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terça-feira, 25 de janeiro de 2022

446 LUANDA

A cidade de Luanda está de parabéns. Muito se fez, muito há para fazer no muito que se faz.
Cidade complexa onde se misturou a arquitetura colonial, a desarquitectura mussequeira e o modernismo das altas torres. 
Luanda cidade difícil em todos os aspectos, sofrendo desde os seus primórdios com lagoas a terem que ser secas, até aos rios que numa vez por outra em que se transformam as suas ruas. Luanda suporta.


Pensar e Falar Angola

segunda-feira, 7 de outubro de 2019

Luanda, era uma vez na Baixa

Luanda, era uma vez na Baixa

Rui Ramos
5 de Outubro, 2019
Ao domingo, entre o largo do Baleizão e a Lello, a avenida Rainha Njinga, antiga avenida dos Restauradores, transforma-se numa pista.
Apesar da sua proximidade com a principal esquadra da Polícia Nacional, a larga via não é patrulhada nem possui qualquer sinalética horizontal, num vasto percurso, nem passadeiras para peões. Quando cai a noite, um grande troço mergulha na escuridão por ausência de iluminação pública, mas ao lado do degradado e agora entaipado Baleizão a iluminação funciona sempre em quatro postes, dia e noite. No lado oposto, há troços sem iluminação, que só surge lá no fundo, nas imediações da empresa francesa Total.
Não é raro ver-se, aos domingos, carros e motorizadas a alta velocidade e jovens a patinar nas faixas, tudo num zigue-zague despido de temor no meio de centenas ou milhares de jovens que vão ou vêm da Ilha a pé e passam rapidamente pela “cidade” ao encontro dos seus bairros. É a rua que liga a Fortaleza de S. Miguel, hoje Museu Militar, e anfitriã do centro comercial Fortaleza, ao centro da cidade. A encosta da fortaleza já foi poiso de macacos nos tempos idos do colonialismo e a rua que a circunda lugar de namoro romântico.
O centro de Luanda onde imperam os altaneiros e novéis prédios da Sonangol, em vias de ser privatizada, a antiga livraria Lello, hoje fantasmagórica, o largo da Portugália, onde os portugueses faziam câmbio paralelo, com as suas duas árvores-avós, o prédio da Biker - ainda com alguns serviços, como a Foto Ngufo, e com um “restaurante típico", fechado com chapas e onde ratos e insectos convivem com o povo real que aí almoça por mil kwanzas, num ambiente “apocalíptico” -, que já albergou mesas de snooker e ambiente de tertúlia de jornalistas, outros tempos, pré-históricos, de que não restam escritos. Ali ao lado destruíram o largo e edificaram dois blocos de vidro com dezenas de andares, onde trabalha uma classe burocrática nacional-expatriada.
Mas a grande avenida não se detém, na esquina onde era a Sonylândia e hoje é um banco, estreita-se, a Moviflor portuguesa substituiu o luxuoso Quintas & Irmão, cujo dono permaneceu na Independência, mas viu a sua casa ocupada ilegalmente, e o fundo da rua desemboca no Eixo-Viário, uma obra feita pelo colonialismo português, que liga o Kinaxixi à Marginal e ao Miramar, hoje quase toda castanha e sem verdura, com iluminação aqui e ali.
As árvores começaram a ser arrancadas em 1975, quando começou a faltar o carvão para cozinhar, e o Largo do Ambiente é frio, nada acolhedor, quase escuro e sem presença humana. Eixo-Viário do antigo Benfica de Luanda do Victorino Cunha, onde os portugueses plantaram verdura nas barrocas e a Independência construiu arranha-céus da Sonangol e de outras empresas estatais majestáticas. Os abandonados e degradados edifícios coloniais, com janelas com persianas, são na maioria “fantasmas” mudos e quietos, desafiando o futuro da capital.

