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domingo, 15 de junho de 2008

Angola e o Candomblé - Texto de Leitor (3)

From: kambóndu ndembu´xi


CONTEUDO DESTA APOSTILA

(01)- Mahámba (Divindades de culto tradicional).

(02)- As divindades menos citadas.

(03)- Dizúngu Nlúngu (Ordem de barco).

(04)- Kituminu (Obrigação).

(05)- Dialetos usados dentro das casas de candomblé angola.

(06)- Jingoma

(07)- Ndandú (Parentesco).

(08)- Cargos dentro do candomblé angola.

(09)- Kizomba kia muvu (festa de ano).

(10)- Rituais de tradição.

(11)- Iandu (Comidas)

(12)- Bebidas.

(13)- Maji (óleo).

(14)- Jinsaba (Folhas).

(15)- Njimbu (Animais quadrúpede).

(16)- Jindemba (Aves).

(17)- Astros/Atmosfera.

(18)- Instrumentos de cortes usado em alguns rituais.

(19)- Singular/Plural.

(20)- Dimi Kimbundu (Vocabulário Kimbundu).

(21)- Indentidade.

(22)- Irima (Frutos).

(23)- Total de paginas.

(24)- Figura do corpo humano.

(25)- Idiandu (membros do corpo humano).

Dizúngu Nlúngu (ordem de barco)

MUZÉNZA UÁ DIANGA

(O primeiro)

MUZÉNZA UÁ KAIÁDI

(O segundo)

MUZÉNZA UÁ KATATU

(O terceiro)

MUZÉNZA UÁ KAUANA

(O quarto)

MUZÉNZA UÁ KATANU

(O quinto)

MUZÁNZA UÁ KASAMANU

(O sexto)

MUZÉNZA UÁ KASAMBUADI

(O sétimo)

MUZÉNZA UÁ KANAKE

(O oitavo)

MUZÉNZA UÁ KAVUA

(O Nono)

MUZÉNZA UÁ KAKUIINI

(O décimo)

Kitumínu (Obrigação)

KITUMÌNU KIÁ MUVU UMOXI

(Obrigação de um ano)

KITUMÍNU KIÁ MIVU ITATU

(Obrigação de três anos)

KITUMÍNU KIÁ MIVU SAMBUADI

(Obrigação de sete anos)Essa obrigação é onde se recebe a kutambula ntánda

ou seja a diplomação direito para manipular o oráculo de búzios.)

KITUMÍNU KIÁ KUIINI NI UANA DIA MIVU

(Obrigação de quatorze anos)

KITUMÍNU KIÁ MAKUINIADI NI MOXI MA MIVU

(Obrigação de vinte e um ano)

Dialetos usados dentro das casas de candomblé angola

Mukambu= Cumeeira.

Kiandi= Pequeno acento(apôti).

Kialu= Cadeira.

Kiandu= trono.

Ibuma= Acentos.

Kibaku/Kibaka= banco,acento.

Ienga= Tachos.

Iezu= Vasouras.

Mbakisi= Quarto onde fica as divindades.

Xilu= Camarinha,(quarto de dormir).

Jauá= Banho de folhas raladas com fava e etc...(abô).

Kaxixi= Instrumento de percussão das casas de nação angola.

Ganzá/Gan= Instrumento de percussão.(agogô)

JINGOMAS:Atabaques

Ngôma tixinda= O grande.(Rum)

Ngôma mukundu= O médio.(Lé)

Ngôma kasumbi= O pequeno.( Rupim)

Ou podemos também citar:

Ngómba= grande.

Ngónje= médio.

Gongê= pequeno. Dimi Kikóngo (língua kikóngo) .

Ndandú (Parentesco)

Mama múngua= Madrinha.

Tatá múngua= Padrinho.

Mona múngua= Afilhado.

Mulaula= Neto.

Mululu= Bisneto.

Kuku= Avô.

Mukajiamona= Nora.

Mukaji= mulher.

Mpánji= Irmão.

Muembu= Sobrinho.

Mpánji j´Olungu=Irmão de barco.

Mpánji Dixisa= Irmão de esteira.

Mpánji iá Múngua= Irmão de batismo.

Mpánji iá Mahinga= Irmão de sangue.

Mpánji j´Oxikana= Irmão de crença.

Jimpánji Jingóngo= Irmãos gêmeos.

Cargos dentro do candomblé angola.

DIALA (Homem)

Tat´etu/tata dia nkisí= Pai de santo.

