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segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Texto e Imagens de leitor - LOBITO


Prezado Editor do Blog

Primeiramente, gostaríamos de dizer que adoramos o vosso blog! É excepcional! Muito inteligente mesmo! Nós aqui do Brasil, especificamente da cidade de São João da Barra, ao norte do Estado do Rio de Janeiro, gostaríamos de saber mais sobre os esporões de Lobito.

A nossa cidade, na localidade de Atafona que é uma praia que vive do tuismo, sofre processo de erosão costeira por mais de 50 anos e tivemos 14 ruas e 400 casas devoradas pelo mar, dentre as quais um posto de gasolina, uma coooperativa de pesca, frigoríficos de pescado etc. Não foi feito nada ainda para a contenção das ondas neste local.

Como vi na internet o caso dos esporões de Lobito, fiquei curioso em ter mais notícias. Gostaríamos que vocês, pela competência já demonstrada em suas edições, publicassem no blog se o problema de Lobito foi resolvido com as construções dos esporões, pois nos seria de grande valia ter esta informação e trocarmos idéias atrávés de nossos blogs. Eu tenho um blog ambiental (veja endereço abaixo), onde poderemos fazer uma espécie de correspondência (Angola-Brasil). Eu tenho um irmão angolano chamado José Carlos Coutinho Domingos, proveniente de Luanda, de Sambi Zanga, e ele viu o blog de vocês e se encantou junatmente comigo. Ele está aqui há 18 anos e depois da paz em Angola ainda não voltou para ver os seus familiares.Eu sou funcionário da Prefeitura de São joão da Barra na área ambiental e estamos preocupados com a erosão ,pois teremos um Porto chamado "Porto do Açu" em São João da Barra para transportar minério de ferro e a construção de seu pier poderá afetar ainda mais o processo erosivo por nós vivenciado.Gostaríamos, então, de manter contato com vocês, pode ser?Grande abraço,Parabéns pelo Blog.AtenciosamenteAndré Luiz Rodrigues PintoMembro da Comissão de Acompanhamento e Avaliação de Projetos Especiais para o Porto do Açu - CAAPES
-- VISITE O MEU BLOG VERDE
http://www.andreambiental.blogspot.com/

Pensar e Falar Angola

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Texto e Imagens de leitor

Sao imagens de uma Mina de exploracao de granito na cidade de Lubango por uma empresa muito recente Caicsa e Angolusitana


Patrico Relis


Pensar e Falar Angola







segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Texto de Leitor - Relações Inter-Étnicas e o Racismo a Moda Angolana

