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sábado, 24 de abril de 2021

Palavra à dança


Palavra à dança com  Ana Clara Guerra Marques à Sombra da Mulemba 

É  certamente uma das maiores autoridades angolanas quando o assunto é dança.
Domingo, 25, no programa  Conversa à Sombra da Mulemba da Rádio Mais (99.1 www.radiomais.co.ao) vamos celebrar antecipadamente o Dia Mundial da Dança, das 14 às 16 horas, com a Ana Clara Guerra Marques. 
A Ana é mestre em Performance Artística – Dança,  licenciada em Dança na área da Educação. É,  igualmente,  bailarina, coreógrafa e investigadora. 
Pioneira da dança contemporânea em Angola,  trabalhou  37 anos no Ministério da Cultura, tendo sido directora da Escola Nacional de Dança e consultora de  vice-ministros  e da  ministra da Cultura.
Fundadora da Companhia de Dança Contemporânea de Angola(CDC), propôs novas estéticas e novos conceitos de espectáculo para a dança angolana.


Pensar e Falar Angola

sexta-feira, 27 de abril de 2018

A Pensar no Dia Mundial da Dança

Porque a Cultura faz parte da essência de qualquer País e este BLOG, mesmo em laboração lenta, não quer deixar de manifestar o seu apoio à Companhia de Dança Contemporânea de Angola, não por ser uma apenas uma mais valia importante mas também porque reconhecemos o seu trabalho e vemos nela um trabalho de anos feito.




Em Angola, a dança está cada vez mais em mãos de quem não estudou, não dançou, não sabe coreografar, nunca viu uma peça de dança mas que se auto-denomina  "professor(a)", "coreógrafo(a)", "director(a) artístico(a)", "bailarino(a)", designações que são largamente multiplicadas e repetidas pelos / nos  media, dando a impressão, errada, de que existe uma comunidade de dança activa e culta em Angola. O solo é fértil! Tudo cresce! E enquanto a diversificação da economia não chega (Lollll), as ervas daninhas continuam a tomar conta dos campos!
No que me toca, continuo, na quase marginalidade, a trabalhar com a CDC Angola, companhia histórica, inovadora, a única que faz da dança uma actividade intelectual mas que, também em Angola, não tem merecido o reconhecimento que lhe seria devido em qualquer outra geografia (onde a arte e os artistas, percursores, criadores, etc., são respeitados e não utilizados como "medicamento para o stress"). Vale-nos a confiança e apoio permanentes do Banco e da Fundação BAI e, claro está, do público que nos é fiel.
Continuo, também, a escrever para que um dia a história não esteja vazia neste capítulo e para que as novas gerações (as muito futuras!) venham a saber que houve alguém que não alinhava na mediocridade, defendia a dança como Arte e lutava para que as profissões a ela ligadas fossem dignificadas.
Leiam o texto*, recebam um abraço e aceitem as minhas saudações coreográficas!

Ana Clara

fotos de Rui Tavares

Eis o texto:
COMPANHIA DE DANÇA CONTEMPORÂNEA DE ANGOLA 
Mensagem do Dia Mundial da Dança 
ARTE. PROFISSIONAIS. CRIADORES. ENTRETENIMENTO. DIFERENÇA. FAZEDORES. INTELECTO. LIBERDADE CRIATIVA 
- PONTOS PARA UMA REFLEXÃO - 
Numa data em que se celebra o nascimento do coreógrafo Jean-Georges Noverre, a CDC Angola desafia a sociedade para uma reflexão mais alargada, a qual convoca os propósitos deste teórico francês, ao exigir para a dança um estatuto profissional quando, há quase 300 anos, defendeu a necessidade de um suporte teórico e técnico para os professores, coreógrafos e bailarinos. Embora esta questão seja alvo da nossa insistência propomo-nos, desta vez, realçar um aspecto que esteve subjacente às reformas que Noverre estabeleceu. Ao reivindicar a criação de obras exclusivamente dançadas e com uma linha narrativa autónoma, ele pretendia desviar a dança do papel meramente subsidiário e de artifício que esta possuía dentro dos grandes espectáculos de ópera, o que nos remete para um conjunto de questões como, por exemplo, o significado de Arte e de entretenimento, a diferença entre profissionais e “fazedores” ou o conceito de liberdade criativa. Porque, no nosso país, estes termos estão ainda desprovidos de contornos precisos, é fundamental circunscrever, ainda que de forma resumida, cada um deles. Se o entretenimento tem como propósito a distração e é sinónimo de lazer, a Arte desenvolve-se a nível das sensibilidades, conduzindo-nos a uma redefinição simbólica e levando-nos mesmo ao questionamento sobre a complexidade da nossa própria natureza. Enquanto a Arte, com as suas linguagens codificadas, nos obriga à reflexão, o entretenimento, com os seus padrões fáceis e repetitivos, com os seus lugares comuns popularizados e com todo o aparato de reprodução das indústrias culturais, pretende, justamente, o contrário; enquanto a arte nos leva a pensar sobre as adversidades da condição humana, o entretenimento desempenha a função inversa de nos fazer esquecer os problemas da nossa existência. Resumo 1: se o entretenimento nos inibe o raciocínio, a Arte, pelo contrário, é um desafio ao nosso intelecto. Por seu lado, a diferença entre “fazedores” e artistas profissionais é consubstanciada pela evidência democrática de que fazer cultura é um direito de todos, mas que contrasta com a realidade “elitista” de que ser artista é uma actividade restrita àqueles que, para além de serem naturalmente dotados, potenciam as suas qualidades através de uma formação selectiva que os dota de habilidades especializadas e exclusivas. Fazedores de arquitectura ou arquitectos? Fazedores de direito ou advogados? Fazedores de pedagogia ou professores de várias disciplinas? Fazedores de medicina ou médicos de várias especialidades? Então qual a razão da utilização única deste termo genérico e redutor – que uniformiza, esbate ou elimina as diferenças – e não a especificação de profissionais das Artes onde se distinguem, entre outros tantos, pintores, actores, compositores, bailarinos, coreógrafos e mesmo os técnicos com especializações, ligados ao espectáculo? Apelidar coreógrafos e bailarinos de meros “fazedores” é retirar-nos a singularidade e o orgulho de termos adquirido um conhecimento científico teórico e prático, num dos mais longos e exigentes processos de formação (nunca inferior a 8 anos). Resumo 2: Se, de um “fazedor”, apenas se espera que faça; de um profissional exige-se que saiba porquê e como fazer. Por último, e como defendeu Noverre, para se ser arista criador há que ter, além de uma base cognitiva sólida, um conhecimento profundo e abrangente da natureza humana, dos afectos, dos conflitos, da essência psicológica, acrescentando-se que um criador contemporâneo utiliza as distintas linguagens artísticas para expressar a sua visão pessoal do mundo e dos contextos que o envolvem. Desafortunado é o artista que não possui ideias próprias e que não pode (ou não quer), por pressões de diversa índole, criar livremente sem quaisquer condicionantes. Ser livre é ter a capacidade de poder construir mundos imaginários. E esta liberdade é restrita aos Artistas. O único propósito da Arte é existir; sem quaisquer obrigações ou objectivos a priori. A Arte não se fabrica; ela acontece. O artista é, por natureza, inquieto, insatisfeito, irreverente, mas deve ter “ideias originais”, ou seja, criatividade. Por outro lado, o artista enquanto intelectual deve ser, com as capacidades que possui, um interveniente social. A ele cabe surpreender, abanar, chocar, alertar. Sem o fazer de forma gratuita, espera-se dele a coragem e a responsabilidade de enfrentar, confrontar, produzir um olhar crítico e fundamentado, que leve os outros à vontade de transformar, impedindo a acomodação e a resignação. Resumo 3: Apesar dos conceitos de arte e de artista serem controversos e com graus de abrangência variáveis, é indiscutível que devem passar pelo talento natural, por um saber especializado e por uma nota de genialidade que conferem ao artista o poder de ser livre, único, original e genuíno para criar e partilhar os universos artísticos por si idealizados. O artista pode fazer entretenimento? Sim, mas entretenimento não é necessariamente arte. Os “fazedores” podem fazer arte? Talvez, mas não são profissionais. Todos podem ter ideias geniais? Não e apenas os artistas são capazes de conceber e codificar, de materializar e sustentar obra, recorrendo às diversas linguagens artísticas. Gabinete de Divulgação e Imagem da Companhia de Dança Contemporânea de Angola, em Luanda, Abril de 2018

