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quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Recreativo do Libolo e a Taça de Angola

O Recreativo do Libolo tenta na sexta-feira conquistar a Taça de Angola de futebol, na final que disputa frente ao Progresso do Sambizanga, depois de falhado o objectivo de vencer o Girabola.
A 14.ª final da competição está agendada para às 16h de 11 de Novembro, feriado nacional que assinala os 41 anos da independência do país e acontece poucos dias depois de terminado o campeonato de futebol da primeira divisão, em que o Recreativo do Libolo terminou em terceiro lugar, atrás do Petro de Luanda e do novo campeão, o 1.º de Agosto.
Apesar de falhar a reconquista do título (2014 e 2015), o treinador da equipa, João Paulo Costa, recusa ver a presente época como um falhanço, e ainda com a final da taça para disputar.
“Falarmos em fracasso, acho que é demasiado pesado para aquilo que é o nosso contexto actual, para o carácter dos jogadores que ficaram. Foi isso que fizemos todos e, logicamente, não estamos satisfeitos, porque o objectivo que tínhamos era sermos campeões. Mas não foi tão negativo quanto isso, atendendo ao contexto”, explicou o treinador do Libolo.
Em causa estão as várias lesões e saídas de jogadores do plantel durante a época de 2016, situação que o técnico português admite preocupar igualmente para a final de sexta-feira, com pelo menos quatro jogadores em risco, com lesões contraídas na última jornada do Girabola.
“Todos os jogos onde o Libolo entra é para vencer, este terá a particularidade de ser um jogo único e está em causa um troféu. A nossa determinação será máxima, tentando alcançar um título que também ambicionamos, apesar de todas as contrariedades que a equipa tem vindo a viver”, reconheceu João Paulo Costa, que treina desde meados de 2015 a equipa de Calulo, no Cuanza Sul.
O Libolo já venceu esta época a Supertaça de Angola.
Do lado do Progresso do Sambizanga, a equipa de um dos bairros históricos de Luanda vai jogar praticamente em casa, tendo em conta que a final é disputada no estádio dos Coqueiros, no centro da capital angolana.
A equipa do sambila terminou o campeonato no oitavo lugar e ainda tem presente a vitória por 1-0, em casa, a 16 de Outubro, sobre o Libolo. Derrota que na altura, já na recta final do Girabola, representou o início do fim do sonho do tri-campeonato para a formação de Calulo.
A edição de 2015 da Taça de Angola foi conquistada pelo Bravos do Maquis, na final disputada em Luanda frente ao Sagrada Esperança.


Pensar e Falar Angola

sábado, 20 de junho de 2015

A prova vai realizar-se de 20 a 28 de junho em La Roche Sur Yon (França).

 
 Pedro Watanga, Hugo Garcia e Francisco Veludo (Guarda-redes), João Pinto, André Centeno, Martin Payero, Filipe Bernardino, João Vieira “ Joje”, Humberto Mendes “ Big”, Márcio Fernandes e Anderson Silva Neri.
 


http://desporto.sapo.pt/hoquei/angola/artigo/2015/06/20/angola-com-quatro-estreias-no-mundial-de-franca



Pensar e Falar Angola

MUNDIAL DE HOQUEI EM PATINS 2015

http://desporto.sapo.pt/hoquei/artigo/2015/06/18/hoquei-em-patins-os-convocados-de-angola-para-o-mundial-de-hoquei-em-patins



Grupo A:
Espanha, França, Angola, e 3º colocado da Copa B
Grupo B:
Argentina, Moçambique, Suíça, e 2º colocado da Copa B
Grupo C:
Portugal, Brasil, Alemanha, e 1º colocado da Copa B
Grupo D:
Chile, Itália, África do Sul e Colômbia


Pensar e Falar Angola

domingo, 7 de julho de 2013

Hóquei em patins: Mundia 2013 ANGOLA

Hóquei em patins Mundia l2013 ANGOLA

A competição mundial realizar-se-á pela primeira vez em África e será disputada em Luanda e Namibe.

Luanda - O 41º campeonato do Mundo sénior masculino de hóquei em patins Setembro de 2013.




