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quinta-feira, 22 de setembro de 2022

quarta-feira, 9 de março de 2022

significado dos nomes das 18 províncias de Angola?

UTILIDADE PÚBLICA. 

Cultura geral 

18 ERROS CAPITAIS DEIXADOS PELA COLONIZAÇÃO PORTUGUESA QUE OS ANGOLANOS INSISTEM PERPETUAR :

Você conhece o significado dos nomes das 18 províncias de Angola?
Conheça agora o significado etimológico "e sua grafia correta" dos nomes das 18 províncias que compõem a República de Angola.

Se antes tínhamos a velha desculpa de que os termos em línguas nacionais são mal escritos pelo simples facto das línguas nativas de Angola não apresentarem se quer um sistema alfabético (razão pela qual se obedeceu critérios da língua colonial Portuguesa 'até hoje' por esta ter a muito um sistema alfabético). Então hoje já podemos rectificar o óbvio pelo simples facto de existir 6 línguas nacionais das seis principais línguas mais faladas em todo território nacional, que felizmente reúnem cada uma dela um sistema alfabético.

És aqui os nomes verdadeiros das 18 províncias de Angola.
1* - BENGUELA / MBENGA. 
Benguela é um nome que deriva da terminologia Mbenga na língua Umbundu. 
Segundo o historiador, escritor e editor Armindo Jaime Gomes : “Do étimo Mbenga, Benguela é corruptela do verbo “okuvenga” da língua umbundu; okuvengela (sujar) / okumbengela ovava (sujar-me a água), relativamente às águas estagnadas e em língua portuguesa é entendido como turvar, turvar-se, perturbar, alterar, transtornar, escurecer, embaciar, nublar, enuvear (Pe. Alves, A., 1951). Evoluído de “mbengela”, a toponímia passou a significar perda de transparência, de limpidez, de clareza, perturbação, fazer perder a razão, cobrir o céu de nuvens, situação confusa, indefinição (op. cit.). Apesar de fazer parte da onomástica planáltica, a exemplo de Katombela, Mbaka, Kakonda, Civangulula, etc., a versão popular admite que o topónimo tenha resultado da distorção linguística nos primeiros contactos entre os portugueses e Ambwi. Em vez do nome da região que se pretendia saber, os intrusos receberam a justificação da turvês das águas lacustres e fluviais.”

2* - BENGO / ICOLIBÊNGIKO. O nome Bengo deriva da terminologia icolibêngiko na língua Kimbundu, relativo a Icolo e Bengo. 
Ícolo e Bengo anteriormente era um município da província do Bengo, que agora faz parte da província de Luanda. O nome Bengo deriva da terminologia Icolibengiko. Os antigos colonizadores portugueses tinham dificuldades em falar e escrever correctamente o Kimbundu. Invés de Icolibengiko eles diziam Icolo e Bengo. Icolo=Icoli, e Bengo=Bengiko.

3* - BIÉ / VYE. 
A terminologia Bié deriva de Vye. A província é na verdade uma homenagem feita ao antigo Reino do Vye, também conhecido por Reino do Bié. 
Bié foi um Reino que fez parte do mosaico do grupo etno-linguistico Ovimbundo. E teve como seu fundador "do Reino" o Soberano VYE, um caçador que se instalou na área de Embala de Ekovongo. Reinou sobre o Bié no ano de 1750. Segundo alguns historiadores o nome do Reino deriva do seu fundador Vye. Por dificuldade linguística o colono português invés de Vye dizia Bié.

4* - CABINDA / KIBINDA OU KABINDA. 
Cabinda é um termo que deriva da língua Kibinda ou Ibinda. O Ibinda ou Kibinda é uma língua regional da província de Cabinda que anteriormente era pejorativamente chamada de língua Fiote. Fiote que significa em Português : Pequeno ou Pouquíssimo. Na verdade o Ibinda ou Kibinda (assim como as demais línguas faladas nessa província) são chamadas erroneamente de dialectos. O que não é. Do ponto de vista histórico e linguístico todas as línguas faladas em Cabinda são na verdade variantes da língua Kikongo. E todas elas são classificadas como sendo o mesmo idioma.
A origem histórica do povo de Cabinda vem do grupo etno-linguistico Kôngo. Ou seja, os Cabindenses pertencem ao grupo etno-linguístico Kôngo. 
Cabinda deriva da terminologia Ibinda. Grafia correta : Ibinda, com o prefixo nominal da língua Ibinda e da língua mãe que é o Kikongo (KI e KA), que resulta em Kibinda ou Kabinda. Grafia incorreta obedecendo critérios da língua Portuguesa : Cabinda. Na língua Ibinda e Kikongo a letra "KA" é tida como um prefixo nominal, e não "CA" como está escrito em Português.

5* - CUANDO CUBANGO / KWANGO OKAVANGO. Cuando Cubango é um termo erróneo que deriva de dois nomes de Rios pertencentes a República de Angola e não só. Ou seja é uma homenagem feita a dois dos maiores Rios de Angola e de países como Botswana, Namíbia e RDCongo.
Grafia correta KWANGO. Grafia incorreta obedecendo critérios da língua Portuguesa CUANDO. Grafia correta OKAVANGO. Grafia incorreta obedecendo critérios da língua Portuguesa Cubango. O correto seria : KWANGO OKAVANGO e não CUANDO CUBANGO. 
Do ponto de vista histórico, KWANGO é um Rio que nasce nas terras altas do Alto Tshikapa, na Lunda Sul, e corre na direcção Norte, servindo de fronteira com a RDCongo, acabando por entrar neste país, juntando-se ao Rio Kasai próximo da província de Bandundu, antes de desaguar no Rio Kôngo. 
Já o Rio OKAVANGO é na verdade o segundo maior Rio de Angola (atrás do Rio Kwanza). O Rio Okavango é partilhado com países como Botswana e Namíbia, e obviamente Angola. De lembrar que o delta do Okavango no Botswana é considerado como o maior delta interno do mundo.

6* - CUNENE / KUNENE. 
Cunene é uma homenagem feita ao Rio com o mesmo nome. Ou seja, Cunene é na verdade nome de um rio de Angola que traça parte da fronteira com a Namíbia. Uma homenagem merecida porque essa região tem sido desde o passado fustigada pelas constantes secas. Daí a homenagem ao Rio Cunene que é um dos poucos Rios permanentes nesta região árida. Grafia correta : Kunene. Grafia obedecendo critérios da língua Portuguesa : Cunene.

7* & 8* - CUANZA NORTE E CUANZA SUL / KWANZA.
Essas duas províncias receberam o nome do maior Rio de Angola (o Rio Kwanza). É no fundo uma homenagem ao maior Rio de Angola que nasce no Bié, no Planalto Central de Angola. Tem um curso de 960 km desenhado assim uma grande curva para Norte e para Oeste, antes de desaguar no Oceano Atlântico, a sul de Luanda. Grafia correta : Kwanza. Grafia obedecendo critérios da língua Portuguesa : Cuanza.

9* - HUÍLA / MU-MWÍLA. 
Huíla é um nome que deriva da terminologia Mwila. Mwila também conhecidos por Mumuílas ou Mu-Mwila é um grupo étnico da região pertencente a família linguística Bantü. Os Mwila são os mais numerosos e de cujo nome o planalto e a província da Huíla derivam as suas designações. Existem de facto vários grupos nessa região ou província, mas devemos recordar que essa região pertence ao grupo etno-linguistico KhoiSan, que são por si só os primeiros habitantes desta mesma região, pese embora hoje estão reduzidos em pequenos grupos. 
Grafia correta : Mwila. Grafia obedecendo critérios da língua portuguesa : Huila.