Pensar e Falar Angola

domingo, 29 de junho de 2014

PAISAGENS PROPÍCIAS, CDC


NOTA DE IMPRENSA

A Companhia de Dança Contemporânea de Angola apresenta, no Auditório Pepetela do Centro Cultural Português, em Luanda, PAISAGENS PROPÍCIAS, uma peça inspirada nas vivências e na obra do antropólogo angolano Ruy Duarte Carvalho e que revisita os povos do deserto do Namibe no sul de Angola.

Criada para a CDC Angola em 2012 pelo coreógrafo Rui L. Graça, com música original de João Lucas e desenho de figurinos de Nuno Guimarães esta obra, cuja apresentação em Angola foi cancelada por falta de condições no único
teatro da cidade de Luanda, teve estreia mundial em Janeiro de 2013, na abertura da Temporada de dança do Teatro Camões, em Lisboa. A um conjunto inicial de três espectáculos, seguiu-se uma digressão por outras cidades
portuguesas, tendo a peça sido apresentada, com o mesmo sucesso em Cuba, Israel e Espanha.
Apesar de persistir a falta de teatros em Luanda e da dificuldade em reunir as condições técnicas exigidas por esta obra, a CDC Angola insiste na apresentação desta peça, como forma de honrar o incondicional compromisso assumido com o seu o público, para o que conta com a prestimosa colaboração da direcção do Camões – Centro Cultural Português que, gentilmente coloca a sua sala à disposição para as necessárias adaptações.
O espectáculo, classificado para maiores de 12 anos, terá lugar do dia 07 ao dia 11 de Julho, pelas 19.00 Horas e os bilhetes serão vendidos ao preço único de 3.000 Kwanzas.
A CDC Angola informa que não será possível o acesso à sala depois do encerramento das portas, lembrando também que é expressamente proibido fotografar e filmar.

Gabinete de Divulgação e Imagem da CDC Angola, em Luanda, aos 16 de Junho de 2014.




Pensar e Falar Angola

domingo, 15 de junho de 2014

SOLOS PARA UM DÓ MAIOR

NOTA DE IMPRENSA

A Companhia de Dança Contemporânea de Angola estreia, no Auditório Pepetela do Centro Cultural Português, em Luanda, SOLOS PARA UM DÓ MAIOR, uma peça intimista construída com base num processo de pesquisa individual e improvisação, sobre um conjunto de personagens retiradas de
um conto da literatura oral angolana. A articulação com extractos da obra “A Cidade Cruel” do escritor camaronês Eza Boto (Mongo Betti) abre ao público a possibilidade de desenvolver, livremente, a sua própria interpretação. Implícitas estão a Vida e a Morte. Os espectáculos, classificados para maiores de 12 anos, terão lugar nos dias 23, 24, 25 e 27 de Junho às 19.00 Horas. Os bilhetes serão vendidos ao preço único de 2.500 Kwanzas, a partir do dia 23 nas instalações do CCP.
Para a comodidade de todos e por questões técnicas, a CDC Angola
informa que não será possível o acesso à sala depois do espectáculo ter
início, bem como será expressamente proibido fotografar e filmar.


Gabinete de Divulgação e Imagem da CDC Angola, em Luanda, aos 16
de Junho de 2014SOLOS PARA UM DÓ MAIOR é uma peça
construída com base num processo de pesquisa individual e improvisação, sobre um conjunto de personagens retiradas de um conto da oratura angolana. A articulação com extractos da obra “A
Cidade Cruel” do escritor camaronês Eza Boto (Mongo Betti) abre ao público a possibilidade de desenvolver, livremente, a sua própria interpretação. Implícitas estão a Vida e a Morte.

DIRECÇÃO ARTÍSTICA
Ana Clara Guerra Marques

COREOGRAFIA
Criação colectiva

MÚSICA
J. S. Bach, Philip Glass, Dead can Dance,
John Cage, Jan A. P. Kaczmarek

BAILARINOS
Adilson Valente, André Baptista, António
Sande, Armando Mavo, Benjamim Curti,
Samuel Curti, Zuni Curti

TEXTOS
Extractos da obra A Cidade Cruel de Eza
Boto.
Leitura: Nuno Guimarães

FIGURINOS
Nuno Guimarães
Confecção: Atelier Elisabeth Santos

LUZES
Puromix / Ivo Machado

Desenho da capa © Nuno Guimarães


O ACESSO À SALA SERÁ INTERDITO
LOGO APÓS O INÍCIO DO ESPECTÁCULO.