Pensar e Falar Angola

quinta-feira, 30 de maio de 2013

Obras da Arena Álvaro Ascenso estão na fase de conclusão



Obras da Arena Álvaro Ascenso estão na fase de conclusão
Fotografia: Jornal dos Desportos
A Arena do Namibe, vai acolher uma das séries do campeonato do mundo de hóquei em patins, a realizar-se de 20 a 28 de Setembro, vai chamar-se Álvaro Ascenso, depois do apuramento das três propostas finalistas, das 20 recebidas. O júri do concurso público nacional para o nome e logótipo do pavilhão, constituído por membros da Comissão provincial preparatória do mundial, decidiu atribuir o nome do maior massificador do hóquei em patins nas terras do Namibe.


O Comité organizador do campeonato do mundo vai fazer o pronunciamento oficial nos próximos dias, depois do regresso do presidente da Comissão Executiva, Carlos Alberto Jaime “Calabeto”, que se encontra na Europa, em missão de trabalho junto do Comité Internacional de Rinck Hockey.

ORGANIZAÇÃO
A realização do campeonato do mundo de hóquei em patins no Namibe “é uma oportunidade de relaçamento da modalidade que no passado atingiu pontos altos com Atlético de Moçâmedes, Sporting e Benfica. A constatação é do Administrador do município da Bibala, António Mussungo.
O antigo director provincial dos Desportos do Namibe, António Mussungo, disse que a província vai ganhar muito com a realização do mundial, uma vez que, para além de relançar o hóquei em patins, que andava adormecido, é um grande incentivo para o desenvolvimento e massificação em toda a extensão da província.

“Vamos ganhar um pavilhão polidesportivo com os requisitos internacionais para a prática do hóquei em patins e outras modalidades de sala, que vai incentivar à prática de diferentes modalidades”, disse.
Mussungo assegura que “com a construção de campos polivalentes nas escolas e com apoios é possível desenvolver mais hóquei em patins, começando pela massificação”.

Quanto aos ligeiros atrasos na construção das infra-estruturas hoteleiras, bem como na cobertura dos campos de apoio e publicidade do certame, o Administrador municipal disse que não vão atrapalhar a organização do certame, porquanto as novas tecnologias permitem terminar em pouco tempo tudo que tem de ser feito.

“Estou convencido que todas as exigências vão ser cumpridas à tempo; temos os exemplos Afrobasket e o CAN de futebol, competições que muitos não acreditavam, mas felizmente as coisas correm bem”, disse.
Mussungo reforça que acredita na capacidade dos homens que trabalham em prol do sucesso da competição, “porque se não fosse assim a própria organização já teria retirado o mundial da província do Namibe”.

Questionado sobre o nome a atribuir a Arena do Namibe, Pedro Mussungo não pestanejou: Álvaro Ascenso. O antigo responsável do Desporto local justificou que Álvaro Ascenso foi daqueles naturalistas que abraçou o hóquei em patins com alma e coração; formou homens que hoje trabalham para a modalidade; tem história na província e no país.


SELECÇÃO NACIONAL
Lobitangas estão expectantes 

A realização do 41º Campeonato Mundial de hóquei em patins que o nosso país organiza de 20 a 28 de Setembro próximo gera grandes expectativas na sociedade lobitanga, que acredita no sucesso da equipa nacional.
O director municipal da Juventude e Desportos do Lobito, Alberto Ngongo, é um dos que esperam por uma campanha airosa do “cinco” nacional. O responsável vacticina por uma melhor classificação de sempre. 
“Tenho acompanhado o evoluir da nossa selecção e tudo aponta que vai fazer uma boa figura na prova, podendo atingir lugares cimeiros (…)”, augurou. 

O facto de ser um angolano a liderar os destinos do combinado nacional no mundial de patinagem constitui para o professor Alberto Ngongo um ganho que o país se deve regozijar. O dirigente espera que a selecção nacional consiga êxitos e, com isso, saia a ganhar o hóquei angolano e, acima de tudo, valorizado o quadro nacional.

“O professor Orlando da Graça tem sabido honrar a qualidade dos técnicos angolanos. Em pouco tempo que está no comando da equipa técnica superou muitos estrangeiros que por nosso país passaram. Espero que continue assim e que na prova protagonize conquistas e consiga colocar o nosso país no lugar de honra; pois, merece tal feito”, comentou.

