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sexta-feira, 22 de dezembro de 2023

carta a Sua ExcelênciaPresidente da RepúblicaJoão Lourenço

Sua Excelência

Presidente da República

João Lourenço


Os signatários, naturais do Huambo ou de algum modo, pelos estudos ou vida profissional, com estreitos laços com a nossa Província do planalto central, ou simplesmente amigos do Huambo, vêm respeitosamente expor e propor a Sua Excelência o seguinte: 

Tivemos conhecimento, com satisfação e alegria, que está prestes a ser concluído e inaugurado um magnífico novo Centro Cultural na cidade do Huambo.

Sendo natural atribuir a essa nova instituição o nome de uma personalidade de mérito ligada à vida e história da Província, consideramos  que o poeta, escritor, político, professor universitário e advogado MANUEL RUI MONTEIRO é, com toda a justiça, merecedor dessa consagração, dando-se o seu nome, se não ao próprio Centro Cultural, pelo menos à Biblioteca ou ao principal auditório existente no Centro.

Manuel Rui Monteiro, como é sabido, é o autor da letra do Hino Nacional e, conjuntamente com a música de Rui Mingas, também fez a letra desse «outro hino do Huambo» que é “Os Meninos do Huambo”. É igualmente da sua autoria a letra do Hino da Alfabetização. Foi Director Geral da Informação no Governo Provisório e Ministro da Informação no Governo de Transição que antecedeu a Independência. Foi o Procurador Popular no célebre julgamento em Luanda dos mercenários. Foi professor universitário e dirigente de duas Faculdades no Lubango. Exerceu a advocacia em Luanda. Publicou a primeira obra de ficção editada depois da Independência. Tem uma vasta e variada obra no campo da poesia, ficção, teatro, ensaio e literatura infantil, traduzida e editada em mais de doze línguas, desde o inglês, sueco ao mandarim. É o autor do conhecidíssimo “Quem me dera ser Onda”, porventura a obra mais publicada e lida da literatura angolana, logo a seguir à “Sagrada Esperança”, incluindo uma edição bilingue em português-umbundo, em parceria com o falecido huambino Jaka Jamba. Manuel Rui é membro fundador da União dos Escritores Angolanos, da União dos Artistas e Compositores Angolanos, da Sociedade de Autores Angolanos, inscrito na Ordem dos Advogados de Angola.

Manuel Rui está com oitenta e dois anos e com preocupantes problemas de saúde. Embora continue a publicar literatura praticamente todos os anos e mantenha uma crónica semanal no principal jornal do País, é natural que se aproxime o ocaso da sua vida entre nós.

Temos a convicção de que os tributos, se julgados consensualmente pela comunidade como merecidos, devem ser concedidos às pessoas em vida.

Em relação a Manuel Rui Monteiro, sentimos que há um dever de reconhecimento e gratidão  pela sua dádiva de toda uma vida à cultura nacional. E é justo que esse tributo lhe seja oferecido na sua terra natal.

Não temos dúvidas em afirmar que, na nossa história pós-independência, no campo cultural, não há nenhuma outra personalidade do Huambo que seja credora de maior prestígio e renome, no Huambo, no País e até internacionalmente, do que Manuel Rui Monteiro.

Nas suas palavras, ele ensinou e continuará a ensinar a milhares de crianças angolanas “quanto custou uma bandeira” e  “quanto custou a liberdade”. 


Luanda,  12 de Dezembro de 2023


Fernando Oliveira, professor universitário, jubilado, advogado


Marcolino Moco, professor universitário


Ângela Mingas, arquitecta, Docente universitária


Luís Bernardino, médico, professor universitário  


Orlando Rodrigues, n. Chinguar, professor universitário, advogado

Maria João Ganga, cineasta, activista cultural

Rui Alberto Vieira Dias Mingas, ex-Deputado da Assembleia Nacional

Julieta Branco Lima Mingas, professora universitária reformada

Vitor Ramalho, n. Cáala, Secretário Geral da UCCLA,  ex-membro do Governo português

Madalena Ramalho, n. Cáala, economista

António dos Santos França Ndalu, General reformado, Deputado

António José Maria, n. Ekunha, General reformado

António Mosquito, n. Calenga, empresário

João Valeriano, Decano da Faculdade de  Direito da Universidade José Eduardo dos Santos, advogado