É EXPRESSAMENTE PROIBIDO
FOTOGRAFAR E FILMAR DURANTE O
ESPECTÁCULO









http://cdcangola.com
info@cdcangola.com








A CDC Angola é apoiada pelo
Banco



 Centro Cultural Português











 SSOOLLOOSS
 PPAARRAA
 UUMM
 DDÓÓ
 MMAAIIOORR



Um espectáculo da

COMPANHIA DE DANÇA
CONTEMPORÂNEA DE ANGOLA



23, 24, 25 e 27 de Junho 2014
19H00


Pensar e Falar Angola

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

CDC ANGOLA - 22 ANOS DE EXISTÊNCIA

CDC ANGOLA - 22 ANOS DE EXISTÊNCIA
27. DEZ. 1991 - 27. DEZ. 2013

No dia 27 de Dezembro de 1991 estreava-se a Companhia de Dança Contemporânea, no Teatro Avenida, com a peça "A propósito de Lweji". Os principais papéis foram dançados por Ana Clara Guerra Marques, Vanda Nascimento, João Paulo A. Costa e Francisco Waldemar T. Bastos. A estes quatro, juntou-se o fotógrafo Rui Tavares, constituindo o núcleo de fundadores da CDC Angola. 
Hoje, cumprimos 22 anos de existência!
São 22 anos a resistir, a mudar, a inovar, a revolucionar, a ensinar, a educar, a elevar, mas também a sofrer, a insistir, a relevar, a perdoar, a ignorar e a sermos vítimas de muitas incompreensões e injustiças. Todavia, e como desistir não está nos nossos planos, aqui estamos para mostrar que quando se acredita, a energia não se esgota!


Pensar e Falar Angola

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

PAISAGENS PROPÍCIAS PELA CDC

NOTA DE IMPRENSA
PAISAGENS PROPÍCIAS PELA CDC
ANGOLA EM SEGUNDO LUGAR
 A coreografia Paisagens Propícias foi eleita pela crítica especializada do jornal “Público”, a segunda melhor peça de dança entre as criações portuguesas e internacionais, apresentadas em Portugal, durante o ano de 2013. Considerada pelo jornalista e crítico de arte Tiago Bartolomeu Costa “um exemplo feliz de uma colaboração internacional”, Paisagens Propícias foi criada pelo coreógrafo português Rui Lopes Graça para a Companhia de Dança Contemporânea de Angola, propondo-nos a recuperação de memórias e heranças, a partir das vivências e da obra do antropólogo angolano Ruy Duarte de Carvalho, celebrando uma vida que se continuou nas vidas, nas geografias e nas culturas dos povos do sul de Angola, que habitam o deserto do Namibe. Com música original do compositor João Lucas, desenho de figurinos e cenografia de Nuno Guimarães e esculturas de Isaac Dikuiza, Paisagens Propícias teve a sua estreia mundial no Teatro Camões em Lisboa, em Janeiro de 2013 (tendo-se seguido uma digressão pelo Porto e Bragança). Apesar de ainda não ter sido apresentada em Angola, por falta de espaço cénico apropriado, foi já vista em Cuba, Israel e, mais recentemente, em Espanha a convite do Ministério da Cultura e da Embaixada de Angola naquele país, no âmbito do programa de internacionalização da cultura angolana. Acreditando que o desafio da criação deva ser a internacionalização, Tiago Costa refere ainda, no seu artigo publicado no suplemento “Ípsilon”, que a presença de obras que, como Paisagens Propícias procurem outras linguagens corporais e opções estéticas, “mostra a necessária reflexão sobre o modo como a criação contemporânea, mais do que transnacional, trabalha a partir de contrapontos e nos interstícios dos discursos formatados”. Com Paisagens Propícias a CDC Angola foi posta à prova junto de nomes internacionais de referência como Companhia Marie Chouinard, Wim Wandekeybus, Olga Roriz, Clara Andermatt, Raimund Hoghe, Monika Gintersdorfer & Knut Klassen. Gabinete de Divulgação e Imagem, da CDC Angola em Luanda, aos 06 de Dezembro de 2013


Artigo de TBC em: http://ipsilon.publico.pt/teatro/texto.aspx?id=3283277


Pensar e Falar Angola

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Jornada cultural em Madrid encerra com Companhia de Dança Contemporânea

DANÇA CONTEMPORÂNEA
FOTO: JOAQUINA BENTO
Numa noite que levou ao Teatro Reina Victoria apreciadores das danças contemporâneas, entre angolanos e espanhóis, a companhia angolana mostrou em palco o resultado de um trabalho de longos anos, fruto da persistência de uma coreografa (Ana Clara Guerra Marques) que tudo tem feito em prol da dança.
Em pouco mais de duas horas de exibição deixou em palco o cheiro de uma simbiose sincronizada entre a dança e a música, numa inspiração das tradições do sul de Angola.  
Visivelmente satisfeito com o resultado do que viu em palco, o embaixador de Angola em Espanha, Victor Lima, disse à Angop e a Rádio Nacional de Angola ter ficado bastante impressionado, pois não esperava tal façanha de uma companhia de dança contemporânea nacional.
“Muito sinceramente não esperava tal façanha, mas estou bastante satisfeito. Foi bom ver angolanos a exibirem-se com tal mestria em palco”, disse.
Relativamente a jornada, o embaixador afirmou ter sido positivo, pois serviu para se mostrar aos espanhóis o real valor da cultura angolana.
“É uma jornada com resultados positivos. Serviu para divulgar a cultura angolana no estrangeiro e reuniu a comunidade angolana”, realçou.
O fórum “ Angola: internacionalização da arte e cultura” foi uma iniciativa que visou reforçar as relações bilaterais entre a República de Angola e o Reino de Espanha, no domínio das Artes e da Cultura, bem como estimular o intercâmbio de experiências entre empresários culturais espanhóis e angolanos.  
ANGOP

Pensar e Falar Angola

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Dança - Entrevista à Angop dea Ana Clara Guerra Marques

Coreografa aponta para a necessidade da edificação de mais salas de espectáculos

Investir na formação para que surjam mais companhias e artistas individuais e construir mais salas de espectáculos, apetrechá-las e habitá-las com pessoal técnico competente, para a divulgação da dança profissional, são algumas das necessidades do mundo da dança no país apontadas nesta segunda-feira, em Luanda, pela coreografa angolana, Ana Clara Guerra Marques.

