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quarta-feira, 23 de março de 2022

23 de Março - Fim da Batalha no Quito Cuanavale


A Batalha de Cuíto Cuanavale, na província do Cuando Cubango, foi o maior confronto militar da guerra civil angolana e o mais prolongado em África, desde a Segunda Guerra Mindial, ocorrido entre 15 de Novembro de 1987 e 23 de Março de 1988, tendo culminado com um acordo entre Sul Africanos e Cubanos, para a retirada de tropas e a assinatura dos Acordos de Nova Iorque, que deram origem à implementação da Resolução 435/78 do Conselho de Segurança da ONU, levando à independência da Namíbia e ao fim do regime de segregação racial, que vigorava na África do Sul.
Ao comemorarem hoje o Dia da Libertação da África Austral, os países da região prestam homenagem aos Chefes de Estado africanos que, directa ou indirectamente, ajudaram na vitória sobre as tropas do regime do apartheid!


Pensar e Falar Angola

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Angola, Cuba e o fim do apartheid


AINDA A CONTRIBUIÇÃO DE CUBA NO DESMANTELAMENTO DO APARTHEID

"Fidel havia encarregado o general Cintra Frias, veterano guerrilheiro de Sierra Maestra, do comando destas operações em território angolano. Na oportunidade, Castro teria confessado ao líder do Partido Comunista da África do Sul, o branquelão Joe Slovo, que a estratégia seria como a de um boxeador: "Enquanto seguramos o inimigo com a mão esquerda (Cuito Cuanavale) , vamos atacando com o punho direito". A situação militar se inverte graças a esta massiva e preparada intervenção cubana, país que chegou a enviar a Angola, ao longo anos, cerca de 350 mil homens e mulheres internacionalistas, garantindo de fato a verdadeira independência na jovem nação africana.

Não suportando os golpes recebidos, em especial uma grande surra promovida pela atuação dos pilotos cubanos nos MIG-23, a Batalha decisiva ocorre no dia 23 de março de 1987, uma derrota fundamental das tropas da África do Sul que Nelson Mandela assim descreveria: " Cuito Cuanavale foi a virada para a luta de libertação do meu continente e do meu povo do flagelo do apartheid!"

Sem dúvida, a luta de libertação da Namíbia também recebia um grande impulso, e dois anos mais tarde, este país também declararia a sua Independência. Entretanto, o governo racista de Botha preocupava-se, pois pela potência e envergadura da estratégia armada por Cuba no sul de Angola chegou a imaginar que as tropas cubanas pudessem dirigir-se rumo ao sul, ou seja, rumo a Pretória.Na fuga, as tropas racistas bombardearam pontes, revelando medo de uma ofensiva rumo ao sul. Enquanto as batalhas ocorriam, com sucessivas derrotas impostas às tropas da África do Sul, ocorriam no âmbito da ONU as famosas negociações em busca de um acordo, negociações em que os representantes dos EUA exibiam toda sua hipocrisia. Mas, há um diálogo que merece ser relembrado, quando o representante do regime racista nestas negociações pergunta ao representante de Cuba, Jorge Risquet, se havia a intenção de uma ação militar rumo ao Sul, a resposta é dessas que entram para os anais de história militar: "Se eu lhe disser que vamos rumo ao Sul isto seria tomado como uma ameaça, se eu lhe disser que não vamos rumo ao sul, isto seria para vocês um calmante". Deixou o racista atônito e confuso. E em outra oportunidade deu o toque de realismo que a arrogância sul-africana não queria reconhecer. "A África do Sul não tem condições de impor na mesa de negociações uma situação de vantagem quando no campo de batalha está sendo fragorosamente derrotada." De fato, os negociadores sul-africanos diziam que se retirariam "para a Namíbia". A história foi diferente, tiveram que sair também da Namíbia.

Condolezza e o Ministro Negro

Exatamente quando a Secretária de Estado dos Eua, Condolezza Rice visitava o Brasil, onde, entre muitos temas mais importantes e nada divulgados, assinou um Plano de Ação pelo qual Brasil e EUA decidem atuar conjuntamente para "eliminar a discriminação racial", a TV Cidade Livre, o canal comunitário de Brasília, realizava um debate sobre a Batalha de Cuito Cuanavale, com participação de embaixadores de Cuba, Angola, Namíbia e África do Sul, agora livre do apartheid. O texto firmado por Condolezza e o Ministro da Igualdade Racial, Edson Santos, afirma que Brasil e EUA "partilham a característica de serem sociedades democráticas multi-éticas e multi-raciais", o que teria motivado um comentário de Fidel Castro em uma de suas Reflexões do Comandante: "É assombroso. Penso que é exatamente o contrário o que acontece nos EUA".....