Joaquim Paixão Amaral, professor universitário, Huambo

José Carlos dos Santos, médico

António Antas de Almeida, bancário reformado

Felismina Lutucuta, professora universitária

António Paulo Cassoma, ex-membro do Governo, ex-Governador Provincial do Huambo

Rui Nelson Dinis, n. Cáala, administrador de empresas, professor universitário

Mário Rui Pires

Luzia Bebiana Sebastião, Prof. Catedrática de Faculdade de Direito da Universidade Agostinho Neto,  Juíza Jubilada do Tribunal Constitucional

Miraldina Jamba, Deputada

José Eduardo Agualusa, escritor

Florbela Catarina “Bela”Malaquias, Deputada

José A. Eduardo Sambo, jurista, Prof. Catedrático da Faculdade de Direito da Universidade Agostinho Neto

Paulette Lopes, Docente universitária, advogada

Mário Nelson, Docente universitário, economista

José Borba Rodrigues, professor reformado

Guiomar Lopes, advogada

Isabel Martins, arquitecta, Docente  universitária

Fernando Martinho, médico cirurgião, Coimbra

Tatiana Serrão, Docente universitária, advogada

Fernando Manuel Almeida Pereira, jornalista

Joaquim Mande, jurista, Juiz Conselheiro do Tribunal de Contas

Luís Filipe Colaço, demógrafo, Docente universitário

António Segadães Tavares ,engenheiro, Prof. Catedrático, Jubilado,

António Faria, cineasta

Artur Miguel da Costa, professor de Ensino Superior de Belas Artes,   Bélgica

Jorge Antunes, em memória de sua mãe Gabriela Antunes

Ana Clara Guerra Marques, coreógrafa e investigadora

Eleutério Freire, n. Kachiungo, reformado da Administração Pública

Arnaldo Lago de Carvalho, n. Cáala, economista, empresário

Maria Lectícia Silva

Kamia Silva, em memória do Pai Joaquim Manuel Silva

Luís Simões de Barros, n. Bongo, empresário, Brasil

Fernando Pacheco, Engenheiro Agrónomo

Rui Veiga Pinto, médico

Raquel Andrade, em memória de F. Costa Andrade, Ndunduma

Percy  Costa Andrade, jurista

Lukeni Lopes Hendrick, em memória da mãe Teresinha Lopes

Rita Martins Oliveira, professora de dança

Armando Machado, empresário

Efigénia Veiga Pinto, n. Bailundo,  reformada da Administração Pública no Huambo

Rui Santos, n. Hospital do Bongo, empresário

Maria Alice dos Santos Almeida, gestora de recursos humanos

Luís Filipe Pizarro, Advogado

Joaquim Manuel Branco Leitão, comentador Desporto

Carlos Viegas de Abreu Júnior, empresário


Devido a contingências práticas e ao curto prazo para recolha das assinaturas, certifica-se que todos os subscritores desta carta deram por escrito o seu expresso acordo à mesma e à inserção dos seus nomes. 






 

domingo, 31 de maio de 2020

Death Metal Angola | Filme completo

Filme/documentário completo sobre Rock Made in Angola com o Título "Death Metal Angola" filmado em 2010/2011 e estreado em 2012 em vários festivais de cinema, também esteve mencionado para vários prémios internacionais. Infelizmente pouco reconhecimento a nível nacional.





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quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Conferência Simultânea Luanda-Huambo | Abertura da III Trienal de Luanda



A Fundação Sindika Dokolo,apresentou no dia 12 de Dezembro, na Mediateca de Luanda, a Conferência de Abertura da III Trienal de Luanda, que arrancou no dia 1 de Novembro de 2015, e vai até 30 de Novembro de 2016, sob o lema: “Da utopia à realidade”. Na ocasião, o patrono da fundação homónima, Sindika Dokolo, disse que a Trienal de Luanda será muito mais do que um espaço de arte, “será um símbolo de liberdade, um espaço para alargar o espectro cultural do diálogo cultural”.


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sábado, 14 de setembro de 2013

Festival Internacional de Rock do Huambo | 21 e 22 de Setembro de 2013

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Festival Internacional de Rock do Huambo | 21 e 22 de Setembro de 2013
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Okutiuka, Acção para a Vida.


Okutiuka, Acção para a Vida.
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sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Parabens HUAMBO


CIDADE DO HUAMBO COMPLETA 100 ANOS A 21 DE SETEMBRO. PARABENS HUAMBO E SEUS MUNICIPES !!!!!!!























