso todos os estratagemas possíveis: jornalista assessor, assessor jornalista, jornalista cidadão, cidadão jornalista, jornalista político, político jornalista, jornalista sindicalista, sindicalista jornalista, jornalista lacaio, lacaio jornalista e por aí fora.

Ou ainda o texto jornalístico/analítico
“Integração regional político e económica: como tornar efectiva esta intenção?
Angola assume-se cada vez mais, como mentora de novas estratégias de segurança regional na comunidade de países da África austral, SADC. Uma política de boa vizinhança terá sido engendrada. Junto dos dois Congos, por exemplo, a situação está totalmente controlada. Angola também mantém boas relações com a Zâmbia e o Zimbabwe, apesar de politicamente haverem "nuvens negras" a pairarem sobre o relacionamento político- estratégico com a África do sul. Por outro lado, Angola assumiu recentemente a presidência do órgão responsável pela política, defesa e segurança regional da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral. Isto aconteceu numa Cimeira dos Chefes de Estado e de Governo da SADC, onde Angola se faz representar pelo próprio Presidente da República, José Eduardo dos Santos.

Se no capitulo da segurança estamos conversados, a integração regional parece conhecer momentos menos bons no âmbito social. O desenvolvimento dos países da região é nitidamente feito em "ilhas". Falar do nível de organização social da África do sul, da Namíbia e do Botswana é diferente de Angola e do Zimbabwe. Uma cimeira sobre a pobreza foi marcada para o próximo ano, mas nos dias que correm, há milhares de jovens que deambulam pelas ruas da amargura a espera de uma oportunidade de trabalho ou ter um pão para levar à boca”.

E há ainda as páginas emergentes e pouco conhecidas como a www.angodebates.blogspot.com, a do Zé Neto (http://blogdoz-neto.blogspot.com/), a do Paulo Julião (http://pjuliao.blogspot.com/), a da Ruth (http://http//akela-rmc.blogspot.com) e tantas outras que a seu tempo serão lidas com maior profundidade.

São estes e outros retalhos entre jornalismo e textos de análise e reflexões que nos oferecem os incansáveis bloggistas angolanos. Uma “turma” que quer crescer e levar informação a quem não a tem à mão.

Nem tão longe, nem tão próximo ainda dum jornalismo puro e informativo estamos perante reflexões importantes que os jornais nem sempre nos dão e pior ainda a rádio e a Tv. Portanto, informações úteis para consumo. Assim vamos, nós os blogguistas, entre o amadorismo e o jornalismo alternativo.

Soberano Canhanga



Pensar e Falar Angola

RITA GT em Viana do Castelo

https://youtube.com/shorts/qZkb4CfXTZQ?si=3K65JJEr5VQqsZZS Ao longo dos últimos dois anos tive a oportunidade de desenvolver “8”, uma obra d...