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sábado, 24 de abril de 2021

Palavra à dança


Palavra à dança com  Ana Clara Guerra Marques à Sombra da Mulemba 

É  certamente uma das maiores autoridades angolanas quando o assunto é dança.
Domingo, 25, no programa  Conversa à Sombra da Mulemba da Rádio Mais (99.1 www.radiomais.co.ao) vamos celebrar antecipadamente o Dia Mundial da Dança, das 14 às 16 horas, com a Ana Clara Guerra Marques. 
A Ana é mestre em Performance Artística – Dança,  licenciada em Dança na área da Educação. É,  igualmente,  bailarina, coreógrafa e investigadora. 
Pioneira da dança contemporânea em Angola,  trabalhou  37 anos no Ministério da Cultura, tendo sido directora da Escola Nacional de Dança e consultora de  vice-ministros  e da  ministra da Cultura.
Fundadora da Companhia de Dança Contemporânea de Angola(CDC), propôs novas estéticas e novos conceitos de espectáculo para a dança angolana.


Pensar e Falar Angola

sexta-feira, 27 de abril de 2018

A Pensar no Dia Mundial da Dança

Porque a Cultura faz parte da essência de qualquer País e este BLOG, mesmo em laboração lenta, não quer deixar de manifestar o seu apoio à Companhia de Dança Contemporânea de Angola, não por ser uma apenas uma mais valia importante mas também porque reconhecemos o seu trabalho e vemos nela um trabalho de anos feito.




Em Angola, a dança está cada vez mais em mãos de quem não estudou, não dançou, não sabe coreografar, nunca viu uma peça de dança mas que se auto-denomina  "professor(a)", "coreógrafo(a)", "director(a) artístico(a)", "bailarino(a)", designações que são largamente multiplicadas e repetidas pelos / nos  media, dando a impressão, errada, de que existe uma comunidade de dança activa e culta em Angola. O solo é fértil! Tudo cresce! E enquanto a diversificação da economia não chega (Lollll), as ervas daninhas continuam a tomar conta dos campos!
No que me toca, continuo, na quase marginalidade, a trabalhar com a CDC Angola, companhia histórica, inovadora, a única que faz da dança uma actividade intelectual mas que, também em Angola, não tem merecido o reconhecimento que lhe seria devido em qualquer outra geografia (onde a arte e os artistas, percursores, criadores, etc., são respeitados e não utilizados como "medicamento para o stress"). Vale-nos a confiança e apoio permanentes do Banco e da Fundação BAI e, claro está, do público que nos é fiel.
Continuo, também, a escrever para que um dia a história não esteja vazia neste capítulo e para que as novas gerações (as muito futuras!) venham a saber que houve alguém que não alinhava na mediocridade, defendia a dança como Arte e lutava para que as profissões a ela ligadas fossem dignificadas.
Leiam o texto*, recebam um abraço e aceitem as minhas saudações coreográficas!