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domingo, 20 de março de 2011

Desabamento de ponte corta circulação rodoviária entre as cidades do Huambo e Caála


A circulação rodoviária na estrada que liga as cidades do Huambo e da Caála está cortada, desde a madrugada de hoje (domingo), devido ao desabamento da ponte sobre o rio Lufefena, a sete quilómetros do centro da cidade do Huambo e a 16 da cidade da Caála.


Segundo disse à Angop o director provincial das obras públicas, José Adolfo Morguier, no Huambo, o desabamento da ponte deveu-se a um deslizamento de terra causado pelas chuvas intensas que estão a cair sobre a região.


Referiu, entretanto, que os técnicos da sua instituição, conjuntamente com os do Instituto Nacional de Estradas, estão no local, desde as primeiras horas do dia, de forma a resolverem o mais breve possível este constrangimento.


 Anunciou que a partir de segunda-feira vai se iniciar com os trabalhos de montagem de uma ponte metálica de 48 metros de cumprimento e com uma largura para duas faixas de rodagem.


Questionado se a causa do desabamento da ponte esteja relacionado com a má qualidade do material empregue a quando da sua reabilitação, em 2008, o director provincial das obras públicas negou tais alegações.


"A ponte data desde 1957 e até ao momento nunca foi alvo de uma reabilitação profunda. O que se fez em 2008 foram obras superficiais que não abrangeram a colocação de um novo tabuleiro para veículos, nem pilares e vigas que suportam a ponte", explicou.



Em virtude do desabamento da ponte sobre o rio Lufefena, alguns automobilistas estão a circular em vias alternativas, mas pouco seguras a julgar pela intensidade das chuvas.


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quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Kitandeira

Vemos uma estatua bem bonita do centro do Huambo, retratando uma "Quitandeira" (Mulher que vende na rua, tendo uma "banca mais ou menos fixa") e "Zungeiras" (mulheres que vendem de forma ambulante, carregando consigo o material: pode ser roupa, bijuteria, sapatos e até já a vi a carregar botijas de gas!) do blog Pseudo
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quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Cuca, a caminho do Huambo



Foi há 3 dias, as pedras lá continuam, a pintura é a mesma de há trinta e quatro anos (asseguraram-mo!) e a entrada na capital do planalto central é bem conhecida.
(A máquina fotográfica precisa de acertar o calendário.)






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quarta-feira, 20 de agosto de 2008

A ressurreição do Huambo

HENRIQUE BOTEQUILHA, Huambo










Angola. Palco de um dos mais violentos episódios da guerra civil angolana, o Huambo está a renascer na forma de um estaleiro em grande escala. Estradas, edifícios e serviços estão a ser recuperados e o 'boom' do sector da construção está a servir de alavanca para recuperar tudo o resto







Onde havia ruínas apareceram casas, nas artérias bombardeadas alisou-se o asfalto, da obscuridade fez-se luz e o Huambo, palco de um dos mais violentos episódios da guerra civil de Angola, ressuscitou. Em apenas três anos, uma das cidades mais destruídas do país renasceu na forma de um estaleiro em grande escala, em que além das obras no espaço público, arruamentos e passeios se incentivou, com subsídios estatais, a recuperação de habitações.

"O Huambo cresceu consideravelmente. As nossas estradas estão reabilitadas, as nossas casas também estão a ser reabilitadas, o Huambo cresceu e vai crescer mais ainda", atesta Odete Lucas, 32 anos, técnica da Acção de Desenvolvimento Rural e Ambiente, uma ONG angolana. "Passei aqui o tempo de guerra e pensava que não era possível desenvolver o Huambo. Actualmente, estou a ver que é possível."

Odete era uma adolescente, em 1993, quando as tropas do Governo ali estiveram sitiadas 55 dias, até ao assalto final das forças da UNITA. As ruas que já foram frentes de batalha são hoje cenário da reconstrução vertiginosa. Ainda há três anos, eram chagas urbanas abertas por balas e obuses. Agora, os carros circulam sobre um tapete liso e são ordenados por semáforos fotovoltaicos que o empresário Valentim Amões, falecido num acidente aéreo recente, plantou por toda a cidade.

