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quinta-feira, 25 de abril de 2019

25 de Abril


Desde madrugada parece melhorou o tempo. Foi na madrugada de 25 que mudou o tempo. E desde esse tempo existe a ladainha boa e a má. Uns que ganharam e outros que perderam. Parece até amor desamando-se. Tem uns que cantam e outros que vêem o tempo passar, dormindo no passado. Tem uns que se floram e dão vivas, outros vestem-se de lágrimas ganhando distância dos dias de hoje. Não tem madrugada de unanimidade. Não tem espelho que mostre com matemáticos cálculos se existe dia mais lindo que a madrugada deste dia ou se foi dia que esqueceu de amanhecer..
Viva o 25 de Abril

Pensar e Falar Angola

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Afinal onde é o meu lugar?



Afinal onde é o meu lugar? 
            Por onde andava eu há 40 anos atrás???
            O dia 25 de abril de 74 apanhou-me a sair da adolescência, numa idade em que já era uma observadora atenta do que me rodeava, sensível aos ideais ligados à igualdade e à fraternidade multicoloridas, conscientemente contra o “orgulhosamente sós” de Salazar, mas ainda saudavelmente ingénua e cheia de sonhos.
            Como estava no hemisfério sul, só tive conhecimento da revolução no final do dia seguinte, muito em segredo antes do jantar, deixando-me de orelhas em pé, pois a referência segredada foi segredada entre adultos apenas. Pareceu-me nascer ali um entusiasmo cauteloso, que me fez ansiar pelos jornais do dia seguinte, para finalmente ver Spínola como grande herói, com fotografias de página inteira, remetendo Otelo para segundo plano e Salgueiro Maia para terceiríssimo e desvalorizado plano. Nessa altura não me apercebi disso, logicamente. Incomodava-me aquele monóculo e o pingalim que segurava na mão, desconfiando da personagem, que tais objectos transportava, parecendo-me mais um tirano do seculo XIX, do que um revolucionário do século XX. Aquele monóculo nada tinha de modernidade. O modelo era Che.  
            Nos dias que se seguiram, o monóculo virou moda e era simulado de forma irreverente por caricas de coca-cola, para posarmos nas fotografias de grupos de amigos adolescentes, crentes num futuro risonho e livre. O poster de Che Guevara colado nas paredes dos quartos, os discos clandestinos de Zeca Afonso, a ideia de um líder chamado Agostinho Neto, deixou de ser utopia e passou a ser tema de conversa constante, num processo de descoberta e aprendizagem rápida da democracia e da liberdade. Eu vivia com o BO (bairro operário) mesmo ao lado, suscitando muita conversa clandestina que o meu espirito curioso retinha, nos anos de adolescente. Contavam-se histórias… o cartão de visita da miscigenação urbana não colhia no meu lado, impulsionando diversas questões que eu ia organizando na cabeça, e que todos omitiam os esclarecimentos de que era ávida.
            Nada mais foi igual, a sociedade de Luanda entrou em sobressalto progressivo. A ideia doce e romântica de uma independência desejada e de um salto de liberdade para um futuro de todos, rapidamente se transformou numa contagem decrescente para a guerra civil, que tal como todas as guerras são injustas, sangrentas, desumanas, mutiladoras e trágicas. A descolonização rápida, necessária, mas pouco eficiente e nada assertiva, gerou meio milhão de retornados e refugiados, seres humanos desprotegidos, incapazes de se organizar e lutar pela sua permanência nos territórios independentes, que apenas tiveram como alternativa, a saída.
            Percebi, com 16 anos, que não tinha autonomia para tomar decisões sobre a minha vida e para a minha vida. Descobri que devia obedecer às decisões dos meus pais, mesmo que me desagradassem profundamente. Constatei que não era suficientemente crescida para viver sozinha na terra que me viu nascer, nem era suficientemente criança, para tudo me passar ao lado.
            Após poucos meses do 25 de abril, anunciaram-me que tinha duas horas para me despedir de Luanda, pois provavelmente iria ter um bilhete de ida para Lisboa, sem volta. Já passava das 18h30m.
            Não fui ouvida, nem achada!
