quinta-feira, 24 de julho de 2014
Ciclos - Fim de um
terça-feira, 11 de junho de 2013
7º ANO
7º ANO. Continua a valer a pena. Não só porque o que aqui se tem vindo a dar ao público, mas fundamentalmente por aquilo que são os arquivos deste blog. Manter-nos-emos por aqui.
Estamos Juntos!
Pensar e Falar Angola
quarta-feira, 4 de janeiro de 2012
Recreativo da Caála
Pensar e Falar Angola
segunda-feira, 16 de novembro de 2009
Angola Rural
De Angola se diz que a sua maior riqueza é o seu povo. E é verdade.
Na longa caminhada muitas vezes tortuosa e que tornou possível construir os caboucos desta nova nação, o mérito terá ser sempre atribuído ao seu povo ao longo de gerações.
Hoje ainda resistem resquícios desses tempos. Mas parece que se acorda para o inverter dessa situação. Um longo caminho nos espera.
Pensar e Falar Angola
terça-feira, 13 de outubro de 2009
Visitando blogs (14) - Hoje falo, para comer

sexta-feira, 25 de setembro de 2009
Visitando Blogs (13)
Sexta-feira, Setembro 25, 2009
O LEGADO DE NETO
Por MARTINHO JÚNIORSetembro está a ser um mês de conteúdos ricos para Angola, uma espécie de balanço que se faz da história, da cultura, da vida, tornando-se cada vez mais sensíveis as correntes filosóficas que os angolanos têm em presença, um pouco como vai acontecendo aliás em todo o mundo: quer queiram quer não é sempre um balanço geral, mesmo que as questões que se ponham sejam de cariz local.
Em Angola tem uma vantagem: tudo está a ser balanceado sem se perder de vista o filão de poesia feita dum misto de paixão, de entusiasmo, de esperança, de nacionalismo e de solidariedade, de quanta dádiva, desafiando a responsabilidade de cada um e a colectiva… quer queiram quer não e isso também por causa do legado de Neto!...
Dirão que perante a crise o que é humano é cada vez mais se levantarem as interrogações, filosofar, medir e balancear o que foi feito, o que se está a fazer, como foi feto, como é feito, como deve ser feito, quando e porquê…
Pouco a pouco em Angola as interrogações vão sendo colocadas (tem havido apesar de tudo alguma possibilidade nesse sentido) e entre elas também aquelas que se prendem ao estado, ao poder, às elites deste país, bem como em relação às tendências que se vão desenhando, as suas perspectivas, os seus enredos, os ciclos que se geram muitas das vezes com envolvências dentro e fora das fronteiras…
Alguns manifestam um elevado grau de consciência, sublinhando o respeito para com o movimento de libertação e, como estão vivos, o respeito para com o seu sentido histórico, que transparece no seu comportamento e na sua atitude, desde logo para consigo próprio, para depois se aprofundar para com a sociedade.
A esses preocupa fundamentalmente a situação humana, colocando o homem, o ambiente e a natureza na prioridade de todas as atenções, por isso cultivam a dignidade, são incorruptíveis, modestos e valem sempre e apenas pelo último acto que praticam em obediência à sua formação, à sua consciência.
Outros, não passam da afirmação da mentalidade corrente, aproveitando da lógica em vigor: uns são arrogantes, outros ostentam seu poder e riqueza, outros ainda escondem-se timidamente para melhor poder usufruir o que foi “conquistado” com compromissos de toda a ordem mesmo aqueles que obrigam a vender por vezes mãe e pátria; esses são os medíocres, mas são os que marcam a cadência dos tempos actuais… são as primeiras vítimas mentais do sistema “kuduru e cabeça mole”…
A esses, cada vez mais poderosos, preocupa fundamentalmente o dinheiro, o lucro, o poder, como garantir o exercício continuado dos privilégios alcançados por vezes a golpes de tanta vilania, a única coisa que realmente pretendem a prazo tão dilatado quanto o possível e por isso vão preparando o “the day after” para os filhos que se lhes seguirão.
Os grandes mestres dessa ordem, no momento em que todo o mundo a começar pelos Estados Unidos, começam a pedir contas aos banqueiros cuja filosofia feita cobiça ilimitada está a atirar a humanidade para o caos, atraem até alguns daqueles que se sentam no Bilderberg e noutros “think tank” da opressão, para se instalarem como os grandes salvadores da pátria de Agostinho Neto!
Em Luanda, por detrás de cada torre que se ergue, está quase sempre um banco que esconde as piores mazelas do mundo e pior de tudo, agarrado a cada um deles, estão as figuras que vão compondo pelo menos uma parte muito substantiva das novas elites!