O centro do poder, na actual Praça Agostinho Neto, foi retomado pelas tropas do Governo em 1995, mas da violência da reconquista já não restam sinais. Os edifícios dos serviços provinciais e os correios foram reconstruídos por empresas portuguesas, que deram à praça um toque festivo, decorando--a com luzes amarelas e azuis, abraçando um obelisco dedicado a Agostinho Neto, representado por uma imagem do primeiro presidente de Angola de livro na mão e kalashnikov à tiracolo. O aeroporto foi recuperado, novas universidades devolvem a cidade ao centro do conhecimento angolano, um novo hospital está a ser erguido numa empreitada chinesa, um arrojado pavilhão foi construído para acolher o AfroBasket 2007.

"O Huambo de hoje é um bocado consequência do que vivemos ontem", assinala Júnior Chinendele, responsável pelo projecto Casa Ecológica, que pretende fazer da cidade uma referência ambiental na África Austral. Junto do seu escritório estende-se o jardim botânico, centro do corredor verde que agora atravessa a cidade. É lá que, durante a tarde, dezenas de estudantes se deitam sobre as gramíneas a ler.

Além do quadro de destruição, os serviços ainda há três anos eram quase inexistentes, a água mal corria nas torneiras e as lâmpadas raramente acendiam. A população circulava apática: cidade fantasma. "Muitas pessoas diziam que nunca mais voltavam, mas estão a aparecer agora", testemunha Odete Lucas. Apesar das limitações que persistem no abastecimento de água e energia, o "boom" do sector da construção está a ser a alavanca para tudo o resto: infra-estruturas, serviços e emprego. "Dantes para se ter um meio de transporte como uma viatura era um sonho. Hoje, quase todo o pessoal tem", refere. "É muita coisa!", afirma a técnica da ONG angolana na sua declaração de amor à cidade. "É muito bom viver no Huambo, eu pelo menos não quero que me tirem daqui. Residir noutra província, não!"




-Jornalista da Lusa


































quinta-feira, 17 de julho de 2008

Paulo Flores - 20 Anos de Carreira - Digressão Nacional

Paulo Flores comemora 20 anos de uma carreira repleta de sucessos.


Depois de um grande concerto no passado dia 4 de Julho, que lotou com 25 mil espectadores o renovado estádio dos Coqueiros - a maior audiência jamais alcançada em Angola por um artista nacional -, Paulo Flores inicia uma digressão nacional que o levará a quatro províncias:

Huambo no dia 20 de Julho;
Cabinda, dia 26 de Julho;
Benguela, dia 03 de Agosto;
Malanje, dia 09 de Agosto.



Para escutar música de Paulo Flores siga as ligações:
Rádio Animadão
Rádio Sambilas

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quinta-feira, 3 de abril de 2008

(V) HUAMBO - ACÇÃO MISSIONARIA

É escassa a documentação respeitante à acção missionária no Distrito do Huambo, até fins do século passado. Por certo, este sertão foi percorrido, em várias épocas, por sacerdotes zelosos e dedicados, buscando a conversão dos infiéis. Mas, se assim aconteceu, as memórias desses trabalhos perderam-se quase por completo. Sabe-se que no Bailundo existia um missionário em 1778 e uma pobre igréja de pau-a-pique. Depois disso, só em 1884 se refere a presença, naquelas terras, de outro sacerdote, o padre Joaquim Nunes Bernardo. Alguns anos adiante, foi despachado para ali e Bié, com o encargo de fundar Missões, o padre J. António Fidalgo. Finalmente, em 1895, é fundada a missão do Bailundo. Quinze anos após, a do Huambo, transferi da em 1912 para o Cuando. Só mais recente- mente outras se estabeleceram, as quais registam apreciável movimento religioso e civilizador, o que sem dúvida concorreu para a fundação da Diocese de Nova Lisboa, em 1940, abrangendo os Distritos do Huambo e Benguela.


http://www.aaenlh.pt/index.htm



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segunda-feira, 31 de março de 2008

(IV) HUAMBO - OCUPAÇÃO CIVIL

O texto que se segue foI extraído do Boletim Cultural do Huambo nº 15, de Setembro de 1962