            Trinta minutos foram para comprar dois agasalhos, um casaco de lã azul e uma camisola roxa, que por mero acaso e sorte havia numa loja junto ao local onde vivia. O resto foi a despedida. Despedi-me de lágrimas nos olhos, e vários nós na garganta, de uma cidade linda. Ao longo desse tempo, revi alguns momentos das minhas vivências frágeis e ingénuas, que farão eternamente parte de mim, retive no olhar sítios da minha terra de nascimento e de coração. Faltou-me o tempo para me despedir de amigos, para anotar contactos, para criar novas pontes de ligação para o futuro. Nem queria acreditar que não voltaria, que poderia nunca mais ver e estar com os meus amigos. Algo desconfortável e cada vez mais aterrador se instalou na minha racionalidade, tornando-me incapaz de tudo, excepto obedecer.
            Naquela noite, cresci de repente vários anos. Passei a ser adulta da noite para o dia seguinte, lutando entre duas lógicas, a minha lógica dos afectos e a lógica da descolonização, indiscutivelmente necessária, quanto a mim. Eu já entendia a democracia como meta maior, já tinha observado a digestão difícil de várias revoltas e era sensível ao conflito implícito da acção colonizadora.
            As luzes reflectidas na água negra da baía de Luanda, assumiram formas irregulares e esborratadas, resultantes da luz e das minhas lágrimas silenciosas, que teimavam correr-me pela face enquanto viajava no banco de trás do automóvel do meu pai em direcção ao aeroporto. Conferi cada rua, cada avenida, cada cruzamento… olhei pela última vez os sítios onde me encontrava com os meus amigos.
            No dia seguinte, passei a ser refugiada em terra europeia. A coincidência entre duas realidades: a minha realidade geográfica intersectada com a minha realidade afectiva, temperada pela revolta da não decisão. Entrei num mundo sem fortes referências para mim, onde decorria uma revolução com alguns contratempos pelo meio - eu, cheia de contradições e com novas e maiores responsabilidades, um pouco entregue a mim mesma. O rótulo de retornada e não progressista também se colou a mim em algumas situações menos felizes na integração na sociedade portuguesa. A desconfiança sobre a minha caderneta escolar que testemunhava bons resultados académicos, a desconfiança sobre os meus princípios e valores, a falta de solidariedade entre colegas de escola, e a ausência de camaradagem extra escola, premiaram-me em diversos momentos ao longo de 74/75, nas terras “do choupal até à lapa”.
            A ruptura violenta e traumática nos meus afectos, converteu-me em jovem adulta silenciosa, precoce e introvertida, com as sensibilidades adormecidas, ou talvez anestesiadas, como forma de me proteger das novas realidades. A racionalidade e as emoções, combateram-se num duelo entre uma aprendizagem ideológica e as orientações do politicamente correcto, potencializada através da pintura realizada em horas de ócio no Museu Machado de Castro, ao longo de alguns meses. 
            Alguns amigos foram reencontrados quase 30 anos depois, outros permanecerão sempre no fio da navalha, entre o estar ou não estar vivos.          Quem me desenhou o destino era graficamente inábil como tenho confirmado ao longo da vida.
            Costumo dizer que a minha vida afectiva é um puzzle incompleto, onde faltam algumas peças. Das peças recuperadas, nem todas me trouxeram alegria, pois os anos passaram, e as peças tornaram-se menos luminosas, com contornos desligados da minha história e por vezes contrários às minhas convicções.
            Os anos passaram, não voltei mais.
            Passei a ser assumidamente uma sem terra, ou contrariando e ampliando até ao absurdo, também poderei dizer que passei a ser uma cidadã do mundo, o que em termos práticos dá no mesmo. A lei diz que tenho nacionalidade portuguesa, o meu BI também, e eu continuo a sentir-me sem raízes nos vários locais onde já vivi, neste país. Vivo de sensações armazenadas, entre sombras de jacarandás e aromas de acácias rubras, desconfiguradas em terra fria de bravos navegadores da cauda da europa e uma vontade férrea de inovar com vistas para o futuro.
            Sou portuguesa sem ter nascido aqui e não sou angolana porque não vivo lá. Afinal sou de onde? Um paradoxo desta coisa de se ser eternamente de algum lugar, sem efectivamente o ser, mas que nos preenche os sonhos de todas as noites - a crise de identidade que muitos angolanos sentem e vivem, provavelmente entenderá o verdadeiro e profundo significado destas palavras rabiscadas a partir do 25 de abril de 74.
Afinal onde é o meu lugar? 
In” Ensaios de escrita, um projecto sempre adiado”
Anabela Quelhas (aprendente e anotadora de espaços)