Poderão alegar que há outras tendências para além dessa dicotomia, todavia a minha observação redunda da análise de duas lógicas: aqueles que são pelo capitalismo neo liberal (que detêm agora o controlo do estado), que tão bem usam as instituições como cobertura e os outros que optam pela alternativa, cada vez mais identificada com o legado de Neto, a maior parte deles já fora das instituições!
Os jornais de Setembro têm espelhado bem essa dicotomia que cada vez se vai tornando como o vento do sudoeste que transporta grátis o oxigénio que Luanda tanto precisa todas as tardes quando o sol aperta mais, cada vez mais presente, cada vez mais evidente.
Tenho antes de mais uma posição de reserva que não quero aqui deixar de referir, em relação a muitos desses jornais:
Quem está por detrás deles?
Quem os financia, quem os alimenta, que pressões não têm cada um deles de satisfazer, vindos de quem?
São justas essas minhas reservas, pois na esmagadora maioria das intervenções verifica-se que a lógica capitalista dominante nunca é posta em causa, quando eu sou pela coragem crítica que está na raiz da sempre possível alternativa.
Tudo isso acontece por que em Setembro avalia-se sempre, quer-se queira, quer não, o legado de António Agostinho Neto.
No “Novo Jornal” de 11 de Setembro, edição nº 86, a filha do primeiro Presidente de Angola Irene Neto, em “dossier”, aceitou responder a uma entrevista do jornalista António de Freitas sobre a vida e a obra do seu pai e também sobre si própria.
Para mim, houve uma pergunta chave que o jornalista colocou sobre seu pai e Irene Neto respondeu de forma cuidadosa, inteligente, sóbria e muito substantiva.
Teve a ousadia o jornalista de perguntar:
“Qual o legado de Neto que tanto se fala?
Existe esse legado?”
Vale a pena transcrever na íntegra a resposta madura de Irene Neto:
O legado de Agostinho Neto é a independência, a cidadania angolana, o MPLA, a libertação da África Austral, o não alinhamento e a importância norteadora de resolver os problemas do povo.
E a SONANGOL que foi criada por um despacho seu e que foi igualmente convertida em concessionária pela Lei das Actividades Petrolíferas, em 1978.
Sabia que as bases do que são hoje o boom e a pujança económica de Angola foram lançadas por ele?
O seu legado é também o seu exemplo de homem íntegro, honesto e defensor do seu povo.
A sua mestria política e diplomática priorizou as soluções políticas e por isso mesmo estavam em curso contactos com a África do Sul, com os Estados Unidos, com o Zaire e com a UNITA visando o fim da guerra e a pacificação do país e da África Austral.
O seu estilo independente e defensor dos interesses nacionais foi sempre reforçado com a sua qualidade moral e visão estratégica.
Nunca confundiu a ajuda com a subserviência e nunca aceitou ser um serviçal de nenhuma potência.
O seu legado não é de riquezas porque o seu trabalho e inteligência foram sempre para a luta.
O que era seu foi investido na luta.
Não acumulou patrimónios nem privatizou haveres e activos do estado para seu benefício ou para benefício de seus filhos.
Não retirou benefícios nem vantagens das suas funções e dos poderes que lhe estavam investidos.
O seu legado é acima de tudo o seu exemplo de vida que mostra a importância da educação e da personalidade íntegra”.
Sobre si própria foi logo a seguir:
“Você esteve no governo e é agora deputada.
Foi por influência do nome do seu pai?”
Irene Neto salvaguardou:
“Sou angolana e constitucionalmente tenho os mesmos direitos e obrigações que qualquer cidadão angolano.
Não aceito ser discriminada por ser filha de quem sou.
Tenho um capital humano que me torna capaz de fazer e conceber.
O nome do meu pai demanda de mim um desempenho moral e humano muito elevado.
Ter um pai como ele foi, encoraja a lutar pelo bem de todos e não apenas de um grupo de pessoas”.
Em muitos que seguiram a saga do movimento de libertação, o legado de Neto, para lá da profundidade de sua poesia, não está apenas escrito, mas está sobretudo inscrito: ele existe na memória e na consciência daqueles que lhe foram e são fieis, que lhe vão ser fieis até ao fim, como uma cumplicidade indelével que ata a vida rebelde e recusa a mentalidade do que em Angola quantas vezes se torna fácil, disponível, fútil, o que quantas vezes nutre a mentira continuada, passa como é óbvio sempre ao lado da busca da verdade.