Com o progressivo descobrimento da costa africana, os portugueses iam-se fixando no litoral, fundando povoações e contactando com os naturais, que desde a primeira hora procuraram trazer ao convívio da civilização e ao seio da Igreja Católica. Nem sempre, contudo, esses pacíficos intentos foram compreendidos, ou aplicados, e dai a série longa de lutas atrás referidas. Mas também é verdade que o espirito aventureiro da nossa gente levou muitos a embrenharem-se pelo sertão, estabelecendo-se um pouco por toda a parte e assim concorrendo para a melhoria de relações entre africanos e europeus. No tocante ao Distrito do Huambo, é incontestável que os primeiros contactos foram estabelecidos através do Bailundo, parecendo certo que com estas terras comerciou o capitão -general D. Manuel Pereira Forjaz, em 1610, seguido pouco depois pelos funantes de Benguela e Catumbela, aqueles por intermédio de Caconda. Em 1770 ou 71, o governador Sousa Coutinho fundou a povoação de Nova Golegã, onde se instalou um juiz-regente, representante do Governo junto do soba. Parece ter sido José Francisco da Cunha o primeiro a desempenhar estas funções, outros se lhe seguindo, com frequentes intervalos, até que, em 1885, Silva Porto, nomeado capitão-mor do Bié e Bailundo, estabelece definitivamente a autoridade civil naquelas paragens, com carácter de permanência. Três anos depois, é substituido por Teixeira da Silva, que vai residir para Belmonte, fixando-se mais tarde no Catape, a partir de 1891, quando se dá o desmembramento da capitania. Em 16 de Julho de 1902 é criado o concelho do Bailundo, com os postos militares do Balombo, Huambo, Luimbale, Galanga, Cassongue, Sambo e Bimbe, em 1911 transformados em postos de policia civil. Em 1904, é nomeada a primeira comissão municipal.



* Em 1769, o mesmo governador Sousa Coutinho fundou no Quipeio a povoação de Paço de Sousa. Nada se sabe quanto à sua existência, que deve ter sido efémera. É de crer que o primeiro regente da província do Huambo tenha sido João dos Santos Moura, em actividade nos fins do século XVIII e principios do XIX. Em meados deste, deixou de existir autoridade civil nesta região, o que permitiu o regresso à desordem e anarquia. Após a campanha de 1902, foi instalado na Quissala um posto militar, sob a jurisdição do Bailundo. Elevado a comando em 1909, foi em 1911 transformado em concelho. Neste mesmo ano foi também estabelecida a primeira comissão municipal. Do concelho do Huambo se desmembraram sucessivamente os da Caala (primeiro, Lépi), em 1922; o da Bela Vista, em 1957; e o da Vila Nova, em 1960. Em 1934, surgiu o Distrito, integrado na provincia de Benguela, da qual se desintegrou em 1954.



* Foi ainda Sousa Coutinho o fundador da povoação de Linhares, no Galangue, em 1769, ignorando-se a identidade do primeiro regente, cuja jurisdição se estendia ao Sambo.



Em 1806, Francisco Lucas da Fonseca passou a intitular-se juiz-regente da província do Galangue e Sambos, neste último sobado tendo sua residência e ali exercendo sua autoridade até 1821. A partir desta data, deixou o Governo de ter representante qualificado nesta região. Em 1902, foi criado o posto militar do Sambo, mais tarde transformado em civil, e hoje pertencente ao concelho da Vila Nova.







http://www.aaenlh.pt/index.htm


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quinta-feira, 27 de março de 2008

(III) HUAMBO - INTEGRAÇÃO DO TERRITÓRIO

O texto que se segue foi extraído do Boletim Cultural do Huambo nº 15, de Setembro de 1962



