
quarta-feira, 25 de junho de 2008
terça-feira, 24 de junho de 2008
segunda-feira, 23 de junho de 2008
Escritores Angolanos - Kudijimbe

Doenças tropicais II
A ciência médica foi uma das que mais contribuiu no processo de expansão colonial e pós-colonial para os trópicos. As ditas doenças tropicais representavam uma ameaça para os povos dos países que pretendiam se estabelecer nas colônias ultramar. No século XIX médicos europeus investiam em transformar os trópicos em locais habitáveis para os colonizadores brancos europeus e, ao mesmo tempo, garantir a saúde da mão-de-obra escrava das colónias, essencial ao sucesso da colonização.
Pensar e Falar Angola
Angola em fotos.



Nesta rubrica "Visitando Blogues" temos agora a ocasião de conhecer um blogue que nos visita a nós. Chama-se Angola em Fotos e é um belo olhar de um irmão brasileiro que nos concede a honra da sua estada em Angola e de ir apontando a sua câmera fotográfica com uma precisão e equilíbrio de embelezar as ruas de um cotidiano que é meu.
Bonito ver assim.
Obrigado seu Iraldo!
Pensar e Falar Angola
domingo, 22 de junho de 2008
Doenças tropicais I

A expressão doenças tropicais, ou exóticas, causou, e ainda causa, muita polêmica no meio científico. Várias pesquisas e artigos foram produzidos para mostrar que o termo traduzia um preconceito dos colonizadores europeus em relação ao clima e aos povos que habitavam os trópicos. “A denominação tropical ou exótica era um artifício classificatório que sintetizava, para além das doenças e do clima, um valor cultural incorporado historicamente na mentalidade do europeu”, analisa Marli Brito Moreira de Albuquerque Navarro, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).
As associações entre clima-doença e raça-doença, não resistiram aos argumentos historiográficos e biomédicos. A malária, por exemplo, conhecida como “doença tropical por excelência”, foi uma epidemia que abateu a Inglaterra entre os anos de 1887 e 1922 sendo este um dos primeiros países da Europa a criar institutos de pesquisa na área de medicina tropical. A varíola, embora hoje esteja distribuída pelas regiões tropicais, arrasou a Europa há muitos séculos atrás. A amebíase foi verificada na Rússia, a peste, a cólera e outras doenças resurgem e ameaçam populações em termos globais. Por outro lado, a doença do sono é endêmica na África tropical, nunca tendo se estabelecido em outros países dos trópicos.
Actualmente, não há consenso sobre quais são as doenças tropicais e quais os critérios se deve usar para classificá-las dentro dessa categoria. Há uma tendência de se pensar que são poucas as doenças exclusivas dos trópicos e que nenhum fator, dos muitos que causam as doenças, pode ser determinante exclusivo dessas enfermidades. O clima e a distribuição geográfica das doenças ainda são relevantes, mas em geral aparecem associados à pobreza. Esse novo critério introduziu no rol das doenças tropicais a tuberculose e aids, por exemplo. Mas pesquisadores ressaltam para os riscos de se passar de um determinismo climático e racial, que marcou a origem da definição de doenças tropicais, para um determinismo socioeconômico.
Expressão “doenças tropicais” marca preconceito contra clima e povos dos trópicos
A definição de doenças tropicais, exóticas ou do estrangeiro está intimamente relacionada aos processos de colonização da África, Ásia e América e à expansão pós-colonial. Durante vários séculos, existiu entre os europeus uma forte associação entre o clima tropical, quente e úmido e a contaminação com doenças. Maria Eugenia M. Costa Ferreira, do Departamento de Geografia da Universidade Federal de Maringá (Ufem), no artigo “Doenças tropicais: o clima e a saúde coletiva - alterações climáticas e a ocorrência de malária na área de influência do reservatório de Itaipu, PR” , analisa que a associação entre clima e doença era tamanha que os colonizadores europeus passavam férias em terras mais elevadas da América tropical, África tropical e norte da Índia para evitar a contaminação com tais doenças. A colônia holandesa do Cabo da Boa Esperança era preferida para paragem dos navios europeus no sul da África devido ao seu clima temperado. No Brasil, quando chegava o verão, o imperador se instalava em Petrópolis, Rio de Janeiro.