Para isso os fieis tiveram e têm de passar por duras provas:
- Renunciar às riquezas, mesmo que elas lhes tivessem passado dezenas, centenas de vezes, pelas suas próprias mãos.
- Renunciar a uma carreira, por que foi sendo cada vez mais dado espaço aos venais do templo e era impedido o acesso aos honestos, aos modestos, aos inteligentes, aos empenhados por inteiro e sem outros compromissos que não luta pela pátria, pela independência, pela solidariedade, pelo internacionalismo, pelo aprofundamento da democracia, pelo povo angolano e não por grupos de pressão, muitos dos quais estiveram por detrás da opressão e são causadores dos imensos sacrifícios que foram vividos ao longo das últimas décadas…
- Renunciar à lógica que impuseram paulatinamente a partir de 1985, por que a vida fruía e a vida era a verdadeira lógica, a sua barricada, a sua resistência, mesmo que isso por vezes tenha posto em causa a sua própria sobrevivência ou a de sua própria família.
- Passar pelas prisões por via de condenações injustas, mesmo que por aí se jogasse o destino da sociedade e dum estado afinal a ser alterado a partir dos seus alicerces, foi o mesmo acidente de percurso que por várias vezes viveu António Agostinho Neto, que viveu Fidel… e a esses a história os absolverá…
Antes de 1985 a cultura foi o respeito escrupuloso pelo estado, pelo património público, pelo que era do povo angolano e era preciso desde logo honrar, honrando a vida.
Depois de 1985, passou tudo a ser cada vez mais susceptível de negócio, a começar o que existia à mercê nos próprios mecanismos de poder (as “transformações” operadas por dentro da segurança, do interior e das forças armadas acabaram por se tornar num óptimo ingrediente).
A passagem para mãos privadas de bens, equipamentos e património que era do estado foi de tal ordem que quando as gloriosas FAPLA foram dissolvidas, recorde-se aquele poderoso exército que fez frente ao “apartheid” e aos seus sequazes, pouco sobrou para as novas FAA e em muitos sectores teve-se que adquirir tudo de novo nos termos que tinham a ver já com a nova lógica (Pierre Falcone não aparece por acaso, “caído dos céus aos trambolhões”).
Os fieis, aqueles que acima de tudo assumiram a cultura do antes de 1985, são assim, devotados ao povo angolano, por inteiro e até ao fim, fazendo sua a aspiração de Neto, uma qualidade que tudo indicia também fruir em Irene Neto, para lá dos laços de sangue, no âmbito dos laços insuspeitáveis, sublimados pela via da memória, da constância, da perseverança e sobretudo da consciência.
Hoje em época de crise, pode-se até aceitar condescendentemente muita coisa, por exemplo:
- Aceitar o sacrifício dos mortos que pavimentaram o chão e nos conduziram à identidade independente, soberana…
- Aceitar o rejuvenescimento dum país em canteiro de obras, por que quantas e quantas vezes não será aberta pela primeira vez uma estrada, um estádio, uma ponte, uma escola, um posto sanitário, um fontanário de água potável, uma casa, quando para trás existe um vazio imenso…
- Aceitar o trabalho humilde de sol a sol numa Angola em reconstrução e em reconciliação, por que durante tantas décadas as armas foram empunhadas, quando era cada vez mais premente empunhar a enxada, a ferramenta, conduzir o tractor…
- Será contudo justo aceitar desvarios, como as ilhas artificiais, os monumentos megalómanos, a urbanização visionária guardada nos segredos dos gabinetes quando necessário seria mobilizar tanta gente, gente do nosso povo, para a sua realização, aceitar a rotura “inexplicável” dos orçamentos?…
- Será justo manter “parcerias público – privadas” de cada vez mais duvidosa pureza, com programas opacos inibindo qualquer tipo e transparência e cada vez mais duvidoso sentido de oportunidade, como aqueles que se têm gerado a partir da SONANGOL?
- Será justo aceitar os cada vez maiores e mais evidentes desequilíbrios sociais, aceitar a corrupção, as cumplicidades, as venalidades, a ostentação, o que é feito na sombra quando se esconde da mão esquerda o que é feito com a mão direita?…
- É admissível assistir-se cada vez mais às “parcerias” daqueles que durante tantos anos instigaram Savimbi (é só fazer a leitura atenta dos “Jogos Africanos” de Jaime Nogueira Pinto) e agora estão empenhados em trazer cada vez mais desequilíbrios e injustiças sociais para o povo angolano, pela mão de alguns dos mais responsáveis do próprio aparelho de estado?