(sem acordo ortográfico)



Pensar e Falar Angola

quarta-feira, 25 de abril de 2012

25 de Abril e Angola


Hoje é 25 de Abril. Em 1974 toda a gente ficou estupefacta. Tinha acontecido algo. Já tinha havido movimentações de militares de Lisboa para as Caldas da Rainha, já tinha havido avisos, mas os governos nunca estão precavidos, o regime português de Caetano estava dividido, os mais conservadores, os mais abertos digladiavam-se nas sedes do poder. Os oficiais milicianos estavam muito descontentes, eram os assalariados, os do quadro eram os privilegiados. Mesmo enfrentando dura guerra em várias frentes, havia militares de 1ª e militares de 2ª.
Não pensem que os presos políticos saíram logo em liberdade. Não. Na Cadeia de Peniche, por exemplo, a GNR cercou a fortaleza para impedir a saída dos presos, foi muito difícil, no 2º piso do pavilhão B os presos até se barricaram pois pensavam que ia haver um massacre.
No 1º piso do B estavam os presos do PCP, frustrados há 4 anos por Marcelo Caetano não os ter libertado.
No 2º piso do B estavam os presos «maoistas», considerados os mais duros. Entre eles, um grande grupo de maoistas que tinham vindo de Luanda, da Universidade de Luanda e começaram logo a «conspirar» em Lisboa, foram todos presos em 1971, penso, e encheram o res-do-chão do pavilhão B.
Então a libertação demorou muito, teve de ser bem negociada, muitas famílias aguardavam à porta da fortaleza-prisão.
A GNR, vendo a sua posição enfraquecida pelo êxito do golpe, retirou o cerco e então as saídas foram negociadas uma a uma.
Isto é, os presos não saíram todos ao mesmo tempo, foi um a um.
Esta operação demorou dezenas de horas, prolongou-se por uma noite inteira.
Dois dos presos saíram com residência fixa, imaginem, o Francisco Rodrigues e outro velhote do Santa Maria, neste momento estou a ver a cara dele mas o nome... foi-se... O advogado Macaista Malheiros ficou responsável por eles e levou-os para casa, nos Olivais.
Parece que havia homicídios a considerar, o Francisco tinha participado na execução de um pide infiltrado, o Mateus.
Mas uma vez em casa do advogado, aquilo da residência fixa foi uma «figura de estilo» e no dia seguinte lá começava o Francisco mais o Pulido Valente mais o Ruy d'Espiney mais aquele grupo dos «ex-angolanos», mais outros, a construir a UDP num primeiro andar de uma rua de Campo de Ourique...
No campo de trabalho de S. Nicolau também havia presos políticos (muitos do MPLA) e também foram saindo, mas a Pide manteve-se activa em Angola, muitos agentes foram «transferidos» para repartições da função pública...
No Tarrafal havia presos angolanos (muitos do MPLA), guineenses, cabo-verdianos e também demorou a saírem, as autoridades não queriam acreditar, ficaram com medo... Parece que o cda António Cardoso, preso há mais de 10 anos, sempre despistado, sempre poeta, foi o último a sair, estava distraído...



Pensar e Falar Angola

domingo, 31 de maio de 2009

Ágora (67) - 25 de Abril de 1974





Mais vale uma tempestuosa liberdade, que uma tranquila escravidão

Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo

Sophia de Mello Breyner Andersen (1919-2004)


Minha querida amiga R.

Lembras-te quando chegámos de Luanda, naquele Outono frio de 197...? Lembras-te certamente, meu amor!
O cinzento das casas, das pessoas, dos polícias, dos governantes, de tudo! Portugal era pintado de névoa!
O nosso pequeno quarto, num 3º andar de um prédio com uma entrada lúgubre, onde uma enfezada passava dias inteiros a apanhar malhas de meias de nylon, num vão de uma escada de madeira carunchosa.
Lembras-te das nossas primeiras aulas e o que por lá acontecia?
Lembras-te da primeira carga policial que apanhámos, só porque resolvemos ir ver onde é que outros colegas nossos iam manifestar-se, sem percebermos bem porquê?
Lembras-te dos comunicados que começámos a distribuir?
Lembras-te das eternas noites de discussão que tínhamos em casa de L?
E a aflição que foi, quando a Pide foi a casa de L naquela manhã teimosamente cinzenta e triste? Os dias de angustia que se seguiram, com aqueles dois, sempre junto daquela cabine telefónica amarela da esquina da praça, com uma gabardina e um chapéu enterrados, sem que nunca lhe conseguíssemos ver a cara?
Lembras-te de A. vir ter connosco, naquela noite e dizer que eu teria de bazar, pois L. falou e não havia hipótese! Ainda por cima comigo era pior, porque era das colónias!
Lembras-te?
A partir dessa noite lembro-me eu!
Fui para os lados de O, numa casa distante da aldeia, onde a comida era coisa que só se via de tempos a tempos, e chegar à janela era do pior.
No rádio da sala íamos ouvindo coisas que nos entusiasmavam, mas em Portugal tudo na mesma!
Recebi e ainda guardo a tua carta, e não hesito em colocá-la, porque ainda a guardo:"Às vezes, apetece-me estar a conversar contigo ao pé da lareira (que bonita é a luz que dá aos nossos rostos), como tu gostas. Às vezes, tenho vontade de estar contigo na praia, em Luanda, como eu gosto. Às vezes podia ser na ribeira do teu jardim, onde tu gostas, mas também ao fim do dia, olhando o nosso mar de Angola, porque é especial. Podia dar-te a mão, e até encostar a cabeça no teu ombro. Teria vontade de te abraçar com forca e dizer-te ao ouvido, que gosto bue de ti. Mas, e depois?"Tanto chorei quando a recebi, e compreendi que de facto mais nada senão a resignação.
Numa qualquer madrugada de Abril, que não foi bem qualquer, foi o princípio de tudo! Abril, 25/1974!
Lembro-me bem querida R., peguei na carta que me tinhas enviado amargurada, e eis-me a caminho de uma Lisboa, que vi diferente, vi pela primeira vez, Lisboa diferentemente bonita, gente linda, alegria, e o frenético de uma liberdade por que tanto ousámos e que afinal estava ali. Lembras-te como nos beijámos nesse dia? Beijei-te tanta vez, mas só me recordo como foi dessa vez!
Lembras-te como vagueamos numa Lisboa que era enfim nossa, e que sentimos que pele de galinha, por termos medo de tanta euforia.
Mas não esta liberdade tínhamos que a gozar, querida R, podia ser efémera e não podíamos perder um minuto que fosse que não a desfrutássemos.
Pela primeira vez sentimos liberdade, e pela primeira vez olhamo-nos nos olhos e sentimos que a nossa Angola, a Angola independente estava perto! Querida R., o tempo e as circunstâncias da vida separaram-nos, mas ainda juntos vimos subir a nossa bandeira bi-color com a roda dentada, catana e estrelinha no Novembro do nosso muito grande contentamento. Escrevo-te 35 anos depois, de muita coisa, para te agradecer o que passámos nesses anos de lutas, alegrias, angustias, incertezas e tanto ou quase muito oportunismo.
Pouco interessa, quero pegar na carta já amarelecida pelo tempo, e fazer tudo aquilo que desejávamos fazer nos anos da ditadura e do ostracismo.
O 25 de Abril não foi nosso, mas também foi nosso, e por isso querida R.,hoje sinto-te como ontem, a desfilar por Lisboa de mãos dadas, a cantar e a inebriar-nos por aquela contagiante amálgama de gente que sentia o pulsar da linda palavra. LIBERDADE!
Querida R, lembras-te quando os dois declamávamos Eluard, façamo-lo sempre onde quer que estejamos!
Estamos juntos...sempre e por perto!!!!