Diversos estudos feitos nos séculos XIX e inícios do XX pretendiam confirmar a associação entre clima e doença. Uma das conseqüências da hipótese climática foi o surgimento de vários preconceitos contra os povos da zona tropical evidenciados, por exemplo, na obra de Ellsworth Huntington, Civilization and climate, que ficou famosa por defender a idéia de que o calor tornava os habitantes dos trópicos preguiçosos, impedia os homens de raciocinar e era a causa de todas as doenças.
As teorias raciais radicais ganharam espaço nos EUA e Europa e o foco no clima e na herança racial como fatores que facilitavam a transmissão de doenças ficou conhecido como “determinismo climático e racial”. Sandra Caponi, do Departamento de Saúde Pública da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), explica que “o pessimismo climático situava o estrangeiro, ou nativo das colônias, como ‘o outro’ por excelência. Tudo nas colônias parecia poder ser definido por suas diferenças: de clima, de cultura, de fauna, de costumes e, fundamentalmente, de raças. Restava saber se a raça européia branca poderia habitar ou não as regiões tropicais”.
http://www.comciencia.br/
Pensar e Falar Angola
(19) Ágora - Todo o poder abusa, o poder absoluto abusa absolutamente (Maio de 68 - II)
1968 foi um ano em que as coisas foram acontecendo um pouco por todas as latitudes, e a mudança foi sendo sentida nalguns lugares .Milão, Dakar, Tóquio, Nova York e tantas cidades pelo mundo inteiro viram os estudantes ocupar escolas, barricarem-se nas ruas, manifestarem-se e desafiarem os poderes instituídos e as suas forças da ordem. Era um afã de liberdade, e de afirmação do querer valores novos, contra a ancilosada sociedade que os impedia de participarem num mundo, onde se recusavam a ser apenas observadores passivos. No México, onde se realizaram os mais polémicos Jogos Olímpicos da história, precisamente em 1968, os estudantes tiveram por parte da polícia o mesmo tratamento desbragado que os seus colegas de Cracóvia e São Paulo.A contestação generalizou-se, e ainda hoje subsistem interrogações à forma como tudo se iniciou, já que tudo foi irrompendo um pouco de forma espontânea, e de certa forma algo desorganizada segundo o que era padronizado pelas organizações políticas.Os estudantes, na sua esmagadora maioria filhos da burguesia, numa antecâmara para o mundo do trabalho, foram os “catalisadores” de uma irrupção que nenhum manual político de Marx, Lenine, Gramsci, Togliatti, Max Weber, Bernestein, e tantos outros se atreveram a prognosticar. Emerge em todo este movimento o filósofo alemão Herbert Marcuse, um seguidor de Feud, com algumas ligações a Heidegger e Husserl, e que defende o primado de uma sociedade não repressiva, fundada sobre o princípio do prazer.O existencialismo( Sartre aparece numa foto sentado num bidon, numa barricada no Quartier Latin) é uma corrente do pensamento muito acolhida pelos estudantes. A penetração do trotsquismo numa determinada fase das movimentações, com a participação já de multidões de trabalhadores, começam a preocupar alguns partidos mais à esquerda no espectro político francês institucional, nomeadamente o PCF, e o seu secretário geral Duclos, que assume uma posição algo dúbia o que enfurece o radicalismo dos estudantes. Era frequente ver-se Alain Krivine, o homem da 4ª Internacional (trotsquista) nas “sessões contínuas “ de discussão na Sorbonne, universidade que foi o centro nevrálgico de todos essa primavera onde tudo se discutia e onde tudo tinha de ser possível, até mesmo dar importâncias a frases tão simples como esta: “Tenho algo a dizer, mas não sei o quê”!Ainda sobre Sartre, é curioso recordar uma cena que demonstra cabalmente o que foram aqueles tempos, em que ele pede para falar num plenário e uma rapariga de vinte anos diz-lhe: “Sê rápido”!O Maio de 1968, para além das vicissitudes que hoje são recordações distantes, foi um factor de ruptura determinante, uma recusa de valores encardidos, e a assunção de uma nova forma de pensar e agir, mormente ao nível dos costumes, e na busca de valores diferentes que o código moral da tradição judaico-cristã impunha nas relações pessoais, de trabalho, sociais, políticas e de cidadania. Foi a rotura com um contemporâneo “Ancien Régime”. Fernando Pereira
sábado, 21 de junho de 2008
Frank K. Lundangi.