- É admissível a mentira continuada, o esvaziar das instituições aprontando-as para os negócios e só para os negócios, por vezes embrulhando as acções mais torpes no cativante papel celofane que advém do próprio movimento de libertação?
Nunca se poderá aceitar que o homem e a natureza deixem de merecer aquela prioridade que teve sempre no pensamento e acção de Agostinho Neto, o que deixou de ter aplicado desde que o capitalismo neo liberal foi sendo lenta mas inexoravelmente imposto tirando partido das manipulações injectadas gradualmente, inclusive pela via das sucessivas negociações, a partir de 1985.
Os banqueiros e todos os que lhes são subservientes no poder, não comandam a vida, em muitos casos comandam sobretudo a morte!...
Para os fieis não há “jogos africanos”, há povo angolano e povos africanos por inteiro!
Por isso muitos desses fieis, neste mês de Setembro que é um mês de poetas e também um mês para lá dos poetas, fazem ainda sua a muito legítima “aspiração” afinal tão bem inscrita no legado de Neto e tão oportuna para os tempos que correm:
Aspiração
Ainda o meu canto dolente
terça-feira, 7 de julho de 2009
Música angolana em Portugal nos anos 60 – Continuação.
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Segunda-feira, 6 de Julho de 2009
Música angolana em Portugal nos anos 60 - continuação
Relativamente ao meu artigo anterior, fiquei profundamente desiludido com o facto de não ter encontrado uma gravação em video que fizesse minimamente justiça à memória da falecida cantora angolana Lilly Tchiumba. A minha afirmação, segundo a qual Lilly Tchiumba foi a mais autêntica de todas as vozes angolanas que se radicaram em Portugal na década de 60, não podia ser ilustrada por uma apagadíssima interpretação de uma medíocre cançoneta, que nem sequer respeitava a Angola nem nada. Era urgente que eu encontrasse algo que pudesse justificar a minha afirmação.
Procurei, voltei a procurar e continuei a não encontrar nenhuma gravação em video. Mas encontrei várias gravações em áudio, o que já não é mau. Nada mau mesmo. Assim, volto a pedir licença ao nosso amigo Toke para voltar a este assunto e dar a ouvir um pouco da verdadeira Lilly Tchiumba, tal e qual como ela cantava perante as câmaras da RTP, na década de 60 e princípios da de 70, sem ser em festivais da canção, bem entendido.
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Encontrei esta e outras canções nesta página:
http://www.esnips.com/_t_/lilly.tchiumba.
Não hesitem em escutar as outras canções que estão nela. Vale a pena ouvir Lilly Tchiumba.
Antes de terminar, quero ainda corrigir uma injustiça que cometi no meu anterior artigo. Esta injustiça diz respeito ao Duo Ouro Negro. Raul e Milo merecem muito mais do que a ligeiríssima referência que me limitei a fazer-lhes. A qualidade da sua música exige que eu também lhes dê o devido destaque. De entre todos os músicos angolanos, eles foram aqueles que tiveram maior êxito em Portugal, em qualquer momento. E não foi por acaso. A sua dignidade e o seu profissionalismo honraram sobremaneira Angola e os angolanos. É importante que isto seja dito.
Duo Ouro Negro em "Kurikutela", o comboio do Caminho de Ferro de Benguela
(Colocado por Denudado)
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Pensar e Falar Angola
sábado, 4 de julho de 2009
Música angolana em Portugal nos anos 60
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Sábado, 4 de Julho de 2009
Música angolana em Portugal nos anos 60
Foi um acontecimento histórico a actuação do conjunto angolano Ngola Ritmos (com Lourdes van Dunem na qualidade de vocalista) no único canal de televisão que havia em Portugal no já longínquo ano de 1964. Foi de tal modo histórico, que há em Portugal pessoas que ainda se recordam dessa actuação e do agrado que ela então lhes provocou.
Diversos cantores e grupos musicais angolanos vieram nesse tempo fixar-se em Portugal, com o fim de dar continuação às suas carreiras iniciadas em Angola. Ainda que fosse muito limitado, o meio musical português era, apesar de tudo, mais amplo do que o da Angola colonial de então. Assim, em busca de um maior êxito para as suas vidas, demandaram a capital portuguesa artistas como Sara Chaves, Eleutério Sanches, Trio Ouro Negro (que logo a seguir passou a duo) e outros mais. Quase todos estes artistas trouxeram consigo uma música de raiz angolana, sem dúvida, mas que eles mais ou menos adaptaram aos gostos e convenções então prevalecentes em Portugal e na Europa em geral, a fim de a tornarem aceite pelo seu novo público.