Europeu
É engraçado o europeu ou o branco em Angola assim como em todos os lugares que foi e que por uso de força conquistou na era moderna, acaba ele mesmo se transformando no autóctone e transformando o autóctone em o estrangeiro, ou melhor, des-legitimando os direitos naturais de quem encontrou na parcela geográfica e legitimando seus atos sobre os membros da sociedade em que se tem o novo contato. Passando a legitimar como promoção da civilização européia todo seu ato contra o Outro, neste caso o autóctone, não devemos esquecer que o branco é o forasteiro, o estrangeiro, o que veio saquear e seqüestrar. Assim permaneceu de forma clara e aberta até as independências em África e no resto do mundo colonizado, ainda assim permanece de forma obscura em nossos dias.
Africano
O preto africano, como dominado, permaneceu e permanece dominado, não mais de forma física, e sim mental ou psique, sendo assim, carrega em si elementos, símbolos, significâncias que o levam sempre a exaltar de alguma forma o europeu ou o branco e os indivíduos que mais se aproximam fenotipicamente ao branco, neste caso os mulatos e outros tipos de mestiços, fruto do cruzamento étnico branco e demais grupos que, com isso a naturalização da autonegação e flagelo, tornam-se algo natural: como alisar um cabelo, refinar o nariz, preferir os nomes e línguas européias, vestimentas, termos preferência em se relacionar com brancas e na falta delas mulatas etc e etc...
Afro-Europeu
O mulato dentre todos, é o mais desolado, penso, pois é rejeitado de uma ou de outra forma pelo europeu e pelo africano por ser uma figura ambivalente, fruto de processos políticos sociais e não meramente, como se faz parecer, de traços “biológicos”. E afro-europeu é figura com papel central do racismo moderno em África e sua Diáspora. Textos como de Willie Lynch e outros cientistas naturalistas, físicos, químicos, teólogos, padres, pastores e etc,..
A Cara do Racismo em Angola
Parece difícil e uma insanidade falar de racismo em África, em especial Angola, algo que muitos angolanos acreditam ser algo inexistente. Faço um esforço e tento reviver minha infância e afirmo aos que assim pensam estarem enganados. Em meu tempo de iniciação educacional, o chamado naqueles tempos de “pré-cabunga” e primeira classe, era muito mais que comum os pretos com algum nome africano se sentirem envergonhados, ”inferiores” na hora da chamada em relação aos mulatos e pretos, com nome todo em português, isto porque passavam o resto do ano sendo os referenciais ou as chacotas da turma e até da escola, em alguns casos, por carregarem alguma marca mais forte de ser um africano: o nome e ou ainda escalificações no rosto, “nomes nativos que até hoje em algumas localidades e conservatórias e notários continuam a ser rejeitados em pro, de nomes de matriz ocidental”.
Os tidos como ideal de existência tinham nomes de brancos, eram mais aculturados e pertenciam a famílias, que em sua maioria, já eram quase que totalmente urbanas ou lutavam para o abandono de suas matrizes africanas, para assumir as matrizes européias, neste caso o português. Famílias estas que, por exemplo, comer um funji e outros pratos africanos eram coisas exóticas, feita somente aos sábados ou uma vez ao mês. Assim como também era comum àqueles que tinham mães e avôs que usavam panos não aceitarem que estes fossem a reuniões dos encarregados de educação pelo mesmo motivo: passar a ser o referencial e chacota da turma e escola.
Em relação à amizade, o legal era não ter amigos mulatos, mas os amigos de mulato eram logo chamados de caxicos dos mulatos, “esquebras dos colonos”, isso porque andavam sempre atrás e não à frente ou ao lado, as brincadeiras e etc. Em muitos casos, os mulatos não brincavam ou eram proibidos de estarem com os pretos, pois os pais não aceitavam tanto de um lado quanto outro — os pais mulatos porque não queriam seus filhos ficando pretos ou se misturando com pretos e os pais pretos porque os pais não queriam ver seus filhos como os esquebras dos colonos, isto porque sabiam o que representava para seus filhos pretos um mulato.
Não entendia muito bem, até porque meus avos viviam no mato, e assim como boa parte da família, só após algumas conversas com minha avó materna, algumas questões começaram a ser clareadas em minha psique isto porque tinha e tem uma fala ainda muito pesada em relação ao mulato. “Casar com mulato não, é melhor casar com um branco, pois o mulato é pior que o branco”, pois assim como em praticamente todas as paradas do mundo, o mulato é encarado como uma figura ambígua daí o jargão em Angola “o mulato tem sete vidas que nem gato”, pois o gato é encarado na maioria das culturas africanas como um ser do mal, o animal que facilmente se deixa enganar por espíritos do mal, tornando-se ele mesmo o próprio mal.
Certa vez, em uma das minhas viagens a Luanda, um fato me chamou muita atenção, na época existiam duas casas noturnas com maior evidência — o Palos e um Pub que o nome me foge agora no mesmo bairro. Em ambos o branco ou mulato e ou o preto que andasse entre os brancos e mulatos tinham prioridade na hora de entrar na casa, mesmo ela estando lotada ou não. E para o efeito da garantia do cumprimento da regra, os seguranças, sempre pretos e em muitos casos suburbanos, que em sua maioria, detentores de uma anseiam de ascender socialmente. Ser alguém com amigos e conhecido na city, o do musseque que quer ser o urbano a qualquer custo nem que para isso tem de barrar os de pele escura.
Práticas similares permanecem contemporâneas. Outro exemplo: fui ao Banco Espírito Santo Angola me informar sobre critérios e o que era necessário para abrir uma conta. Quando cheguei, fiquei assustado me perguntando se eu estava no Brasil ou em algum outro país das Américas: só havia brancos e mulatos atendendo, os pretos que vi eram duas senhoras da limpeza e os seguranças, entre várias outras coisas que poderia citar, para demonstrar a prioridade e preferências às pessoas de pele clara para ocupar cargos chaves.
Três fatos sociais identifiquei como chave: primeiro, a herança européia dos mulatos, por terem herdado uma educação melhor em relação aos pretos, em sua maioria foram patrões dos pretos e com isso trataram tal igual o branco fez o preto, ou seja, os mulatos reproduziram e herdaram as práticas racistas; segundo, a idéia de que tudo que é europeu/branco é bonito e interessante, por isso a tendência de um mulato rejeitar seu lado africano e preferir o europeu, sendo assim, em Angola e na falta de um branco, vai o mulato; o terceiro e mais importante, à luta entre as elites mulatas que desfrutavam da condição de filhos de brancos e com isso detentores de documentação, que sonhavam após a expulsão do branco tomarem o poder e manter o status quo é do outro lado uma elite de pretos que emergiram das lutas contra o colonialismo e que sempre foram tratados de forma diferenciada até a independência de Portugal, salvo aqueles que tiveram de renunciar à sua identidade para adquirir uma cidadania, os chamadas assimilados.
Outras coisas mais perversas mostram isso. Usando como referencial os 30 anos de guerra, que praticamente não gerou mutilados de guerras brancos e mulatos, ou porque a maioria, por ser neto e ou filho de português, tem a nacionalidade portuguesa, tendo facilitado na hora de sair do país ou evitado as chamadas rusgas do passado e ou ainda recenseamento militar. E quando não é essa a questão, o pertencimento a um grupo politicamente dominante dos segundo e terceiro escalão de governança nacional. (Como se sabe, ciências políticas e administração são os escalões mais importantes, pois fazem a ligação entre o escalão mais baixo para o primeiro.
Creio que esta prática é sabida hoje por muito de nós. O que recomendo é o inicio imediato das discussões sobre estas relações ambíguas no seio da sociedade angolana, pois, caso assim não se faça, teremos ainda problemas sérios, visto que, quando algum grupo étnico se sente de alguma forma ameaçada, o refúgio à identidade étnica e o extermínio do Outro se torna o último caminho possível para soluções de problemas de relações entre grupos étnicos distintos, visto que, no caso de Angola, os brancos e mulatos representam cerca de 2% da população. Exemplos recentes em África o Rwanda, na Europa os Bálcãs, e recentemente a África do Sul e etc etc...