Franck K. Lundangi (b. 1958, Maquela do Zombo, Angola) vive e trabalha em Paris, França. Ele cresceu na República Democrática do Congo [ex-Zaire]. Uma carreira como jogador profissional de futebol progressivamente o levou para a França. Inspirado por suas memórias de África que começou a desenhar e pintar. Lundangi imagens mostram um imaginário da África, onde as pessoas e os animais vivem em harmonia. Símbolos e elementos decorativos são entrelaçados com simplesmente tornado dados.


* Frank K. Lundangi
sexta-feira, 20 de junho de 2008
Angolanos no 'Transorientale Rallye'

Ayaguz - Karamay 20/06 : Etape 9
Karamay - Turfan 21/06 : Etape 10
- 22/06 : Journée de repos à Turfan
Turfan - Hami 23/06 : Etape 12
Hami - Quinguan 24/06 : Etape 13
Quinguan - Alxa Youqi 25/06 : Etape 14
Alxa Youqi - Bayan Hot 26/06 : Etape 15
Bayan Hot - Hohhot 27/06 : Etape 16
Hohhot - Pékin 28/06 : Arrivé à Pékin - Grande Muraille de Chine
Dia Mundial do Refugiado
Comemora-se hoje, dia 20 de Junho, o Dia Mundial do Refugiado, criado em 2001 por meio de uma resolução da Assembléia Geral da ONU.O refugiado é uma pessoa que foge de condições opressivas ou perigosas existentes no seu país de origem e procura asilo num país estrangeiro. Não pode ou não quer regressar por motivos fundados de perseguição por causa da etnia, raça, da religião, da nacionalidade, da pertença a determinado grupo social ou das opiniões políticas. E também não pode se valer da protecção do governo do seu país de origem.
O expatriado é, em princípio e por princípio, um desenraizado que, longe do seu meio incluindo o familiar, tem à partida enormes limitações para se poder afirmar e se integrar.
A Convenção da ONU para Refugiados foi assinada há quase 50 anos, e a organização criou o dia para lembrar os milhões de pessoas no mundo inteiro que tiveram que cruzar a fronteira para escapar de perseguições, guerras ou desastres. Não se pode ignorar o facto de que cerca de 2/3 da população mundial vive na pobreza, e que a miséria extrema é um substrato para actos de intolerância, totalitarismo e guerra.
Pensar e Falar Angola
quinta-feira, 19 de junho de 2008
EKAS
PRÉ-CAMPANHA Política - Texto de Leitor
Da responsabilidade de:
Francisco Lopes
2008/06/19 14:55
Subject: Enc: Cartas do Presidente
À consciência da imprensa
CONTRIBUA PARA A EDUCAÇÃO CÍVICA ELEITORAL. Publique este anúncio no seu jornal, site de internetou rádio Estimule os cidadãos angolanos a participarem na democracia.
Filomeno Vieira Lopes
DIREITO DO ELEITOR
TODO O CIDADÃO REGISTADO TEM O DIREITO A PROPOR A CANDIDATURA DE UM OU MAIS PARTIDOS POLÍTICOS PARA CONCORRER AS ELEIÇÕES LEGISLATIVAS DE SETEMBRO DE 2008.