Ana Clara

fotos de Rui Tavares

Eis o texto:
COMPANHIA DE DANÇA CONTEMPORÂNEA DE ANGOLA 
Mensagem do Dia Mundial da Dança 
ARTE. PROFISSIONAIS. CRIADORES. ENTRETENIMENTO. DIFERENÇA. FAZEDORES. INTELECTO. LIBERDADE CRIATIVA 
- PONTOS PARA UMA REFLEXÃO - 
Numa data em que se celebra o nascimento do coreógrafo Jean-Georges Noverre, a CDC Angola desafia a sociedade para uma reflexão mais alargada, a qual convoca os propósitos deste teórico francês, ao exigir para a dança um estatuto profissional quando, há quase 300 anos, defendeu a necessidade de um suporte teórico e técnico para os professores, coreógrafos e bailarinos. Embora esta questão seja alvo da nossa insistência propomo-nos, desta vez, realçar um aspecto que esteve subjacente às reformas que Noverre estabeleceu. Ao reivindicar a criação de obras exclusivamente dançadas e com uma linha narrativa autónoma, ele pretendia desviar a dança do papel meramente subsidiário e de artifício que esta possuía dentro dos grandes espectáculos de ópera, o que nos remete para um conjunto de questões como, por exemplo, o significado de Arte e de entretenimento, a diferença entre profissionais e “fazedores” ou o conceito de liberdade criativa. Porque, no nosso país, estes termos estão ainda desprovidos de contornos precisos, é fundamental circunscrever, ainda que de forma resumida, cada um deles. Se o entretenimento tem como propósito a distração e é sinónimo de lazer, a Arte desenvolve-se a nível das sensibilidades, conduzindo-nos a uma redefinição simbólica e levando-nos mesmo ao questionamento sobre a complexidade da nossa própria natureza. Enquanto a Arte, com as suas linguagens codificadas, nos obriga à reflexão, o entretenimento, com os seus padrões fáceis e repetitivos, com os seus lugares comuns popularizados e com todo o aparato de reprodução das indústrias culturais, pretende, justamente, o contrário; enquanto a arte nos leva a pensar sobre as adversidades da condição humana, o entretenimento desempenha a função inversa de nos fazer esquecer os problemas da nossa existência. Resumo 1: se o entretenimento nos inibe o raciocínio, a Arte, pelo contrário, é um desafio ao nosso intelecto. Por seu lado, a diferença entre “fazedores” e artistas profissionais é consubstanciada pela evidência democrática de que fazer cultura é um direito de todos, mas que contrasta com a realidade “elitista” de que ser artista é uma actividade restrita àqueles que, para além de serem naturalmente dotados, potenciam as suas qualidades através de uma formação selectiva que os dota de habilidades especializadas e exclusivas. Fazedores de arquitectura ou arquitectos? Fazedores de direito ou advogados? Fazedores de pedagogia ou professores de várias disciplinas? Fazedores de medicina ou médicos de várias especialidades? Então qual a razão da utilização única deste termo genérico e redutor – que uniformiza, esbate ou elimina as diferenças – e não a especificação de profissionais das Artes onde se distinguem, entre outros tantos, pintores, actores, compositores, bailarinos, coreógrafos e mesmo os técnicos com especializações, ligados ao espectáculo? Apelidar coreógrafos e bailarinos de meros “fazedores” é retirar-nos a singularidade e o orgulho de termos adquirido um conhecimento científico teórico e prático, num dos mais longos e exigentes processos de formação (nunca inferior a 8 anos). Resumo 2: Se, de um “fazedor”, apenas se espera que faça; de um profissional exige-se que saiba porquê e como fazer. Por último, e como defendeu Noverre, para se ser arista criador há que ter, além de uma base cognitiva sólida, um conhecimento profundo e abrangente da natureza humana, dos afectos, dos conflitos, da essência psicológica, acrescentando-se que um criador contemporâneo utiliza as distintas linguagens artísticas para expressar a sua visão pessoal do mundo e dos contextos que o envolvem. Desafortunado é o artista que não possui ideias próprias e que não pode (ou não quer), por pressões de diversa índole, criar livremente sem quaisquer condicionantes. Ser livre é ter a capacidade de poder construir mundos imaginários. E esta liberdade é restrita aos Artistas. O único propósito da Arte é existir; sem quaisquer obrigações ou objectivos a priori. A Arte não se fabrica; ela acontece. O artista é, por natureza, inquieto, insatisfeito, irreverente, mas deve ter “ideias originais”, ou seja, criatividade. Por outro lado, o artista enquanto intelectual deve ser, com as capacidades que possui, um interveniente social. A ele cabe surpreender, abanar, chocar, alertar. Sem o fazer de forma gratuita, espera-se dele a coragem e a responsabilidade de enfrentar, confrontar, produzir um olhar crítico e fundamentado, que leve os outros à vontade de transformar, impedindo a acomodação e a resignação. Resumo 3: Apesar dos conceitos de arte e de artista serem controversos e com graus de abrangência variáveis, é indiscutível que devem passar pelo talento natural, por um saber especializado e por uma nota de genialidade que conferem ao artista o poder de ser livre, único, original e genuíno para criar e partilhar os universos artísticos por si idealizados. O artista pode fazer entretenimento? Sim, mas entretenimento não é necessariamente arte. Os “fazedores” podem fazer arte? Talvez, mas não são profissionais. Todos podem ter ideias geniais? Não e apenas os artistas são capazes de conceber e codificar, de materializar e sustentar obra, recorrendo às diversas linguagens artísticas. Gabinete de Divulgação e Imagem da Companhia de Dança Contemporânea de Angola, em Luanda, Abril de 2018