Tat´etu/tata Ndenge= Pai pequeno.

Dianda= O responsável pela comunidade.

Kambóndu= Todos os Homens confirmados (ogã).

Tatá Utála= O que cuida do altar do nkisí.

Kambóndu Mabáia= O responsável pelo sambilú (barracão).

Tatá Nsába/Kinsába= O responsável em buscar e encantara as folhas.

Tatá Pokó/Kivónda= O responsável pelo sacrifício dos animais.

Muxikiángôma= O responsável pelos atabaques.

Tatá Nfunfú= O responsável pala preparação dos pós ritualísticos sagrados.

Tatá Lubitú= O responsável pelos quartos sagrados do barracão.

Tatá Kanzumbi= O responsável pelos carregos e etc...

Mulonji= O responsável pelas rezas.

MUHATU (MULHER)

mam´etu/mama dia nkisí= mãe de santo.

Mam´etu/mama Ndenge= Mãe pequena.

Mutintá= responsável pelas pinturas corporais.

muzénza= recen iniciados(as).

Dikota/Makota= todas as mulheres confirmadas (ekédi).

Ambelai/Kusasa= A responsável de criar os noviços.

Kididi= A responsável pelo sambilú (barracão).(feminino de kambóndu mabáia).

Rifúla/Rivúla= A responsável de cozinhar as comidas do barracão.

Kota Magánza= Mulheres que vira de santo com mais de sete anos tomado.

Ndúmbe= não iniciado(a)

Ntánji= recém iniciado(a) que tomou algumas obrigação de ano.

Kizomba kia muvu (festa de ano)

Kukuana= Festejo a Nsúmbu.

Makunde dia nkôsi= Festejo a divindade da agricultura.

Dilonga dia Lembá= Festejo a divindade da procriação,onde é feito uma procissão.

Kizomba kiá mahámba muhatu= Festa em louvor das divindades femininas.

Dibangulangu kiá Nzázi= Festa a divindade do raio.

Ngongá Umbanda= Fogueira onde é consagrada a mpemba (pó ritualístico).

Kumbi dia ngôma= Dia de toque.

Rituais de Tradição

Kitumínu= Obrigação ao nkísi.

Sanzumuna/kusaká/karêgu= sacudimento (ebó).

Mukáta= sacudimento com folhas.

Mujinga= Sacudimento com debúrú (Pipoca).

Teléku Ngonléla= Oferenda/Carrego.

Ebá= Despacho.

Kufumála= Defumação.

Nkitá= Obrigação na mata.

Kizua Dizenhi= Dia da caída.

Kudibala Koxí= Ritual onde o iniciante cai sobre as folhas.

Kujinga= Dia dos cortes.

Ntámbi/kamukándu= Ritual fúnebre.

Kutambula Ntanda= Diplomação.

Ukalakele Nkisí= feitura de santo.

Kibane Mutue= Oferta á cabeça.

Dimba Nkisí= obrigação dada á divindade.

Dizúngu Kilume= Saída de santo.

Kizuá Dijina = Dia do nome.

Mukanda= ritual de circuncisão(ato de cortar o prepúcio).

Kiménga= Dia das oferendas.

OBS: Em algumas dessas obrigações acima citadas é obrigatório o uso do Mikáxi Hixáxi ( cordão feito de palha que circunda o braço do iniciado)e a Nkúmba Hixáxi(cordão feito de palha que circunda a cintura do iniciado).

Makúdia(comidas)

Falôfa= Mistura de farinha com água, vinagre ou azeite.

Azoji= espécie de ervilha.

Iguri= Raízes de mandioca.

Ikami/Ikambi= Bagaço dos frutos da palmeira (dendê).

Kixiluanda= Pirão e peixe.

Kifufutila= Amendoim pilado com farinha de pau e açúcar (paçoca)

Mbolo= Pão.

Ebuku= Arroz feito no azeite.

Kikuanga= Pão de mandioca.

Sasa iokânge= Milho torrado.

Sasa Iolâmbe= Milho cozido.

Sasa Ioriate= Milho pisado.

Sasa Masambala= Milho miúdo.

Mukunzá= Milho cozido.

Luku= Pirão.

Xitu= Carne.

Msana= Leite.

Muenge= Cana.

Diiaki= Ovos.

Kulukuku= Comidas de ntámbi.

Dikende= Pão de milho.