10* - HUAMBO / WAMBO. 
A terminologia Huambo é uma homenagem ao Soba Wambo Kalunga.
Falar da origem do nome Huambo, é falar de Wambo Kalunga que deixou a sua terra natal para fazer história no planalto central, ou melhor, na província com o mesmo nome (Huambo). O nome do Reino do Huambo teve origem no nome do Soba Wambo Kalunga, um simples caçador do Kwanza Sul que se fixou junto às Pedras de N'Ganda La Kawhe e que casou com várias mulheres do Soba Caála. Diz a tradição do Kwanza Sul que quando morreu, o Soba Wambo Kalunga foi sepultado no meio de dois casais jovens enterrados vivos, que assim o deveriam acompanhar para o além. A história de Wambo Kalunga seja no aspecto literário como no aspecto oral, ela trás consigo sempre uma imagem narrada não tão agradável. A quem diga que não foi um soba exemplar devido a rigidez das leis tradicionais impostas e compridas por ele. O certo é que a tradição oral local, detém a versão da história sobre Wambo kalunga, desde a sua chegada ao planalto central até se tornar um ícone da região. Grafia correta obedecendo critérios da língua Umbundu: Wambo. Grafia obedecendo critérios da língua Portuguesa : Huambo.

11* - LUANDA / LWANDA / LOANDA. Existem de facto várias teorias ou histórias sobre o nome Lwanda (pra alguns Loanda ou Lowanda). Pese embora a mais próxima da verdade é a dos primeiros Povos a habitar essa região (hoje província) que são os Bakongo. O termo Lwanda deriva da língua Kikongo que significa Bater ou Ceifar em Português. 
Reza a história que antes da chegada do primeiro Rei do N'dongo (o Rei N'gola Mussuri) e dos Portugueses em Luanda, Lwanda já era uma zona habitada pela guarnição da Realeza Kôngo. Sobretudo a Ilha de Lwanda que foi o local onde era concentrado os habitantes da guarda real vindos de M'banza N'soyo. O local foi durante muito tempo proprietadade do Reino do Kôngo, onde eles tiravam o principal dividendo do seu poder económico, ou seja, a ilha de Lwanda era tida na verdade como sendo o Banco do Reino Do Kôngo (onde a moeda utilizada em todo Reino era a não menos conhecida por N'zimbu). Daí a proteção da guarda real Kôngo a essa região. Diz a oralidade que os guardas (da realeza Kôngo) da ilha de Lwanda tinham a orden de não deixar entrar sobre essa região indivíduos que não fossem da realeza. E tinham como ordem "do mais alto mandatário" de matar caso alguém insistisse em desobedecer as ordens que eram interpretadas como lei. Portanto, foi a partir dessa lei criada pelo Rei onde surge o nome LWANDA, na língua Kikongo, que em Português significa BATER ou CEIFAR. 
No alfabeto Kikongo o "U" é representado pela letra "W", diferente do Português que o "U" é mesmo U, e o "W" é duplo-V. Portanto, a escrita da língua portuguesa simplificou por Luanda. Grafia correta: Lwanda. Grafia obedecendo critérios da língua Portuguesa : Luanda.

12* & 13* - LUNDA / RHUNDA "Norte e Sul" . O termo Lunda provém da forma como é designada na língua Lunda, a zona de nascente de Rios com elevações (mu-rhunda). Ex: em Tchokwe pronunciam ha-ulunda ou ha-ulundama. Trata-se como vimos a região de Kalany onde esses povos convergiran para formarem o seu Reino. Anos mais tarde, uma das Rainhas dessa região, precisamente a Rainha Lweji que substituíra no poder seu pai Kondi, (o povo chamava a soberana em gesto de respeito de Swana mu-Rhunda, que significa «substituta da Rhunda». Com o evoluir do tempo, a região ou o Reino ficou conhecido por Rhunda, em língua Bungu. A escrita da língua Portuguesa simplificou por Lunda.

14* - MALANGE / MA-LANJI. 
A palavra Malange deriva da língua kimbundu "ancient" que significa: As Pedras, que para o Kimbundu atual significa Malucos " (MA-LANJI). Malange é um nome erróneo de um dos antigos rios da região conhecido por Rio KADIANGA (o nome verdadeiro do rio). 
Existem de facto vários contos acerca de Malange. Mas o conto baseado na tradição oral e tida como a oficial é. Reza a história baseado na tradição oral que os colonizadores ao chegarem pela primeira vez na região de Malange, os portugueses atravessaram um rio, como na época não existiam pontes, os portugueses tinham que passar pelos rios em cima de pedras. Após atravessar o rio, os portugueses viram moradores locais. Assim, eles perguntaram qual era o nome do rio e os moradores (que não compreendiam a língua portuguesa na época) responderam "Ma-lanji Ngana" (e os portugueses compreenderam por «são pedras, Senhor».

15* - NAMIBE / NAMIB. A palavra Namibe deriva da língua khoekhoegowab, e significa «lugar vasto e desolado». 
O Khoekhoegowab é uma língua pertencente ao grupo etno-linguistico KhoiSan. Namib é na verdade uma homenagem feita ao deserto do Namib, localizado na província com o mesmo nome. Grafia obedecendo critérios da língua KhoiSan : Namib. Grafia obedecendo critérios da antiga língua colonial : Namibe.

16* - MOXICO / MUXIKU. O termo Moxico deriva do nome de um dos Soberanos que vivia na zona conhecida hoje por luena ou Lwena, de nome Mwa-Muxiku. 
Embora actualmente se fale de Mwatxissenge como “chefe dos Tchokwe ”, outros chefes foram igualmente importantes no passado. Reza a história que quando os viajantes europeus dos fins do século XIX identificavam como igualmente importantes Ndumbo wa Tembwe(principal chefe tshokwe na época, no Ciboko), tal como Mwa-Muxiku (Mussaico ou Kinyama, em terras onde se instalou a colónia que deu origem à cidade do Lwena) e Mwatxissenge Wa Tembwe(conhecido dos viajantes europeus como kissengue) que na tradição é visto como “sobrinho” de Ndumbo, e que acabou por fixar-se no Itengo, próximo de Saurimo, hoje Lunda-Norte. Grafia obedecendo critérios da língua Tchokwe : Muxiku. Grafia obedecendo critério da língua Portuguesa : Moxico.

17* - UÍGE / WIZIDI. Uíge é uma homenagem feita a um dos Rios da província com o mesmo nome. Reza a história que durante um determinado período houve seca que afetara de gual modo a região da capital da província, baixando o caudal do Rio. Quando o caudal do rio subiu, os habitantes da região disseram Wizidi, que significa em Português Regresso. Ou seja, o Rio regressou ao seu curso normal. Daí fico conhecido por Wizidi. A escrita da língua portuguesa simplificou por Uíge.

18* - ZAIRE / NZADI. 
O nome da província do Zaire é uma homenagem ao Rio Nzadi a Nkisi, vulgo, Rio Zaire conhecido também por Rio Kongo. Era o grande Rio do antigo Reino Do Kôngo. O Rio Zaire ou Rio Kongo é por si só o segundo maior rio do continente Afrikano e o sétimo do mundo, com uma extensão total de 4.700 km. É o primeiro de Afrika e o segundo do mundo em volume de água, chegando a debitar um caudal de 67.000 m³/s de água no Oceano Atlântico.
Reza a história que a mudança do nome começou após chegada acidental de Diogo Cão à foz do Rio Nzadi a Nkisi. Diogo Cão e sua caravana tinham dificuldades em falar ou pronunciar o nome do Rio Nzadi a Nkisi, e pronunciavam Zaire. Daí fico tal erro que os académicos insistem perpetuar. Portanto, Zaire é uma terminologia que deriva da palavra Nzadi. Grafia correta obedecendo critérios da língua Kikongo : Nzadi. Grafia obedecendo critérios da língua Portuguesa : Zaire.
Autoria & Narrativa de: João Niango Ngombo Kina O Mar Negro Moufty.
Fonte ~ : LIVROS / Lunda História e Sociedade (do historiador João Manassa). Azombo "Questões socioculturais" (de Dombel Silva). Historiador e Escritor / Armindo Jaime Gomes. Longoka Kikongo (de Bwa Telema). África No Mundo Contemporâneo (de vários autores). 
Museu Regional da Huíla. Museu Nacional De História Natural De Angola. Museu dos Reis Do Kôngo (em M'banza Kôngo). Museu Nacional da RDCongo (em Kinshasa) Comunidade do Sobado do Bembe (na província do Uíge).


