quinta-feira, 2 de fevereiro de 2023
NAMIBE EMPRESTA CENÁRIO PARA FILME DE HOMENAGEM A RUY DUARTE DE CARVALHO
quinta-feira, 8 de maio de 2014
Homenagem a Ruy Duarte de Carvalho
Dia 12 de Maio, em Lisboa, RUY DUARTE DE CARVALHO é homenageado no Espaço Nimas com a exibição de três curtas-metragens da série "Presente Angolano - Tempo Mumuíla" e com uma conversa com José Eduardo Agualusa, Marta Lança e Paulo Branco. Não percam!Pensar e Falar Angola

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011
Um livro à deriva: autocolocação e construção do livro na trilogia ficcional de Ruy Duarte de Carvalho
Um livro à deriva: autocolocação e construção do livro na trilogia ficcional de Ruy Duarte de Carvalho
Ruy Duarte de Carvalho | 27 Outubro 2011 | discurso, experiência cultural e humana, livros, ruy duarte carvalho, terceira metade, vou lá visitar pastores
quarta-feira, 29 de setembro de 2010
Uma Homenagem a Ruy Duarte de Carvalho
Parallèlement, il fait paraître des poésies (elles ont fait l'objet d'une réédition sous le titre Lavra-Poesia 1970-2000 en 2005), une (unique et courte) fiction ayant pour titre Como Se o Mundo Nao Tivesse Leste - 1977 (Comme si le monde n'avait pas d'Est), des études anthropologiques, notamment Vou La Visitar Pastores (1999), récit descriptif et analytique portant sur le mode de vie des Kuvale - bergers nomades éleveurs de bétail et qui évoluent au sud de l'Angola à frontière de la Namibie - dont une adaptation cinématographique a été présentée au Festival du Film de Maputo de 2008 et de multiples publications dans différents périodiques (y compris français) touchant les problèmes socio-économiques et culturels engendrés par le départ des colons ou par telle ou telle décision des autorités du M.P.L.A. Quel que soit le type de productions considérées, toutes ont un point commun : elles sont ancrées dans un milieu géographique et humain parfaitement circonscrit. Et derrière la volonté de cerner au plus près le vivre, le sentir et le penser de communautés mal connues car minoritaires, se fait four un total respect pour ces populations, d'autant qu'à leur contact, Ruy Duarte découvre une esthétique axée sur les connaissances géo-climatiques des autochtones.
A travers les proverbes et autres manifestations collectives de leur culture, il s'ouvre à une voix impersonnelle capable de capter aussi bien les observations les plus terre à terre ayant trait à la vie de tous les jours que les mythes fondateurs de la culture locale. Son discours n'a rien de dogmatique ; il donne à lire les réflexions de l'auteur sur son propre travail, sa peur obsessionnelle de trahir ou de méconnaître tel ou tel événement, tel ou tel comportement, la joie ressentie en ayant le sentiment d'avoir pénétré ce qu'est la beauté féminine, d'avoir mesuré l'importance des transhumances, d'être parvenu à faire d'une zone désertique son ère de vie matérielle et intellectuelle. La description au plus près de l'observation sur le terrain côtoie ainsi l'émotion ou le sentiment personnel. Et par-dessus tout, il porte témoignage sur des communautés qui, parce qu'elles vivent à l'écart des grands centres urbains, ont conservé intactes leurs traditions et leurs langues mais qui finissent par être rattrapées par la modernité et sa mécanisation à outrance avec toutes les conséquences négatives qui s'ensuivent en ce qui concerne les modes d'appréhension du monde extérieur, les rapports au savoir traditionnel, l'éducation etc. Un des points les plus originaux de l'œuvre de Ruy Duarte, c'est cette interrogation de plus en plus approfondie au fil du temps sur les capacités de la langue à exprimer les réactions du poète-chercheur devant tel ou tel phénomène tout en restituant le plus fidèlement possible les faits, gestes et pensées des autochtones. En cela, et malgré des différences notoires, il se révèle proche de Michel Leiris qui avait su mener de front un travail ethnographique et une interrogation sur sa propre pratique poétique.