Um mundo novo
Os colonos foram embora e o Estado tomou conta das suas propriedades, expropriou e começou a vender a si próprio ao desbarato. Os elevadores foram destruídos e transformados em contentores de lixo, os corrimãos das escadas desapareceram, divisões e mais divisões foram construídas sem qualquer plano ou segurança para albergar familiares vindos dos bairros e do mundo rural, nada oferecido, tudo pago.
Os quintais foram apropriados por quem chegou primeiro e transformados em autênticas “pensões residenciais” surreais, com divisões precárias e sujas alugadas a bom preço, 40-50 mil kwanzas mensais, porque estão na cidade e Luanda é a cidade mais cara do mundo. Os quintais, ou melhor, os cubículos também são alugados ao dia às zungueiras para guardarem as mercadorias que não conseguem carregar para os seus casebres nos bairros.
Mas não só, os quintais são pontos de grande tráfego comercial, sobretudo, de bebidas alcoólicas, quem os detém há mais tempo usufrui de tudo o que pode acrescentar dinheiro sem muito trabalho.
Os terraços não existem. Em seu lugar surgiu uma miríade de cubículos, muitos de chapa, sem água e quase sempre com luz puxada de gatos e paga mensalmente a alguém, alugados por quem chegou primeiro ao prédio e se diz “dono”. O luandense é manso. Quando lhe falam “o dono”, se cala, se ajoelha, submisso, e paga, mesmo que o dinheiro não seja o seu, e depois diz em voz baixa “está mal”.
Sem árvores
Só se encontram árvores com troncos muito grossos, sinal de longa vida, árvores coloniais, no Largo do Atlético, hoje largo sem nome definido, mas que 44 anos após a proclamação da Independência continua a celebrar a batalha de Ambuíla, que ditou a perda da soberania do Reino do Congo e a decapitação do rei, cuja cabeça foi transportada para a ermida da Nazaré, na Marginal, que este ano comemora 355 anos. Um largo agora fechado e em obras sem prazo. As vendedoras dizem-me que passou para a propriedade do banco BCI, "se apropriaram", diz-me um jovem que todos os dias me pede dinheiro para comer.
Do BCI não é o urinol da esquina, que não funciona, nunca funcionou. Importado a peso de ouro do Brasil, a “casa de banho” faz parte de outras talvez centenas espalhadas pela cidade que nunca funcionaram. Ninguém conhece os contornos do negócio, apenas se sabe que nunca funcionaram, nem se conhece ninguém que tenha lá dentro urinado.
O Rialto já não existe, só ficaram as saudades dos apetitosos pregos com jindungo e os finos tirados com a pressão exacta. Em seu lugar, recentemente, foi construído um alvo Monumento ao Soldado Desconhecido. Os jovens não sabem o que isso seja, imaginam, segundo me disse um jovem na rua, ser um soldado sem registo de nascimento.
Ali ao lado estão os Correios, já centenários, mas de que ninguém parece tirar utilidade. Perguntámos a um jovem, vagabundeando por ali, o que são os correios. Ele olhou, tranquilo e respondeu muito sereno “não sei, pai”. Ninguém sabe nada, aqui nesta cidade. Também não precisam de saber. O tempo parou, sitiado entre a madrugada das 6 horas e o pôr do sol das 18 horas, vaivém, a cidade se povoa e despovoa, aqui se faz tudo, mas ninguém é daqui, as pessoas desabitam aqui, por isso não há tempo.
As fugitivas da Independência
Os extremos da extensa avenida Njinga ou Jinga ou Nzinga ou Ginga são dominados pelo banco estatal BPC, a agência Kaponte e a agência lá do fundo perto do Eixo Viário, ao lado da Unitel. Ninguém sabe o que é Kaponte, os jovens, desempregados, não sabem nada, não lhes diz respeito. Mas Kaponte pode ser uma pequena ponte, aquela ponte que liga à Praia do Bispo e onde se mataram, dizem, brancos desesperados com dívidas ou com desamores, naqueles tempos remotos.
Lá dentro do BPC, para onde os mais velhos espreitam, diz-nos o jovem Mbambi, nunca há sistema nos computadores, especialmente, reforça, depois das 14h-14h30. Os funcionários querem ir para casa e não toleram ser retardados por clientes sem dinheiro, mas com problemas complexos deles, de primos e tios que obrigam a consultas demoradas.
Lá fora, um mundo mudo, ninguém fala, toda a gente parada sentando-se onde pode. É o mundo das kinguilas, as cambistas de rua, as verdadeiras bancárias do sistema, que também vendem recargas da Unitel, são dezenas largas de mamãs opulentas, vigilantes, carregadas de kwanzas e de divisas, inexistentes nos Bancos. A operação Transparência não lhes toca, parecem da família. Só dão corrida nas pobres zungueiras que povoam a Baixa durante o dia, sempre com um olho aqui outro ali, já estrábicas, tipo ciganas na Europa, prontas a correr em defesa da mercadoria. São as fugitivas da Independência.