A selecção nacional, 11º classificado no mundial passado, almeja atingir os cinco primeiros lugares do certame. Para tal, terá de superar na fase regular as selecções de Portugal, do Chile e da África do Sul, confinadas na série C.  
JÚLIO GAIANO, NO LOBITO


EFEITOS DO MUNDIAL
Massificação 
chega à Bibala


O município da Bibala projecta masificar o hóquei em patins, no âmbito da realização do Campeonato do Mundo na província do Namibe. A construção de um pavilhão multiuso vai permitir o desenvolvimento da modalidade e outras de sala segundo o administrador local, Pedro Mussungo.
“Pretendemos relançar as modalidades de sala na província numa primeira fase com a massificação, uma vez que consta do nosso programa de governação a construção de campo polidesportivo que vai permitir a reunião de jovens, principalmente, os estudantes”, disse.

O Administrador municipal justificou que “a inserção de jovens na prática do desporto vai permitir que se afastem das acções menos boas e contribuir para o seu bem-estar físico e mental”.

Dentro do projecto da Administração municipal de Bibala consta a construção de um campo de futebol onze, por ser a modalidade mais praticada neste momento na localidade. O governante ressaltou que o campo de futebol vai ser apetrechado de meios para servir também o desenvolvimento do atletismo, um desporto que conta com grande potencialidade na região.
O projecto da Administração, de acordo com Pedro Mussungo, visa inscrever o nome do município na senda desportiva da província da Huíla.


MERCHANDISING
Huíla pede mais publicidade 

O presidente de direcção da Associação de Patinagem da Huíla, Hernâni Santos, assegurou ter recepcionado algum material para publicidade do 41º campeonato do mundo de hóquei em patins que vai ser disputado de 20 a 28 de Setembro, pela primeira vez no continente africano, nas cidades de Luanda e do Namibe. 
Hernâni Santos explicou que a Associação recebeu algumas camisolas e bonés em poucas quantidades, que já serve para efectuar alguma divulgação do certame, sobretudo, durante os torneios disputados com formações locais. 

“Recebemos o material de merchandising para publicitar do mundial não em quantidades pretendidas, mas já serve para fazer qualquer coisa. A qualquer momento, aguardamos o reforço desse material, para que a Huíla faça também a sua parte, dando o seu contributo na divulgação e publicidade do campeonato mundial de hóquei em patins”, revelou.

Hernâni Santos disse que tem feitos contactos junto da Federação Angolana de Patinagem e com o Comité organizativo do evento. O dirigente ressaltou que brevemente vai receber outros tipos de material de merchandising como chapéus, esferográficas e outros objectos para que a província da Huíla possa participar na grande festa dos patins. 
GAUDÊNCIO HAMELAY, NO LUBANGO 


TORNEIO MEXER
Banca conquista 
primeira edição  

A equipa do Grupo Desportivo da Banca conquistou na quinta-feira, em Luanda, a primeira edição do Torneio Mexer de hóquei em patins em juvenis, ao derrotar hoje na final o 1º de Agosto, por 12-8, na quadra de jogos do CDUA. Os bancários venciam ao intervalo (4-1) os militares. A partida serviu mais para recreação dos jogadores das duas formações. Os resultados da prova, disputada em três dias, não estiveram em causa, mas sim a interacção entre si com respeito às regras de arbitragem. Para as classificativas do terceiro lugar, o Petro de Luanda derrotou o Hóquei 2000 por 4-1.

Além dos troféus oferecidos às quatro equipas, a Associação Amigos do Bem e da Paz entregou brindes e uma mochila com material académico para cada jogador e treinador. A prova, organizada pelo 1º de Agosto, serviu para aproveitar o período de pausa escolar e ausência de competições oficiais, bem como proporcionar aos jovens patinadores espaço de convívio e troca de experiência entre os departamentos dos clubes.


EXEMPLO
Iniciativa militar
satisfaz os clubes 

A iniciativa do clube 1º de Agosto de realizar o primeiro torneio quadrangular de hóquei em patins em juvenil masculino foi destacada quinta-feira, no encerramento, pelas crianças participantes, que solicitaram a outras instituições a realização de eventos semelhantes. Falando à Angop, no final da competição, disputada em três dias no campo do CDUA, o treinador do Petro de Luanda, Mungongo Albino “Magalhães”, disse que a iniciativa do 1º de Agosto de reunir crianças em tempos livres deve ser seguida por outros clubes.
“Nunca paramos de treinar e era necessário que os miúdos jogassem de forma oficial, já que, a nível de Luanda, as competições não têm data, infelizmente”, argumentou.