...

sábado, 14 de junho de 2008

Angola e o Candomblé - Texto de Leitor (2)

From: kambóndu ndembu´xi


CONTEUDO DESTA APOSTILA

(01)- Mahámba (Divindades de culto tradicional).

(02)- As divindades menos citadas.

(03)- Dizúngu Nlúngu (Ordem de barco).

(04)- Kituminu (Obrigação).

(05)- Dialetos usados dentro das casas de candomblé angola.

(06)- Jingoma

(07)- Ndandú (Parentesco).

(08)- Cargos dentro do candomblé angola.

(09)- Kizomba kia muvu (festa de ano).

(10)- Rituais de tradição.

(11)- Iandu (Comidas)

(12)- Bebidas.

(13)- Maji (óleo).

(14)- Jinsaba (Folhas).

(15)- Njimbu (Animais quadrúpede).

(16)- Jindemba (Aves).

(17)- Astros/Atmosfera.

(18)- Instrumentos de cortes usado em alguns rituais.

(19)- Singular/Plural.

(20)- Dimi Kimbundu (Vocabulário Kimbundu).

(21)- Indentidade.

(22)- Irima (Frutos).

(23)- Total de paginas.

(24)- Figura do corpo humano.

(25)- Idiandu (membros do corpo humano).

As divindades menos citadas

* Nkukualúnga= O criador da alma.Ele também é patrono do jogo de ngômbo (jogo divinatório de tradição tchôkwe).

* Funzá= divindade que vive solitariamente nas profundezas da terra. (na água).

* Nkôndi= Ascendente da família de nkôsi.Em algumas circunstancias é tido como um espírito vingativo por fazer vingança com as pessoas que fazem falsos, juramentos ou seja que não cumpre com o prometido a ele . é chamado de fetiche (crença nos poderes de estatuetas).Fetichismo (culto de certos objetos inanimados a que se formou a crença de estarem ligados a espíritos a que passam a representa –lo símbológicamente).Tem uma grande ligação com assuntos correspondente a justiça nos tempos antigos ele é quem fazia a ação tipo de um contrato ou cartório as pessoas quando ia vender algo recorria ao seu manipulador para que assim procede-se a ação qual era dessa forma o manipulados do fetichi dava a seu cliente um prego o cliente o rodava o mesmo em seu próprio cabelo e arrancava um punhado e o pregava no nkôndi e assim estava feito o contrato ou jura a partir da li a o comprador passa ater uma divida com nkôndi e se essa não for cumprida poderia o levar até a morte.

* Kasumbenká= Divindade responsável pelo caminho do homem .

* Kalúngangombe= preside no kakulu ( reino dos mortos).O Deus das profundezas do globo terrestre.O juiz dos mortos.Ou seja ele é quem os julga após sua passagem terrena .

* Nzámbi mpúngu= Nome de origem kimbundu cujo quer dizer: (Deus supremo).O poderoso criador de todas as coisas.

* Kiánda= Nome de origem africana cujo quer dizer (sereia).A sereia do reino kongo um espírito com grande ligação com a água.

* Ntôto= Ascendente da família de kavúngu.Divindade ligada a terra.

* Ngongá= Divindade responsável consagrar os pós ritualísticos, sagrados e também da prosperidade e da sorte. Ascendente da família de lembá.

* Ngámba= O guardião dos templos sagrados e religiosos.

* Mutanjinji= Divindade feminina ligada a fauna terrestre. Ela é a esfera do globo terrestre.

* Kuinganga= Responsável de purificar o ser de todas as mazelas adquiridas no decorrer de sua passagem terrestre( sobre a terra ).

sexta-feira, 13 de junho de 2008

Angola e o Candomblé - Texto de Leitor (1)


From: kambóndu ndembu´xi




CONTEUDO DESTA APOSTILA

(01)- Mahámba (Divindades de culto tradicional).

(02)- As divindades menos citadas.

(03)- Dizúngu Nlúngu (Ordem de barco).

(04)- Kituminu (Obrigação).

(05)- Dialetos usados dentro das casas de candomblé angola.

(06)- Jingoma

(07)- Ndandú (Parentesco).

(08)- Cargos dentro do candomblé angola.

(09)- Kizomba kia muvu (festa de ano).

(10)- Rituais de tradição.

(11)- Iandu (Comidas)

(12)- Bebidas.

(13)- Maji (óleo).

(14)- Jinsaba (Folhas).

(15)- Njimbu (Animais quadrúpede).

(16)- Jindemba (Aves).

(17)- Astros/Atmosfera.