Talvez porque não tencionassem fazer carreira na metrópole colonial, os Ngola Ritmos fizeram precisamente o contrário. Na sua memorável viagem a Portugal, eles procuraram dar a conhecer ao público português a mais genuína música popular angolana, que eles faziam tão próxima quanto possível das suas raízes. Ao mesmo tempo, interpretaram canções portuguesas em jeito de semba, com resultados surprendentemente bons. A canção popular portuguesa "Margarida vai à fonte" foi uma delas.
Portanto, enquanto artistas angolanos radicados em Portugal aportuguesaram e europeizaram a música angolana, os Ngola Ritmos angolanizaram a música portuguesa... Excepção a esta regra foi a cantora Lilly Tchiumba, que sempre interpretou música angolana no pleno respeito pelas raízes desta. Depois que os Ngola Ritmos e Lourdes van Dunem regressaram a Angola, Lilly Tchiumba ficou sendo a voz mais genuína de Angola que se podia ouvir em Portugal. Cantou múltiplas vezes perante as câmaras da RTP, sempre com inteiro agrado do público. Alguns anos mais tarde, outras vozes se juntaram à sua, nomeadamente as de Rui Mingas e Bonga.
Lourdes van Dunem e o conjunto Ngola Ritmos em "Manazinha", uma peça do Carnaval de Luanda
Lourdes van Dunem e o conjunto Ngola Ritmos em "Mon'ami"
Depois do que escrevi sobre Lilly Tchiumba, seria de esperar que aqui aparecesse um video que a mostrasse cantando música angolana. Para minha grande estranheza, porém, não encontrei um tal video! Como escrevi acima, a Lilly cantou múltiplas vezes na televisão portuguesa. Com toda a certeza que haverá nos arquivos da RTP pelo menos uma gravação (uma só que seja!) em que ela interprete música angolana. Será possível que nenhuma delas tenha sido posta na Internet?! Na única gravação que encontrei dela, a Lilly Tchiumba canta uma musiquinha sem qualquer ponta de interesse, e que de angolana não tem absolutamente nada, num festival RTP da canção... Oh, sorte malvada!
Hesitei muito, mas acabei por decidir colocar aqui a referida gravação, apenas para mostrar como eram a cara e a voz da saudosa Lilly Tchiumba. Peço-lhes, por favor, que não se deixem influenciar pela gravação. Apesar do que nela se ouve, a verdade é que Lilly Tchiumba foi mesmo a voz angolana mais autêntica que cantou em Portugal na década de 60, à excepção de Lourdes van Dunem, é claro.
(Colocado por Denudado)
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Pensar e Falar Angola
segunda-feira, 8 de junho de 2009
sábado, 6 de dezembro de 2008
Visitando Blogs (11)
Hoje, quase nos cai no colo uma preciosidade:
não só pela ideia como também pela funcionalidade.
Bem haja!
Pensar e Falar Angola
quarta-feira, 25 de junho de 2008
A FLIP, ONDJAKI E EU


“escrevo porque tenho estórias para contar.”
http://floresta-do-sul.blogspot.com/2007/04/entrevista-ondjaki.html
segunda-feira, 28 de abril de 2008
Visitando Blogs (10)
Cláudio Tomás
Luanda, Angola, Lisboa, Portugal
Sociólogo
Pensar e Falar Angola
domingo, 27 de janeiro de 2008
Afrikya - Encruzilhadas de um continente

No entanto o Afrikya vem de longe, com a dupla Luzía Fanconny e António dos Santos, o continente africano é prescrutado sonoramente através das suas musicalidades, dos seus pensadores, sempre a passo com a premência da actualidade que um continente desta dimensão não deixa de urgir.
Carregue aqui para visitar o novo blogue e ouvir a emissão em excelente "streaming" mpeg, ou para fazer o "download" em mp3 de excelente qualidade.

Carregue aqui para copiar o código deste "player" e inserí-lo no seu blogue ou página de internet.
Pensar e Falar Angola
terça-feira, 8 de janeiro de 2008
Visitando blogs (9) - Entre o Leninismo e o Sobalismo
Não é preciso conhecer a etimologia da palavra juventude pra chegar-se á conclusão de que essa palavra tem sido alvo de uma interpretação abusiva muito aquém do seu real sentido e alcance...
quinta-feira, 15 de novembro de 2007
Visitando blogs (8) - Destinus

Em Angola existem dezenas de tribos e dialectos, e apesar da guerra ter originado muitas movimentações e descaracterização, existem tribos que nunca abandonaram os seus territórios. No Sul o caso é típico.