Por seu turno, a vice-presidente da Associação do Bem e da Paz, a antiga capitã da selecção nacional de basquetebol Maria Afonso “Manu”, disse que deve ser prestada maior atenção aos escalões de formação para massificar o desporto. “Somos uma associação filantrópica e mais uma vez nos juntamos ao desporto. Por se tratar de crianças, viemos dar o nosso apoio, não apenas afectivo mas também material”, realçou.

A prova, organizada pelo 1º de Agosto, serviu para aproveitar o período de pausa escolar e ausência de provas oficiais, bem como proporcionar aos jovens patinadores um espaço de convívio e troca de experiências entre os departamentos dos clubes participantes.



Pensar e Falar Angola

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Taça das Confederações


O Interclube de Angola empatou sem golos frente ao Dynamos de Harare, este domingo, em jogo da primeira-mão do play-off da Taça das Confederações CAF 2012.
A equipa angolana, que é treinada pelo português Bernardino Pedroto, não conseguiu marcar à formação do Zimbabué.
A segunda-mão joga-se no dia 15 de julho, em Angola.

T. Confederações CAF TAÇA DAS CONFEDERAÇÕES CAF 2012
2012/07/01, 14:00, Harare
Dynamos
Dynamos Football Club
0-0
Interclube
Grupo Desportivo Interclube



Pensar e Falar Angola

sábado, 19 de maio de 2012

CRÓNICAS DA RODA GIGANTE ERNESTO LARA FILHO


CRÓNICAS DA RODA GIGANTE
ERNESTO LARA FILHO


CRÓNICAS & REPORTAGENS – 22


O repórter Ernesto Lara (Filho) pede aos leitores de Angola que o desculpem por este retorno aos assuntos desportivos. O repórter Ernesto Lara (Filho) pede atenção para o que se vai seguir. O repórter Ernesto Lara (Filho), devidamente informado dos acontecimentos do Congo e com a visita do cidadão "Jóta Kápa" do Brasil, aplica as fintas magistrais que os factos referidos requerem, dribla Lumumba, penetra na área da extrema defensiva brasileira e...

... prefere falar-vos de futebol. Do Mário Wilson, de Moçambique, do Chipenda, de Benguela, e do Araújo idem aspas.

Futebol, amigos, eis a grande realidade nacional.

Permitam os leitores que ajeite os meus óculos - o repórter Lara Filho informa os seus clientes, os seus estimados fregueses, que passou a usar duas meias diopterias! - e lhes fale de futebol.

Em primeiro lugar chamo para me coadjuvarem o professor de bola Raul Valle, casapiano e Petrónio da praça luandense. Telmo Vaz Pereira e as suas tácticas de malandro do futebol. Aníbal Melo ou a seriedade. Ou a sobriedade. Ladeado por este comité de selecção, aplicadas todas as fintas do meu arsenal futebolístico e basquetebolístico, eu, que já joguei no Angola Trotters, apito para o começo do jogo.
Tem a palavra o Carlos Pereira. Liga. Está no ar o programa desportivo!
Golo! Gooooooooolo!

Futebol é sempre assunto.

Acabam de entrar na Universidade - efectuaram o sétimo ano! - os jogadores Wilson, Araújo e Chipenda da Associação Académica de Coimbra. Um moçambicano e dois angolares. Quase meia-cinco.

Temos gente nova na Universidade!

"Calaurus habemus!"

Temos caloiros! Viva a Académica, a mais mentalizada equipa do futebol português. Viva a Académica, o terror dos Sete Mares. Em rodagem para a Taça. A Académica do Bentes e do Dr. Alberto Gomes. A Académica que só este ano já jogou nos Açores, em Cabo Verde, Senegal, Cacilhas, Entroncamento e Guiné. A Académica, menina bonita do meu coração.

Viva a Académica, a equipa mais parecida com o meu São Paulo da Missão de futebol em ritmo de "chá-chá-chá" e que está a perder jogos de mais no "tour" de Luanda. Que é isso "Catumbela"? Então, Trouet? Mangueira?