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Pensar e Falar Angola

quinta-feira, 11 de novembro de 2021

46 º Aniversário da Independência de Angola


Angola tornou-se independente a 11 de Novembro de 1975, com a proclamação da Independência Nacional, pelo primeiro Presidente, António Agostinho Neto, busto hoje inaugurado na Cidade de Moçâmedes, Província do Namibe,




Pensar e Falar Angola

terça-feira, 12 de outubro de 2021

UM TRAÇO ANGOLANO


Henrique Abranches

Henrique Abranches (1932-2004) é considerado o pai da banda desenhada em Angola. Português de nascença, chegou a viver em Angola ainda jovem. Envolveu-se activamente na luta anticolonial e foi até preso por isso.

Mais tarde, fundou o Centro de Estudos Angolanos na Argélia, junto ao escritor Pepetela. Depois da independência, actuou como Director Nacional dos Museus em Angola, antes de dedicar-se somente à arte e às ciências, formando muitos jovens nas artes plásticas. Entre os seus alunos encontram-se artistas internacionalmente premiados.

Além de desenhador, Henrique Abranches também foi escritor, pintor, antropólogo, arqueólogo e cofundador da União dos Escritores e da União Nacional dos Artistas Plásticos. Na exposição mostramos uma selecção das suas obras.

Mostramos também um novo documentário com entrevistas de amigos e alunos do Henrique Abranches.

O terceiro elemento da exposição são as obras produzidas pelos participantes da nossa oficina “Como seria uma África nunca colonizada?”.

A exposição no Memorial Dr. António Agostinho Neto será acompanhada por uma publicação com um texto introductivo escrito por Pepetela, e obras e fotografias do Henrique Abranches



Pensar e Falar Angola

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2021

Vida Selvagem

O director do Instituto Nacional de Biodiversidade, Aistofanes Pontes, disse que uma das metas da instituição é o resgate das espécies dadas como extintas. É a segunda parte da entrevista, cuja primeira saiu, sexta-feira, sem a identificação do entrevistado, falha pela qual nos desculpamos.

Qual é a real situação da Palanca Negra Gigante?

Foi construído um santuário turístico para observação deste animal emblemático no Parque Nacional da Cangandala. Os cidadãos, de modo geral, poderão visitar o Parque Nacional da Cangandala e ver de perto a Palanca Negra Gigante. A real situação da Palanca Negra Gigante é estável, porém, ainda se verifica uma certa pressão a nível nacional, sobre as diferentes espécies da nossa fauna.

Qual é o nível de execução do plano de acção nacional de conservação da chita e do mabeco?

A estimativa total de chitas para o País é de 200 indivíduos, sendo 30 para o Parque Nacional do Iona, 100-151 para os Parques Nacionais de Mavinga e Luengue-Luiana. A estimativa populacional de mabecos é de 800 indivíduos, sendo 90 para o Parque Nacional do Bicuar/Mupa, 260-599 para Mavinga e Luengue-Luiana, 20 para a zona Sul do Luando e com vários registos de câmaras trap, no Moxico e Bié. Está em carteira a implementação do projecto com a comunicação social e artistas, para a divulgação e sensibilização de um top 10 da Lista Vermelha das Espécies Ameaçadas de Extinção em Angola, onde a chita e o mabeco também fazem parte. A realização desta actividade está condicionada pelas medidas de segurança, implementadas no âmbito da Covid-19.Foi realizada recentemente a proposta de revisão da Legislação Nacional e Convenções Internacionais que apoiam a conservação da chita e do mabeco.

A julgar pelo contexto político que o país viveu nos últimos anos, o Instituto Nacional da Biodiversidade e Áreas de Conservação já pensou no resgate das diferentes espécies que deixaram o seu habitat?

Sim. Uma das metas a atingir é o resgate das diferentes espécies que hoje são dadas por extintas e nas diferentes categorias de conservação. Vários são os projectos que estão a ser implementados com este fito como, por exemplo, o projecto de protecção da Palanca Negra Gigante. A reabilitação das áreas de conservação e seus ecossistemas, o estabelecimento das equipas de gestão, a abertura dos corredores ecológicos jogam um papel muito importante no resgate das espécies e são acções que constam dos vários programas e projectos em implementação no Instituto.

Podemos estimar o impacto da Covid-19 na biodiversidade mundial e angolana em particular?

A acção antrópica danosa ao ambiente como a expansão de assentamentos humanos, exploração insustentável dos recursos naturais, a poluição, têm afectado consideravelmente mudança climática e na perda da biodiversidade com a obrigação da humanidade em ficar em casa para conter a disseminação do vírus Sars-Cov-2 e a sua doença, a Covid-19, tem contribuído no regresso da vida selvagem para o seu habitat, na recuperação da vegetação e da saúde dos ecossistemas a nível global e nacional.

Em Angola, é notório o aumento da densidade populacional de animais selvagens nos diferentes ecossistemas nas áreas de conservação, o retorno das aves migratórias no seu habitat, devido a sanidade do meio e a ausência humana nos seus habitats, a redução da poluição. Infelizmente, com o aumento da fauna selvagem nas áreas de conservação e consequentemente a redução de efectivos de fiscalização, não sendo possível cobrir todas as áreas, proporciona o aumento da caça furtiva para fins comerciais. Este impacto negativo pode comprometer os resultados positivos alcançados pela Covid-19 e comprometer a implementação das actividades ecológicas nas áreas de conservação. A pandemia da Covid-19 criou um impacto negativo e profundo para os países no Leste e Sul da África, como resultado da cessação repentina de todas as visitas, no âmbito do desenvolvimento das actividades ecológicas intimamente interdependentes.

A biodiversidade angolana oferece potencial, em termos de plantas medicinais que podem curar diversas doenças como a Covid-19, HIV/Sida, malária e outras?

Segundo o manual de plantas medicinais de Angola (Costa E. & Pedro M. 2013), Angola tem 19 espécies de plantas descritas utilizadas na medicina tradicional, para a cura de diversas enfermidades, no qual podem ser usados os frutos, sementes, folhas, caules e outros constituintes da planta. A realização de estudos clínicos e científicos são necessários e importantes para se aferir o grau de utilidade que as referidas espécies possam oferecer para o tratamento de diferentes patologias. É importante realçar que Angola é Parte do Protocolo de Nagoya, um instrumento jurídico e legal da Convenção da Diversidade Biológica (CBD), que foi adoptado na 10ª Conferência das Partes em Nagoya, Japão. O objectivo deste Protocolo é de promover a partilha justa e equitativa dos benefícios decorrentes da utilização dos recursos genéticos, definindo as políticas de acesso aos recursos genéticos e de partilha de benefícios promovendo ao mesmo tempo a conservação da diversidade biológica e o uso sustentável dos seus componentes. Proporciona solidez, certeza e transparência jurídica tanto para os provedores, tanto para os usuários de recursos genéticos.

O abate, consumo e comercialização de animais selvagens continua a ser um desafio para as autoridades que cuidam da preservação do meio ambiente?

Sim. O comércio ilegal de espécies da vida selvagem continua sendo a terceira maior actividade ilegal do mundo, perdendo apenas para o comércio de drogas e de armas. A densidade e diversidade de animais selvagens em Angola está em declínio e um dos principais factores é a caça furtiva, favorecida pelo comércio ilegal dos animais selvagens, que desde o período pós conflito armado passou de uma actividade de subsistência para actividade comercial de pequena, média e grande escala.

Quais são as principais acções responsáveis pela perda da biodiversidade um pouco por todo o mundo?

Entre as acções que concorrem para a perda da Biodiversidade podemos destacar a desflorestação, destruição dos solos, poluição do ar dos solos e das águas, queimadas, caça, pesca e tráfico ilegal, sob’ exploração, destruição de habitats, fragmentação dos habitats, introdução de espécies exóticas e as alterações climáticas.

Até que ponto a acção do homem sobre o meio ambiente influência as mudanças climáticas que o mundo regista a cada dia?