DIRECTORA DA COMPANHIA DE DANÇA CONTEMPORÂNEA(CDC), ANA CLARA GUERRA MARQUES
FOTO: FOTO CEDIDA
Em declarações à Angop, numa abordagem sobre o actual estado da dança no país, a também professora de dança afirmou ainda ser necessário a formação de um público conhecedor e exigente que deixe de tolerar espectáculos de má qualidade técnica e artística, com o intuito de colocar no mercado obras com elevado grau de qualidade temática e rítmica.
“A abnegação, a persistência, a coragem e o conhecimento são fundamentais para a permanência e progressão na nossa carreira. Ao contrário do que se julga no nosso país, para além de uma formação longa (cerca de 8 anos só para se ser bailarino e mais 4 ou 6 de formação universitária para se ser professor, coreógrafo ou investigador), há que trabalhar constantemente”, reforçou.
Segundo a também directora da Companhia de Dança Contemporânea de Angola, um bailarino profissional deve continuar a fazer, diariamente, aulas de técnica e ensaiar durante cerca de seis horas, ou seja, ter um horário de trabalho de 8 horas diárias.
Avançou que, por outro lado, um professor deve actualizar-se permanentemente e um coreógrafo não pode estar fechado no seu país, isolado do que se passa no mundo.
“A dança, as artes, não têm esta ou aquela nacionalidade, mas são património de todos os seres humanos. A inspiração não pode estar presa a esta ou aquela realidade social ou cultural. Enquanto ser humano, o artista deve ter o direito de se preocupar com qualquer tema relacionado com a humanidade”, disse.
De acordo com a fonte, um bailarino tem de ser uma pessoa culta, ou seja, tem de possuir um conhecimento alargado e profundo de todas as correntes artísticas e de toda a produção que, em todo o mundo, se faz nas distintas áreas das artes.
Falando à Angop sobre o estado actual da dança no país, Ana Clara Guerra Marques afirmou que a formação é, actualmente, uma das principais preocupações do Mincult, que está a preparar um conjunto de mecanismos jurídicos e ferramentas académicas para que a abertura de quatro escolas do ensino médio (dança, teatro, música e teatro e cinema) seja possível em breve.
No entanto, segundo a interlocutora da Angop, é importante que essa formação académica não se separe de todo um processo de educação artística da sociedade, ou seja, da preparação de um público conhecedor e exigente, que possa apreciar o produto da criação artística, que possa avaliar e validar o trabalho profissional.
“A realização de actividades com a participação da comunidade, o apoio aos artistas angolanos que possuem um trabalho de qualidade, criando condições para que eles possam divulgar o seu trabalho, serão outras opções para proteger e encontrar parcerias sérias no pouco que temos e para dar a conhecer o tanto que ainda precisamos de saber”, disse.
“Fora deste assunto deixo os impostores que, sem qualquer diploma (portanto, à margem de qualquer pressuposto de ordem ética), se fazem passar por professores de dança, ganhando dinheiro e causando toda a espécie de lesões e outros problemas físicos graves às crianças e jovens que mantêm sob a sua irresponsabilidade.
Relativamente a idade ideal para se entrar no mundo da dança, Ana Clara Guerra Marques avançou que depende do que se pretenda.
“Uma coisa é certa, a propalada ideia de que quanto mais cedo melhor não é bem verdade! No caso em que se pretenda seguir uma carreira profissional, que é a situação ideal, as crianças entram para as Escolas de Dança por volta dos 10 anos (concluída a 4ª classe de escolaridade), por se tratar de uma idade em que ela já está psicologicamente disponível para receber toda a informação teórica deste curso e em que o seu corpo já pode suportar as exigências técnicas de uma carga física que, em dança, é muito grande”, asseverou.
Segundo a fonte, todavia, e embora não seja obrigatório, as crianças podem iniciar mais cedo, com aulas de dança criativa, para irem desenvolvendo algumas habilidades e qualidades ao nível da coordenação motora, da musicalidade, do ritmo e, sobretudo, da criatividade.
“Há outras situações em que se pode começar a dança mais tarde. Num contexto de dança terapia, por exemplo, a dança alarga-se a outro tipo de população como sejam as pessoas na terceira idade. Claro que, em qualquer dos casos, esta actividade só pode ser orientada por profissionais especializados, para que ninguém corra riscos. Cada corpo é um corpo e é preciso conhecer as características físicas e psicológicas das distintas faixas etárias com que se trabalha”, finalizou.
Com um logo percurso no munda da dança no país, Ana Clara Guerra Marques é actualmente a directora da Companhia de Dança Contemporânea (CDC) e consultora da ministra da Cultura.
Ana Clara Guerra Marques, que falava à Angop  sobre o actual estado da dança em Angola, realçou que a formação académica não se pode separar de todo um processo de educação artística da sociedade, ou seja, da preparação de um público conhecedor e exigente, que possa apreciar o produto da criação artística, que possa avaliar e validar o trabalho profissional.
“De contrário, estaremos a arrastar uma situação que não nos tem conduzido a nada, ou seja, a proliferação de grupos, e esta designação já é suficientemente esclarecedora, integrados por pessoas que até gostam de dançar e até querem aprender, mas que não estão preparados para se apresentarem a nível profissional, já que o seu trabalho não tem consistência artística, justamente por falta de conhecimentos especializados”, apontou.  


Segundo a também directora da Companhia de Dança Contemporânea de Angola (CDC), para isto há que contar com um conjunto de acções paralelas, quer ao nível dos media, quer pela introdução de disciplinas artísticas nas escolas do ensino geral, manifestando à sua incredulidade pelo facto de nenhum dos canais televisivos dedicar um programa às artes produzidas no resto do mundo.


A coreografa afirma verificar-se apenas a existência de um número considerável de grupos cujo trabalho possui enormes fragilidades, justamente, por falta de conhecimentos específicos quer de ordem técnica, quer de ordem estética.
Ana Clara Guerra Marques considera “muito” precário o estado actual da dança em Angola, caracterizado pela falta de um sistema de ensino competente e colectivos profissionais.
De acordo com a entrevistada, num outro plano, estão as danças patrimoniais (tradicionais e populares), algumas sob ameaça de extinção e, em muitos casos, a serem adulteradas e descontextualizadas, quer pela sua utilização em actividades que nada têm a ver com a sua verdadeira essência (aparições no carnaval, em festivais e concursos não acompanhados por antropólogos ou outros profissionais ligados a esta área), quer pela forma devastadora com que “o novo” está a ganhar espaço, mesmo nos contextos sociais mais conservadores.
“Para confirmar o estado desolador da dança no nosso país basta referir que ao nível da dança profissional temos apenas uma companhia, a Companhia de Dança Contemporânea de Angola, a qual, por insólito que possa parecer, não tem merecido nenhuma atenção especial ou de qualquer apoio institucional efectivo”, reforçou.




Pensar e Falar Angola

sexta-feira, 14 de junho de 2013

COMPANHIA DE DANÇA CONTEMPORÂNEA DE ANGOLA AULAS ABERTAS

A Companhia de Dança Contemporânea de Angola informa que no dia 19 de Junho - 4ª Feira próxima – inaugurará o programa “Aulas Abertas” ao público, as quais terão lugar no 2º Andar do Edifício da Academia de Música de Luanda (prédio da Embaixada da Alemanha), na marginal. Durante cerca de uma hora e quinze minutos, os interessados poderão assistir a uma aula de técnica dos bailarinos da CDC Angola, tomando contacto com a exigente e rigorosa rotina de trabalho de um bailarino profissional, fomentando o respeito por esta profissão, cuja essência é ainda mal conhecida em Angola. Estas aulas, que terão lugar todas as semanas, sempre à 4ª Feira e com início às 14.30 H, realizam um dos objectivos desta companhia de dança que consiste em incrementar a sensibilidade e a educação artística da sociedade, através projectos pedagógicos e artísticos, contribuindo para a educação do gosto do público, incentivando-o à apreciação estética e ampliando os seus conhecimentos culturais. Tratando-se de uma companhia de dança inclusiva (com bailarinos com e sem deficiência física), desejamos igualmente participar na sensibilização da sociedade no sentido do respeito pela diferença. A CDC Angola informa que, por respeito às normas de conduta que vigoram para as aulas de dança, a entrada de público será interdita a partir das 14.15H e que os presentes só se deverão retirar no fim da sessão que terá a duração de 1H e 15 minutos. Informa ainda que é proibido fotografar e filmar. Visto tratar-se de uma prática regular, as aulas não terão qualquer alteração ou produção artística, mantendo a estrutura e ritmo - com paragens, correcções e repetições - próprios de um treino técnico diário.
Gabinete de Divulgação e Imagem, da CDC Angola em Luanda, aos 13 de Junho de 2013