Viva a Académica de Coimbra, este ano repleta de caloiros, que é a minha saudade, o meu São Paulo mascarado do futebol-carnaval-português.

Que saudades eu tenho do futebol do São Paulo da Missão!


- "Mas você percebe alguma coisa de futebol?" - perguntaram-me.
E eu respondi:

- "Não!"

- "Então que é que veio fazer a esta feijoada?"

- "Vim comer. Nisso eu alinho sempre...".


Amigos, meus clientes de Luanda, meus fregueses de Angola, permitam agora que eu lhes sirva "gato por lebre". O repórter Lara Filho insiste no pormenor de não perceber nada de futebol. Futebol eu só entendo jogado com "maduros" à Gambôa, "cápas" à Catumbela e "coleios de cobra" à Raul de Campos - o Palermo do futebol dos bons tempos da Vila Nova. Futebol eu só o entendo jogado na areia dos Coqueiros ou sob os coqueiros da praia - passe lá o trocadilho! - ou então nos meus tempos de menino do Sporting de Benguela que jogava no quintal do Ferreira Pires - eia, grande quintal!
Pois fiquem sabendo que era um quintal que tinha dentro um campo de futebol. Até tinha muro alto. Coisas de Angola, coisas de Benguela, onde os quintais são tão grandes que até podem ter lá dentro um campo de futebol. É verdade. To juro. Antes de começar a contar coisas de cá, permitam três perguntas de coisas de lá:


- "André, como foi isso de perder por 1-0 com o Belenenses? Esse Ferroviário está cada vez mais na mesma...".

- "Cardoso (Catumbela), que se passa com o São Paulo da Missão?".

- "Os pastéis de Belém causaram por aí alguma indigestão?".
Quá! Quá! Quá!

Gargalhadas da geral. Gargalhadas de muceque. Das barreiras dos Coqueiros, os negrinhos gritam:

- "Vien! Léco!"

- Aí Moreira, Matateu do Bungo, aí rapage!".

Dois golos do Mascarenhas do São Paulo da Missão colocaram o Barreirense na Primeira Divisão. Rima e "es verdad".

Os golos do Águas deram o campeonato ao Benfica.

E as corridas do Coluna.

E os passes melífluos do Santana.

Angolanos, moçambicanos, indianos, caboverdeanos, guineenses, timorenses e açoreanos do futebol português, estão na brecha.

Amigos, a Selecção Nacional Portuguesa de Futebol é constituída por 25 ultramarinos!
Está proclamada a independência do futebol africano!


Há feijoadas que são poemas. Há poemas que são feijoadas. Há "funje" que é uma delícia. Há picantes. Há "quimbombo". Há galinha. Há caloiros que fizeram o sétimo ano e há jogadores da Académica que já iniciaram a sua preparação com vistas ao Campeonato de 61. Há de tudo como na vida.

Até há um repórter bisonho que não percebe nada de futebol e que assiste como convidado especial à feijoada realizada em casa de Mário Wilson - chez Wilson - com os seguintes jogadores titulares "del equipo":

Miranda de Nova Lisboa, prestes a entrar na escola agrícola. Mário Wilson que fez o sétimo ano de Ciências e se matricula este ano no primeiro ano da Faculdade - Geológicas. Chipenda - idem de Benguela. Araújo, aspas, aspas. Etc., etc., etc.. Era assim que um velho padre que foi meu professor terminava as lições. O etecétera por vezes é muito recomendável...

E vivó Benfica Campeão de Portugal! Que também tem muitos ultramarinos e ultramalandros nas suas fileiras... "Mário, explica-me o futebol da Académica!" -perguntei ao capitão da Académica. Respondeu:

- "Ernesto, há coisas que não se explicam!".

- "Mário Torres, qual a tua melhor recordação desportiva?".

- "A Guiné!" - respondeu-me.


Atrás de um prato tridimensional de feijão surge a carantonha do Chipenda. Três quilos de feijão e dois de arroz juncam o estômago do sub-alimentado "crack" da Académica. O ponta direito dos braços abertos como passarinho, batendo as asas.
- "Chipenda, tens saudades de Angola?".

