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domingo, 3 de março de 2013

Justino Pinto de Andrade - escrevendo sobre educação


PINHEIRO DA SILVA E LUÍS GOMES SAMBO (NOMES A NÃO ESQUECER)


1.  Por razões mais do que óbvias, a questão da educação e do ensino tocam-me fundo na alma; nunca me deixam indiferente. Venho acompanhando o desenvolvimento da educação em Angola, praticamente desde que nasci. Era ainda um pirralho, mas já ouvia, por exemplo, em minha casa, falar-se de gente que dava aulas e/ou explicações; com algumas delas partilho o sangue. Era o Joaquim Pinto de Andrade que dava aulas no Seminário de Luanda. Era o Mário Pinto de Andrade que ensinara num dos poucos colégios que existiam na nossa cidade capital. Era a minha irmã Maria Henriqueta (a Miza) também a trilhar os caminhos do ensino – numa altura em que eu já não era propriamente um pirralho, pois a dinâmica do tempo que vivi obrigou-me a amadurecer muito cedo...

 

2.   Há poucos dias, despertou novamente no meu subconsciente um estridente alarme: li num semanário que uma das escolas mais emblemáticas da cidade de Benguela fora envolvida numa disputa económica que poderá mesmo levar alguém aos bancos dos réus. Era, pois, a denúncia de mais uma trafulha de interesses envolvendo responsáveis locais e agentes económicos também locais.

 

3.  Em resumo: foi aberto concurso público para a reparação de uma escola na cidade de Benguela, com a participação de 3 empresas. Nenhuma delas ficou com a obra, alegadamente por desobedecerem aos requisitos do caderno de encargos.

 

4.  A empreitada de reparação da escola foi, então, adjudicada a outra empresa, também local, mas que nem havia participado no concurso. O mais caricato é que essa empresa nem estaria inscrita no ramo da construção civil, o que veio a acontecer apenas depois de lhe ter sido adjudicada a empreitada. Com a adjudicação feita a seu favor, tratou de dobrar misteriosamente o preço.

 

5.  Estamos, agora, perante uma quase reedição da “peça” que correu na cidade de Benguela e que ficou para a história como “O Jardim Milionário”, um escândalo público de corrupção e de sobre facturação que terá feito rolar uma ou mais cabeças…

 

6.  Para mim, o recente episódio da “Escola Milionária” torna-se importante não só por levantar suspeitas de estarmos perante mais um caso de sobre facturação e de tráfico de influências, mas, muito em especial, por se tratar da escola que ostenta o nome de uma figura muito importante dos finais do século XIX e cuja fama se prolongou para a primeira metade do século XX: Luís Gomes Sambo.

 

7.  Luís Gomes Sambo que foi honrado com o seu nome gravado na frontaria da agora “Escola Milionária” de Benguela é, nem mais nem menos, que o bisavô do Dr. Luís Gomes Sambo, actual responsável máximo da Organização Mundial de Saúde (OMS) no nosso continente. Por extensão, e como é lógico, é também bisavô dos seus irmãos.

 

8.  Admiro o facto de a memória de Luís Gomes Sambo ter sido contemplada numa escola da cidade onde, creio, ele veio a falecer, depois de ter percorrido e vivido em várias outras localidades de Angola. Dar o nome Luís Gomes Sambo a essa escola, foi justa homenagem a uma figura marcante da nossa história e, em particular, de Cabinda, sua terra natal.

 

9.  Tive sempre na memória o nome de Luís Gomes Sambo, não só pela sua ligação à pesquisa medicinal (ervanária) mas, também, pelos dotes inatos para a música de que ouvi falar. Por norma, os Sambo tocam instrumentos musicais e compõem música. O Velho Sambo criou orquestras em muitas das partes de Angola por onde passou. Por isso, faz parte do património cultural e histórico do nosso país.

 

10.      O nome “Luís Gomes Sambo”, dado à “Escola Milionária” de Benguela, deve-se inteiramente à acção de uma outra figura natural de Cabinda, que marcou de um modo indelével o percurso da educação em Angola: o Dr. José Pinheiro da Silva.

 

11.      O Dr. José Pinheiro da Silva, falecido em Lisboa há precisamente 1 ano (no dia 18 de Fevereiro de 2012), foi Secretário Provincial da Educação do Governador-geral Silvino Silvério Marques. Foi ele que decidiu atribuir nomes de “figuras ultramarinas” marcantes a escolas de Angola, tais como Óscar Ribas, Honório Barreto, Luís Gomes Sambo.

 

12.      Ao Dr. José Pinheiro da Silva deve-se o fomento da integração étnica da população estudantil. Procurou espalhar por Angola as chamadas “Escolas de Habilitação de Professores de Posto”, para formar docentes para as escolas rurais. Nessas escolas ele misturou formandos de diferentes origens e não apenas da área de implantação.