Pensar e Falar Angola

quinta-feira, 2 de maio de 2013

CDC Angola em Israel


NOTA DE IMPRENSA
CDC Angola em Israel
A convite do International Spring Festival a Companhia de Dança Contemporânea de Angola apresentará em Israel, no dia 5 de Maio, a peça “Paisagens Propícias”.
Esta obra será igualmente apresentada no dia 6, no âmbito de um encontro da CPLP e a convite da Embaixada de Angola naquele país.
A nossa participação, que acontece na sequência do trabalho do coreógrafo israelita Ido Tadmor com a CDC Angola, cujo trabalho considerou trabalho meritório, tendo reconhecido a qualidade técnica e artística dos nossos bailarinos, contou igualmente com o apoio da Embaixada de Israel em Luanda.
Recordamos que esta peça foi estreada em Portugal no passado mês de Janeiro, dada a falta de condições em Angola, tendo sido posteriormente apresentada em Cuba, a convite do Ministério da Cultura de Angola onde integrou o programa da Feira Internacional do Livro de Havana.
Gabinete de Divulgação e Imagem, da CDC Angola em Luanda, aos 02 de Maio de 2013
Foto: Rui Pinheiro



Pensar e Falar Angola


segunda-feira, 29 de abril de 2013

Dia Mundial da Dança


COMPANHIA DE DANÇA CONTEMPORÂNEA DE ANGOLA
Mensagem do Dia Mundial da Dança

- Pensar a dança num contexto profissional -

Na qualidade de Membro do Conselho Internacional da Dança da UNESCO, a Companhia de Dança Contemporânea de Angola convida todos os amantes e praticantes da dança em Angola, à reflexão sobre a honestidade, a ética, o estudo e o profissionalismo como os caminhos certos para a elevação da qualidade artística.
O que terá levado a UNESCO a instituir, em 1982, o dia 29 de Abril como o Dia Mundial da Dança? Justamente o facto de ser a data de nascimento do coreógrafo francês Jean-Georges Noverre (1727-1810), o qual esta organização internacional reconheceu como o grande precursor da profissionalização da dança. Efectivamente, as reformas e premissas que estabeleceu na sua incontornável obra “Lettres sur la Danse et sur les ballets” (Cartas sobre a dança e sobre os ballets), determinaram transformações essenciais para que a dança conquistasse o estatuto de arte independente que conhece nos dias de hoje. Homem visionário e avançado para a sua época, defendeu ainda, nas suas Cartas, uma formação sólida e abrangente para bailarinos, professores de dança e coreógrafos.
Assim, e num tempo em que os avanços da ciência e da tecnologia nos apontam desafios constantes, a dança, enquanto área artística e de saber, conhece hoje novas propostas, novas metodologias, novas associações e a descoberta de novas possibilidades, contextos, formas e géneros que apenas um grande investimento na investigação, no estudo e na formação nos permitem acompanhar, fruir e participar.
Há muito que o bailarino e o coreógrafo deixaram de ser indivíduos curiosos, cuja acção era conduzida apenas pelo habilidade e pela vontade de dançar, estando esta última, actualmente, circunscrita à sua condição recreativa em festas, discotecas e outros lugares de convívio social onde todos, sem excepção, gozam do direito de dançar, sem a existência de qualquer compromisso com um público espectador. De igual modo, o professor de dança é hoje respeitado, apenas se detentor de um saber académico adquirido e validado por instituições especializadas.
A nível mundial, é crescente a obrigatoriedade destas profissões serem reguladas por leis que determinam as condições da sua prática e actuação, sendo imprescindível a obtenção de um diploma que comprove a sua formação. Só assim, os seus praticantes vêm reconhecidos os seus direitos e obtêm o estatuto profissional que lhes permite exercer a sua actividade livremente.
Portanto, se numa sociedade como a nossa em que este processo está ainda em vias de se desenvolver, os seminários, os workshops e toda a sorte de acções que visam promover a dança e melhorar a qualidade do que actualmente se faz no país, possuem inegável valor, já que constituem uma fonte de conhecimento única.
Todavia, estas acções só merecem credibilidade se forem orientadas por profissionais de reconhecido nível técnico e maturidade artística. Por outro lado, é fundamental que exista a consciência de que procedimentos pontuais e dispersos nunca constituirão uma oportunidade de formação que prepare para a vida profissional, na área da dança. Não será excessivo relembrar que uma formação em dança dura entre seis e nove anos, num regime diário de grande exigência e rigidez.
Para nossa liberdade dancemos, dancemos sempre, mas com a consciência e a modéstia de respeitarmos a evidência de que, para se ser um coreógrafo, um bailarino ou um professor de dança, há que estudar e cultivar a consciência de que só assim teremos crédito. Só assim a dança e os seus profissionais serão honrados com o respeito e dignidade que todos merecemos.

Saudações coreográficas!

CDC Angola
Luanda, 29 de Abril de 2013




Pensar e Falar Angola

terça-feira, 9 de abril de 2013

CDC Angola luta por sistema de ensino artístico em dança - Entrevista


Contando com duas décadas de história e muito trabalho, a Companhia de Dança Contemporânea de Angola foi fundada pela sua actual directora Ana Clara Guerra Marques. Criada com o propósito de divulgar a dança contemporânea dentro e fora de Angola, a companhia tem apresentado de forma regular espectáculos. No entanto, Ana Clara Marques lamenta a inexistência de espaços, meios e equipamentos adequados, em Angola, para a apresentação dos seus trabalhos. Os apoios financeiros são também parcos. A qualidade do trabalho da CDC Angola é reconhecida além-fronteiras e as solicitações para actuar no estrangeiro continuam a surgir.
Em entrevista ao VerAngola, a bailarina e coreógrafa recorda a história da companhia, os trabalhos realizados, as expectativas, os anseios e as dificuldades passadas para manter a dança contemporânea viva em Angola.

A Companhia de Dança Contemporânea de Angola é a única companhia profissional de dança no País. Quando surgiu e qual tem sido o seu percurso?