Pensar e Falar Angola
domingo, 15 de agosto de 2010
14/08/2010 | Ruy Duarte de Carvalho | CultLAC | com João Armando
14/08/2010 | Ruy Duarte de Carvalho | CultLAC | com João Armando http://www.buala.org/pt
Pensar e Falar Angola
quinta-feira, 12 de agosto de 2010
Morreu Ruy Duarte de Carvalho
Morreu o escritor Ruy Duarte Carvalho
2010-08-12
O escritor, poeta, cineasta, artista plástico, e antropólogo Ruy Duarte Carvalho morreu na sua casa na cidade de Swakopmund, na Namíbia. A notícia foi avançada hoje à à Lusa pela escritora angolana Ana Paula Tavares.
De acordo com a edição online do diário "Público", o escritor foi encontrado sem vida na casa para a qual foi viver depois da reforma. O filho de Ruy Duarte Carvalho, ainda em declarações ao mesmo jornal, afirmou que não tinha informações do pai há alguns dias.
O autor, que tinha 69 anos, nasceu em Santarém mas passou grande parte da sua infância e adolescência na província de Namibe, em Angola, tendo regressado a Portugal nos anos 60 para frequentar e concluir o curso de regente agrícola. Logo de seguida, regressou a Angola para pôr em prática o que tinha aprendido.
Angola foi, de facto, o país para o qual Ruy Duarte de Carvalho sempre regressou. Em 1974, depois de ter dividido o seu tempo entre Maputo e Londres, onde frequentou um curso de cinema, voltou ao país da sua infãncia. A ligação a Angola tornou-se ainda mais efectiva com o pedido de nacionalidade angolana que o escritor solicitou em 1983.
É também sobre Angola, mais precisamente sobre os pescadores da costa de Luanda, que incide a sua tese de doutoramento em Antropologia na École de Hautes Études en Sciences Sociales, em Paris.
Exerceu a actividade de Professor da Universidade de Luanda e foi Professor Convidado na Universidade de Coimbra (Portugal) e na Universidade de São Paulo (Brasil).
Dos seus cerca de 20 livros de poesia, ficção, viagem e ensaio publicados, destacam-se “Vou lá visitar pastores”, “Actas da Maianga”, “Os papéis do inglês” e “Lavra”.
Da sua filmografia constam os filmes "Nelisita: narrativas nyaneka", de 1982, e "Moia: o recado das ilhas", realizado em 1989.
quarta-feira, 16 de setembro de 2009
Ciclo Ruy Duarte de Carvalho
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Marta Lança
Coordenadora comunicação e imprensa do DOCKANEMA
Festival de cinema documentário
11-20 Setembro 2009 /// Maputo
Av do Zimbabwe 1348
+258 845492989 (moz)
+351 964878330 (pt)
retirado do Facebook - ArtAfrica's Notes
Pensar e Falar Angola
sexta-feira, 7 de agosto de 2009
Duas margens do Atlântico
Em seu perspicaz ensaio, a autora Márcia Nascimento desvela as vozes dos poetas Ruy Duarte de Carvalho e Edimilson Pereira. O primeiro traz em seus versos o canto das terras angolanas, o segundo, os sons dos tambores outrora tocados nas Minas Gerais, a vibração das danças e dos cantos afro-brasileiros. Ambos, com versos, cantos e gestos, criam suas etnopaisagens.
Por Márcia Nascimento[*]
Edimilson de Almeida Pereira. Foto de Prisca Agustoni
Nas vozes poéticas de Ruy Duarte de Carvalho e Edimilson Pereira podemos identificar o mesmo exercício com paisagem, estabelecendo uma maneira inusitada de recriar o campo cultural negro-africano. Pelas paisagens textuais de suas propostas poéticas, funda-se a base de sustentação do diálogo entre duas margens do Atlântico: Brasil e Angola. Diálogo esse que se fundamenta através também de suas molduras etnográficas, que aliadas ao processo de construção identitária de territórios, são consideradas “sociedades tradicionais”, porque ainda nos dias de hoje, são espaços que mantém uma substância etnográfica endógena – Arturos e Kuvales.