- "Muitas! Principalmente do "Lanterna Vermelha", o dancing do Quióche!".
Mário Torres formou-se em Medicina e é hoje o angolano de ontem, o angolano da Académica, o angolano de sempre. Mais caladão - só anima quando conta recordações alegres do futebol - está a tornar-se progressivamente no Doutor Mário Torres, lentamente, progressivamente. Vai abandonando aquela displicência que tão sincera lhe conheci. Mas modifica-se quando encontra o "Corina", o Mário Wilson, seu companheiro de tantas batalhas na defensiva escolar. Juntos defenderam a Académica. Juntos jogaram suor, sangue e lágrimas. Juntos permitiram que Angola e Moçambique se abracem numa turma de futebol.

Conta o Chipenda que quando alinhou pela primeira vez pelo Benfica contra a Académica, levou um pinhão do Wilson. E que este, depois de o desarmar e concluir a jogada, se virou para ele, caído no chão, cheio de dores, abalado pelo choque e lhe disse:
- "Levanta-te, menino, que o chão está sujo!".

São assim os professores de futebol da Académica de Coimbra...
Uma evocação. Era uma vez um jogador de futebol chamado Angolar, de Sá da Bandeira, do nosso Lubango. Chamava-se assim, angolar mesmo, porque tinha nascido no dia em que saíram as notas de um angolar. E ficou sendo toda a vida o "Angolar". Marcava muito bem "penalties" e tinha pé esquerdo. Era sinistro, que é como quem diz: canhoto.
E o "Beira"? Cadé o Beira da Huíla? Morreu?

Era a Huíla, o meu Lubango do saudoso Juventude e a equipa mais amadora das equipas nacionais de futebol. Nesse clube até as botas de futebol eram amadoras. A Juventude dos Vitórias Pereiras. E do Baldaia. E do Valente.

A Huíla do Luís Fontoura.

Do Dr. Negrão.

Do frio.

Da Nossa Senhora do Monte.

Da defesa do Benfica que era assim: Cuanhama, guarda-redes. Defesas: Carapanta I e Carapanta II. Gibita, Zé das Flores. Chouriço. Etc., etc., etc.. - "Mário Wilson, a Académica vai ficar ainda muito tempo na I Divisão?" - pergunto.
- "Enquanto eu cá estiver, não há novidade!" - responde calmo, o fleumático, o científico Mário Wilson, quanto a mim o melhor defesa central do "futibau portugueis".

Apontamentos da feijoada, digo, da entrevista:

a) Mário Wilson é casado com uma senhora natural de Angola.

b) Tem dois filhos homens - o Mário de seis anos e o "Chumbaca", alcunha que relembra Cândido de Oliveira. E uma menina. Que não chego a ver porque está de cama com anginas.

c) Fez o sétimo ano e vai entrar para a Universidade, em Outubro.

d) É quanto a mim o jogador de futebol mais cerebral do "soccer" "portugueis". A sua entrega é de "primeira", modelar, e instituiu, iniciou uma época na Académica. Nele se baseia todo o sistema escolar de toma-lá-dá-cá, e que faz gravitar à volta desta estrela os satélites africanos Araújo, Torres, Chipenda, Miranda, etc.. Wilson é o Sol que ilumina o futebol académico.


- "Mário, se tu ou o Torres, ou ainda o Rocha, jogadores que eu considero básicos no 4-2-4 académico, se lesionarem, a Briosa não tem quem os substitua? Não tem, pois não?".

- "Não há jogadores insubstituíveis numa equipa de futebol!".

Tableau.

Vocemecês desculpem, leitores, eu queria fazer uma entrevista, reportagem, e saiu feijoada. Vocemecês desculpem, prezados fregueses, mas "óje não á mais passarinhos". O repórter Lara Filho considera-se penhorado e agradecido a todos os clientes que chegaram até aqui. Agradece e retira-se. Baixa o pano. E esperem pela próxima época de futebol.

Feijão não liga com entrevista. Feijoada é notícia. Futebol é outro assunto. Boa tarde.


Ernesto Lara Filho


Pensar e Falar Angola

RITA GT em Viana do Castelo

https://youtube.com/shorts/qZkb4CfXTZQ?si=3K65JJEr5VQqsZZS Ao longo dos últimos dois anos tive a oportunidade de desenvolver “8”, uma obra d...