Normalmente quando se fala deste tema o mesmo é relacionado a revolução industrial onde se produz mais voltando nos lucros e na satisfação do alto consumo a nível mundial. Neste processo produtivo requer a utilização de maior quantidade de recursos ou matéria-prima e consequentemente cria pressão as florestas, polui a atmosfera e os recursos hídricos, contamina e empobrece os solos e como resultado temos as alterações climáticas. A mudança de atitude e/ou de comportamento estão entre as soluções para a redução dos impactos negativos sobre o ambiente.

Quais são as reais necessidades do sector em termos de recursos humanos face aos desafios?

Capital humano formado e capacitado em diferentes áreas do ambiente, bem como, capital financeiro que compense o árduo trabalho de gestão, conservação e preservação da biodiversidade.

Podemos considerar a biodiversidade um sector que pode absorver a mão-de-obra em grande escala?

Sim. Podemos considerar a conservação da biodiversidade um sector que pode absorver a mão-de-obra, sobretudo local, em grande escala. Para tal são necessários programas, projectos específicos para cada área. Essas cooperativas desempenharam um papel fundamental na recuperação da vida selvagem do país, incluindo a triplicação de sua população de elefantes, desde o início dos anos 90, e catalisando o investimento em actividades ecoturísticas e a utilização de outros animais selvagens em áreas rurais remotas.

As cooperativas comunitárias geraram cerca de US $ 11 milhões em retornos e benefícios da vida selvagem e mais de 5.000 empregos, em 2019.

 




Pensar e Falar Angola

segunda-feira, 31 de dezembro de 2018

Viagem a Windhoek por Santa Clara - Ondjiva

Viagem a Windhoek por Santa Clara

Aterramos em Ondjiva, capital do Cunene, depois de uma tranquila viagem de aproximadamente hora e meia. O brilho intenso do sol obriga as pessoas mais sensíveis a protegerem os olhos. A estação quente atinge o pico nesta província no mês de Dezembro. O calor aperta, apesar da tarde caminhar para o fim. Fora da sala de desembarque, os passageiros deparam-se com motoristas e cobradores que “chamam” para Ondjiva e Santa Clara, o mais movimentado dos quatro postos fronteiriços que ligam o Cunene à vizinha República da Namíbia. Este é um dos principais destinos de boa parte dos viajantes da companhia de bandeira nacional, que garante três frequências aéreas semanais a partir de Luanda. De distintos pontos do país chegam, diariamente, por via terrestre, turistas a bordo de autocarros, táxis colectivos de pequeno e grande porte ou em viaturas próprias.
Muita gente sai directamente do aeroporto para Santa Clara, localidade si-tuada a cerca de 45 quilómetros de Ondjiva.A passagem de táxi comum, vulgo candongueiro, custa 500 kwanzas, mas pode encarecer, dependendo da índole do transportador. Alguns oportunistas só precisam de saber que o passageiro desconhece o tarifário local para alterarem a tabela. Não foi o nosso caso. Ao amanhecer, circulamos com a “viatura oficial” da Edições Novembro, o que ampliou as possibilidades de apreciar paisagens, parar, rever detalhes e rentabilizar ao máximo a estadia. 
Antes de nos fazermos à estrada, damos um passeio básico pela cidade. Às 8 horas da manhã, o sol vai alto. O calor seco começa a importunar. Nada que impeça a caminhada. “O segredo é beber muita água, principalmente pela manhã”. O conselho vem do colega aqui radicado há alguns anos.
As repartições públicas abrem pontualmente as portas. Parece que todos se conhecem, porque as pessoas se saúdam com um sorriso autêntico. Ondjiva, porém, está quase irreconhecível. Poucos aspectos lembram a cidade fantasma dos duros anos de guerra. Há muito movimento, mas o trânsito flui. Várias opiniões convergem no ponto de vista se-gundo o qual a gestão do falecido governador Didalewa contribuiu para o visível crescimento dos últimos anos. A “centralidade” construída para albergar os 3 mil desalojados pelas cheias decorrentes das chuvas tem casas que muitos gostariam de deslocar para os seus endereços em Luanda. 
O Governo Provincial mudou de sede. A nova biblioteca faz jus ao nome. Há uma igreja construída de raiz, já entregue à  Católica. Deve ser inaugurada no início do próximo ano. O Tribunal provincial foi transferido para um edifício com maior dignidade, onde também funciona a Procuradoria Geral da República. Espaçosa e confortável é a sala do juiz presidente. Nela se sente o ar de solenidade que só os magistrados transmitem, incluindo durante conversas informais. Ondjiva cresce a olhos vistos, embora seja cedo para se sentir o impacto da actual governação. 
Entretanto, nem tudo mudou. Cercados por chapas, os destroços da guerra continuam no mesmo lugar. Esses, sim, remetem o transeunte para o período em que a aviação sul-africana praticamente reduziu a escombros a capital do Cunene. A província foi palco de batalhas memoráveis que concorreram para alicerçar o espírito pa-triótico contextualizado na devida época. Os cânticos revolucionários que narravam epopeias heróicas exaltavam o facto de o Cunene só ter entrada. “Não há saída”, entoavam os militares, secundados por pioneiros da OPA, imortalizados no programa “Opção”, da TPA. A guerra ficou no passado. O tempo também passa nesta manhã ensolarada. É hora de apanharmos a direcção sul, rumo à fronteira. 

Saudar Mandume
Encontrámos a Estrada Nacional 372 em óptimas condições. Os velocistas por vocação são compelidos a desacelerar. A Polícia Nacional montou postos de controlo ao longo da via. Gestualmente, os agentes aconselham os condutores a abrandar a velocidade. Quan-do necessário, mandam parar viaturas para conferir se está tudo em ordem. Quinito Kanhameni, o director provincial da Edições Novembro, que gentilmente se predispôs a servir de cicerone, aposta na prudência. Prefere “caminhar devagar, porque temos pressa. Queremos chegar ao destino”. A rodovia dá igualmente acesso ao Complexo Turístico do Memorial Rei Mandume Ya Ndemmufayo, em Oihole, município de Namacunde. 
Inaugurado em 2002, por Sam Nujoma e José Eduardo dos Santos, antigos Chefes de Estados da Namíbia e de Angola, respectivamente, o Memorial foi construído no local onde o lendário soberano perdeu a última batalha diante das tropas portuguesas e inglesas. O Memorial pretende homenagear Mandume e, através dele, todos quantos resistiram à ocupação colonial. Revestido de imenso simbolismo, o espaço é terreno sagrado para os povos da região que veneram a memória do soberano. 
“O meu coração me diz que nada fiz de errado”, a célebre frase   de Mandume destoa do actual estado do Memorial. Em 2008, foram anunciadas obras de beneficência. A reabilitação do complexo, interrompida por falta de verbas, previa a construção de uma estátua do Rei na antiga “embala”, termo kwanyama que significa “Palácio Administrativo”. Já em Namacunde, sede do município, sente-se a presença da Administração Pública no sossegado município que floresce à beira da estrada. O hospital, a unidade de corpo de bombeiros, escolas e lojas ao redor fazem crer que a localidade tem infra-estruturas. O número de antenas parabólicas sugere que a caixinha mágica leva a informação e entretenimento aos habitantes, conectando-os em torno da grande aldeia global em que vivemos.
Menos interessante é a paisagem natural. Anuncia penúria. As zonas de pasto estão acastanhadas. O capim secou. Em várias ocasiões, bois dispersos da manada cruzam a estrada. Muitos expõem o esqueleto devido à magreza excessiva. Procuram comida e água. As bacias naturais de retenção do \"líquido da vida\" começam a escassear. Os animais percorrem distâncias cada vez maiores em busca da sobrevivência. Não é cordato augurar maus momentos, mas a falta de chuvas pode resultar em catástrofes. Previsíveis, diga-se, porque a seca na região é cíclica. Por outro lado, as consequências das chuvas não são propriamente desconhecidas. En-quanto os seres humanos imbuídos de competências não concebem estratégias para minimizar situações evitáveis, resta a quem pode a opção de perfurar o solo em busca de água. Dos crentes pedem-se orações, com fé, implorando aos céus por dias melhores. 