Huambos e bailundos eram povos irrequietos e guerreiros, em constantes conflitos com os vizinhos, cujas terras raziavam, atingindo em suas avançadas a Catumbela, Quilengues, Quipungo, Humbe, sem poupar o histórico presidio de Caconda. Tais factos motivaram o envio de numerosas expedições punitivas, algumas das quais redundaram em sérios desastres, outras atingindo seus objectivos. Entre estas, merece especial menção a de 1773, não apenas em seu aspecto puramente militar como, sobretudo, pelo percurso efectuado, a que forçosamente haviam de corresponder as mais tremendas dificuldades e privações. Efectivamente, duas colunas partiram para o interior, uma de Luanda e outra de Benguela, esta por Caconda, aquela por Pungo-Andongo, reunindo-se finalmente em Quingolo (Cuima), para de novo se separarem no Quipeio, regressando aos respectivos pontos de partida, mais de dois anos passados, após haverem submetido e avassalado os principais chefes planálticos, entre eles os do Huambo, Bailundo e Sambo. Porém, a ausência de ocupação efectiva originou novas desordens, culminando com a revolta do Bailundo, Bié e Huambo, em 1902, e suas naturais resultantes: - assassinatos, roubos, destruições. A gravidade da situação exigia medidas enérgicas, que se traduziram no avanço de três colunas militares contra os revoltosos: - a do Libolo, comandada pelo tenente Pais Brandão, que desbarata e põe fora de combate os principais chefes rebeldes; a do Norte, sob o comando do capitão Massano de Amorim, que de Benguela segue pelo Bocoio, Balombo e Luimbale, con- solidando ali a nossa autoridade; e a do Sul, dirigida pelo capitão Teixeira Moutinho, que se concentra em Caconda, ocupando seguidamente o Huambo. A fim de evitar a repetição de acontecimentos deste género e para garantia da paz e tranquilidade dos povos, estabelecem-se redutos fortificados em diversos pontos do Planalto, a cujos comandantes é conferida competência civil, a par das suas funções militares. Desde então, a calma tem sido absoluta em todo o Distrito, cujos habitantes recentemente deram e continuam a dar ao mundo uma formidável lição de portuguesismo, não só recusando qualquer entendimento com os terroristas, como combatendo-os heroicamente e colaborando nos trabalhos agrícolas das zonas mais afectadas, assim se imortalizando sob a designação popularizada de bailundos.



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quarta-feira, 26 de março de 2008

(II) ORIGENS DO POVO HUAMBO - HISTÓRIA E LENDA

O texto extraído do Boletim Cultural do Huambo nº 15, de Setembro de 1962



O território correspondente ao actual Distrito do Huambo é habitado por três grupos étnicos muito fracamente diferenciados: os huambos, bailundos e sambos; havendo ainda a anotar pequenas manchas de ganguelas e quiocos, sem interesse demográfico. Aqueles se integram na tribo dos bundos, ramificação dos bantos que em época remota abandonaram o vale do Nilo, dirigindo-se para o sul e ocupando progressivamente quase toda a África aquém -Sáara. Torna-se bastante difícil determinar os termos em que se verificou a fixação destes povos em terras do Huambo. Neste ponto, anda a história misturada com a lenda, e qualquer destrinça se apresenta quase impossível. Mas é incontestável que desceram do Norte, após incerto período de permanência nas vizinhanças do Cuanza. Não deixa de ser interessante inscrever aqui uma lenda, nos termos da qual o Huambo teria sido o berço da Humanidade.



No extremo meridional do Distrito, junto à confluência do Cunhungâmua com o Cunene, pusera Deus, um dia, o primeiro homem, que se chamou Féti - Principio. Vivia ele, entretanto, aborrecido e triste, único ente racional perdido na imensa Natureza. Mas, em dada altura, foi sua atenção despertada por suave melodia que se elevava do grande rio. Aproximou-se. E, com enorme espanto e justificada alegria, viu surgir das águas um ser semelhante a ele. Louco de contentamento, logo apaixonado, arrebatou consigo a misteriosa aparição, a quem deu o nome de Tchoia - Enfeite, Perfeição. Tempos depois, brindou-os o Senhor com um filho Galangue; mais tarde, uma filha- Vihe (Bié).



Daquele descenderiam os Povos do Huambo, Sambo e Cuima. Passemos, porém, à história, na tradição baseada, e por isso mesmo não totalmente isenta de influências lendárias. D. Ana de Sousa, a extraordinária Rainha Jinga, sustentara prolongada luta contra os portugueses, colaborando, por interesse próprio e na medida de suas conveniências, com os holandeses, então senhores de Luanda. Expulsos estes por Salvador Correia, e submetida a célebre heroina negra à autoridade de Portugal, o receio de justa revindita das nossas gentes levou os sambos, huambos e bailundos, que a haviam apoiado, a abandonarem seus paises e afastarem-se para longe da capital, empurrando à sua frente quantos encontraram pelo caminho, em especial os ganguelas, assim forçados a transferir-se para as margens do Cubango. Os primeiros, após curta permanência no Candumbo, fixaram-se definitivamente na região que de seu chefe recebeu o nome- Sambo (Contagioso). Idênticamente sucedeu aos seguintes, cujo soberano, Huambo- Calunga (Grande -Mar), se instalou inicialmente na Caala, onde sua sepultura se encontra, ladeada de duas outras, ao que se julga de dois escravos sacrificados para o servirem no outro mundo ou, segundo alguns, duas de suas numerosas mulheres. Era Huambo grande apreciador de carne humana, preferindo as tenras crianças, o que levou parte do seu povo a abandoná-lo fugindo uns para a Ganda e outros para o Candumbo. Pretende a tradição, se não lenda, que Huambo fora acompanhado nesta migração, por Catiavala, seu genro, que fundou outro poderoso reino além do Queve, tomando então o nome de Bailundo (Tatuado).