ARTº 62º DA LEI ELEITORAL
"2. Os Partidos Políticos ou coligações de partidos devem obrigatoriamente concorrer em todos os círculos eleitorais, devendo as listas ser suportadas para o círculo nacional por 5.000 a 5.500 eleitores e para os círculos provinciais, por 500 a 550 eleitores"
A LEI CASTIGA QUEM IMPEDE OS CIDADÃOS DE EXERCEREM OS SEUS DIREITOS
Alguns Factos mostram que estamos perante uma actuação sistemática para impedir que os cidadãos subscrevam listas de candidatos dos partidos políticos
- O CNE não fez nenhuma educação cívica sobre o direito do eleitor ser proponente
- O CNE não sabe até hoje como deve ser entregue o processo de assinaturas. O seu presidente disse a uma delegação da FpD que instou o TS sobre o assunto e que este passará o caso para o novel TC. A FpD escreveu sobre o assunto para o TS, o Primeiro Ministro e o Pr da Assembleia Nacional, mas não recebeu qualquer resposta.
- Observam-se prisões de membros dos partidos políticos quando se encontram a sensibilizar os cidadãos para o exercício desse direito, nomeadamente, militantes da FpD no Kuanza Norte, do PLD e PAJOCA (no kuanza Sul)
- Há agentes da Sinfo a dizerem que as assinaturas só podem ser recolhidas no interior dos partidos políticos (Cabinda à militantes da FpD)
- O Governador Boavida Neto afirmou em comicio no Namibe esta semana que os eleitores não devem entregar os seus cartões para registo dos partidos, porque o povo todo é do seu partido
- O Governador de Malange ameaçou os partidos que reunem a noite, como se isto fosse crime. Acontece que os ataques e ameaças em Malange é durante a noite.
- 2 militantes da FpD foram violentamente agredidos em Malange quando estavam a coligir dados sobre as assinaturas. Todo o material foi roubado bem como o equipamento que se encontrava no local. (As autoridades de investigação mostram pouco interesse em abordar o caso) – ver fotos
- As empresas fotocopiadoras em várias cidades foram proibidas de tirar fotocopias de cartões eleitorais
- O Mpla e várias instituições do estado fizeram fotocopias do cartão ou solicitaram o numero e grupo dos eleitores antes mesmo de acabar a 1ª fase do registo. Muitos dos eleitores não sabe para que efeito foi o pedido.
- Nenhuma entidade com interferência nesse processo já se referiu aos problemas que a subscrição está a provocar, explicando a natureza do direito do eleitor
FIM
(editadas 3 cartas)
quarta-feira, 18 de junho de 2008
FACTOS E FICÇÕES - Opinião de Ana Paula Santana
O facto de eu não falar fluentemente qualquer dessas línguas, longe de me tornar culturalmente “crioula”, apenas me provoca um enorme sentimento de perca, de mutilação, e uma vontade perene não só de as aprender devidamente, mas também de contribuir para a minimização dos irreparáveis danos psicológicos causados em muitos de nós por uma esquizofrénica agenda ideológica (a grande ficção mitológica lusotropicalista), ao serviço de um antropofágico projecto de engenharia sócio-cultural, velho de quinhentos anos e sem qualquer paralelo no mundo civilizado que, quanto muito, terá conseguido criar alguns exímios praticantes do impressivo, mas de questionável honestidade intelectual, ofício do “vulturismo cultural” (i.e., a apropriação de simbologias e narrativas antropológicas, sociológicas ou rituais Africanas, para seu uso e abuso como instrumentos, máscaras, de legitimação cultural de discursos artístico-literários raramente condicentes com as experiências vivenciais, as convicções político-ideológicas, as preferências estéticas, ou a praxis social, passada ou presente, dos seus autores).