Mas é também o mundo dos pensionistas, centenas, ou milhares todos os dias desde manhã cedo, ainda quase escuro e ao som dos primeiros pio-pio dos agora raros pardais, seres ainda vivos se abeirando do óbito, tentando ver se a pensão já caiu. Não têm cartões multicaixa, levam um papelinho muito gasto ao balcão com nome e número da conta para averiguar. Começam a entrar às 8h00 e só param no início da tarde, comendo poeira e fome.
A burguesinha, essa, trabalha nos Bancos enquanto não há despedimentos. Fatinhos com calças e casacos apertados, elas com boas roupas oferecidas por não se sabe quem, com vestidos parecendo que estão na “City” de Londres. Em comum, têm a vaidade, a arrogância, a jactância, a mente vazia. Não dão confiança aos pobres, aos sujos, como que para enxotarem a sua consciência. Ah, os burguesinhos da Sonangol também não se misturam. Mas às 12h00 eles ficam com água na boca, quando os inexistentes aparecem no muro baixo com dezenas de recipientes de alumínio com almoço para venda, cada mil.
Os pobres? Estão por todo o lado na Baixa de Luanda, imóveis. Pobres, é uma maneira de escrever, porque nem mesmo todo o dinheiro do mundo os tiraria da pobreza, porque, na verdade, têm medo da riqueza, assusta-os, não saberiam o que fazer com ela. Como se a pobreza fosse já uma tatuagem na pele.
Mundo dos pescadores deu lugar à nova Ilha
A Ilha, de um lado e de outro, onde o Sol nasce e o Sol se põe, era o mundo dos pescadores, um povo que nunca se misturou com os continentais. Os homens, de panos, vinham à cidade dos brancos à tarde, vender ostras e eram exímios nadadores. Não se sabe como a Ilha de Luanda se degradou, foi rápido. De repente a Floresta foi invadida pelo lixo, por rapazes e delinquentes, pela Polícia Fiscal e por barcaças transformadas em empresas.
O hotel Panorama, único no mundo onde os quartos virados para o oceano eram mais baratos do que os quartos virados para a cidade, ninguém sabe como foi destruído, ninguém sabe de nada. Lá dentro há quadrilhas de miúdos, sobrevivem dia-a-dia, entre cheiro de gasolina, liamba e outros acessórios de morte, fugindo à Polícia que os vai rusgando de vez em quando.
Assim, sem mais nem menos, os afortunados conseguiram boas casas. Foi só mandar fazer obras com o dinheiro do OGE. Outros, amancebados com o poder, construíram prédios que noutras partes do mundo são proibidos junto à praia. Os primos começaram a pedir para abrir bares e restaurantes. “São meus primos”, disse-me alguém, “que podia fazer senão autorizar?”.
Há muitos anos, a Ilha estava dividida. As praias não eram universais, havia as dos brancos e a dos “patrícios”.O Harlém era em frente da Marinha e os brancos não punham lá os pés, não se misturavam. Depois passou para os soviéticos que estavam na Marinha, iam todos de igual nadar.
No fundo da Ilha, de um lado e do outro, no Cabo e na Chicala, podia-se namorar dentro do carro, mesmo em 1980 havia segurança. À noite podia-se romantizar, mas depois tudo mudou. Os namoros foram para outros lados; o Cabo foi entaipado com obras, já não se chama assim, é o “Ponto Final”. A Chicala já não tem a rotunda nem asfalto e foi tomada por populações que sobrevivem de muitos negócios, desde venda de peixe, mufete, prostituição e, curiosamente, golpeando veleidades turísticas, o parque de recolha de viaturas do Governo Provincial de Luanda assentou arraiais na Praia do Sol, onde nós íamos com as nossas namoradas nos idos 1960.
Hoje, já ninguém fala dos pescadores. Parece que foram tragados pelo mar. Diz-se "vamos à Ilha comprar peixe", mas não se diz a quem se compra, é a alguém indefinido. Na Ilha, hoje, coexistem sem se misturar os portugueses com as suas praias quase privadas e milhares de jovens que deambulam sem sentido, bebendo cerveja ou convivendo apenas, enchendo todos os espaços ao fim de semana e semeando as praias com cacos de garrafas de cerveja.
A Ilha descaracterizou-se, está entaipada. Do lado direito, infindáveis muros de chapa escondem as praias e a Baía, de noite, longos percursos da avenida estão ás escuras e não é agradável. De repente, encaramo-nos com as rotundas sem iluminação. Mas imperam os restaurantes de luxo, de um lado e de outro, com animação nocturnas, mas sem saneamento básico, tudo improvisado, come e os restos deita no mar.
A Baixa
A Baixa de Luanda sem a Marginal não teria norte, já não tem o Porto Pesqueiro frente ao Banco Nacional, nem o Mercado Municipal. Mas ainda tem a Alfândega, a Marinha e a Polícia, convivendo com arranha-céus dignos de um Abu Dabi, com auto-saneamento e auto-energia, onde vivem ou trabalham exemplares da classe alta burocrática, despachando com tranquilidade os expedientes, porque aqui não há pressa para nada.