Pensar e Falar Angola

terça-feira, 22 de julho de 2008

Texto de Leitor




fotos de Novembro 2007
“Acho que sou feliz.
Eu quero tudo o que tenho,
só desejo o que posso
E sou da minha idade.
Será isso a tal felicidade?"

- Vá, em busca dos seus sonhos. Se tropeçar, não pare nem perca de vista sua meta, não olhe para trás e continue subindo mesmo que ocupe todo seu dia. Vá, mesmo de joelho... vá, porque só quem está no alto pode desfrutar da paisagem...
MªGraça Baptista ( samsaragrace )

quarta-feira, 16 de julho de 2008

O meu coração se rebentou - texto de leitor




Venho lhes dizer que escrevi, na companhia da Kianda kià Anazanga e de outros muitos cazumbis, um livro "Estórias de Angola" que, éué, foi mesmo escrito com a muxima na ponta da caneta. A Editora Prefácio é que lhe pôs na rua, mas não tem havido cumbú para lhe promover a decorrência das vendas.

Por isso lhes anuncio o livro: com prefácio de Manuel Rui e tudo, no sentido de capacitar a vossa boa disposição.

O meu coração se arrebentou e se espalhou de Cabinda ao Cunene nesse book pra vocês

O autor, Luís M. Gaivão, antigo Adido Cultural em Luanda, com muitos abreijões angolanos.

Prefácio:

...COM VERDADE NO MEIO


De que São estórias de Angola que eu vou contar. Todas com verdade no meio permite logo canjonjar, isto é, ensalivar e depois começar a saborear as estórias com devagarmente, sem pressas, para não se prejudicar na maneira de entender a linguagem de um grande e consagrado escriba de literatura de humor e que, agora, com base numa segunda vida ou, quem sabe se era a primeira e que não se revelou em escritos por razões mil, mas a tal segunda vida acontece como a reincarnação de um identidade contraposta a outra por xinguilamento? Ou justaposta acabando dual que se observa a si própria, por isso, numa galáxia para o efeito inventada com cacos de um espelho que se refaz e desfaz mania dele caleidoscópio a fingir ridente como rajada com munições de jindungo e granadas de funji de bombô na cara da muamba em tanta identidade plural com a candengagem a piscar o olho no sol? Observado agora e lido pelo Rei do Congo ou pelo Vasco da Gama, ambos se iriam chanfunar e acabar nos contentores porque nada disto havia sido pensado nem por nenhum profeta profissional ou amador. O percurso e despercurso do colonialismo com todos os traumas por demais conhecidos, finge o autor essa maneira de marinheiro desenjoado pelo fim da vaga e que, na maré já boa, vai desenrolando o fio enrolado que ninguém quer tocar com medo de ser ou fazer parte do fio, principalmente a linha emaranhada que muitas vezes é melhor cortar e devolver às águas. Mas aqui, é a palavra oralmente escrita porque o autor está dentro da narrativa, está a contar, é a palavra que desilude a cegueira falsa e dá à vista o desfazer do pesadelo que o Luis Gaivão conseguiu com muita naturalidade desbaralhar da insónia, desenrolando a linha sem preconceitos nem gangrenas de herdanças de culpa. Como se diz em Angola: matar o trauma.
E são Misosos porque se apresentam como a estória tradicional, de economia verbal, na aparênncia da fala e, aí, pela escrita, há uma intromissão do narrador, sempre de forma a que estória passe por algo verdadeiro e a parte que não “faz parte do meio”...o autor adverte que todas têm verdade no meio, vem a ser a maneira de contar ou inventar, dando mais interesse, quase provocador à leitura já que o colocar da verdade costuma fazer parte de qualquer bom contador de estórias.
Luis Gaivão, regressado à sua terra, com a camisola portuguesa e na veste de diplomata, de repente, deixou-se em catarse de não ser o outro ficou ele ali. E assim andou atrás de um azimute que apontasse para o nós. Aí e por aí começam os textos, incluso, no frenesim de fazer uma recuperação do tempo perdido através do português transformado, o português de Angola, a que ele chama os termos kimbundados.
Os textos, a que o autor dá a categoria de estorias ou misosos, são, em ultima análise, exteriorização literária da intimidade do autor narrando vivências dele ou por outros contadas mas tudo nessa esquina de ver, ouvir e contar que é, no fundo, a essência do ser e estar angolano urbano.
Cada estória quase que é uma temática social. E cada estória quase que é uma forma diferente de contar interferindo e na maneira de interferir e num intuíto em que o autor se redescobre angolano sem se enfeitar de nacionalismos fáceis que impeçam a denúncia do pícaro mas negativo ou o içar da bandeira sobre o enorme vulcão de afectos que transbordam do coração dos angolanos, com música muito alta, os abraços e os sorrisos nas horas mais difíceis. E, com muita coragem e simplicidade, narrativa que embeleza o texto, vem a crónica de usurpadores e sangessugas, a crónica da pilhagem, a crónica de vampiros e a que é mais recente, da vadiagem e lumpenagem das chamadas Ó Éne Gês.
Quer dizer que o Luís, vai para a Melói, regressa e representa-se, em texto, como entidade a quem lhe haviam isolado uma idiosincrassia municiadora de vivências em que ele quase se adivinhava para escrever sobre coisas muito simples de Angola em que a Tuga anda quase sempre a coçar a orelha ou os tugas que por aqui ficaram se articulam tão bem nos calulus como nos vinhos da Melói.
É uma escrita diferente, com o encanto de ser atípica, dando prova de que por mais que se façam distâncias entre os homens – às vezes, numa esquina de Lisboa inquinam-se duas culturas, dois continentes e um polícia cheio de sono - cada vez mais, as distâncias são as redescobertas para as as coisas dos homens serem de todos os homens, cada vez mais próximos, para saborear diferença e as culturas se mesclarem por amor.
Principalmente quando a palavra escrita deixa de ser dogma, fronteira ou propriedade de um dicionário para resplandecer em afecto no que mais importa: a vida, suas cores, tristezas e alegrias.
E é isso esta escrita de Luis Gaivão nas Estórias de Angola que são Misosos acontecidos entre 1996 a 2001 e que nos sugerem música em terra com o pensamento no mar de sabor a muzongué.