A Companhia de Dança Contemporânea de Angola (CDC Angola) surge na continuidade de um longo processo com início nos anos 80, enquanto eu era directora da Escola de Dança. A ideia era formar um grupo experimental, com os alunos mais adiantados da Escola para que o público, a sociedade, pudesse perceber quer os propósitos de uma escola de formação em dança, quer uma outra vertente da dança, a vertente artística. Todavia, todas as propostas que, insistentemente, enviei à consideração superior durante cerca de 10 anos foram negadas até ao ano de 1991. Nesta altura com a Irene Guerra Marques, como directora da Direcção Nacional de Formação Artística e Cultural, e com a Ana Maria de Oliveira, como Ministra da Cultura, o projecto foi, finalmente, aceite e fundámos o Conjunto Experimental de Dança (CED). Com o CED tivemos uma série de apresentações e introduzimos novas estéticas e novas formas de espectáculo como, por exemplo, a utilização de espaços não convencionais. Em 1993 foi aprovada, oficialmente, por despacho do Ministério da Cultura, a passagem de conjunto experimental para Companhia de Dança Contemporânea, com a qual desenvolvemos todo um trabalho pioneiro de sensibilização e desenvolvimento da dança enquanto linguagem artística.

Quem são os fundadores da CDC Angola?

Comigo, foram membros co-fundadores do CED (posteriormente CDC), em 1991, a Vanda Nascimento (professora da Escola e bailarina), o Waldemar Tadeu Bastos (aluno avançado da Escola e bailarino), o João Paulo Costa (aluno avançado da Escola e bailarino) e o Rui Tavares (fotógrafo da CDC Angola).

Com que objectivos foi criada a CDC Angola?

O principal objectivo era, e continua sendo, divulgar e promover a dança contemporânea em Angola através da experimentação e da criação de autor, à procura de diferentes linguagens e vocabulários para a dança angolana. A este, está sempre subjacente a intenção de despertar a sensibilidade da sociedade e de educar o gosto do público, incentivando as pessoas à apreciação estética e estimulando a sua opinião crítica, através de espectáculos, projectos pedagógicos, projectos artísticos de âmbito social, seminários, oficinas e aulas regulares dirigidos aos diversos tipos de público (profissionais ou amadores, adultos ou crianças).
A Dança Inclusiva foi entretanto, por nós, introduzida em Angola, sendo hoje um dos nossos focos importantes a demonstração da possibilidade de integração de indivíduos portadores de deficiências físicas e outras na qualidade de bailarinos.

Qual foi o primeiro espectáculo apresentado pela CDC Angola?

O primeiro espectáculo que a CDC, ainda CED, apresentou intitulava-se “A Propósito de Lweji”. Teve lugar no dia 27 de Dezembro de 1991, no Teatro Avenida que, entretanto, foi derrubado. Tratava-se uma peça que marcou também o encerramento da Escola de Dança por falta de condições de funcionamento. A sua principal inspiração foi o mito da fundação do império Lunda e a escultura cokwe. Mas a primeira peça original criada foi “Mea Culpa” na qual se discutiam alguns tabus relacionados com a Igreja.

Ao longo dos anos, que espectáculos apresentou já a CDC Angola?

Já vai sendo longa a lista de trabalhos originais criados pela Companhia, bem como as suas apresentações. Mais de uma centena de espectáculos foram já apresentados com trabalhos como “A Propósito de Lweji” (1991), “Corpusnágua” (1992), “Mea Culpa” (1992), “Solidão” (1992), “1 Morto e os Vivos” (1992), “5 Estátuas para Masongi” (1993), “Imagem e Movimento” (1993), “Palmas, Por Favor!” (1994), “Os Címbalos dos Mudos” (1994), “Uma Frase Qualquer” (1994), “Introversão Versus Extroversão” (1995), “Neste País - Se não fosse a guerra...éramos todos (a) normais e 4 para 5” (1996), “Uma Frase Qualquer...e Outras (Frases)” (1997), “Os Quadros do Verso Vetusto” (1999), “Oratura… dos Ogros… e do Fantástico” (2008), “Peças para uma Sombra iniciada e outros Rituais mais ou Menos” (2009), “O Homem que chorava sumo de Tomates” (2011) e “Paisagens Propícias” (2012 / 2013).


Em que países actuou a Companhia?

A CDC Angola apresentou-se já em 11 países e 23 cidades, designadamente Angola (Luanda, Benguela, Namibe e Huambo); Congo (Brazaville e Ponta Negra); Gabão (Libreville); Camarões (Yaoundé e Douala); Índia (Jaipur, Nova Delhi e Bopal); China (Shangai); Coreia Do Sul (Yeotsu); Portugal (Lisboa, Santarém, Paredes de Coura, Viana do Castelo, Porto e Bragança); Espanha (Sevilha) Polónia (Cracóvia) e Cuba (Havana).

Quantos alunos e professores tem actualmente a Companhia?

Tratando-se de uma companhia profissional, a CDC Angola não tem alunos, mas sim bailarinos, que são sete. Quanto aos professores, tem uma permanente – Ana Clara Marques – e, ocasionalmente, tem tido a presença pontual de professores que se mostram disponíveis para colaborar.
A intenção de abrirmos uma oficina de Artes é, justamente, para que se possa fazer a partilha das distintas linguagens artísticas com alunos das mais diversas faixas etárias, bem como para ter um núcleo/viveiro de futuros bailarinos.

Quanto tempo demora a preparar um espectáculo?

Tudo depende das características de cada espectáculo, bem como dos meios e pessoas envolvidas. Em Angola, nunca demoramos menos de seis meses a preparar uma peça original. Claro que em outras partes do mundo é possível levar à cena um espectáculo com dois ou três meses de preparação, mas estamos a falar numa realidade com um meio profissional normal, como bailarinos formados e disponíveis oito ou mais horas por dia, salas de ensaio disponíveis, criativos e técnicos nas áreas da luz e som, teatros bem equipados a funcionar com equipas profissionais disponíveis, etc..

Fica dispendioso a criação de um novo espectáculo?

Sim, em Angola fica muito dispendioso. As pessoas não imaginam quanto! Os próprios patrocinadores não imaginam quanto pode custar uma produção do nível dos espectáculos da CDC Angola ou qualquer colectivo verdadeiramente profissional. Se considerarmos que, em Angola, é necessário pagar-se o aluguer do teatro que, por não estar equipado nos obriga ao aluguer de aparelhagem de luzes (mesa, projectores, traves e postes), de som (mesa, colunas), de vídeo, de gerador… e estamos a falar de somas exorbitantes, de preços altamente inflacionados, pois aqui tudo é negócio, gerador de lucro. Para além disto há que ter em conta os preços elevados que os técnicos cobram em Angola. Tendo em conta que as temporadas da CDC Angola têm, geralmente, a duração de 12 espectáculos, pode-se imaginar que o investimento na produção nunca é recuperado pelas receitas de bilheteira, apesar das salas encherem. Mas o nosso interesse é que as pessoas vão e recusamo-nos a vender bilhetes a 100, 200 e mais centenas de dólares. Os nossos bilhetes custam sempre entre 2.000 e 2.500 kwanzas, que é um valor inferior ao custo de uma refeição num restaurante barato em Luanda!