Para o interior, as ruínas dos armazéns do Minho, onde as senhoras brancas iam comprar tecidos e vestidos, um mundo que se extinguiu, só sobrou o Mabílio Albuquerque que vende “coisas”. A Baixa de Luanda é um extenso e intenso “musseque”, tudo está ocupado, parece que as poucas árvores poluem, cortam-se, ocupam lugares que podem ser rentabilizados pelos miúdos vindos do fim do mundo e que tomaram conta das ruas durante o dia, arrumando e lavando os carros, com “puxadas” de água gratuita da EPAL.
Rainha Njinga, a estátua, enorme, jaz à entrada da fortaleza, à espera que os arranha-céus do Kinaxixi, onde eu já vi uma grande lagoa com uma mafumeira e um majestático mercado de frescos verdadeiros, vindos das hortas da cintura de Luanda, sejam pagos, um dia, um dia, como os portugueses dizem, de “são nunca”.
Avenida Rainha Njinga, que podia ser uma metrópole, mas que em dias de enxurradas se transforma em rio lamacento, lançando água na Baía, rua da dança capoeira dos domingos à tarde, dos candongueiros para os “congolé”, das zungueiras em frente da Sé, que deixou se ser Sé, mas mantém a travessa, vendendo fruta, tambarindos, maçâs da índia, loengos, gajajas, caju, mangas, mulheres sem sorriso sentando no fio do muro ou na pedra para endurecer os interiores, fugindo, fugindo dos fiscais da Administração, submissas, a sua mente se organizou há muito, netas dos rusgados dos cipaios do chefe do posto Poeira.
As galerias Kibabo abriram onde era a antiga, luxuosa e branca Versalhes, agora também dirigidas por brancos, um mundo de compra e venda de tudo: plásticos baratos, pequenos empregos que mal dão para apanhar o candongueiro. Mas a actividade comercial atraiu também um enxame de rapazes sujos, de cabelo a ficar russo, que enfrentam tudo e todos os poderes para ficarem na porta, pedindo esmola para o pão ou para os pais ou para outras coisas.
Há muito, muito tempo, a Baixa era apropriação de uma parte da população branca. A população negra vinha dos bairros, a pé ou de autocarro, trabalhar nas fábricas, nas lojas e nas casas. Muita gente passava a correr pela pensão Fomentadora, no Kinaxixi, para comer uma grande sandes de peixe frito e uma grande caneca de café muito açucarado. Pré-História.
No dia da Independência, no próprio dia, a Baixa transfigurou-se, parecia não existir, nem uma só alma nas ruas, sentia-se medo pela solidão, tinha sido o mundo dos brancos, que de repente foram embora. Quem primeiro se apropriou nos novos tempos da Luanda africana foram os “regressados do Zaire”, invadiram tudo, criaram a venda parada no chão das ruas, não era raro encontrá-los na Mutamba, de manhã, em pijama, na rua. Todo o mundo queria sair dos bairros e viver na cidade do asfalto. Mas era um mundo estranho, não era do povo, era algo que se plantou ali, vindo de fora.
Que futuro?
Sem transportes públicos, sem uma malha comercial digna desse nome, sem saneamento básico conhecido, com escassos minimercados, sem um mercado de frescos, nem sequer uma livraria digna desse nome, a Baixa, e sobretudo a sua parte central, a extensa avenida Rainha Njinga é a parente pobre da Marginal, reconstruída e embelezada pela Independência.
Aí coexistem as classes mais altas e as mais baixas, como dois mundos intocáveis. A degradação do entaipado prédio do antigo “Diário de Luanda” contraria os arranha-céus de vidro, que parecem redomas extraterrestres numa Luanda que precisa de ar, de vento, de céu. Nos becos, também há becos e contrabecos desaguando na Rainha, mil negócios silenciosos. A liamba instalou-se num trono de que não abdica, imperando nos lados dos degradados Coqueiros, outrora coqueluche dos brancos.
Há um plano director, dizem, mas tudo tem plano director em Angola, tudo tem “desiderato” e tudo vai acontecer “brevemente”. O futuro é, pois uma incógnita, como o “X” de uma equação simpels, mas que se complica pela incompetência, pelo laxismo, pela corrupção transversal à sociedade. Por trás de um aparente modernismo, toda esta vasta zona, outrora “chique”, alberga centenas de milhares de pessoas em cada canto, casebres construídos dentro de outros casebres.
Já não há terminal de autocarros digno desse nome na Mutamba. O poder agora é dos candongueiros e dos “corolas”, pão e cerveja de muitos lares. Em plena Rainha Njinga, sim, funciona a “Mutamba”, na esquina frente à Embaixada da Guiné, candongueiros de e para os subúrbios. Tentaram “colocar” mini-autocarros, mas só os vi um dia.
O que vai acontecer a tantos edifícios degradados no tempo colonial? Como será a cidade de Luanda daqui a 20 anos? O futuro a quem pertence? Quem agarra nele com coragem e sem medo? Os “velhos luandenses” estão em risco de extinção. Em seu lugar, uma multidão dessincronizada de jovens, “por enquanto jovens”, imigrantes, vindos de todo o lado, que de Luanda só sabem que têm de ganhar o pão nosso de cada dia e, utopicamente, um emprego.