Luanda, 14 de Abril de 2006-

Manuel Rui

quarta-feira, 2 de julho de 2008

QUEM VÊ CARA NÃO VÊ AIDS - Texto de Leitor

QUEM VÊ CARA NÃO VÊ AIDS



Maurílio era um garoto típico de classe média, filho de um casal zeloso pelo seu filho e atento a todas as suas dificuldades, justamente pelo motivo dele ser o único filho.
Morava em uma casa bastante grande onde tinha até uma pequena piscina e um quarto só seu, com tudo que um garoto podia querer.
Logo quando chegou, fez amizade com uma garota sardenta e de cabelos ruivos, chamada Priscila, que era sua vizinha, filha de pais separados, sentia a mesma solidão do nosso amigo, por isso ambos sempre se entendiam bem.
O tempo foi passando e Priscila foi crescendo e as brincadeiras não tinham mais sentido, principalmente por parte da garota, pois como todos sabem a garota sempre amadurece mais cedo, mesmo ela senso um ano mais nova que ele.
Priscila já se arrumava como uma mocinha, aos quatorze anos, já conversava com outras garotas senão da mesma idade, mais velha que ela.
Enquanto isso nosso rejeitado amigo, já aos quinze anos, tornou-se um rapaz muito solitário e triste, sempre acompanhando sua grande amiga, que futuramente ele descobriu-se apaixonado por ela, mas como o vinculo era quase familiar, a barreira era impossível de ser ultrapassada, até confidências sobre namoradinho Priscila resolveu dizer, como estivesse querendo castiga-lo pelo interesse por ela.
Durante as festas da padroeira da cidade, Priscila aflorou para o amor definitivamente, era a garota mais paquerada da rua, sempre um carro aparecendo para traze-la de volta, ainda ficava lá dentro fazendo tudo que a imaginação permitia conceber dentro daquele veículo.
Era só um ruído de carro aparecer perante a casa dela que Maurílio ficava na vigília, numa tortura atroz, aquilo o matava, não adiantava nem ele tentar disfarçar aquele explosivo amor que batia em seu peito juvenil, pois as garotas apareciam na vida dele de vez em quando mas a sua tristeza d'alma contagiava e transpirava pelos seus poros.
O que fazer quando nós nos apaixonamos por uma pessoa loucamente e essa garota não nos nota, e além de tudo ela é sua vizinha, que foi criada praticamente junto a você?
Nesse dilema, o tempo foi passando e Priscila foi fazendo um grande rodízio, à frente de sua casa só faltava ter parquímetro, pois assim ajudava o "Fome Zero" com o lucro.
Sua mãe não agüentava mais aquela vida, porque sua filha não a respeitava de forma nenhuma, já tinha transformado o quarto dela em um pequeno Motelzinho, onde recebia os seus amantes. O interessante era o quanto mais ela amadurecia ficava mais linda e desejada, o que dava entender que sua beleza ia se eternizar pelo tempo.
Um dia desses quando ela chegara da festa com um dos paqueras, houve um desentendimento não sei o porquê, mas pareceu que era algo sério que até palavrões saíram daquela boquinha linda, proferindo ofensas ao parceiro.
Só que esse homem era policial e não estava para brincadeira, pois ele percebeu que todos os homens que passavam por ela eram mera marionetes, e ele não estava a fim disso, ameaçando-a de morte se resolvesse descarta-lo.
O medo foi tão grande que ela resolveu mudar de casa morando logo na casa de Maurílio, como era de um tamanho razoável, dava para esconde-la um certo tempo se ela não pusesse mais o rosto para fora da residência.
Durante um certo tempo foi assim, o que serviu para Maurílio tentar aborda-la e conseguir a sua tão sonhada noite de amor.
Um dia, em que seus pais estavam na casa de praia, Maurílio se declarou falando tudo o que passara longe dos braços dela, que sempre a amara, o que surpreendeu Priscila totalmente, pois ela nunca imaginara esta situação insólita.
Não demorou muito, eles já estavam na cama onde Maurílio provara de todas as delícias que ela proporcionara aos seus inúmeros namorados.
No outro dia foi a coisa mais romântica do mundo, ele aparecera com um grande cardápio de café da manhã, inclusive todas as cartas de amor que escrevera para ela sem ter coragem de entregar.
Quando ele voltou da faculdade pela noite não encontrou ninguém em casa ela tinha deixado um recado dizendo que tinha que procurar a polícia e não podia continuar mais se escondendo, para assim poder desfilar com o verdadeiro amor da sua vida. Foi aí que ela nunca mais voltou, somente aparecendo na coluna do obituário do jornal, onde tinha sido atropelada por um carro desconhecido.
Depois de muito tempo nosso amigo resolveu se isolar do mundo, indo morar na casa de praia dos pais.
Mas não demorou muito, começou aparecer um monte de doenças, mal curava uma já aparecia outra, as manchas na pele eram uma freqüência. Houve um dia que teve que se internar, pois o seu caso era periclitante, sendo diagnosticado AIDS, o que não demorou muito e faleceu...
Seus pais estavam inconsoláveis, mas tinham que se conformar pois a vida tem que ser bem cuidada e às vezes um simples escorregão nos deixa beirando o caixão.
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Uma campanha em prol da SAÚDE!
Do Livro ROMARIA EDC Publicações 2007
Salvador Bahia BRAsil


Marcelo de Oliveira Souza


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MARCELO DE OLIVEIRA SOUZA

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Foto reportagem dum Leitor deste Blog



As fotos deste meio de transporte foram tiradas em Bocoio, a caminho do Huambo, são totalmente feitas em madeira, incluindo as rodas, e que transportam tudo, desde chapas de zinco a pessoas!! Algumas até são 4X4.


A escola não tem nada além do que se vê: pedras a servir de cadeira e as carteira são os joelhos. Estão matriculados nesta aldeia 4100 alunos, as aulas começam ás 7,30 e terminam ás 18, 30. Esta escola fica no Libangue perto de Chiconba/Caconda.