Ruy Duarte de Carvalho
Estes poetas-etnógrafos realizam uma reconstrução, em etnopaisagens, nas malhas das letras do corpo cultural que se mantém vivo, transformando-se em espaços profícuos para a inscrição, por intermédio da oralidade, da língua e desse corpo textual africano na escrita. Nesse sentido, a palavra torna-se um dispositivo para acessarmos a memória coletiva dessas comunidades e esses poetas, instrumentos de sonoridade para orquestrar as relações entre o homem e a natureza. Nas palavras de Michel Collot (2005): “o poeta vibra ao som dos elementos da paisagem, tornando-se um instrumento rítmico de mesma tonalidade afetiva, musical” (COLLOT, 2005, p.54), e por extensão, acrescentamos o caráter mágico à tarefa de tradução cultural de Ruy Duarte e Edimilson Pereira, principal elemento que os auxiliam na modalidade de (en) cantar a natureza.
Assim Ruy Duarte, em Lavra (2005) opta por uma paisagem textual para o retorno ao sublime em sua poesia ao escolher uma linguagem mais grata que o silêncio para compor o livro Hábito da terra.
Tranquilas são as paisagens em que a idade não conta. A minha pele já quase nada guarda do grão que a destinava ao alvoroço das manhãs festivas. Poderia acolher o vento dos augúrios, o seu sinal na areia ou a palavra que o medo desbastou até o seu caroço de murmúrios. Há tardes em que a chuva se interrompe e a transparência invoca outro temor porque um silêncio assim acorda o sentimento e pode revelar, para além do corpo, as secretas razões de alguma voz futura. (CARVALHO, 2005, p.237)
Desse modo, o seu texto inscreve os sons, os tons, os gestos e as palavras, o significante de comandar o ritmo e garantir a forma da escrita, num encontro da memória com a sua origem. A conjunção entre o corpo e as paisagens configura-se numa maneira de organizar as vozes poéticas como se fosse textos, rimar enfim as palavras e os gestos. Também um modo de orquestrar a dimensão do gesto, a dinâmica do tempo e a identidade do espaço.
Num movimento similar, o outro instrumento de sonoridade eleito para essa leitura, Edimilson Pereira também faz da palavra, um dos elementos simbólicos para sedimentar, na margem de cá do Atlântico, a sua artesania poética. Em seu Livro de falas recolhido na Casa da Palavra (2003) temos,
A terra de tudo, jamais serei outra. Conheço meus segredos, mas há sempre o nome da flor nascente que me escapa. São nomes futuros, sementes e grãos que me entontecem. Ah, a toda criação me asila em gestos de quase infinita espera. Sou terra úmida, fonte perdida entre as folhas. Estimo as raízes que me saem destino ou flor espetalada. (PEREIRA, 2003, p.31)
Consoante ao pensamento de que a paisagem é um estado de alma e perseguindo as considerações de Michel Collot, em Paysage et Poésie, o poeta deve ser capaz de descrever e compor ao mesmo tempo: a ambientação de uma paisagem, sua coloração afetiva e a tonalidade do poema. Orquestrar, pois, as características fundamentais da paisagem, que se instaura entre os elementos do mundo exterior, a consciência humana e a ressonância do poema. Essa musicalidade ou ressonância afetiva da paisagem é recorrente no trabalho poético tanto de Edimilson Pereira quanto de Ruy Duarte. E é exatamente a partir da perspectiva da etnopaisagem que esses poetas da palavra e do gesto estabelecem uma comunhão entre o texto, o corpo e a cultura negro-africana. Esse exercício poético dinâmico exprime, nas experiências sobre suas próprias paisagens textuais, as inspirações interiores dos corpos culturais e manifestações dessas comunidades tradicionais. Um caminho para o diálogo e estreitamento de laços afetivos dessas duas margens atlânticas – Brasil e Angola.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
CARVALHO, Ruy Duarte de. Lavra. Lisboa: Cotovia, 2005
PEREIRA, Edimilson de Almeida. Casa da palavra. Belo Horizonte: Mazza, 2003.
COLLOT, Michel. Paysage et Poésie. Paris: José Corti, 2005.
[*] Márcia Nascimento é doutoranda em Literaturas Africanas de Língua Portuguesa – Literatura Comparada na Universidade Federal Fluminense.
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