Pensar e Falar Angola

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Dia Mundial da Dança


COMPANHIA DE DANÇA CONTEMPORÂNEA DE ANGOLA
Mensagem do Dia Mundial da Dança

- Pensar a dança num contexto profissional -

Na qualidade de Membro do Conselho Internacional da Dança da UNESCO, a Companhia de Dança Contemporânea de Angola convida todos os amantes e praticantes da dança em Angola, à reflexão sobre a honestidade, a ética, o estudo e o profissionalismo como os caminhos certos para a elevação da qualidade artística.
O que terá levado a UNESCO a instituir, em 1982, o dia 29 de Abril como o Dia Mundial da Dança? Justamente o facto de ser a data de nascimento do coreógrafo francês Jean-Georges Noverre (1727-1810), o qual esta organização internacional reconheceu como o grande precursor da profissionalização da dança. Efectivamente, as reformas e premissas que estabeleceu na sua incontornável obra “Lettres sur la Danse et sur les ballets” (Cartas sobre a dança e sobre os ballets), determinaram transformações essenciais para que a dança conquistasse o estatuto de arte independente que conhece nos dias de hoje. Homem visionário e avançado para a sua época, defendeu ainda, nas suas Cartas, uma formação sólida e abrangente para bailarinos, professores de dança e coreógrafos.
Assim, e num tempo em que os avanços da ciência e da tecnologia nos apontam desafios constantes, a dança, enquanto área artística e de saber, conhece hoje novas propostas, novas metodologias, novas associações e a descoberta de novas possibilidades, contextos, formas e géneros que apenas um grande investimento na investigação, no estudo e na formação nos permitem acompanhar, fruir e participar.
Há muito que o bailarino e o coreógrafo deixaram de ser indivíduos curiosos, cuja acção era conduzida apenas pelo habilidade e pela vontade de dançar, estando esta última, actualmente, circunscrita à sua condição recreativa em festas, discotecas e outros lugares de convívio social onde todos, sem excepção, gozam do direito de dançar, sem a existência de qualquer compromisso com um público espectador. De igual modo, o professor de dança é hoje respeitado, apenas se detentor de um saber académico adquirido e validado por instituições especializadas.
A nível mundial, é crescente a obrigatoriedade destas profissões serem reguladas por leis que determinam as condições da sua prática e actuação, sendo imprescindível a obtenção de um diploma que comprove a sua formação. Só assim, os seus praticantes vêm reconhecidos os seus direitos e obtêm o estatuto profissional que lhes permite exercer a sua actividade livremente.
Portanto, se numa sociedade como a nossa em que este processo está ainda em vias de se desenvolver, os seminários, os workshops e toda a sorte de acções que visam promover a dança e melhorar a qualidade do que actualmente se faz no país, possuem inegável valor, já que constituem uma fonte de conhecimento única.
Todavia, estas acções só merecem credibilidade se forem orientadas por profissionais de reconhecido nível técnico e maturidade artística. Por outro lado, é fundamental que exista a consciência de que procedimentos pontuais e dispersos nunca constituirão uma oportunidade de formação que prepare para a vida profissional, na área da dança. Não será excessivo relembrar que uma formação em dança dura entre seis e nove anos, num regime diário de grande exigência e rigidez.
Para nossa liberdade dancemos, dancemos sempre, mas com a consciência e a modéstia de respeitarmos a evidência de que, para se ser um coreógrafo, um bailarino ou um professor de dança, há que estudar e cultivar a consciência de que só assim teremos crédito. Só assim a dança e os seus profissionais serão honrados com o respeito e dignidade que todos merecemos.

Saudações coreográficas!