Os Mucubais vivem no deserto do Namibe e Serra da Chela. Na Huíla habitam os Mumuilas e os Nhanheca Humbe. No Cunene podemos encontrar os Cuanhama.
Muitos dos costumes e organização social são idênticos. O Soba é o chefe, uma espécie de patriarca, juiz e representante junto das entidades oficiais.
Os MucubaisSão um povo um pouco misterioso. A sua grande riqueza são os bois, e com eles um homem pode ter quantas mulheres quiser. Vivem em harmonia umas com as outras e são elas que trabalham nos campos e têm o máximo número de filhos para pastarem o gado.
Os homens limitam-se à gestão do trabalho e ao prazer. Andam semi-nus e cobrem-se apenas com peles e panos típicos e coloridos, não dispensando a catana. São capazes de percorrer dezenas de quilómetros num só dia e vivem muito isolados e pouco expostos.Cada Mucubal dispõe de um kimbo (várias cubatas dispostas em círculo) onde reúne todas as mulheres e família.
Pouco sociais, não se fundem com outras raças, afiam os dentes e recusam-se a ir à escola.
Não são de muita confiança (avisaram-me para ter cuidado com os Mucubais) e são conhecidos por roubar gado às tribos em seu redor.
Desde a guerra de 1939, em que os portugueses os derrotaram e confinaram ao seu actual território, que ficaram com um certo rancor aos brancos.
Clique em Ler mais...
Com a independência, alistaram-se no exército, para depois desertarem levando as armas. Foram os Mucubais que em 1975 impediram os sul-africanos de avançar no território em direcção ao Namibe. Desconhecendo o que se passava no resto de Angola, apresentaram-se a Agostinho Neto reivindicado o facto de terem ganho a guerra e implantaram uma “portagem” para atravessarem o seu território. O MPLA não deu a devida atenção a este facto, e o certo é que as relações entre este povo e o governo ainda hoje não estão normalizadas.
Tal como em muitas outras tribos, os herdeiros de um Mucubal não são os filhos, mas sim os sobrinhos, filhos da irmã. Assim têm a certeza de que os herdeiros são do mesmo sangue.
Apesar da poligamia ser usual, não é permitido o adultério. Este crime é punível com o pagamento de vários bois ao queixoso. Contaram-me que quando chega a época das chuvas, e um Mucubal não dispõe de bois suficientes para arar as terras, induz uma das suas mulheres a seduzir um vizinho rico, com o fito de que este seja apanhado em adultério e tenha de o retribuir com o pagamento em bois. Espertos, não?
Um certo general de origem Mucubal, cada vez que visitava o seu povo, era forçado a desfardar-se antes de entrar no seu kimbo e vestir os trajes típicos.

Muitas outras tribos existem em Angola e milhares em todo o continente africano. A sua vivência em estado que nós europeus consideramos primitivo, está impregnada de um espírito muito próprio e interiorizado pelos indígenas. A lógica das coisas é itinerante e muda conforme o local onde nos encontramos.
África não é para se perceber ou entender. É para se sentir e viver!!!
Pensar e Falar Angola
sábado, 20 de outubro de 2007
Visitando blogs (7) - Jindungo Puro
Angola “entra no sangue, talvez mais fundo ainda."
Três semanas após o regresso, acho que faz sentido pôr em ordem o jindungo puro…
- a trovoada e o fogo no regresso de Musselege,
- a Maria e a mãe, a Professora Isabel,
- o arrepio que senti com o hino de Angola cantado pelas crianças no Lombe,
- o carinho do Director Escolar do Lombe,
- o interesse, a vontade e a partilha durante as formações,
- a alegre loucura da viagem para Malange no cockpit do avião,
- os saltos e balanços das viagens de jipe para o Lombe,
- o cabrité, as laranjas e as bananas no caminho para o trabalho,
- a festa de noivado da sobrinha da FF,
- a FF, o Bola de Neve, o Sérgio, o Cambuta, o Dinho...,
- o banho de caneca, o pão quente, as imagens e as fotografias no Quela,
- o churrasco em Kalandula,
- as quedas de Kalandula (onde tudo parece simples e possível),
- as EKAs,
- a entrada e saída das meninas em visita ao senhor N. na Casa de Passagem (eheh),
- a caça ao mosquito em Luanda,
- o repelente todas as noites,
- a viagem de jipe para o Quela,
- o sentir-me mais “eu” do que alguma vez me senti,
- a cumplicidade, as conversas e as gargalhadas,
- a mala da roupa da Gi (parecia uma cartola de mágico, saía sempre de lá alguma coisa...),
- a depilação da Gi,
- o “rrroder!” todas as manhãs,
- Ngazakele Catarina! Ngazakele Gisela! Ngazakele Rui!