Efeito Resgate 
A jornada prossegue. A manhã vai para o fim, quando chegamos à paragem de autocarros e de táxis. À medida que nos aproximamos, multiplicam-se os armazéns, assim como as áreas de pequeno e grande comércio. Vemos zonas residenciais e muitas pensões residenciais. Quem passou algum dia por aqui não reconhece a localidade. A televisão mostra imagens cheias de gente e de confusão. A tranquilidade aparente desloca-nos da realidade. 
Estamos em Santa Clara, o município fronteiriço, que, por razões diversas, aparece regularmente nas manchetes noticiosas. É a principal porta para a Namíbia a partir do Cunene. Onde param os zungueiros? E os kínguilos, maioritariamente homens que dominam o câmbio informal? Não se vêm “ngandulos”, igualmente conhecidos por “matocheiros”, os \"comissionistas\" ou ainda \"micheiros\". Em bom português, são intermediários disponíveis para todo o tipo de serviço. À primeira vista, diminuíram as cantinas dos Mamadús. Os verdadeiros entrepostos dos amigos Youssoufs, originários de qualquer ponto de África, desapareceram das redondezas. A resposta-chave para a surpreendente metamorfose assenta na designada “Operação Resgate”. 
A rua principal mudou de aspecto desde o início da Operação. “Acabaram as aglomerações de gente. Os kínguilos agora ficam ali atrás.” Solícito, João Miguel, funcionário público, aponta para um lugar remoto. Perto da fronteira, fazemos paragem obrigatória na cancela que nos separa dos edifícios que ocupam uma superfície considerável. Aqui funcionam a Administração Geral Tributária (AGT), a Polícia Fiscal, os Serviços de Migra-
ção e Estrangeiros e a Polícia de Guarda Fronteira, à qual compete garantir a inviolabilidade dos marcos.
A província do Cunene partilha 460 quilómetros de fronteira com a vizinha Namíbia. Desses, 340 são terrestres e 120 fluviais. Diariamente, regista-se um intenso movimento de saída e entrada de cidadãos nos dois sentidos, através dos postos fronteiriços de Santa Clara, Calueque, Okalongo e Ruacaná.

Movimento fronteiriço
Este ano, um total de 198.662 cidadãos nacionais saíram do país a partir dos postos fronteiriços de Santa-Clara, Okalongo, Calueque e Ruacaná, na Província do Cu-nene, menos 79.986 do que em 2017.
Os números vêm expressos  no Relatório de Balanço Anual do Serviço de Migração e Estrangeiro (SME) no Cunene. De acordo com os dados, 64.436 cidadãos nacionais usaram passaportes, 615, salvo-condutos e 133.611, passes de travessia, a partir dos postos fronteiriços de Santa-Clara, Okalongo, numa média de 600 pessoas por dia.
De acordo com o relatório de balanço do SME no Cunene, durante o ano, entraram no país, pela mesma via, 167.084 pessoas, menos 94.449 do 
que em 2017. Deste número, 144.690 são de diversas nacionalidades. 40.266 usaram visto de turista, 204 de residentes e 444 vistos de trabalho.
Estes portadores de vistos tiveram como destino as províncias do Cunene, Huíla, Huambo, Benguela, Namibe, Lunda-Norte, Cuando-Cu-bango e Luanda. 
Registou-se igualmente a entrada de 103.774 namibianos com passes de travessia.

  Separados pela Conferência de Berlim
A Namíbia foi o primeiro país do mundo a suprimir a necessidade de visto de entrada no seu território para cidadãos angolanos. As formalidades migratórias são céleres dos dois lados. Ao contrário do tempo da guerra, de triste memória, Cunene tem saída. E entrada, desde que os procedimentos sejam rigorosamente feitos entre as 08h00 e as 17h00. Apesar do fuso horário da Namíbia, com uma hora a mais, as autoridades locais aceitam o horário de Angola. Os residentes num perímetro de 5 quilómetros usufruem de passe válido para 72 horas. É-lhes permitida circulação num raio de sessenta quilómetros. 
Abundam pormenores interessantes. Há famílias divididas entre as fronteiras. “O pai pode viver na Namíbia e a mãe em Angola. Muitos angolanos preferem que os filhos estudem na Namíbia, por causa da Língua Inglesa. As crianças kuanyamas não zungam. São orgulhosas. Vão à escola”, afirma Tomás, jovem angolano de 30 anos. Não falava uma única palavra em Português, quando começou a trabalhar na fronteira. Suspende a entrevista, feita em território neutro, ao ouvir alguém gritar o seu nome. 
Depois da Emigração, a estrada tem um cruzamento em transversal. A partir desse ponto, a condução faz-se em sentido contrário. Ou seja, da direita para a esquerda, para quem sai de Angola e da esquerda para a direita, para quem entra em território nacional. O carro fica na terra de ninguém. Entramos em Oshikango, território namibiano. As cidades namibianas mais próximas são Enhana, Rundu e Nkurenkuru. Pertinho daqui, passa o rio Okavango. Nova reportagem agendada para o futuro. Hoje estamos aqui. O assédio é grande. Afinal, os “matocheiros” ausentes de Santa Clara estão na Namíbia. Trata-se maioritariamente de cidadãos angolanos, residentes em Angola.
“Chegam para fazer biscates”, explica um ocasional companheiro de jornada. “Mãezinha, trocamos rands e dólares. Fazemos traduções, levamos aos médicos originais. Eles tratam tudo, tiram mioma nas mulheres. A mãe precisa de quê?”. O homem, enorme, vestido de calças brancas e camisola do Chelsea, oferece uma gama de serviços indistintos.  
Quinito Kanhameni, o guia turístico de ocasião, interrompe diplomaticamente a sequência publicitária. Ga-rante que boa parte dos grandes armazéns aceita paga-
mentos em kwanzas. Em território namibiano, comunica-se principalmente em Kua-
nyama, língua transfronteiriça integrante do grupo étni-co-linguístico Oshiwambo. Em Angola, incluiu o Ovambadja e Ovavale. Atento, Quinito recomenda cuidados redobrados em relação à mochila. Às vezes, o azar acompanha os viajantes. Os intimidatórios relatos elucidam. Fala-se de roubos, assaltos violentos com uso de arma branca. Há agressões e raptos.
 “Muitas pessoas são desviadas por supostos taxistas. Com sorte, deixam algum dinheiro para o transporte. O segredo é não responder a nada. Não abrir a boca. Quando se apercebem que somos estrangeiros”. Na verdade, Guidinha refere-se a não falantes das línguas lo-cais. A outra prima, surgida no corredor do movimentado armazém, confirma os riscos. Saúda sorrateiramente. Como se estivesse a fugir de um peri-go eminente. 
“Chegámos ontem. Ficamos dois dias”. Elas fazem parte do lote de \"moambeiras\" que, desafiando a crise económica,  especializaram-se em identificar potenciais negócios rentáveis em estabelecimentos namibianos.
Permanecemos no primeiro armazém, situado a sensivelmente duzentos metros do posto fronteiriço. Com os bolsos abarrotados de notas, o homem do Chelsea volta a insinuar-se. “A secção dos telemóveis é ali. As mobílias estão lá em cima. Conhecemos bons despachantes…”, aponta para o andar superior. 
Conhecido por Camilo, nome de um dos principais empregados, o armazém sinaliza um ponto de encontro de angolanos. Misturam-se nos seus corredores sotaques de todo o país. Durante uma hora no seu interior, não vimos uma pessoa que seja a pagar as compras com outra moeda, além de kwanzas. Ou seja, os clientes namibianos são raríssimos. Os angolanos compram electro-­domésticos, telemóveis, malas de viagem, mobílias, artigos para casa, produtos industriais, mas também quinquilharia. A esta altura, saem inúmeras árvores e enfeites de Natal. Os preços são taxados em dólares americanos ao câmbio do dia.
A compra, por exemplo, de uma pasta de viagem cotada em 35 dólares remete para o outro lado do armazém, onde inúmeros clientes angolanos esperam pelas respectivas mercadorias. A depender do tamanho do volume, uma carrinha transporta-as para a zona alfandegária. As poucas cadeiras não satisfazem a demanda. Não faz mal! Ninguém se verga ao cansaço. Distraídos a indagar, não sentimos passar os exactos vinte minutos. A persistente chamada em tom alto desperta a atenção. “Roguério, Roguério”, repete o homem em pronúncia inglesa. Mercadoria confirmada. 
A espera não terminou. O empregado leva a mercadoria. A tal pasta, orçada em 35 dólares norte-americanos, equivale a 13.300 Kwanzas. Pouco dinheiro, realmente. Mas a “carga” não sai sem o correspondente manifesto. A recepção do documento emitido pela Autoridade Alfandegária da Namíbia consumiu aproximadamente 45 minutos. Quase o tempo que Reginalda, enfermeira do Hospital Geral de Ondjiva, aguarda pela arca de três cestos e pelo colchão. 
“Aproveitei a folga para fazer compras. Paguei pela arca 56.600 kwanzas”. Em Ondjiva, o mesmo electro-doméstico custa acima de cem mil Kwanzas. “Incluindo o valor pago na nossa Alfândega, fica sempre mais barato”, acrescenta.
“Há sempre carros para levar a mercadoria até a casa. Deixamos os papéis e o número do telefone. Recebemos tudo no mesmo dia”, esclarece. A enfermeira é interrompida pelo Tomás, o “matocheiro”, aquele que estava na terra de ninguém. A esta altura contabiliza rendimentos de uns quantos “ngandulos”. Ele também agencia a enfermeira Reginalda. Quanto aos honorários, “dependem da conversa”. O sorriso de Tomás sugere uma jornada lucrativa. 
O 10 de Dezembro, Dia Mundial dos Direitos Humanos, é feriado na Namíbia. A data coincide com a celebração dos direitos da mulher na pátria de Sam Nujoma. A proximidade da Quadra Festiva e o pagamento da remuneração referente ao 13º mês fazem aumentar a clientela no vizinho do sul. E o homem do Chelsea volta a rondar a área. Desta vez, não apregoa nada. O olhar é expressivo. Desconfiamos que o dia não está a ser muito bom para ele. O Tomás corre para atender a chamada. Assunto resolvido. “Vou seguir a minha carga”, despede-se a enfermeira de Ondjiva.
A par de compras acessíveis, os angolanos procuram saúde na Namíbia. John, 34 anos, é um dos poucos intermediários namibianos que circula na fronteira. Clarifica que os cidadãos do seu país pagam 15 rands (225 kwanzas) nos hospitais públicos e os angolanos 60 (aproximadamente 900 kwanzas). Ainda assim, fica em conta. 
“Nas clínicas privadas, os preços dependem da complicação, mas todos pagam valores iguais. O que conta é o dinheiro”, comenta o trabalhador informal, que prefere ser tratado por João. “Costumo acompanhar muitos angolanos”, afirma. 
Limitamo-nos a acompanhar as movimentações nos armazéns lotados de gente para comprar, pesquisar e comparar preços. Como a ocasião apura o engenho, o pequeno comércio prospera. Zungueiras angolanas vendem ameixas e laranjas pela metade do preço cobrado em Ondjiva. Para isso, não precisamos de pagar impostos. 
O sol de Santa Clara engana. Os passos apressados em direcção aos portões indicam a passagem do tempo. Em menos de duas horas, a fronteira estará encerrada. Algum desavisado lança lixo para o chão. Angolano, claro! John ou João, como preferirmos, recolhe a sujeira que deposita no cesto ignorado pelo apressado viajante. O prazo expirou. Faltam estórias para ilustrar o quotidiano na zona fronteiriça. Contudo, as poucas horas deram a ver intensas movimentações. Factos interessantes. Fronteiras artificiais; de povos de dois países separados pela conferência de Berlim.