Pensar e Falar Angola

domingo, 15 de março de 2009

RÁDIO TRINCHEIRA FIRME
Os sons de uma época.
25 de Abril de 1974
11 de Novembro de 1975

chegada[1]

Tenho como sensato que partilhar músicas angolanas na Internet, em mp3 de qualidade padrão para velocidades médias de ligação da rede, cerca de 128kbs - muito longe do áudio padrão de um CD -, mas com qualidade sonora suficiente para não deslustrar nem comprometer a sonoridade original da obra musical, resulta numa exposição a nível mundial de um acervo musical que doutro modo não teria suporte físico.

Há dois meses, um erro inesperado no alojador dos arquivos de mp3 teve como consequência o desaparecimento dos ficheiros de áudio, tendo no entanto permanecido os títulos e algumas fotografias que há cerca de dois anos venho lentamente a publicar.

Diligentemente um responsável do alojador dos arquivos comunicou-me que se eu mandar um cd com os ficheiros desaparecidos do mini-site "Rádio Trincheira Firme" eles mesmos os voltam a publicar.

Declinei a amabilidade! Ao fim e ao cabo, terei muito prazer em republicar e reflectir sobre estas músicas, a sua época, imagens e momentos.

Preciso de ajuda para catalogar, datar, construir ficha técnica. Faltam-me dados, falta-me pesquisa, falta-me o conhecimento e o repto apropriado aos musicólogos angolanos da estirpe de um Jomo Fortunato, ou do mestre Jorge Macedo.

Não me inibo porém de publicar os títulos e os autores ou intérpretes - já que que diligenciei o arquivo áudio em mp3 padrão para Internet.

E mais importante: a minha motivação é a partilha sonora - sem vínculos comerciais de qualquer natureza -, e o resgate destes sons.

Ainda só consegui republicar o grande Elias Diá Kimuezo; talvez tenha que apagar tudo e recomeçar do zero…




RÁDIO TRINCHEIRA FIRME, para recordar um dos momentos mais conturbados da história de Angola (25 de Abril de 1974 - 11 de Novembro de 1975) quando os ânimos ideológicos e demagógicos estiveram mais inflamados. Sendo a música um reflexo da sociedade em que é produzida, a execução musical desses momentos de incerteza e dramas está bem patente nestes registos, hoje politica e musicalmente datados.


Posted by Toke

Pensar e Falar Angola

RITA GT em Viana do Castelo

https://youtube.com/shorts/qZkb4CfXTZQ?si=3K65JJEr5VQqsZZS Ao longo dos últimos dois anos tive a oportunidade de desenvolver “8”, uma obra d...