Como analisa o actual estado da dança em Angola?

Pobre, medíocre e preocupante. Existe uma gritante falta de profissionais, verifica-se a ausência de um discurso sério, conhecedor e estruturado sobre o que é a dança em todas as suas abrangências. A inexistência de ensino profissional especializado conduziu-nos ao excesso de curiosos que são, impunemente, mediatizados como experts dando a uma sociedade não muito informada a ideia distorcida do que é a dança na sua vertente de área de criação e de saber académico. No plano das danças patrimoniais assiste-se à extinção de alguns géneros, à “folclorização” (politização e descontextualização) de outros e à preocupante adulteração deste acervo, sobretudo a nível de grupos urbanos que as utilizam desvirtuando-as e esvaziando-as da sua essência.
A correcção desta situação só será efectuada com a implementação do processo de criação de um sistema de ensino artístico oficial em curso, o qual, pelas características deste tipo de formação profissionalizante, só dará frutos a médio e a longo prazo. Nesta altura, esperamos que a qualidade anule a vulgaridade que caracteriza a actual cena da dança em Angola onde, para já, está praticamente entregue à recriação.


No País existem espaços adequados à apresentação de espectáculos profissionais como os da CDC Angola?

Não! Em Luanda temos actualmente um único teatro. E, embora nem balneários tenha (nunca teve), é uma jóia patrimonial, mas já não acompanha as exigências das novas produções cénicas. Depois há outros espaços que as pessoas acham que são teatros, mas não são, pois para além de não possuírem as características próprias nem as proporções obrigatórias que requer um teatro, não possuem recursos técnicos para que sejam aceites como tal. Basta olhar para os palcos feitos em cimento! Nas províncias, o cenário é ainda mais desolador. Mas sei que uma equipa competente está a recuperar um Cine-Teatro em Malange. Ainda bem!...

Que qualidades deve ter um bom bailarino?

Deve ser formado em dança (preferivelmente com uma formação convencional de oito anos), deve gostar do que faz, deve estar sempre disponível para aprender, deve ser humilde e muito trabalhador. Deve, também, estar sempre actualizado e ter uma mente aberta e disponível para outras experiências, outras propostas estéticas, devendo estar sempre atento ao que se faz em todo o mundo. A aula de técnica deve ser a sua “refeição” mais importante do dia.

Em Angola existem muitos bailarinos profissionais?

Se tivermos em conta o acima referido, a resposta só pode ser “Não”. Acredito que o principal motivo está na ausência de um sistema de ensino artístico que se possa ocupar da formação profissional em dança. Embora as Escolas de Artes tenham sido abertas logo após a independência de Angola (ainda em 1976), a verdade é que nunca lhes foi dada a devida importância. Os resultados estão à vista. Um cenário pobre (falta de bailarinos e coreógrafos) e insidioso, em que um grande número de pessoas se dizem bailarinos e coreógrafos, sem terem a mínima noção do que fazem.

A CDC trouxe a Dança Inclusiva para Angola. Em que consiste o projecto e como foi aceite pelo público?

Como se sabe a Dança Inclusiva consiste na inclusão de pessoas portadoras de deficiências na dança. Pode ter início a nível da integração social e da terapia, mas a verdade é que existem hoje, um pouco por todo o mundo, toda uma série de companhias de dança inclusiva onde todos os bailarinos possuem estatuto profissional. Existem técnicas adaptadas a cada corpo e deu-se a conquista de outros corpos serem permitidos num mundo que sempre foi muito exclusivo, justamente, porque outros corpos não se adaptavam às técnicas existentes, particularmente às de clássico e de moderno.
Em Angola onde a guerra e a poliomielite produziram tantas pessoas com deficiências, e onde a sociedade ainda é tão cruel para com estas pessoas que são, permanentemente, vítimas de chacota e de exclusão, esta iniciativa causou grande surpresa e provou que um corpo diferente não é um corpo inútil. Quando, pela primeira vez, apresentámos o nosso bailarino Samuel Curti, houve até quem achasse que ele estava a representar um papel de pessoa com deficiência; não porque se tentava “disfarçar” a sua condição, mas porque ele se apresentou com grande mobilidade, autonomia, qualidade artística e capacidades técnicas.

Com que apoios contam para desenvolver o trabalho da CDC Angola?

Infelizmente a CDC Angola não possui grande apoio para o desenvolvimento de um trabalho que é único no País. E é revoltante pois apoiam-se generosamente e tantas vezes, iniciativas sem qualquer qualidade ou interesse e que nada acrescentam à cena cultural e social de Angola. Infelizmente há muito pouca sensibilidade para este trabalho, pois grande parte das pessoas desconhecem a sua verdadeira essência e os princípios em que se assenta. A nossa sociedade não possui uma educação artística especial e a dança é recreativa. Nunca foi feita esta sensibilização. Não existe arte nas escolas e as televisões, os agentes culturais e os promotores culturais não investem especialmente na dança enquanto actividade intelectual e séria.
No entanto, a CDC Angola tem alguns amigos fiéis que nos respeitam e que sempre acompanharam e conhecem o nosso trabalho. Esses são parte fundamental do nosso suporte para os espectáculos. Não nos dão dinheiro, mas apoiam-nos com serviços que são para nós de extrema importância. No entanto há gastos. Por exemplo, os bailarinos devem ser pagos mensalmente pois possuem exclusividade laboral com a CDC. Portanto, à semelhança do que se passa com as maiores companhias de dança mundiais, a CDC Angola tem de beneficiar de um regime de mecenato ou patronato fixos. Os patrocínios apenas resolvem problemas pontuais. Há que investir na arte de qualidade para que se colham frutos que beneficiem toda a sociedade e engrandeçam o País. Nem sempre o lucro deve ser de carácter financeiro pois, e passe o lugar-comum, “nem só de pão vive o Homem”.

Que apoio recebe a companhia por parte do Ministério da Cultura angolano?

Do Ministério da Cultura a CDC Angola tem o respeito, o reconhecimento e o apoio institucional, o que é importante, tendo este ano sido contemplada com uma verba do Fundo de Apoio a Projectos Culturais.

“Paisagens Propícias” é o mais recente espectáculo do grupo com coreografia de Rui Lopes Graça. Como surgiu esta parceria com o coreógrafo luso?

A CDC Angola havia decidido convidar um coreógrafo estrangeiro para a criação de uma peça. Esta prática é recorrente em qualquer companhia de dança mundial, pois as artes não podem estar fechadas a uma única linguagem ou proposta estética. O Rui Lopes Graça havia contactado connosco mostrando o seu interesse em colaborar. Assim que surgiu a possibilidade fizemos-lhe o convite oficial.