(18)- Instrumentos de cortes usado em alguns rituais.

(19)- Singular/Plural.

(20)- Dimi Kimbundu (Vocabulário Kimbundu).

(21)- Indentidade.

(22)- Irima (Frutos).

(23)- Total de paginas.

(24)- Figura do corpo humano.

(25)- Idiandu (membros do corpo humano).

(Mahámba) Divindades de culto tradicional.

*Pambu-nzíla

O senhor dos caminhos,ruas e encruzilhadas o mensageiro mais próximo ao homem acredita-se que ele já viveu entre nós seres –humanos é o senhor protetor das jinzó(casas). As pessoas quando vai envia-lo a rua diz ''vou despachar'' mais essa não é a palavra correta para se dizer.

O correto seria dizer ''vou enviar ngamba(guardião) a rua para nos proteger bagunça, confusão, dos inimigos, espíritos zombeteiros e tudo referente a maldade. Ele não é despachado, mais sim é enviado a rua para desviar as coisas ruins e nos trazer coisas boas como: bons filhos,bons clientes,boas pessoas para ser assistente do nosso candomblé e também nos ajudar para que o candomblé comece e termine com muita paz e harmonia.

* Nkôsi

O senhor da guerra como todas a divindades Abántu cada um deles tem suas funções como: Xauê= divindade patrono dos guerreiros, Mukumbi= divindade ligada a agricultura, Nangê= um hámba ferreiro e Gongo Mugongo= divindade caçador mora no fundo das matas.

* Mutakálambo

A divindade da caça mora no lado obscuro das matas, no centro onde nem mesmo o sol pode alcançar-lo pela quantidade de arvores que cobre. Ele é o vigia do escuro.

* Katendê

A divindade das jinsabas (folhas).

* Nzázi

Divindade ligada ao raio, segundo a mitologia ele é o próprio raio kongo. Kiluminu= divindade ligada aos trovões.

* Nsúmbu

O espírito protetor da sorte ,Kingóngo a divindade das pestes e outros tipos de doenças.

* Kitémbu

Divindade do ar dos ventos. Atua no tempo nas casas de angola ele é representado por uma bandeira branca. Também é atuante na cura.

* Zumbá

Atua nas menha ma vuzuka ( águas turvas) dos pântanos.

* Hongolô

A divindade da menha (água) e também do arco- íris.

* Nzingalumbóndu

Atua sobre os astros (designação comum a todos os corpos do celestes).

* Kaiángo

Divindade com grande ligação com os espíritos.

* Nvúnji

Divindade feminina atuante no útero materno com exceção da maku (menstruação).E também tem a ver com assuntos ligados a justiça.

* Teleku-mpénsu

Divindade da pesca e da caça. E também os protege.

* Ndanda-lúnda

Divindade da menha matôme(água potável)age no brotar das(jindanji) raízes.

* Kuku´etu

A divindade agente nas menha ma lulu(águas salgadas)do mar.

* Lembá

O Deus do nascimento. A divindade da procriação.