Pensar e Falar Angola

quinta-feira, 22 de novembro de 2018

Angolanidade: construção das identidades angolanas

Angolanidade: construção das identidades angolanas

Resumo

A formação do território hoje Angola é o resultado de uma luta consciente de uma elite diversificada consciente dos seus objectivos que, em três fases criaram o Estado angolano: 1961 até 1975; 1975 até 1992 e, 1992 até 2002. Ora, neste território chamado Angola estava sediadas inúmeras identidades patrimoniais, e realizaram interessantes dinâmicas com as novas identidades oriundas de fora e, desde então, fervem-se várias propostas identitárias na construção da sociedade angolana. O projecto sobre angolanidade vem, pelo menos teoricamente, nutrir esperança sobre o futuro de Angola. Para compreender esta construção vertiginosa das identidades angolanas, dividimos os agentes sociais angolanos em “Eu”, “Não-Eu” e “Outro”. A partir deste modelo, confrontamos várias teorias existentes e compreendendo outras.

Etimologicamente, angolanidade pode significar: (1) valores de Angola/angolanos; (2) qualidades dos Angolanos. Isto é: a palavra é construída de angola, e do sufixo [ni]dade, qualidade, valor.
Ao longo de tempo, o termo foi amplamente utilizado, ganhou outros sentidos e beneficiando de “ensaios” de teorização e, até hoje, é ainda motivo de releitura. Geralmente, a “pouca história” desta teorização leva-nos a resumi a definição da maneira seguinte: “Angolanidade é a idealização ou tentativa de teorização sobre o Estado-nação angolano”.


Pensar e Falar Angola

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Municipalizar Angola

O Vice-presidente da República, Bornito de Sousa, declarou nesta terça-feira, em Luanda, que municipalizar significa encarar o município como a fonte do desenvolvimento nacional.
Afirmou que o processo requer novos paradigmas de estruturação dos serviços públicos e, sobretudo, mais competências, recursos financeiros e melhores recursos humanos para os municípios.
Na abertura do V Fórum dos Municípios e Cidades de Angola, o Vice-presidente da República informou que o Executivo está a preparar um conjunto de medidas para o reforço da desconcentração administrativa e uma maior articulação entre a administração central e local.

Falou da necessidade de garantir que os municípios sejam dirigidos por mulheres e homens íntegros, honestos e capazes de assumirem os desafios do presente investindo essencialmente no homem, dotando-os dos melhores quadros.
Aferiu a necessidade de se promover a autoridade imposta pelo rigor, da qualidade do trabalho, da ética e da moral, mas nunca por meio da prepotência ou da arrogância.
Bornito de Sousa acredita que o sucesso do processo de municipalização passa muito pela existência de gestores municipais capazes de se colocar nos níveis mais altos no plano da ética e do patriotismo.
Falou ainda da necessidade de se reestruturar os serviços de inspecção da administração do território e os serviços de inspecção sectoriais, para prevenir condutas lesivas ao interesse público.
Defende a municipalização de serviços, de acordo com cada realidade, introduzindo as correcções necessárias, visando o resgate da confiança do cidadão nas instituições.
Defendeu a necessidade de se reflectir sobre os processos de arrecadação e afectação de certas receitas directamente dos municípios, para fomentar uma, cada vez maior, cultura de arrecadação e para fazer com que os recursos arrecadados sejam postos de modo célere ao serviço da população.
O reforço da desconcentração administrativa e a municipalização de serviços devem conduzir à descentralização administrativa e à realização das primeiras eleições autárquicas no país, durante a presente legislatura, disse.
Lembrou que a implementação gradual das autarquias locais foi uma promessa eleitoral, para cumprir.
Quando se afirma que “a vida faz-se nos municípios”, significa que lá deve ter serviços de melhor qualidade, com os melhores quadros e mais recursos, explicou o Vice-presidente da República


Pensar e Falar Angola

terça-feira, 12 de julho de 2016

RESPOSTA A << CARTA ABERTA A UMA NACAO NEGRA BRASILEIRA FEMINISTA.>>

Pensar e Falar Angola

 RESPOSTA A << CARTA ABERTA A UMA NACAO NEGRA BRASILEIRA FEMINISTA.>>

<<O povo brasileiro tem de aprender a empregar melhor os termos da lingua portuguesa. O feminismo nao nasceu da necessidade social da imancipacao da mulher, mas sim da necessidade de lutar contra a misogenia do Homem Branco. A mulher Africana nao deve abracar nenhuma luta em conjunto com a mulher europeia pois o europeu é racista. Nao existe feminismo negro do mesmo geito que nao existe racismo negro.>>

-       “A mulher africana NAO DEVEM” disseram homens negros estupradores, abusadores e misóginos, tanto quanto homens brancos, amarelos e castanhos.