http://www.aaenlh.pt/index.htm
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sexta-feira, 21 de março de 2008

FUNDAÇÃO DA CIDADE DO HUAMBO (I)


Texto extraído do Boletim Cultural do Huambo nº 15, de Setembro de 1962
Aos vinte e um dias do mês de Setembro de mil novecentos e doze, nesta Cidade do Huambo e Sala da Administração da Circunscrição onde se encontravam reunidos Sua Excelência o Governador-Geral da Província de Angola José Mendes Ribeiro Norton de Matos, Sua Excelência o Governador do Distrito de Benguela Manuel Espregueira Góis Pinto, o presidente e mais vogais da Comissão Municipal do Huambo, grande concurso de funcionários e residentes da cidade, foi por Sua Excelência o Governador-Geral inaugurada a cidade do Huambo, criada pela Portaria Provincial de oito de Agosto de mil novecentos e doze. E para constar se lavrou este auto que depois de lido vai ser assinado por Sua Excelência o Governador-Geral, por Sua Excelência o Governador do Distrito, Comissão Municipal e todos os presentes. (Assinados) J. M. R. Norton de Matos -Manuel Espregueira Góis Pinto -Arlur Ernesto de Castro Soromenho -Alfredo da Silva Alcobia - João Antunes Varela -Amadeu Bettencourt Reys -Victor Primo Anselmo -H. Fussel Vice-Cônsul da Inglaterra e da Grécia - Ernesto Alberlo Walter Novais-Edward Robins - J. D. Gregory-Adolfo Pina-Basith Hell - Oscar Monteiro Torres - Francisco Coelho do Amaral - Luís C. de Almeida da C. Pereira - A. J. do Sacramento Monteiro -F. Varean -António Nogueira Mimoso Guerra - Manuel de Mesquita - Carlos Roma Machado - Joaquim Alpedrinha -Carlos Augusto dos Santos Peres -José Nicolau Goulão Júnior - António Pereira Correia - António Teixeira da Cunha - W. D. Clark - João Nunes de Sousa - Sebastião Eduardo César de Sã - Alfredo Castro Correia Júnior - Josué Luís Lobo da Cruz - Álvaro Ramos Pereira Padrão -António d' Abreu Castello Branco - Laurentino José de Macedo - A. W. Carney - Eduardo Pereira Cardona - Manuel da Silva Freitas - Virgílio Beirão Fialho - Joaquim Soares de Oliveira - António Gomes Ferreira - Francisco Xavier Ferreira de Castro - José da Silva Castanheta Ribeiro - Joaquim Carvalho Barbas - Manuel Carvalho Ribeiro V iana - Luís Gomes Seabra Pena - Alfredo Marques de Carvalho - Carlos A. Mendonça e Pinto - Francisco Corte Real - Abílio Ribeiro Vazo.



http://www.aaenlh.pt/index.htm
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quarta-feira, 10 de outubro de 2007

Angola Descrita, Nova Lisboa (Huambo)



Nova Lisboa (Huambo) – criação urbanística de 1912-13, cresceu enormemente na fase em estudo. Henrique Galvão refere-se ainda aos que “… projectaram então sobre o papel um burgo extenso, a maior cidade de Angola (…) cidade teórica, com meia dúzia de casas muito dispersas e dentro da qual o automóvel consumia minutos longos para ir de uma à outra mais próxima através de bairros de capim e ruas de coisa nenhuma”.



Fernandes, José Manuel, in “Geração Africana”



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RITA GT em Viana do Castelo

https://youtube.com/shorts/qZkb4CfXTZQ?si=3K65JJEr5VQqsZZS Ao longo dos últimos dois anos tive a oportunidade de desenvolver “8”, uma obra d...