quinta-feira, 24 de abril de 2008

Circuncisão na cultura Umbundu

Angola é um país formado por vários grupos etnolinguísticos, nomeadamente os Ovimbundu, Ambundu, Herero, Cokwe, Ovangangela, entre outros, onde cada um possui a sua cultura, tradição, mitos, organização social e política e, fundamentalmente, a sua língua de comunicação.
Entre a diversidade cultural existente, vamos nos debruçar sobre a circuncisão nos Ovimbundu (povos que habitam maioritariamente às províncias do Huambo, Bié,Benguela, Kwanza-Sul) cuja língua de comunicação é o Umbundu.
Devido aos conflitos armados, alguns destes povos – um mal que não poupou todos os subgrupos etnolinguísticos que povoam Angola – só agora estão a retornar e a recompor as suas zonas de origem, isto é, as aldeias ou sanzalas.
O trajecto forçado de alguns destes povos em consequência da procura de sossego e segurança assim como de melhores condições de subsistência, trouxe a vários pontos da província da Huíla, povos dos grupos etnolinguísticos acima referenciados. Um facto tido também como responsável por vários cruzamentos entre os vários povos do país, acto, que no entender de peritos, não foi mau para a sociedade.
Neste contexto, dentre os vários anciãos com quem o autor destas linhas conversou sobre a circuncisão, a referência vai para Francisco Wospindi, Alfredo Tjiamba Cola e Jaime Chiloya. Os encontrámos na loca-lidade do Cusse e na vila do município de Caconda, localizados a 240 e 235 quilómetros, respectivamente, a norte da cidade do Lubango.
Eles são naturais da província do Huambo e, por razões do conflito armado passado, confinaram-se há 10 anos, numa povoação do Cusse. Francisco Wospindi, 95 anos, e Alfredo Tjiamba, 80 anos, já se familiarizaram com a área, onde vivem com os filhos, noras, genros, netos e bisnetos.
Os dois anciãos com aparências de bons contadores de histórias, apesar de algo os escapar da memória, talvez pela idade ou por não praticarem na sua plenitude todos os actos, esmiuçaram dados relevantes e tipicamente tradicional da cultura dos povos Umbundu.
Wospindi explica que a palavra circuncisão na sua língua tradicional, denomina-se por “Evamba ou Ekwendje” dependendo das áreas e, é uma prática sagrada e obrigatória. Trata-se de um rito que serve de transição da infância para a adolescência.
Normalmente realiza-se o acto na época do Cacimbo, precisamente nos meses de Junho, Julho e Agosto de cada ano, por ser uma época friorenta por facilitar a cura das feridas que surgem após o corte.
Um contacto prévio é feito com os pais ou tutores das crianças. Posteriormente, cada família selecciona os rapazes em condições de partir e, depois todos juntos numa semi-caravana rumam à mata, num local já preparado que fica a dez ou mais quilómetros da zona habitada.
Por regra, o local escolhido possui um riacho próximo. O recinto que vai albergar os garotos designa-se por “Otjilombo”. Cada criança faz-se acompanhar do seu farnel que entregará ao seu tutor “Onawa” com habilidades para solucionar todas as questões durante o período de circuncisão que por norma dura 90 dias.
No dia “D”, os pacientes são levados um a um para um lugar específico onde lhes será subtraído a ponta do prepúcio “Utue” a sangue frio. Os mestres “Otjilue” orientam aos “Onawa” para tocar batuques, apitos e canções com o propósito de impedir que os gritos sejam captados pelos outros que aguardam pela sua vez.
Tjiamba argumenta que no local da “Evamba” ficam em média acampados 25 a 30 crianças. E a chamada para o corte segue as idades. Primeiro, os de menor idade, por considerarem de mais fácil e, seguem os mais complicados, os adultos. Complicados porque as feridas demoram a curar. É nos períodos nocturnos que as coisas se tornam difíceis: “Kakuli okupekela” (Não há dormir).
As trevas são enganadas com as canções tradicionais, os batuques e as danças dos palhaços à volta duma grande fogueira. Os “Tjindanda”, pessoas recém-circuncisadas, deitados em várias esteiras postas ao relento, permanecem com o tronco nu até a cura das feridas. Eles levantam-se de madrugada e mergulham no rio onde ficam das 4 às 6 horas.
Os garotos que registarem melhoras rá-pidas são ensinados de imediato a pequena caça para exercitar o corpo e trazer alguns bichos como ratos, toupeiras, perdizes e outros alimentos. Após os 13 dias segue-se os ensinamentos doutrinários caracterizados por dança, manejo do batuque e seu fabrico, tecelagem de sisal para compor um palhaço, seus respectivos nomes e objectivos de cada um.
Neste período, aprende-se algumas magias como “Alumbo”, uma arte de enfeitiçar ou matar mesmo alguém. Ainda aprende-se o código de identificação pessoal para descobrir quem é circuncidado “Otjilombola” e quem ainda não o fez “Otjilima”. Os palhaços de maior categoria que desfilam no termo da circuncisão ou nos festejos do mesmo nome são “Bumba, Kasinhôla, Katjilala, Ngulu Kutinã”. Todos esses palhaços subordinavam-se ao grande “Bwangungu”.
No dia da saída da “Evamba”, estes perfilam-se com um chicote de folhas de bananeira ou de pele de gado na mão e vão dando chicotadas aos “Tjindanda” que passam entre as pernas dos mesmos. Depois deste acto, começa a marcha de volta à sanzala e os “Kesongo” (cicerones) levam o grupo para as suas respectivas casas seguindo-se de um coro que enlouquece os palhaços. Neste caso, os pais preparam bebidas tradicionais como “Walende” aguardente, “Tjimbombo” cerveja tradicional, “Idromelo” e outras. Quando todos os “Tjindanda” forem distribuídos às suas casas no mesmo instante prepara-se a grande festa de encerramento que, como é de costume, sucede num campo onde todos os familiares juntam os alimentos (canjica), carne assada, pirão, gindungo, assim como bebidas acima referenciadas. Esta festa vai até às 4 da madrugada onde os palhaços ao aproximar-se desta hora se retiram um a um, sem dar nas vistas.
As mortes na “Evamba”
No “Otjilombo”, nos dias que antecedem o regresso à sanzala, antigamente, era sacrificada a vida do jovem que apresentasse um comportamento indecoroso aos mais velhos ou que se mostrasse durante as actividades de muito lento. Quando chegassem à aldeia os pais da vítima eram cobertos com uma esteira significando que o seu filho tinha morrido.
Os pais que ousassem reclamar pelo filho, teriam futuramente problemas graves. O “Otjilue” encarregava-se de praguejar a família. E, caso não pedissem desculpas a tempo acabariam também por morrer. Os casos de morte foram abolidos com a intervenção da Igreja Católica. Este processo levou muito tempo para ser banido, visto que, só nos anos 76 é que esta pratica desapareceu.
Velho Jaime revelou por exemplo a morte de Tjambala Kasinda que foi sa­cri­ficado por manifestar atitudes que irritaram os “Seculos” (autoridades tradicionais) no acto da “Evamba”. “Os outros Tjindanda foram orientados a colocar “Viemba” (medicamentos) na cadeira do jovem e quando ele sentou, contraiu o mal posto no assento. Durante muito tempo ele só urinava sangue até morrer”.
Por: Estanislau Costa
Fonte: www.huambodigital.com