Pensar e Falar Angola

domingo, 13 de janeiro de 2019

terça-feira, 4 de março de 2014

Luanda demolida - Opinião

Manuel Resende: "Edifícios recém-construídos terão de ir abaixo"

retirado daqui
27-2-2014 13:16
O engenheiro civil está a favor do estudo para a criação do plano directório de Luanda que se iniciou recentemente e estima que a sua implementação vai obrigar à demolição de algumas construções.

Luanda precisa urgentemente de ser ordenada, na opinião de muitos especialistas. Qual é a sua?
A consideração que faço é que há duas Angolas. Uma Angola-Luanda, que é a zona metropolitana, e depois tem a outra Angola. No que se confina a Luanda, que é praticamente uma cidade-Estado, nunca foi tratada com a orientação técnica necessária que deveria ter existido para aconselhar os nossos dirigentes a tomarem as decisões correctas. Deixamo- nos embalar por interesses, fundamentalmente financeiros, sem se pensar na cidade e nos seus habitantes e, actualmente, estamos confrontados com problemas com extrema dificuldade de serem resolvidos. Não temos vias de acesso que permitam o escoamento normal do trânsito, não temos vias de acesso onde se possam instalar as redes técnicas de esgotos, abastecimento de água e energia; não temos estacionamentos. Tudo isso foi ocasionado pelo excesso de população e pela construção desmesurada de grandes edifícios. Nos mesmos 900 metros onde estava implantada uma vivenda está um prédio de 20 andares. Como é que as pessoas vivem? Como circulam? Que qualidade de vida têm? Estes aspectos foram todos descurados, e a grande responsabilidade é exactamente dos técnicos que não tiveram capacidade e coragem de apontar o caminho aos dirigentes.
Mas é um problema de solução possível, de certeza. Qual é a saída?
Há saída, mas vai obrigar que haja algumas amputações, inclusive edifícios recém-construídos terão de ir abaixo para poderem passar estas vias. Como é que se pode ter transportes colectivos nesta cidade? Para o metropolitano pode haver duas ou três linhas na periferia, mas dentro da cidade não há hipótese alguma de haver um metropolitano, nem sequer aéreo. Felizmente já estão a estudar o plano directório de Luanda, e estes técnicos é que irão nos dizer o que deverá ser feito.
Mas não basta o plano, necessitaremos, depois, da vontade política. Acredita que haverá esta vontade?
Acredito que sim, porque não creio que haja alguém que não queira que Luanda seja uma cidade com qualidade, porque, neste momento, não tem qualidade. Não há ninguém que viva aqui que tenha qualidade de vida, e para que tal aconteça é preciso que haja o cumprimento deste plano.
Acredita que haverá, por exemplo coragem para destruir-se edifícios recém-construídos?
O que é preciso é responder a esta pergunta. O que é que nós queremos? Se queremos realmente Luanda como uma cidade com qualidade de vida, terá de haver esta coragem. Tem havido coragem para destruir bairros como a Chicala, por exemplo. Temos muitos exemplos de zonas onde as pessoas tiveram de ser desalojadas. Essa atitude deve ser a mesma em relação ao que estiver a obstruir as necessidades básicas deste plano directório.
Se o plano directório não estiver pronto nos próximos dois anos, e se Luanda continuar (como se prevê) a crescer, que cidade teremos?
Sou de opinião de que, a partir do momento em que se decidir fazer um plano directório, se deveria suspender novas construções, caso contrário, vamos aumentar os problemas e depois seria necessário fazer-se outro plano directório. O que está em curso pode continuar, mas novas construções devem ser suspensas.
Foi ministro das Obras Públicas no primeiro Governo nacional depois da independência. Sente que cometeu alguma falha que tenha contribuído para os problemas actuais da cidade de Luanda?
Quando estive no Governo, exactamente a seguir à independência, os problemas eram completamente diferentes. Luanda estava despovoada. Via-se um carro de vez em quando. À medida que se foi avançando no tempo, as populações da periferia começaram a entrar para a cidade e, nesta altura, deveria ter havido alguns cuidados em termos disciplinares e de regulamentação como existiu, por exemplo, em Moçambique. Nós, aqui, não tivemos. Nisso, posso considerar-me também responsável, embora, pessoalmente, tenha lutado contra essa forma de evolução que se estava a assistir.
Os projectos das centralidades ao redor do centro da cidade não resolveriam o problema de Luanda?
Penso que o problema de Luanda tem de ser resolvido a partir do interior. Esse problema de cidade-Estado tem de ser resolvido com Angola global. Sou contra o permanente investimento em Luanda, em detrimento das zonas do interior, e esta é a minha opinião desde que entrei para o Governo. É evidente que é fácil dizer mas difícil concretizar, mas está a fazer-se alguma coisa, e dou como exemplo o que se fez no Huambo, há meia dúzia de anos, o que está a ser feito em Malanje, o que se fez no Lubango e o que está a ser feito no Soyo. São exemplos de como se pode criar condições muito melhores de vida lá do que aqui em Luanda, cidade que, em termos de qualidade de vida, deve ser das piores do mundo, actualmente.
É fundador e sócio-gerente de uma empresa de projectos, consultoria e gestão. Está satisfeito com as oportunidades e participação das empresas nacionais do género nas obras públicas?