 

13.      Ao Dr. Pinheiro da Silva não só se deve uma galopante expansão do parque escolar mas, também, o aumento exponencial da população escolar - que, em 1973, quase atingiu os 600.000 estudantes, nos vários níveis de ensino, numa população de cerca de 5 milhões de habitantes. Tomou também medidas que alteraram radicalmente conceitos, modelos e práticas em que o sistema educativo de então se baseava. Foi graças à acção do Dr. Pinheiro da Silva que se implementou uma melhor articulação do ensino com a realidade social que Angola vivia.

 

14.      O Dr. Pinheiro da Silva fomentou e desenvolveu a prática das bolsas de estudo para os estudantes mais carenciados. É outra dimensão social a ter em conta durante os 7 anos do seu mandato como Secretário Provincial da Educação.

 

15.      É evidente que o Dr. Pinheiro da Silva foi um actor ao serviço do modelo colonial em vigor. Não conseguiu dar o salto para a realidade que nós queríamos edificar: a nossa independência.

 

16.      Morreu praticamente isolado, rodeado, no seu velório, dos poucos que o conheceram, respeitaram e nunca o abandonaram. Mas, morreu firme nas suas convicções: duplamente monárquicas, por opção e porque a sua mãe tinha raízes nos reis do Congo.

 

17.      A acção do Dr. Pinheiro da Silva em prol da educação e do ensino em Angola de modo algum pode ser esquecida. Ao seu modo, tornou-se uma figura marcante na nossa história.

 

18.      Não há, pois, como apagar a história, mesmo que vontades circunstanciais e episódicas o queiram fazer. A terra que hoje temos em mãos não é somente um produto das acções que ocorreram depois da independência. Os angolanos sempre existiram, só que, durante séculos, sujeitos ao poder colonial. Luís Gomes Sambo e Pinheiro da Silva são dois deles.

retirado do Blog de: (21-02-2013)





Pensar e Falar Angola

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

CONFERÊNCIA DE IMPRENSA DO BD


CONFERÊNCIA DE IMPRENSA DO BLOCO DEMOCRÁTICO PRESIDIDA POR JUSTINO PINTO DE ANDRADE
 
Museu Nacional de Antropologia
Dia 15 de Agosto de 2012
15h30m
 
Minhas Senhoras e Meus Senhores!
 
1.   Antes de mais, pretendo agradecer, em nome do Bloco Democrático, a todos vocês por terem respondido positivamente ao nosso convite, e pedir também desculpas por qualquer eventual perturbação que ele tenha introduzido na programação das vossas tarefas. Nesta fase do processo político em curso no nosso país, sabemos que os senhores jornalistas se desdobram em muitos afazeres para, assim, conseguirem cobrir o essencial da movimentação política dos diversos actores mais directamente envolvidos na campanha eleitoral.
 
2.   Como é do vosso conhecimento, o Bloco Democrático não é concorrente directo nas eleições que se realizarão no dia 31 de Agosto. Estamos, porém, convencidos que a nossa exclusão do processo eleitoral foi algo premeditado, algo preparado em laboratório, pois havia o receio não só do carácter incisivo do nosso discurso durante a campanha, bem como da presença e do activismo dos deputados que elegeríamos para o futuro Parlamento. Ficou, pois, evidenciado que a forma mais expedita para nos barrarem o caminho foi a exclusão fraudulenta.
 
3.   Mas, o Bloco Democrático de modo algum abdica das suas responsabilidades políticas face ao povo angolano, daí que tenha desenvolvido um conjunto de tarefas que o tornam, mesmo que indirectamente, parte activa do actual processo político.
 
4.   Ainda antes da nossa exclusão do processo eleitoral, desenvolvemos um vasto conjunto de contactos com outros intervenientes, de que resultou o fortalecimento das nossas relações institucionais. Podemos mesmo dizer que, a esse nível, foi possível ver o carácter dinâmico da acção política do Bloco Democrático. Mantivemos suficiente motivação para prosseguir o combate pelos ideais democráticos que nos animam e desenvolvemos igualmente uma forte acção de recuperação da confiança por parte dos nossos militantes e da larga base social que subscreveu a candidatura do Bloco Democrático ao acto eleitoral.
 
5.   A adversidade da nossa não ida às eleições de 31 de Agosto não nos abalou, e temos mesmo assistido a manifestações de solidariedade por parte de um número crescente de cidadãos que mostram, assim, o quão grande era a esperança de eles participarem com o seu voto para o êxito do Bloco Democrático no pleito eleitoral. Foi esse espírito de vitória que fez temer a nossa presença e que estimulou a acção de recusa fraudulenta praticada contra nós.
 