<<A mulher negra precisa abracar uma causa sua, unica. Isso chama-se "panafricanismo". Nao se pode usar feminismo para combater machismo instaurado na sociedade negra. Quem criou esse padrao de opressao foi o homem branco. Sao eles que decidem quem trabalha e quem nao deve trabalhar no seu sistema (racismo).>>

-       “Não pode usar o FEMINISMO para combater o machismo”, bom se existe machismo, o feminismo é necessário, afinal machismo MATA, ESFOLA, ESTUPRA, ABUSA E EXPLORA, mulheres e meninas NEGRAS todos os dias pela mão de HOMENS NEGROS.
-       Se o machismo foi ou não instaurado (sabemos que é mentira) é então papel do homem que sabe fazer um discurso como esse se mudar a si mesmo e deixar então de matar, esfolar, estuprar e abusar de meninas e mulheres NEGRAS E A AFRICANAS.

<<O machismo è doenca do Homem Branco e tem origem na misogenia que eles sempre tiveram contra as brancas suas femias. A opressao que as mulheres negras sofrem dos negros, é domestica e nao social, mas isso nao é resultado do machismo...o homem negro age desta forma pois é vitima da condicacao social criada pelo homem branco. Um negro bebado é um bebado, agora toda comunidade negra bebada e drogada nao é normal, esta sendo vitima do racismo criado pelo macho europeu.>>

-       Ser vítima do racismo não dá legitimidade nenhuma a ninguém de MATAR, ABUSAR, ESTUPRAR e ESFOLAR mulheres e meninas todos os dias e em impunidade.
-       A misoginia e machismo patriarcais são transversais a todas as sociedades do mundo.
-       Amassamento dos seios, mutilação genital, dote (alembamento), casamento de meninas com idosos (todo um conjunto de comportamentos misóginos e machistas) são parte da cultura africana anterior a colonização e até a invasão europeia ao continente, portanto isso é prova de que HOMENS NEGROS MATAM, ESTUPRAM, ESFOLAM, ABUSAM E ESFOLAM as meninas e mulheres negras e africanas só por elas serem mulheres.
-       Se você é bebado vá se tratar. Além de ser um problema domestico é colectivo social, pois bebados colocam em risco a segurança e bem estar alheio. Você bebe porque quer, é você que não sabe e tem preguiça de gerir as suas emoções e quando não tem força para lutar contra o sistema supremacista branco racista que te oprime ainda queres ter o direito de matar, estuprar, esfolar e abusar da menina e da mulher negra e africana e ficar impune usando o racismo como bode expiatório. Só que não cola.

<<Um macho negro que vive Numa sociedade racista e quem tem que viver e alimentar a Familia...acaba fustrado. >>

-       Macho branco, castanho, amarelo…vive numa sociedade com variados tipos de opressões e também são condicionados a ser provedores e também acabam frustrados. Assim como o macho negro também matam, estupram, esfolam e exploram meninas e mulheres das suas respectivas raças e das que tiverem acesso. São todos farinha do mesmo saco, bando de canalhas.
-       Homem preto és vítima do racismo e do geniocidio negro na América mas não és nenhum santo e és um machista, misogino e sexista igual aos outros, só  não tens o poder do homem branco, mas vocês são iguais.

<<A mulher negra deve perceber que o macho europeu esta em guerra contra o macho melanoide... é so olhar para o padrao de beleza que a branca criou (loira, magra)...padrao de beleza criado pelo macho europeu (musculado, que nao sente dor, medo, ou de mostre algum sentimento e de penis grande)... voces acham mesmo que os africanos discutiam quem tem o bilao maior? Isso é conversa de gente com crise de inferioridade. Ele precisa te rebaixar para se sentir "superior"...e todos sabem quem sao os inferiores.>>

-       A mulher negra deve porra nenhuma, muito menos a ti negro abusador, estuprador e ingrato em relação a mãe que te pariu e a mulher que cuida sozinha dos teus filhos seu miserável.
-       Os teus problemas com o macho branco resolves tu, mulheres negras não somos nem tuas camelas nem as tuas mulas de carga.
-       Estão a falar mal do padrão de beleza da branca mas são vocês homens negros que preterem as negras escuras e de cabelo crespo se elas não se “embranquecerem” o máximo possível alisando o cabelo e a tentarem imitar as mulheres brancas.
-       Além de preterirem as negras e falarem mal do cabelo crespo delas e dos rasgos africanos delas, vocês as abandonam com os vossos filhos maioritariamente indesejados, enquanto quando têm a oportunidade de ter a branca que for vocês lambem-lhes o cu e fazem-lhes todas as vontades, enquanto aproveitam para exibilas come se de troféus se tratassem e humilham-nas sexualmente para descarregarem a vossa frustração contra o sistema racista sendo misoginos. Até engolem o racismo das familias delas para ficarem com elas como se isso fosse um acto heroic. Vocês dão pena de tão miseráveis que são.



A mulher negra em todo mundo tem mais privilegios na sociedade que o homem negro. Tem mais economias, podem estudar, trabalhar....mas o negro maxo nao.

- A mulher negra trabalha e carrega todo mundo nas suas costas, homens que não trabalham e se vitimizam com o racismo quando mulher negra sofre tanto racism quanto homem negro, somado a isso, a mulher negra vive numa eterna solidão e abandono e cria como pode os filhos que o homem negro faz com ela mas que ele nunca assume, enquanto ela para os alimentar vai limpar a bunda dos filhos das brancas e das suas casas e nunca tem tempo para si mesmas. Quando mulheres negras conseguem fugir desse ciclo com o triplo de esforço e sendo alvo de racismo e misoginia de todos os lados vocês usam esse discurso vitimista. Metem nojo.

<<A mulher negra deve se preocupar com a sua feminilidade, conhecimento e panafricanismo. Nada mais que isso. Pois os machos africanos a mais de 6 séculos que nao têm poder de nada na sociedade quanto mais oprimir a mulher Negra.>>

-       A mulher negra deve é o caralho.
-       Feminilidade é ser subjugada a masculinidade, não precisamos de nos enfraquecer e atrofiar física e mentalmente para vos carregarmos as costas enquanto gastamos os nossos parcos recursos a imitarmos as brancas e seu consumismo.
-       Vocês não têm o poder dos brancos que estão acima de vocês, mas têm o poder de OPRIMIR MULHERES E MENINAS NEGRAS E AFRICANAS que estão abaixo de vocês.

<<Onde ha mulheres brancas a reivindicarem, isso é feminismo. Devido a brutalidade que sempre sofreram de seus machos. E so ver o padrao de sexo criado pelo maxo europeu...Voce Vai perceber que o macho europeu so obtem prazer humilhando ate a sua femia...isso é psicopatia.>>

- HOMEM NEGRO também só obtém prazer humilhando e explorando a mulher negra e africana. Serem vítimas do racism estrural não vos torna nem menos violentos nem menos opressores. O racismo não vos santifica. Esse maniqueísmo aqui não cola. São tão psicopatas quanto o homem branco.

<<A Eva foi culpabilizada pela expulsao do Eden, Pandora a primeira mulher tambem foi culpabilizada pelos males do mundo, o deus deles nao tem mae nem esposa e isso faz dele o Santo...como se a mulher foi algo sujo. Dalila foi culpada de trair sansao...ou seja, em tudo que o homem branco cria, atribui a culpa na mulher ao ponto de escolherem se envolver entre homens...so para negar a mulher.>>

- O homem negro faz a mesma coisa e usa a religião do homem branco como bode expiatório.