Tenho de dizer que não, porque as empresas nacionais não são olhadas com o respeito e com a verdade que contêm. São completamente ignoradas, postas de lado para dar oportunidades a empresas estrangeiras. Penso que as empresas nacionais deveriam ser acarinhadas, consideradas, pelo menos, em pé de igualdade com as estrangeiras, porque nem isso acontece. As empresas estrangeiras, e nem falo de empresas, mas sim pseudo-empresas. De um indivíduo que vem com um computador e um telemóvel, hospeda-se em um hotel, arranja uma fiscalização algures e faz uma fiscalização miserável; não paga impostos, nem está inscrito na ordem, mas tira trabalho a empresas que criam postos de trabalho e formam o pessoal.
Não será culpa das empresas que não se fazem conhecer, não participam nos concursos ou não apresentam as melhores propostas?
Como é que eu vou apresentar melhor proposta que uma empresa cujos engenheiros nem sequer existem? Estão em Portugal, Espanha ou na China, e apenas vêm se a empresa ganhar o concurso e em condições miseráveis. Nenhum dos engenheiros que tenho ganha menos de 5 mil USD, e os engenheiros que vêm de Portugal, com a crise que há lá, fazem-no por 2500 USD, mas eu não vou buscar estes engenheiros, vou buscar os nossos e pagar-lhes os 5 ou 6 mil USD, porque é isso que leva ao desenvolvimento.
Apesar destes problemas, é um sector aliciante. Há negócios, há lucros?
Falando pela minha empresa, há negócios. Temos trabalhos, devem-nos muito dinheiro, consegue-se progredir, viver e desempenhar as funções a que nos propusemos, com muito trabalho, mas é possível.
Actualmente, fala-se muito de incumprimento na realização das obras por parte das empresas. Na altura em que foi ministro, existiam situações do género?
Não, não tínhamos nem empresas. Andávamos à procurar de restos daquelas empresas que ficaram, sobretudo portuguesas, que cá estavam para formar núcleos que pudessem desenvolver trabalhos. Criámos estruturas dirigidas, fundamentalmente pelo Estado, através das delegações provinciais, mas antes das provinciais, por falta de técnicos para criar uma estrutura em cada província, criámos, inicialmente, as estruturas regionais com três ou quatro províncias.
Chamado, muitas vezes, como "o pai da engenharia", tem certamente uma opinião sobre as diversas obras de engenharia e arquitectura feitas nos últimos anos no País, não tem?
É uma pergunta extremamente difícil, porque a minha opinião pode ser desagradável para muita gente. Há obras com grande grandiosidade, qualidade, mas que não têm angolanidade. São imitações de coisas que foram feitas lá fora e não têm nada que ver com o nosso clima e com a nossa forma de viver. Podia fazer-se as mesmas coisas mas atendendo ao espírito de preservação da cultura angolana. Ao nível, por exemplo, da arquitectura, como é que se destroem obras classificadas mundialmente para se fazer edifícios com fachadas em vidro e alumínio que é uma tremendíssima asneira para climas como o nosso? Isso é para países que precisam de captar o sol, que não é o nosso caso, nós precisamos de outras coisas que tínhamos mas que estão a ser destruídas.
Pode dar um exemplo concreto?
A minha opinião é bastante crítica quando vejo, por exemplo, o que foi feito no actual Ministério das Finanças, que era um edifício extraordinário, mas fecharam-no à boa maneira coreana, transformando- o numa coisa horrível. A mesma coisa aconteceu no Palácio da Justiça.
Participou e coordenou a construção de várias pontes. Se tivesse de fazer estas mesmas pontes, usaria os mesmos argumentos técnicos?
Construi a primeira ponte do Keve, que é a ponte para a qual vim trabalhar; a ponte do Cunene, no Changongo, uma ponte de 830 metros de comprimento; a ponte do Panguila; as pontes da estrada do Sumbe para o Lobito, a ponte da Cahama, assim como quatro pontes na estrada Malanje- Saurimo. São algumas das que fiz. A tecnologia avançou, hoje há métodos que, na altura, não existiam. Se tivesse de fazer actualmente, com certeza, iria adoptar as tecnologias modernas que permitem melhores soluções e mais económicas, mas sem entrar em loucuras como está a acontecer ao fazer-se pontes estaiadas ou atirantadas onde não é necessário como é o caso da ponte da Catumbela.
Trata-se de uma ponte desnecessária para aquela zona, é isso que pretende dizer?
É completamente desnecessária e desaconselhada, porque são pontes com custos de manutenção extremamente elevados, são para ser utilizadas em zonas que assim exigem que não é o caso. Poderia fazer-se uma ponte normal, menos custosa e que exige menos com a manutenção, e é isso que deve ser preocupação das pessoas, porque não basta a obra custar e acabou, a obra precisa de ser mantida, conservada e observada.
E quando é podemos fazer pontes estaiadas?
Se tivemos um rio com 400 metros de leito, temos de criar uma solução que obriga a que haja poucos pontos de apoio no terreno, então vamos para soluções dessas, mas, se tivemos um de 90 metros, não preciso de recorrer a estas tecnologias que são bonitas, mas, na minha opinião, são desaconselháveis.
A recuperação dos caminhos- de-ferro é outro facto em Angola. Também tem registado situações desaconselháveis?
Nos caminhos-de-ferro há também algumas coisas que, na minha opinião, não estão feitas com a qualidade que deveria existir. Refiro-me concretamente ao caminho- -de-ferro de Benguela, que é estratégico, é um caminho- -de-ferro que tem uma justificação, que é o transporte do minério da República Democrática do Congo e da Zâmbia para o porto do Lobito, mas que não foi feito de forma a garantir a rentabilidade deste transporte, quer em termos das pontes (tem 97 pontes desde o Lobito até ao Luau), assim como temos limitações de cargas com vagões que não podem levar mais de 20 toneladas quando deveriam levar, no mínimo, 22 para poder competir com os transportes de carga das minas da Zâmbia; temos também limitações de velocidade muito grandes, e isso onera extremamente o transporte de minérios.
César Silveira