Pensar e Falar Angola

sábado, 1 de março de 2008

Senhora da Muxima

A imagem de Nossa Senhora da Conceição, mais conhecida como Senhora da Muxima, é uma das mais veneradas e de maior devoção popular em Angola. Vários são os testemunhos transmitidos por padres sobre a devoção do povo a Senhora da Muxima. O cónego Gericota, pároco da Igreja da Muxima no passado século, afirmava que: "....é extraordinária a devoção a Nossa Senhora da Muxima, por parte das pessoas, e até de gentios. Continuava dizendo que se faziam muitas ofertas, desde objectos de ouro, prata, velas, cera, galinhas, óleo de palma, azeite, amendoim e espigas de milho.

A forma como a senhora da Muxima é venerada, assume aspectos interessantes, no quadro de um sincretismo entre as tradições Africanas e católicas.

As mulheres são as maiores devotas, mas os homens também acorrem com muita frequência.

Fazem-se pedidos para alcançar a fertilidade, ter sucesso, amor, fortuna, curar de doenças especialmente doenças mentais.

Para cada pedido, reza-se de uma forma, para pedir amor é de outra forma, ou seja, conforme o pedido assim é a reza.

Os crentes conversam com a imagem da Santa como se de uma pessoa intima se tratasse, chegando a altercar, ralhar, disparatar, quando os seus pedidos não são atendidos.

Chegam a mandar bilhetes, cartas, requerimentos com pedidos para serem atendidos aqueles que não se podem lá deslocar, ou achem que os seus assuntos são sigilosos que não podem ser revelados a ninguém, a não ser a Santa. A imagem da Senhora da Muxima, está na Igreja Católica de Nossa Senhora da Muxima na vila da Muxima, província do Bengo a 130 quilómetros de Luanda a capital de Angola.

Em língua Kimbundo a palavra Muxima significa coração.

Foi-lhe atribuído esse nome, devido à sua localização "situada no meio da província, à beira do rio kwanza".

A festa em homenagem à Senhora da Muxima realiza-se a 8 de Dezembro, desde 1833.

Pela sua importância e significado histórico, a Igreja da Nossa Senhora da Muxima, foi considerada monumento nacional em 1924.

Quando da ocupação de Luanda pelos Holandeses (1641-1648), a imagem da Senhora da Muxima, foi levada para a vila de Massangano. Num dos combates, os Holandeses apoderaram-se da imagem da Santa. Depois de retomada Luanda, em 1648, a imagem foi trazida para Luanda, onde dois moradores da vila da Muxima a reconheceram, quando estava a ser restaurada e levaram-na de volta para a sua Igreja de Origem.

Fonte: Paróquias de Portugal


Pensar e Falar Angola

RITA GT em Viana do Castelo

https://youtube.com/shorts/qZkb4CfXTZQ?si=3K65JJEr5VQqsZZS Ao longo dos últimos dois anos tive a oportunidade de desenvolver “8”, uma obra d...