Como foi trabalhar com Rui Lopes Graça?

Foi um processo interessante e muito gratificante para os bailarinos. O Rui vinha já de uma experiência em África (Moçambique) e é uma pessoa que se adaptou bem às nossas realidades. É um coreógrafo sério e conseguiu, através do estudo e da pesquisa, penetrar na essência do tema que lhe propusemos.

Em que consiste o espectáculo?

O espectáculo vem a ser uma homenagem ao antropólogo angolano Ruy Duarte através das histórias e vivências dos pastores do sul de Angola (deserto do Namibe), ao mesmo tempo que é uma homenagem a estes povos através da vasta obra do Ruy Duarte, desde filmes, literatura, artes plásticas e fotografia.

A sua estreia decorreu em Portugal. Já foi apresentado em Angola?

Não, porque, dois dias antes da estreia, foi-nos anunciado que o Teatro seria encerrado por correr riscos de ruina, no seguimento de uma chuva torrencial que agravou uma fissura há muito existente numa das suas principais paredes. Até este momento, não começaram ainda as obras de reparação.

Em que países já apresentaram o espectáculo?

O espectáculo foi apresentado em Portugal (Lisboa, Porto e Bragança) e em Cuba (Havana).

Que outras datas e locais têm já agendados?

Está já programada a nossa presença no International Spring Festival em Israel e estamos a tentar ajustar datas para a nossa presença numa conferência sobre culturas afro-ibero-americanas na Polónia. É nossa vontade participar no Festival de Dança Contemporânea Kinane, em Moçambique, mas há que achar recursos.

Para quando está previsto a apresentação de um novo espectáculo? Já está a ser delineado?

Gostaríamos de estrear a nova peça até ao fim de 2013. Foram já dados alguns passos nesse sentido.

Que recepção tem tido o trabalho da CDC Angola além-fronteiras?

É um trabalho sempre muito bem recebido e apreciado. Os aplausos, as críticas na imprensa e os comentários do público podem comprová-lo.

Que iniciativas têm previstas para assinalar o Dia Mundial da Dança em Abril?

Infelizmente a CDC Angola funciona com uma equipa mínima, não se podendo dar ao luxo de grandes produções constantes. Para além do nosso habitual comunicado de imprensa, faremos uma sessão informal, como todos os anos, mas que tem sempre uma boa adesão do público que acorre em grande número.

Quais os projectos da Companhia para o futuro?

Que projectos e que futuro pode ter um colectivo de 20 anos que nem sede para trabalhar tem? Manter-se vivo, na mesma humilhante situação de tentativa de sobrevivência. E dançando… um dia de cada vez, sempre na beira do precipício, num desafio e luta permanentes pela dignidade e inovação com qualidade da dança em Angola.

Como surgiu a paixão de Ana Clara Marques pela dança? Que idade tinha?

Acho que nunca tive nenhuma paixão especial pela dança. Comecei com oito anos de idade numa Academia de Bailado em Luanda, que funcionava com o reconhecimento da Royal Academy of Dance de Inglaterra, cujas examinadoras eram assustadoras. Era muito criança e fui com as minhas amigas.

Fale-nos um pouco do seu percurso na dança até chegar à fundação da CDC Angola.

Frequentei essa Academia até Angola se tornar independente, tendo interrompido por força do seu encerramento. Retomei em 1976 como aluna, já numa escola do estado, mas em 1978 fui “atirada” para o lugar de professora e Directora da Escola de Dança da então Secretaria de Estado da Cultura, já que as professoras haviam partido. Era uma miúda. Aí surge um espírito de missão alimentado de sonhos (traídos), da obrigação de contribuir, com o que sabia e como podia, para a reconstrução e desenvolvimento de uma “Angola Nova”. Uma vez à frente da escola, abdiquei da tímida ideia, que entretanto formara, de vir a ser bailarina. A escola era um sacerdócio e se eu saísse ela fechava, como aconteceu, anos mais tarde. Dei à revolução (prejudiquei) o curso normal da minha carreira como bailarina, mas fiz-me coreógrafa. Licenciei-me, voltei para Angola, reabri a escola e fundei a CDC Angola que também paralisou (quem quer assumir e ter trabalho com um projecto não rentável em Angola?) quando voltei a sair para concluir o meu mestrado. Em 2008 retomei o antigo projecto e aqui estou, cheia de uma vida dedicada à dança e sem meios para trabalhar.

Ao longo dos anos tem publicado alguns livros. Em que consistem?

São contribuições para a história da dança teatral em Angola. São produto da minha prática universitária e também um testemunho e uma prova na primeira pessoa de um trabalho profissional iniciado e desenvolvido por mim, o qual, se nos distraímos, acaba por aparecer no curriculum de outrem (tentativas já aconteceram!).

Dedica-se à pesquisa e investigação das danças tradicionais angolanas. Como está a correr este trabalho?

É um trabalho demorado e lento. Trabalho no Ministério da Cultura e dirijo (assumindo, igualmente o trabalho de preparação técnica dos bailarinos) a CDC Angola. Tenho apenas duas pernas, dois braços e uma só cabeça. Não me chega! Pouco tempo me resta já para criar. A investigação está sempre presente, mas é, também, a que espera sempre; porque, essa sim, é uma paixão.





É assessora do Gabinete da Ministra da Cultura de Angola e membro individual do Conselho Internacional de Dança da UNESCO. Que funções desempenha nestes cargos?

Sou assessora da Ministra da Cultura desempenhando as funções que cabem a qualquer assessor, dando pareceres quando me são solicitados e participando activamente nos conselhos e nos projectos do Ministério, particularmente naqueles que se situam nos domínios do ensino, dos museus e das artes.
Quanto ao CID da UNESCO, estou à espera de maior disponibilidade de tempo para aceitar o convite para ser a representante desta organização em Angola.

Ana Clara Marques é uma das maiores referências da dança angolana. O que representa para si a dança?

A Dança é um mundo que tem diversas geografias, das quais só podem fruir aqueles que possuem sensibilidade, mente aberta, conhecimento sobre esse grande domínio, formação especializada e todos os que tenham a humildade e a nobreza de querer conhecer.

De que forma é que a dança transformou a sua vida?

A Dança tornou-me uma pessoa sem a oportunidade de, todas as semanas, ir aos saldos em Roma ou ao cabeleireiro em Paris e que me negou a possibilidade de ser “uma empresária de sucesso” e andar de jipe com motorista às ordens. Todavia, fez de mim uma pessoa de ideais incorruptíveis, resistente, corajosa e maior pois, para além das capacidades intelectuais e físicas que qualquer ser humano possui, descobriu-me entre aqueles que possuem um mundo próprio onde vive a inspiração e a capacidade de criar histórias em forma de movimento, para o encantamento e alimento da alma.



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