Pensar e Falar Angola

sábado, 4 de janeiro de 2014

Natal na Samba - 2013

Uma bela animação automática do Google+ de uma fotografia tirada em telemóvel, de uma árvore de Natal, no bairro da Samba, em Luanda, 2013.

Pensar e Falar Angola

sábado, 4 de maio de 2013

O Estúdio de Actores; já ouviu falar?

Pensar e Falar Angola



Pensando e Falando Angola e das iniciativas civis para a formação e expansão da disciplina de teatro e interpretação cénica, falamos desta acção chamada O Estúdio de Actores.

O Estúdio de Actores surgiu a 7 de Setembro de 2011, como uma actividade conjunta de actores que queriam partilhar o seu conhecimento académico.

Temos como objectivo formar, melhorar e expandir o conhecimento no ramo da interpretação cénica e também faz parte deste mesmo objectivo dar aos participantes dos nossos cursos, a oportunidade de experimentar o teatro de uma forma diferente: não como algo estranho, fora das suas vidas, misterioso e inacessível, mas como uma linguagem natural, divertida e transformadora. 

A nossa acção é dirigida a todas as pessoas especialistas nas suas próprias vidas, que tenham vontade de usar o teatro como meio de criação, transformação e diálogo. Não é exigido qualquer tipo de experiência em teatro, apenas vontade de existir, de apreender e de se surpreender.

Existem duas opções de formação no nosso Estúdio:

1. <<Teatro para crianças>> (dos 7 aos 14 anos) que acontece aos sábados das 10h00 as 13h00 dando oportunidade aos mais novos explorar novas e diferentes alternativas fora da sua rotina escolar com a oportunidade de interagir com os seus semelhantes num processo criativo e de descoberta interior e exterior.

Veja mais detalhes na matéria de sábado 2 de Março - Teatro para Crianças


2. <<Curso de Actores>> (para todas as idades a partir dos 15 anos em diante), que inicia a 3 de Junho de 2013 e terá lugar todas as segundas e quartas-feiras das 15h00 as 18h00, abrindo oportunidades para os seus participantes não somente na aprendizagem em si, mas também na experiência profissional do ramo e guia de uma carreia como actor ou actriz.


Esta é uma oportunidade para explorar a linguagem do teatro como alternativa a temas difíceis de falar e/ou de explorar, utilizando um sistema de comunicação aberto, baseado em dinâmicas onde se potencia o jogo numa abordagem divertida e descontraída, como forma de ativação e consciência sobre o indivíduo e a sociedade.

"Agir no teatro para nos tornarmos os verdadeiros protagonistas das nossas próprias vidas."

INSCRIÇÕES ABERTAS

Estamos localizados na baixa da Cidade de Luanda (Angola) na rua 25 de Abril, Edifício da Associação 25 de Abril, no 1º andar.