- “Domingar”,
- a viagem para Luanda com o Sérgio Godinho,
- os sentimentos de aventura, de liberdade e de pertença,
- e tudo o mais que Angola me deu, que "entra no sangue, talvez mais fundo ainda".

Pensar e Falar Angola
domingo, 14 de outubro de 2007
Visitando blogs (6)
BLOGGUISMO ANGOLANO: AMADORISMO OU JORNALISMO?
Consultando o blogguer encontramos cerca de 1200 blogs domiciliados em Angola, de angolanos no estrangeiro e doutros que se apresentam como tal. Vasculhados um a um notamos que o número não é tão grande assim.E se procurarmos por nomes conhecidos vemos que são pouquíssimos os detentores de páginas na web. Raríssimos ainda aqueles que escrevem coisas.
O movimento bloggista que na Europa e América até estremece as vendas de grandes jornais, dado o seu carácter digital, rápido e sem preço (há os que já publicitam), é em Angola algo muito novo.
O Cibernauta atento encontra páginas como a do Manuel Vieira que escreve o www.serradachela.blogspot.com, onde se publica um pouco de tudo, como sejam, ensaios, actualidade informativa, reflexões, etc..
Temos as páginas do Soberano Canhanga http://www.olhoatento.blogspot.com/, onde escreve a título de exemplo
CLIQUE EM LER MAIS PARA LER ESTE POST
NUVEM DE ESTRELAS
Por "compaixão" da Manú, cansada, talvez, de me ver a vegetar pelos corredores do alojamento , fui ao Luari (5/08/07) para a primeira edição em Saurimo da "Nuvem de estrelas".
Com certeza que o nome é muito mais atraente. "Chuva de estrelas", concurso cujo vencedor tem direito à participação noutro concurso de índole nacional, organizado pela LAC e TPA. Matias Damasio, Yolas, Beto Dias, Bruna Tatiana Lawilka, entre outros nomes da nossa e doutras praças musicais foram bem ou mal imitados. Casada com a feia esteve a moda cujo destaque foi mesmo a passagem de uma menorzinha nos seus 6 anos.
Já lá se foi o cenas angolanas, inicialmente distribuído via e-mail aos jornalistas amigos, tendo sido transformado depois em Blog, mas de pouca dura, devido às criticas e ataques que lhe eram feitos por pessoas citadas/visadas.
Fora do Jornalismo e dos blogs que me são familiares, encontro o Don't give up da economista e professora Ana Mathaya. Trata-se de uma página onde se escreve da infância à docência universitária, mas sem conter textos jornalísticos.
Em Don’t give up encontramos textos como “Amanheceu Segunda Feriado, como muitos Luandenses madruguei na luta pelo "comburente" Galp, Marginal, Rádio e finalmente a longa fila do 1º de Maio, que também denominaram de Praça da Paz. Quem eu encontrei? Agostinho Neto, firme imponente. Tentei a duras penas ler-lhe as feições do rosto na ânsia de descobrir se o Poeta, o politico ou o médico humanista: tudo nele se confunde.
Lembrei-me então de ontem a noite: Três gerações - a de meu Pai, a minha, e a depois de mim - reuniram-se na sala lá de casa, todos em torno do tão esperado feriadão. Se aos últimos a data quase nada dizia, aos da geração de meu pai e aos da minha, era sinónimo de nostalgia! Meu pai lembrou nostálgico aquele 22 de Agosto, quando nossa cidade natal foi palco do último discurso do agora "Guia Imortal": "tem kizak 'aí??" perguntara o líder levando o povo ao delírio, fazia-se já sentir a pouca intensidade da voz do líder; minutos depois, Maria Eugenia lhe passara um bilhetinho. Desculpou-se então por não poder fazer um discurso mais longo: "minha voz não esta boa". Quase 20 dias depois o país vestiu-se de preto e as lágrimas rolaram inconsoláveis, a nós que éramos criancinhas…”. Ou ainda a poesia
“Novamente as discordâncias do eu
[o EU de facto e o eu lírico
Mas sigo em frente
Fazendo de ti um terceiro eu/…”
Em Edson Macedo que é um cronista de rádio e cinéfilo, encontramos escritos como
“Agosto. Há uns anos era o mês das grandiosas FAPLA. O exército angolano que conquistou respeito até do exército sul-africano. Até hoje ainda se lembram do Cuito Cuanavale.