Adivinharam onde esta foto foi tirada?








Pensar e Falar Angola

sexta-feira, 6 de junho de 2008

'eu vou votar FpD' - texto de leitor

de Fernando Lopes
1
"eu vou votar FpD" é a afirmação do professor Justino Pinto de Andrade que faz título na capa do "Novo Jornal" que acaba de sair hoje, sexta-feira, em Luanda. Justino Pinto de Andrade , Director da Faculdade de Economia da Universidade Católica de Angola, é o maior analista político do país que durante anos tem uma coluna permanente na Rádio Eclésia e tem animado conferencias em todo o país e estrangeiro sobre temas de carácter político, social e económico, sendo respeitado pela sua postura independente, e posições corajosas, frontais e humanistas. O Presidente da FpD, em telefonema ao docente e crítico, saudou esta postura de elevado valor democrático de Justino Pinto de Andrade que tem o mérito de abrir uma nova forma dos cidadãos participarem na política exprimindo abertamente as suas opções, num país dominado pelo medo.
2
Filomeno Vieira Lopes estará amanhã, dia 7, sábado, na Rádio Eclésia na rubrica "Debate Informativo" para discutir o tema "como garantir que o pleito eleitoral consolide a estabilidade, a democracia e a normalização institucional do país". O pograma irá para o ar entre as 10 as 12horas da manha. Sintonize FM 97.5 e participe!
FpD Ver FpD na internet a) sites e blogs:

Pensar e Falar Angola

terça-feira, 20 de maio de 2008

O Discurso Identitário de Pepetela (texto de Leitor)

... gostaria de submeter este pequeno texto que vai em anexo e quem sabe a publicação, seria muito bom para o meu curriculo...

O presente trabalho trata da construção de uma identidade cultural angolana na obra “A GLORIOSA FAMÍLIA E O TEMPO DOS FLAMENGOS”. Assim enfocamos no discurso identitário de Arthur Carlos Maurício Pestana de pseudônimo Pepetela sua refutação a dominação cultural, ressaltando, entretanto o inegável hibridismo cultural no qual a Nação angolana é imaginada (FAMÍLIA VAN DUM). O romance “A GLORIOSA FAMÍLIA” tem como recorte temporal e espacial Angola do século XVII, a narrativa foca-se na cosmopolita cidade de Luanda para a qual o autor transplanta o contexto colonial do tráfico escravagista, os conflitos religiosos entre holandeses denominados de mafulos, flamengos adeptos do calvinismo e os portugueses adeptos do catolicismo. Porém o que enfatizamos na obra e a estratagema de inversão de sensibilidades descolonizadas como é o caso do Pepetela porque sua obra é descentralizante ao fazer do escravo mudo o narrador, não é o colonizador holandês ou português que conosco dialoga.
Além disso, (re) construir identidades num mundo entendido como pós-colonial e reivindicar a construção da cidadania, então Pepetela reivindica para o povo angolano o papel de protagonista de sua própria história. Desta forma, re-visitar o passado colonial não significa exumá-lo negando o processo histórico, mas identificar problemas e potencialidades. Afinal como Stuart Hall cogita a (re) construção das identidades tem como um dos elementos constitutivos a fantasia, portanto cabe a cada povo, a cada nação decidir como si imaginar, isto é fazer projeções para o futuro. Neste sentido, Pepetela oferece ao povo angolano pontos de identificação, imagens positivas isso contribui no processo de crescimento no qual os angolanos cumprem a difícil tarefa de si descobrirem para escreverem com maior autonomia sua própria história, explanando uma identidade cultural que simbolize a coletividade do Ser angolano.

Patricia Martins Alves do Prado
Historiadora


Pensar e Falar Angola

domingo, 18 de maio de 2008

Liberto membro da FpD no KNorte Carta nº 2

Mantendo a pluralidade e a livre capacidade de pensar, sem dogmas ou tabús, divulgamos um segundo e-mail que nos chegou:

Nota Informativa 2

O PODER ESTÁ A CRIMINALIZAR A DEMOCRACIA

Militante da FpD solto após diligências

Após as diligências mandadas fazer pelo Governador do Kuanza Norte o membro da FpD, António André Lourenço, foi solto ontem, dia 17 de Maio, por volta das 18 horas, após prisão arbitrária, em flagrante violação da lei de prisão preventiva.

No entanto, a documentação interna do Partido em sua posse com o nome dos subscritores ficou retida na Direcção Provincial de Investigação Criminal do Kuanza Norte, de acordo com o responsável da FpD na Província, e só será devolvida, segundo promessa policial, amanhã, segunda feira.