6.   Temos acompanhado com a devida atenção o desenrolar da campanha por parte de algumas formações políticas. Fica por demais evidente que tudo foi feito, afinal, para se garantir o afastamento de algumas formações políticas que emprestariam outra dinâmica ao processo eleitoral.
 
7.   O regime tem agora no terreno não apenas a sua máquina partidária, mas também forças que se mostram como verdadeiras sucursais. São poucas as formações políticas que fazem um verdadeiro combate político, como é típico nas verdadeiras democracias. Com a postura que algumas dessas formações políticas adoptam, quem perde é a democracia. Elas maculam até mesmo a imagem dos próprios políticos.
 
8.   Em democracia, não é a subserviência que faz escola. Quem faz escola e marca o compasso político é a dinâmica e a oportunidade das ideias e das propostas.
 
9.   Nós, no Bloco Democrático, não temos dúvidas quanto ao carácter anti-democrático deste regime, pois sabemos que ele é um sub-produto do processo de reciclagem da velha ditadura. Por isso, com a nossa acção, queremos fazer alterar este estado de coisas. Lutamos para que a verdadeira democracia prevaleça. Temos a firme esperança de que ela vingará, não obstante todos os obstáculos que sejam postos no nosso caminho.
 
 
Minhas Senhoras e Meus Senhores! Caros Senhores Jornalistas!
 
10.                  A nossa acção directa, neste momento, passa pela participação activa no processo eleitoral juntamente com as forças políticas que se batem para alterar a lógica perversa que nos foi imposta. Instruímos os nossos militantes para serem parte do processo de fiscalização do acto eleitoral, lá onde estiverem e nos espaços em que se poderem inserir. Os militantes e simpatizantes do Bloco Democrático não se podem alhear deste processo, como se ele não lhes dissesse respeito.
 
11.                   O processo que está em curso diz respeito a todos nós e, por isso, temos que estar presentes, sob variadas formas. Temos que cooperar com as forças que propõem mudanças no conteúdo das políticas que julgamos erradas.
 
12.                  Nós não podemos aderir a propostas meramente cosméticas. Basta de sermos enganados! Basta de servirmos de suporte a todo o tipo de falcatruas que são engendradas com vista a que uns poucos beneficiem das riquezas deste país. Esta é a altura adequada para mostrarmos um “cartão vermelho” aos delapidadores das nossas riquezas. Temos que lhes mostrar o nosso desencanto e a nossa raiva. E temos agora em nossas mãos um instrumento precioso – o voto.
 
13.                  Não podemos condescender com os manipuladores. A nossa determinação em mudar este estado de coisas tem que ser manifestada nas urnas. Não é demitindo-nos de votar, ou votar em branco, que mostrará a nossa determinação. O nosso voto tem que estar direccionada contra os delapidadores, os manipuladores, os corruptos e os corruptores. Não há como confundir, porque eles não se confundem – estão bem identificados. Mas estas eleições só poderão ter lugar se se dissiparem todos os indicios de fraude e se for claro que o voto de cada cidadão vai contar ali onde porá a cruz. De outra forma o regime legitima a resistência do povo contra a fraude. Apoiamos assim o Amplo Movimento pela Verdade Eleitoral e controlo do voto ja abraçado por sectores significativos da sociedade civil.
 
14.                  Nós, no Bloco Democrático, fizemos uma escolha que foi fruto de uma longa discussão. Definimos o partido que suporta o regime e os seus satélites como aqueles que devem ser penalizados. E, mais importante ainda, definimos o espaço partidário onde o compromisso pela abertura democrática é mais credível. Onde se fará o compromissos de todas as forças vivas colaborarem para a emergência duma democracia sem máscares e sem músculos.
 
15.                  Sabemos que a forma de orientação do sentido de voto que escolhemos tem merecido análises de todo o tipo. Há aqueles que concordam absolutamente. Há os que discordam. E há, igualmente, quem veja nela uma forma dúbia de intervenção.
 
16.                  O Bloco Democrático é um partido aberto e plural. É um partido que se constituiu com vista a participar no processo de democratização do nosso país, e não para dar continuidade ao totalitarismo. Por isso, não faria sentido caminhar junto ou confundido com quem tem demonstrado grande adversidade à democracia. De modo algum podemos também fazer o papel de uma falsa oposição.
 
17.                  Sabemos que entre os partidos políticos concorrentes nenhum se confunde verdadeiramente com os valores e ideais do Bloco Democrático. Mas é possível estabelecermos linhas de cooperação para tirarmos a democracia do atoleiro em que se encontra.
 