Hoje por hoje o mês de Agosto é lembrado pelo nascimento de José Eduardo dos Santos (28), Jonas Savimbi e já agora minha filha Lízia Adrianne (3) e ainda Fidel Castro e minha filha Alana Keyla (13). No dia 28 completa mais um aniversário. Dos Santos, quer se queira quer não é sempre um estadista e com pinta e postura de Chefe de Estado. Por muito que se goste dele, ou não, estava a ser chato neste mês só se ouvir falar de Dos Santos através de actividades feitas mais na base da graxa do que da ovação. Agosto deste ano, remete para segundo plano o aniversário de Dos Santos e enaltece o desporto. O Basquete. O país. É verdade.
Apesar de vários entretantos, no dia 15 de Agosto (data de Malange… Alguém conhece Malange? Sabe o que é a sensualidade do cacimbo de Malange? Não? Então será noutro texto okay?), um dos árbitros vai lançar a bola e começa o Afrobasket´2007 o mesmo, ou o tal onde Angola já conquistou 8 taças. Oito de um ouro brilhantemente angolano e com características próprias. Porque ao som de bombas ganhamos, ao som de morteiros ganhamos e é lógico que ao som do semba havemos de ganhar…” .
Olhemos agora para a Serra. A http://www.serradachela.blogspot/com de Manuel Vieira que escreve:
“Jornalista?
Foi por estes dias que, há 35 anos, me ensinaram que se os jornalistas não vivem para servir aqueles que não têm voz, não servem para viver.
Como continuo a pensar que isso é verdade (cada vez mais verdade, tal é o crescente número dos que continuam sem voz), é caso para dizer que o que nasce direito… tarde ou nunca se entorta (também pode ser ao contrário).
Hoje, digo eu, os media estão cada vez mais superlotados de gente que apenas vive para se servir, utilizando para isso todos os estratagemas possíveis: jornalista assessor, assessor jornalista, jornalista cidadão, cidadão jornalista, jornalista político, político jornalista, jornalista sindicalista, sindicalista jornalista, jornalista lacaio, lacaio jornalista e por aí fora.
Ou ainda o texto jornalístico/analítico
“Integração regional político e económica: como tornar efectiva esta intenção?
Angola assume-se cada vez mais, como mentora de novas estratégias de segurança regional na comunidade de países da África austral, SADC. Uma política de boa vizinhança terá sido engendrada. Junto dos dois Congos, por exemplo, a situação está totalmente controlada. Angola também mantém boas relações com a Zâmbia e o Zimbabwe, apesar de politicamente haverem "nuvens negras" a pairarem sobre o relacionamento político- estratégico com a África do sul. Por outro lado, Angola assumiu recentemente a presidência do órgão responsável pela política, defesa e segurança regional da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral. Isto aconteceu numa Cimeira dos Chefes de Estado e de Governo da SADC, onde Angola se faz representar pelo próprio Presidente da República, José Eduardo dos Santos.
Se no capitulo da segurança estamos conversados, a integração regional parece conhecer momentos menos bons no âmbito social. O desenvolvimento dos países da região é nitidamente feito em "ilhas". Falar do nível de organização social da África do sul, da Namíbia e do Botswana é diferente de Angola e do Zimbabwe. Uma cimeira sobre a pobreza foi marcada para o próximo ano, mas nos dias que correm, há milhares de jovens que deambulam pelas ruas da amargura a espera de uma oportunidade de trabalho ou ter um pão para levar à boca”.
E há ainda as páginas emergentes e pouco conhecidas como a www.angodebates.blogspot.com, a do Zé Neto (http://blogdoz-neto.blogspot.com/), a do Paulo Julião (http://pjuliao.blogspot.com/), a da Ruth (http://http//akela-rmc.blogspot.com) e tantas outras que a seu tempo serão lidas com maior profundidade.
São estes e outros retalhos entre jornalismo e textos de análise e reflexões que nos oferecem os incansáveis bloggistas angolanos. Uma “turma” que quer crescer e levar informação a quem não a tem à mão.
Nem tão longe, nem tão próximo ainda dum jornalismo puro e informativo estamos perante reflexões importantes que os jornais nem sempre nos dão e pior ainda a rádio e a Tv. Portanto, informações úteis para consumo. Assim vamos, nós os blogguistas, entre o amadorismo e o jornalismo alternativo.
Soberano Canhanga
Pensar e Falar Angola
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