O Presidente da FpD contactou telefonicamente, na manhã de hoje, dia 18 de Maio, o 2º Comandante Municipal de Ndalatando havendo este confirmado a apreensão dos documentos pois o membro da FpD foi acusado de "estar a fazer fotocópias de cartões de eleitores o que constitui crime que deve ser investigado". Em sua posse não tinha qualquer fotocópia. O Presidente da FpD advertiu da violação à lei que constituiu a apreensão dos documentos internos do Partido e que tirar fotocópias do cartão de eleitor não constitui crime de qualquer natureza.

A FpD repudia veementemente esta atitude dos órgãos de Segurança que visa ir pressionar os cidadãos que assinaram pela candidatura da FpD afim de forjarem "provas" de que tais assinaturas sejam dadas sem o seu consentimento, criando a instabilidade nos cidadãos que estão a participar no processo democrático.

Para bem da nossa democracia, a FpD vai levar este processo até as últimas consequências, estando a preparar um pacote de acções para que o processo eleitoral não tenha a interferência das forças de segurança jogando um papel politico-partidário.

A FpD exige a entrega ainda hoje dos documentos do seu partido ao seu representante na Província.

O Presidente da FpD agradece a pronta intervenção do Governador da Província do Kuanza Norte.

Gabinete do Presidente da FpD, aos 18 de Maio de 2008

Para mais informação:

Representante FpD KN – Vasco Miguel - 925613576

Contacto Governador do Kuanza Norte:923318867

Contacto 2º Comandante Municipal do Kuanza Norte: 924028447

Artº 62º, nº 2 da Lei Eleitoral – "Os Partidos Políticos ou Coligações de partidos devem obrigatoriamente concorrer em todos os círculos eleitorais, devendo as listas ser suportadas para o círculo nacional por 5.000 a 5.500 eleitores e para os círculos provinciais por 500 a 550 eleitores"


NGANDU: uma escola de patriotismo (texto de leitor)

Segundo nota constante em vossa pág., gostaria de ver publicado em "pensar angola" este texto.Atenciosamente,
Ngandu é uma aldeia com cerca de 75 famílias no interior do município de Saurimo, na Lunda Sul. O povo desta pequena comunidade é eminentemente agrícola, com uma produção que raras vezes excede ao consumo. Porém, a aldeia que não tem latrinas (o soba explica que é por razão cultural), água canalizada, energia e sinal telefónico, tem uma lição a transmitir às grandes cidades.
É manhã, o secretário bate à porta da casa do soba, Luís Sakalongo. Depois da tradicional vénia, o secretário sai com duas bandeiras na mão. A primeira é a da República e será içada no mastro junto à escola da aldeia. A segunda é do MPLA e será içada num terreiro, não longe da casa do líder da aldeia. É assim todos os dias, conta o soba.
Sem necessidade de se tocar um sino ou coisa parecida, os habitantes colocam-se de pé, firmes e em silêncio, olhando para a bandeira que sobe vagarosamente. Até mesmo as crianças interrompem a sua traquinice e ninguém se movimenta. Os homens tiram os chapéus da cabeça e as mulheres arreiam as vassouras. É a norma.

Içada a cor que a todos representa de forma indistinta, é chagada a vez da bandeira do MPLA. Os que nela não se revêem são poucos e são os que partem para os seus afazeres. Os que a têm no coração mantêm-se de pé. Estáticos. Apenas olhares mirados para o pano tricolor que sobre. devagar, devagarinho. O secretário vai fazendo pequenas pausas, até atingir o topo e amarrar a corda ao mastro de pau.
O cenário é repetido à tarde, no dia seguinte, todos os dias, todas as semanas e todos os meses e anos. Os mais novos vão crescendo e sem que seja necessário o apelo, a comunidade vai, por via da repetição perpetuando o amor à bandeira e ao hino que a todos representam.
Do outro lado da aldeia está içada, de forma permanente, uma outra bandeira. É a do PRS, o partido que lidera a oposição ao MPLA nas Lundas. O soba explica que ela nunca esteve nem a meia haste nem retirada.
“Os homens chagaram aqui, pregaram a bandeira, plantaram o pau e nunca mais voltaram”, explica Sakalongo.
A tolerância é na aldeia o melhor caminho para a coabitação. “Todos dizem que ela devia também subir e descer como as outras, mas foi pregada. E ninguém diz nada. Apenas olhamos e até as crianças já sabem que não devia ser assim”.
Luís Sakalongo é ferreiro de profissão e já desempenhou a função de deputado à Assembleia Provincial do Povo na Lunda Sul.
O secretário da aldeia é seu irmão e fez parte do primeiro lote de jovens que foi a Cuba estudar. Já em Angola, as coisas não lhe correram bem, por razões que nem ele, nem o soba explicou. “Para não andar mal na cidade fomos buscá-lo e está aqui na aldeia connosco”.