CDC Angola
Luanda, 29 de Abril de 2013




Pensar e Falar Angola

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Porque ontem foi o Dia Mundial da Música


COMPANHIA DE DANÇA CONTEMPORÂNEA DE ANGOLA
Mensagem do Dia Mundial da Dança


Instituído pela UNESCO em 1982, o dia Mundial da Dança é assinalado a 29 de Abril, em homenagem a Jean-George Noverre (1727 – 1810) cujas reformas determinaram transformações essenciais para a imposição da dança como forma artística independente.

Dado o seu estatuto original, a dança em Angola estabelece-se enquanto agente de integração e preservação de um sentimento identitário e de comunidade. A sua presença no nosso quotidiano é constante e resultado de um quadro cultural propício à absorção de estruturas rítmicas desde a nascença, ligação que é fortalecida por uma participação permanente nas diversas celebrações sociais. Por outro lado, temos um terreno fecundo onde germinam distintos géneros de dança que envolvem diferentes contextos, significados e formas, conciliando o seu carácter de comunicação religiosa, ritualística ou curativa, com o lado recreativo e de intervenção social.
Não se circunscrevendo a um único universo, a dança abraça desde as manifestações de âmbito ancestral e popular, a outras expressões como as linguagens artísticas, académicas, contemporâneas e as de cariz urbano com vida mais efémera. A diversidade e a originalidade constituem dois pontos de caracterização das novas linguagens da dança. Assim, a convivência entre a tradição e a actualidade é possível, já que a transferência de
contextos propõe novos desafios que acompanham a própria evolução social. Ao ser uma actividade motora exclusivamente humana, a dança funda-se no movimento e possui sempre a intenção de comunicar. Por se manifestar em vários planos, a sua definição não pode excluir um enquadramento sócio-cultural e político.
Sendo este um dia de celebração da dança, ele é também uma oportunidade de reflexão sobre o imperativo de se associar o desenvolvimento da dança e das demais formas de arte, a uma ampla estratégia onde divulgação, o resgate, o estudo e o estímulo à criação se devem alicerçar num sistema de formação artística e cultural sólido, a vários níveis.
A Escola é um viveiro, onde são reveladas as conquistas técnicas, teóricas e filosóficas da dança e facultadas as ferramentas reconhecidas, universalmente, como indispensáveis para um desenvolvimento artístico integral.
Só assim produziremos uma dança que expresse o viver de uma Angola contemporânea; uma dança que, inspirada na sua ancestralidade, se projecta, destemidamente, para o futuro. Todos podemos e devemos dançar. E todos podemos respirar a diversidade de discursos com que a dança nos continua a surpreender.

A Companhia de Dança Contemporânea felicita todos os profissionais e praticantes de dança em Angola e no mundo, para que este dia seja reverenciado com todo o respeito e dignidade merecidos. Este colectivo profissional encoraja ainda a que se renove o olhar sobre a dança para que ela seja acolhida, não apenas numa perspectiva de recreação, mas como um produto de actividade intelectual, de investigação e de criação.


CDC Angola
Luanda, 29 de Abril de 2012

foto de Rui Tavares
__________________________________________
Companhia de Dança Contemporânea de Angola
Tel: 00244 926569169
http://www.cdcangola.com/

Pensar e Falar Angola

terça-feira, 24 de abril de 2012

29 de Abril - Dia Mundial da Dança

Para assinalar o Dia Mundial da Dança, a CDC Angola organiza, em
colaboração com a Galeria CELAMAR, uma tarde de partilha com todos os que estiverem interessados.
O programa é simples:
- Aula livre com os professores e os bailarinos da CDC Angola
- Projecção do documentário do realizador Jorge António "Outros Rituais
Mais ou Menos" sobre a Temporada 2009.
- Conversa aberta sobre a dança.

Vistam uma roupa confortável e venham comemorar com  a CDC o Dia Mundial
da Dança!

Entrada livre!
Pensar e Falar Angola

RITA GT em Viana do Castelo

https://youtube.com/shorts/qZkb4CfXTZQ?si=3K65JJEr5VQqsZZS Ao longo dos últimos dois anos tive a oportunidade de desenvolver “8”, uma obra d...