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Cuito Cuanavale deve servir também para os movimentos sociais, especialmente ao movimento negro brasileiro, para refletir que a solidariedade deve ter tradução real, pois não se tem notícia de que os nossos irmãos angolanos tenham recebido do movimento negro, em solidariedade, uma aspirina que fosse. Enquanto que Cuba enviou para Angola 350 mil homens e mulheres, de lá trazendo apenas seus mortos e as medalhas desta vitória que jamais poderá ser apagada da consciência da humanidade. Muito se exalta que o Brasil é o país como maior população negra fora da África, mas qual foi a nossa solidariedade concreta quando ela foi tão necessária? Quando vários estudos registram o seqüestro impiedoso de contingentes negros africanos para formar o escravagismo nas Américas, e isto é uma verdade cruel e inapagável, Cuba foi capaz de inverter o itinerário: negros, brancos e mestiços partiam do Caribe para a Mãe África que estava sendo estuprada pelo apartheid e pelos EUA para oferecer solidariedade, para lutar com armas nas mãos, ombro a ombro com angolanos e namibiamos e impor a primeira derrota, que tinha que ser militar, ao apartheid. Como disse Mandela, em Cuito Cuanavale se deu a virada. Mas, uma virada marcada pela consciência das tropas cubanas de serem a continuidade histórica do internacionalismo proletário, de fazerem reviver o brado heróico de Stalingrado, de retomarem o exemplo revolucionário das massas vietnamitas que também derrotaram os EUA. Para a África Cuba enviou negros, brancos e mestiços alfabetizados, cultos, um exército bem treinado, com consciência socialista, e que não esteve em Angola para rapinar petróleo ou de diamante, como hoje fazem de modo selvagem e assassino as tropas norte-americanas no Iraque. E a solidariedade cubana com a África não se esgotou naquela histórica epopéia militar: hoje milhares de médicos e professores cubanos trabalham em dezenas de países africanos. Segundo a Organização Mundial da Saúde, o contingente de médicos cubanos na África supera o número de médicos que todos países ricos somados têm hoje naquele continente que tanto rapinaram....Por isso, é indispensável um debate mais aprofundado sobre o papel de Cuba e Angola na luta contra o apartheid, pois, não faz nenhum sentido falar da luta contra o racismo desconhecer esta contribuição, ignorar a dimensão histórica da Batalha de Cuito Cuanavale e, ao mesmo tempo, tomar como exemplo de luta anti-racial o modelo norte-americano, quando foram os EUA os principais sustentadores do apartheid." BLOG DE CARIRY. (vale a pena ler tudo em:http://advivo.com.br/blog/cariry/cuito-cuanavale-o-principio-do-fim-do-apartheid)
advivo.com.br
Há 20 anos, em 23 de março de 1988 [texto escrito em 23 de Março de 2008], travou-se no sudeste de Angola a decisiva Batalha de Cuito Cuanavale, na qual tropas angolanas, de Cuba e da SWAPO, movimento armado de libertação da Namíbia, unidas, derrotaram tropas do regime racista da África do Sul, ...



Pensar e Falar Angola

sábado, 27 de março de 2010

Batalha do Cuito Cuanavale

Batalha do Cuito Cuanavale considerada marco na mudança de políticas na África Austral

ANGOP
O vice-ministro da Defesa e dos Veteranos da África do Sul, Thabang Makwetla
O vice-ministro da Defesa e dos Veteranos da África do Sul, Thabang Makwetla

Luanda – O vice-ministro da Defesa da África do Sul, Thabang Makwetla considerou nesta terça-feira, em Luanda, que a Batalha do Cuito Cuanavale (Kuando Kubango), cujo 22º aniversário hoje se assinala, marcou um ponto de mudança nas políticas da região Austral de África.

Em declarações à imprensa, no Aeroporto Internacional “4 de Fevereiro”, Thabang Makwetla reafirmou que a referida batalha culminou com o processo de democratização da Namíbia e África do Sul, porque foi aí que o regime sul-africano foi “quebrado”.

Como sul-africano, sublinhou que está satisfeito por fazer parte das actividades que vão marcar as celebrações desta histórica data, especialmente porque a sua delegação integra pessoas com memórias frescas sobre a mesma.

O vice-ministro sul-africano da Defesa chegou hoje a Angola para uma visita oficial de três dias, visando a troca de experiências com as autoridades angolanas sobre as formas de protecção e inserção social dos antigos combatentes e veteranos de guerra.

A sua comitiva é composta por 11 elementos, entre os quais oficiais superiores das Forças de Defesa e Segurança da África do Sul que estiveram envolvidos na luta contra o Apartheid.

A Batalha do Cuito Cuanavale é considerada a maior de forças regulares ocorrida na África Austral.


A efeméride marca a derrota imposta pelas ex-Forças Armadas Populares de Libertação de Angola (FAPLA), conjuntamente com internacionalistas de Cuba, contra militares do antigo regime do Apartheid sul-africano, que, na altura, invadiam Angola a partir desta região Sudeste do país.

A derrota das então forças militares sul-africanas obrigou o regime do apartheid a promover conversações quadripartidas, que levou a assinatura do acordo de Nova Iorque (EUA) e, consequentemente, a independência da Namíbia e a democratização da África do Sul, com o fim do regime do Apartheid.





Jornal de Angola






Pensar e Falar Angola

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