O outro irmão é o adjunto do soba. Araújo Marianda, 68 anos, já foi membro e responsável da ODP (Organização de Defesa Popular). “Fui dos primeiros que fomos fazer o curso em Benguela e no Cunene. Estou aqui depois de muito ter lutado”, contou.
Ambos, Luís Sakalongo e Araújo Marianda, reclamam apenas o facto de não receberem nenhuma pensão como antigos combatentes, mesmo depois de terem escrito por diversas vezes às estruturas governamentais da província e do partido.
Como forma de chamar a atenção dos que por lá passarem, sobretudo os governantes e líderes do partido que defendem, o soba decidiu em rebaptizar o nome da aldeia para NGANDU LUFUNE KEXI CUNHONGA, que traduzido do Cokwe para português nos leva à ideia de “quem muito trabalhou mas que não é reconhecido pelos feitos”.
Ngandu é hoje uma das aldeias mais organizadas, graças ao empenho e sabedoria do seu soba, Luís Sakalongo.


Luciano Canhanga


Pensar e Falar Angola

Carta do Gabinete do Presidente da FpD sobre a prisao dum membro

Mantendo a pluralidade e a livre capacidade de pensar, sem dogmas ou tabús, divulgamos um mail que nos chegou:

FpD
Gabinete do Presidente
Luanda

LIBERTAÇÃO IMEDIATA DE ANTÓNIO LOURENÇO

Hoje, dia 17 de Maio, as 7 horas da manha, no Bairro Kipapa, em Ndalatando, Kuanza Norte, foi preso o membro da FpD – Frente para a Democracia – António André Lourenço, quando em missão de serviço, sensibilizava os cidadãos para subscreverem a candidatura da FpD para o futuro Parlamento.

Ao que apurou o responsável da FpD na área, Sr Vasco Zacarias Miguel (Lulu) pende sobre o mesmo a acusação de "recolha de cartão de eleitor".

O Presidente da FpD falou as 14h30 de hoje, dia 17 de Maio de 2008, com Sua Excelência o Senhor Governador da província do Kuanza Norte e as 16h30 recebeu a informação que tinha enviado um oficial da DPIC (Direcção Provincial de Investigação Criminal) para inteirar-se do caso. Até àquela altura o companheiro Lourenço jazia na prisão sem que a Polícia tivesse elaborado o respectivo auto com as causas da prisão.

Tratando-se duma prisão arbitrária sem fundamento na Lei reforçada com a atitude da Polícia de o deixar detido durante pelo menos 9h30m sem culpa formada , a FpD exige a libertação imediata e incondicional do seu membro e denuncia que tais acções visam criar um clima de intimidação para que os cidadãos não entreguem a documentação requerida para candidatura dos partidos políticos e para que os militantes deixem de cumprir a sua missão de construtores da democracia.

A FpD esclarece que somente os eleitores como reza o artigo 62º podem suportar as listas e, portanto, é necessário fazer prova da condição de eleitor do proponente.

Igualmente em Cabinda, membros do SINFO, intimidam os militantes que abordam os cidadãos, afirmando que as assinaturas restringem-se aos membros do partidos políticos.

Essa conduta da Polícia e da SINFO tem inspiração partidária e é contrária ao desenvolvimento harmonioso do processo eleitoral e permite-nos exigir do Conselho nacional Eleitoral

  1. Que explique inequivocamente como devem os partidos constituir os seus processos para se candidatarem;
  2. Que repudie estas grosseiras interferências nos trabalhos dos partidos políticos de forças dos serviços de segurança nacional.

O Presidente da FpD

Filomeno Vieira Lopes

Artº 62º, nº 2 da Lei Eleitoral – "Os Partidos Políticos ou Coligações de partidos devem obrigatoriamente concorrer em todos os círculos eleitorais, devendo as listas ser suportadas para o círculo nacional por 5.000 a 5.500 eleitores e para os círculos provinciais por 500 a 550 eleitores"

Para mais informação:

Representante FpD KN – Vasco Miguel - 925613576

Contacto Governador do Kuanza Norte:923318867

Contacto Comandante Municipal Sr Cambalhota: 924028447


RITA GT em Viana do Castelo

https://youtube.com/shorts/qZkb4CfXTZQ?si=3K65JJEr5VQqsZZS Ao longo dos últimos dois anos tive a oportunidade de desenvolver “8”, uma obra d...