<<Agora onde ha mulheres negras, isso é panafricanismo. Nossas maes em Africa nao aprovam nenhum feminismo negro. >>

- As vossas mães foram silenciadas pelos vossos pais em nome da Guerra anti invasão branca, em nome da luta anti colonial, em nome da luta pela independência. E reiteradamente usaram qualquer reivindicação das mulheres para as acusarem de divisoras do movimento pelo bem comum. Passaram os anos vocês fazem exactamente o mesmo. O FEMINISMO AFRICANO EXISTE lidem com isso. O choro é livre. Vão morrer a paulada pois não vamos mais tolerar os vossos estupros, abusos e exploração.

<<A mulher negra Numa tentativa de melhor integracao abraca tudo que o racista cria...Ate a homossexualidade apoiam...sem Saber que a homossexualidade tem como alvo a destruicao do macho africano, para que as femeas negras tenham os europeus como unico exemplo de masculinidade. >>

- Homofobia é coisa de machista e misogino e racismo não tem nada a ver com isso.

<<Lembra te, o racismo é o sistema de sobrevivência genética do Homem Branco...eles precisam destruir o macho negro e usar a mulher Africana como incubadora para continuarem a viver neste planeta.>>
- Homem negro também usa a mulher negra como incubadora para manter a sua raça negra. Vocês são iguais. Usarem o racismo para desviar a atenção é hipocrisia, cinismo e desonestidade.

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<<Meus amigos vamos deixar uma coisa bem clara,
o lugar de nascimento, nao define a origem da pessoa.>>

-       Vocês homens negros só dizem isso quando vos convém. Para beneficiar de alguma coisa. Se assim não fosse aqueles negros de classe social alta não lutariam para ter cidadania europeia ou Americana e os negros da América não lutariam para manter uma cidadania que lhes dá benefícios de cidadão que ninguém em África tem direito a ter  graças a ditaduras de homens negros poderosos (lacaios do imperialismo), sobre outros homens negros.

<<Voce pode viajar para marte e ter la o teu filho, mas nem com isso voce deixa de ser terraquio e passa a ser marciano.
O que determina o lugar de nascimento é a nacionalidade e nao a tua origem como pessoa. Negros nascidos no Brasil a geracoes continuam a ser africanos por origem e nacionalizados como brasileiros. >>

- O lugar de nascimento, nao define a origem da pessoa. O que determina o lugar de nascimento é a nacionalidade e nao a tua origem como pessoa. Leiam várias vezes essa afirmação. Não tem sentido, é assim que se criam FALACIAS DO ESPANTALHO.

<<Nao existe afro-americanos, nem afro-brasileiros. >>

- Nisso concordamos. São negros brasileiros e negros estadounidenses e ambos são americanos pois Brasil também é América  só que do Sul. Afinal o que define a pessoa é a NACIONALIDADE.

<<Uma coisa é nacionalidade e outra é origem. Esse tipo de rotulos so cabe aos negros que so querem dancar e jogar footbol, mas nunca serem autodidatas. >>
- OUTRO NON SENSE sem explicação. Falácias do espantalho!

<<Voce nunca vai ver um branco de nacionalidade brasileira a se chamar euro-brasileiro, mas os negros se deixam ser chamados porque nao querem aprender sobre eles mesmos.>>

-       A isso se chama racismo. E isso não tem nada a ver com feminismo. Querem nos atirar areia para os olhos, mas nós mulheres negras de olhos abertos usamos uma mascara de proteção facial.

<<Negro nao é raca...mas sim o "homem original". Agora todas estas chamadas racas como caucasoide, mongol ou dravidianos sao os verdadeiros afro-descendentes, porque derivam do homem original que é o africano. >>

- Falácias do espantalho. Mitologia barata sem fundamento numa tentativa reles de buscarem afirmação que sobreponha o sistema supremacista racista branco. Vocês fazem rir.

<<Nao existe raca branca, os chamados brancos sao na verdade albinos caucasianos, devido a forma craniana e a carencia de melanina. >>

-       Negro não é raça, não existe raça branca…NON SENSE ATRAS DE NON SENSE e ainda aproveita faz tokkenização do albinismo. Ao menos demonstram que são homo sapiens pelo nível de criatividade. Parabéns.

<<Muitos pensam que so existe um tipo de albino, na qual nos em Angola a grosso modo chamamos de quilombo. Mas saiba que existe diferentes tipos de albinismo e brancos sao albinos tambem.>>

- Deixa de usar os albinos para fabricar mentiras. Que nojo! Só acredita nessas palhaçadas de segunda, pessoas preguiçosas que só usam a internet para pornografia e maledicência. O que estás a fazer é tokkenizar albinos para marcar pontos numa baliza imaginária. Deixa as drogas rapaz!

<<Nao existe branco africano. Mia Couto nao é africano. O simples facto de nascer em Africa nao faz de ti Africano. >>

-       Como assim?? Mas você escreveu mais acima que o que define a pessoa é a nacionalidade!! Quando eu falo que vocês só têm cocó na cabeça ainda duvidam.

<<Africa é o nome do nosso continente e de nossa origem negroide...e nao a nacionalidade de qualquer pessoa que vem ca parir o seu filho.>>

-       Diz aos teus manos para devolverem a cidadania de cada país Europeu ou Americano que eles tenham.

<<Nao existe nacionalidade africana...>>

-       Claro que não. Africa tem 54 países de diferenciados pelas suas línguas, hábitos e costumes. Quem trata Africa como um país uniforme são esses panafricanistas Americanos que romantizam Africa e voces homens negros africanos xenófilos aplaudem. Vão lá para América e já verão como os negros Americanos vos irão tratar. Idiotas!

<<Lembra-se, africano nao é nacionalidade, porque a Afrika nao é um pais, mas um continente de multiplas multiplicidades e etnias e uma so cultura. Africano é um conjunto de caracteristicas fenotipicas e genoticas. Mia Couto é um cidadao branco (albino), de nacionalidade Mozambicana mas que nao é africano por origem.>>

-       Se Africa não é nação e a origem da pessoa é definida pela nacionalidade (segundo vocês) façam o favor de deixar Mia Couto em paz que é um homem elucidado e consciente.
-       Parem de tokkenizar albinos e de dizer mentiras sobre as raças

<<Agora, o simples facto de voce ter o pai ou a mae branca (...) e o pai africano, nao faz de ti afro-europeu. Mas africano devido ao nosso genotipo africano, que é predominante sobre todas as chamadas racas. >>

- NON SENSE SEM FIM. Querem rejeitar a supremacia branca tentando inventar uma fantasiosa supremacia negra. O planeta está em colapso, esse vosso ego a querer massagem não ajuda. Matem essa vossa ignorância e parem de perseguir feministas.

<<Lembra-se, nao existe raca europeia nem continente europeu. O que nos chama-mos de europa é nada mais do que uma invencao geo-politica, financeira e social e militar dos albinos caucasianos, tudo porque aquilo que todos chamam de Europa na verdade é Asia...A europa é a continuacao territorial da Asia. Os albinos caucasianos, comumentemente chamados de brancos, sao asiaticos porque provem dos dravidianos.>>

-       Desde o inicio do texto evitei discutir non sense. A minha recomendação aos leitores é: LEIAM MUITO, leituras lógicas, coerentes, informativas e com fonts não baseadas em fantasias e criatividade da menta aberta de fumadores abusivos de marijuana.

#AFRIFEM
#MOVIMENTOFEMINISTAAFRICANO
#MOVIMENTOFEMINISTAANGOLANO
#MFA
#MORTEAOPATRIARCADO
#ABOLIÇÃODOGENERO

  

RITA GT em Viana do Castelo

https://youtube.com/shorts/qZkb4CfXTZQ?si=3K65JJEr5VQqsZZS Ao longo dos últimos dois anos tive a oportunidade de desenvolver “8”, uma obra d...