18.                  A democracia não se faz com iguais. A democracia faz-se com diferentes, desde que estejamos todos animados pelo mesmo espírito.
 
19.                  Por isso, o Bloco Democrático apresentou ao PRS, a UNITA, e a CASA-CE uma Proposta de Acordo de Incidência Parlamentar, com vista a acelerarmos o processo de transformação democrática no nosso país. Convidamos igualmente a FNLA Ngola Kabangu, o PP e o PDP-ANA a apoiarem connosco essa proposta. Tivemos encontros, por nossa iniciativa, e obtivemos alguma receptividade. Julgamos, pois, ser possível cooperar com todos os que concordarem com este princípio de unidade para a mudança.
 
20.                  A nossa Proposta de Acordo incide em 7 pontos fundamentais, que passamos a resumir e que distribuiremos à comunicação social, tão-logo esta Conferência de Imprensa termine. Os nossos eventuais parceiros já a possuem.
 
21.                  Queremos também assinalar que seria vantajoso para todos eles estabelecerem, o quanto antes, uma plataforma de entendimento, para aumentar o grau de confiança por parte do eleitorado.
 
22.                  Logo que possível, há que rever a actual Constituição e expurgá-la das normas que permitem que se seja Presidente da República e se continue a dirigir um Partido Político. Desconcentrar o excessivo poder que está nas mãos do Presidente da República. Introduzir medidas práticas para uma efectiva separação do poder dos Órgãos do Estado.
 
23.                  Temos que ser capazes de pôr termo, por via pacífica, à guerra que se trava em Cabinda e agir no sentido de reduzir a tensão que se assiste nas Lundas.
 
24.                  Um país democrático não pode continuar a ter presos políticos. Devemos deixar de funcionar como desestabilizadores de outros países africanos, próximos de nós ou afastados.
 
25.                  Um Estado de Direito Democrático não pode conviver intimamente com um aparelho de Estado partidarizado.
 
26.                  A corrupção mina os fundamentos do Estado Democrático e por isso deve ser combatida de um modo vigoroso. Presentemente, a corrupção faz parte do regime e alimenta-o, dá-lhe vida.
 
27.                  Temos a mais profunda convicção de que só seremos verdadeiramente desenvolvidos e competitivos quando formos bem educados e saudáveis. Daí que apontemos para a aplicação de investimentos massivos e criteriosos nestas duas áreas da vida nacional. Temos que ter coragem de investir forte e bem.
 
28.                  Se não potenciarmos as infra-estruturas de água e energia, assim como a habitação, nunca teremos um desenvolvimento sustentável.
 
29.                  Queremos que a Nação discuta abertamente os seus problemas mais profundos. Só ultrapassaremos as dificuldades que temos, se encontramos mecanismos de participação popular efectiva. Esta é mais uma das nossas propostas de incidência parlamentar.
 
 
Meus Senhores e Minhas Senhoras!
 
30.                  O Bloco Democrático reafirma aqui o seu compromisso em prosseguir na via do diálogo, para que a democracia não seja apenas uma palavra oca entre os angolanos. O regime acena-nos insistentemente com velhos fantasmas, criando receios e medos. É possível mudar para a a derradeira via democrática. Não devemos ter receio de mudar. Viva o Bloco Democrático!
 
LIBERDADE  MODERNIDADE  CIDADANIA
 
Filomeno Vieira Lopes
http://www.fpd-angola.com/
244923303734 /  222407198




Pensar e Falar Angola

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Outro convite recebido e agradecido

CONVITE
Por ocasião do seu Primeiro Aniversário, O Bloco Democrático tem a subida honra de convidar V. Excia a participar no Acto Político Cultural.
a realizar-se na Esplanada Chá de Caxinde  no  dia 10__/_07_ / _11, Domingo
pelas __15__ horas.
O Presidente do Bloco Democrático                                                      À Sua Excelência
Justino Pinto de Andrade                                                  ________________________________



DIA 10
Domingo
15h00-18h00
Acto Político - Cultural


·       Música
·       Poesia
·       Danças
·       Intervenção de activistas sociais
·       Intervenção de associações políticas
·       Intervenção do Presidente do Partido, Justino Pinto de Andrade
·       Lançamento do livro sobre documentos fundamentais do partido
·        Venda de livros
·       Cocktail


Esplanada Chá de Caxinde

Para algum pormenor ou questão contactar Waldemar Bungue - 918357190




Pensar e Falar Angola

RITA GT em Viana do Castelo

https://youtube.com/shorts/qZkb4CfXTZQ?si=3K65JJEr5VQqsZZS Ao longo dos últimos dois anos tive a oportunidade de desenvolver “8”, uma obra d...