Para mais informações não deixe de nos contactar por telefone 
(925 690 103 ou 915 869 511) ou por e-mail: estudiodeactores11@gmail.com

domingo, 3 de março de 2013

Curso de Teatro para Crianças em Luanda

Pensar e Falar Angola





A não perder e todos (pais e filhos) sairão a ganhar. Durante quase um ano que terá a oportunidade de ver o seu filho ou filha a crescer graças a essa maravilhosa arte que é o TEATRO!
10 Motivos para o seu filho fazer teatro
Ser aplaudido é a perfeita situação que traduz o sentimento de bem-estar que envolve os praticantes da arte teatral. E isso se reflete na autoestima da criança, pois ela faz parte de um trabalho que é apreciado pelas pessoas. 
Se o seu filho morre de vergonha de falar na frente de muitas pessoas, como na apresentação de um trabalho escolar, o teatro pode ajudá-lo a aprimorar as suas habilidades sociais. Quando estão a representar personagens, as crianças conseguem  soltar-se. Ao atuar, elas perdem a timidez porque ninguém as está julgando. Os exercícios de aquecimento vocal, como a repetição de frases , melhoram a colocação da voz e garantem confiança na hora de falar em público. 
Quando se pretende representar alguém, é importantíssimo colocar-se em seu lugar: tentar entender como o personagem pensa e o que sente. Esse simples exercício de imaginação acaba por desenvolver a empatia, habilidade importantíssima para o relacionamento social. Para ter uma ideia, a principal característica dos psicopatas é a falta dessa capacidade. Compreendendo melhor cada um, a criança aprende a tolerar as diferenças e a respeitar o próximo.
Além disso, como a atividade teatral é coletiva, a criança precisa aprender a se relacionar com diversas pessoas, inclusive aquelas de que não gosta muito. Com o tempo, isso promove a integração, a criança fica mais acessível no convívio com o outro. Pode facilitar inclusive o convívio com os familiares. 
Conhecer o outro nos ajuda a conhecer melhor a nós mesmos, a definir nossa identidade. O teatro também auxilia nessa jornada quando possibilita a elaboração interna de questões pessoais e coletivas por meio da metáfora, da poesia, do lúdico, do criativo...
 Outra gama de exercícios propostos em um curso de teatro é direccionada para estimular a percepção dos sentidos, como dançar de olhos vendados. Isso faz com que a criança desenvolva melhor coordenação motora, percepção espacial e consciência de seu corpo, além de aumentar sua capacidade de expressão. 
 Por ser uma atividade colectiva, o teatro também aprimora a convivência em grupo. O sucesso de todos depende do trabalho de cada um. Por isso, é importante aprender a lidar com o colega, saber expor ideias e críticas e principalmente aprender a respeitar a opinião dos outros. Encenar uma peça também exige comprometimento e dedicação. Os ensaios são recorrentes e a criança irá aprender que seu atraso atrapalha o progresso de todo grupo, tornando-se, assim, mais responsável. 
Como teatro é uma arte multidisciplinar (envolve literatura, artes plásticas, música entre outros), a prática proporciona o desenvolvimento de diversas habilidades. Por exemplo, nas escolhas que envolvem uma montagem teatral, as crianças podem explorar a criatividade a: montar o cenário, a desenhar o figurino, a compor músicas, e a escrever peças… Além disso, é preciso refletir sobre as escolhas na construção do espectáculo e isso também articula a criatividade e o raciocínio para a solução de problemas. Para encenar uma peça é preciso lembrar-se de muitas de coisas: sua fala, sua posição em cena, a ordem de entrada no palco… Para não errar, seu filho vai se esforçar para não esquecer nada. O cérebro agradece o exercício e retribuirá com uma memória mais eficiente. 
Quando faz teatro, a criança é convidada a conhecer diversos mundos das artes. O texto dramatúrgico a aproxima da literatura; a sonoplastia e trilha sonora abrem asas para a música; os figurinos trazem a moda para a cena; a construção de cenários dialoga com elementos da arquitetura e artes plásticas. Essas referências expandirão seu horizonte cultural e instigarão sua vontade de conhecer mais. 
Os benefícios do teatro também se refletem em sala de aula. A capacidade de concentração e o constante exercício de memorização podem ajudar na hora da prova, enquanto o contacto permanente com a literatura melhora o vocabulário, a escrita e interpretação de texto. Com o teatro, a criança desenvolve o espírito investigativo e curioso, necessário para encontrar soluções criativas para os jogos teatrais propostos. Essa vivência possibilita que a criança perceba sua capacidade em pensar soluções, experimentar caminhos, vivenciar o diverso e aprender com o outro. 
Todas as habilidades pontuadas anteriormente são consequências da prática teatral. A importância do fazer teatro, isto é, do contacto com estímulos sensíveis, que faz o imaginário das crianças voar, recriando mundos e relações por meio do teatro . Para além das habilidades funcionais, uma montagem teatral deve querer dizer algo para as crianças e seu mundo e, também, dialogar no contexto que vivem. Assim, ela ganha uma autonomia que a estimula para a expressão artística.






Texto adaptado de: http://nequidnimis.wordpress.com/2012/01/18/10-motivos-para-seu-filho-fazer-teatro/

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