A minha pátria é um compósito de todos os sentimentos, experiências, lugares e comunidades de convicção, dúvida ou contestação com que a minha personalidade me leva a sentir identificada, que me estimulam a questionar o mundo que me rodeia, ou que validam a disposição psicológica com que me decido a aceitar, ou a rejeitar, visões do mundo diferentes da minha. E sinto-me gratificada por os ter encontrado expressos em várias línguas e em várias partes do mundo, desde a Damba do Uíge, ao Mazozo de Catete, à Xicala e ao Mussulo (infelizmente feridos de morte) de Luanda, ao Lubango da Huíla, à Baía das Pipas do Namibe e a vários outros lugares dentro das fronteiras geográficas de Angola e fora delas.
A minha pátria, encontro-a todos os dias na área em que vivo: nas minhas caminhadas pelo Primrose Hill, passando pela casa onde viveu Engels, na casa-museu de Freud em Hampstead, na biblioteca de Euston onde Marx escreveu o ‘Capital’ e onde encontrei exemplares das primeiras edições da ‘Teoria dos Sentimentos Morais’ e da ‘Riqueza das Nações’ de Adam Smith, na casa-museu de Dickens em Russel Square, ao lado da qual tive a minha primeira morada nesta cidade, na casa onde viveu Keynes em Bloomsbury, onde frequentei uma série de workshops sobre o mercado de trabalho britânico, ou na LSE onde encontrei respostas para muitas das perguntas fundamentais que vinha acumulando ao longo dos anos. A minha pátria encontrei-a no Barbican ao som do Manu Dibango, da Cesária Evora, do Waldemar Bastos, da Suzana Baca e da Dee Dee Bridgewater, ou no Jazz Café ao som, entre outros, do Gil Scott-Heron. Encontro-a nas cores, sons, sabores e odores do Camden Lock, do mercado de Brixton e do África Center em Covent Garden – que me sugere uma das formas em que se poderia preservar o legado histórico do Kinaxixi, zona em que estudei na minha infância e onde vivi e trabalhei durante vários anos, sem se sucumbir aos desígnios unidimensionais de certo investimento privado e dele se exigindo contrapartidas, quer para as pessoas que trabalharam durante décadas naquele mercado, que é um activo nacional, quer para a área circundante (por exemplo, completar a construção daquele prédio que já reclamou muitas vidas ali no largo e resolver o problema sanitário e ambiental que a lagoa constitui, sem lhe retirar, contudo, os componentes míticos que povoam o nosso imaginário).
A minha pátria, encontrei-a nos sons do gospel na igreja do Harlem que visitei numa manhã de domingo em Nova Iorque, à conversa com o mulato caribenho com quem joguei uma partida de xadrez no Dupont Circle em Washington, nas notas do Soweto String Quartet que ouvi em Joanesburgo, nos cânticos Umbundo, na música do Bonga, do Carlos Santana, do Franco, do Brel, do David Zé, do Dog Murras, do Ngola Ritmos, do Teta Lando e dos Khoisan do Kalahari, ou nas obras de Césaire, Mário Pinto de Andrade, Soyinka, Toni Morrison, Orwell, Picasso ou Renoir. Encontrei-a nas vastidões áridas do Botswana, nas montanhas sagradas do Lesotho e da Swazilândia, no nascer do sol em Maputo, no pôr do sol sobre a baía de Luanda, nas noites do Mindelo, nos Sonhos do Kurosawa, nos Joints do Spike Lee e nos Segredos do Mike Leigh. Encontrei-a ao longo das margens do Kwanza, do Sena, do Tamisa e do Tejo; no Coliseu dos Recreios ao som da Bethânia, do Miles Davis e do Herbie Hancock, no estádio de Alvalade ao som dos Pink Floyd, no Campo Pequeno ao som do Milton Nascimento e do Pat Matheney, no Centro Cultural de Belém ao som do Sony Rollins, na Gulbenkian ao som de Mozart e Beethovan, ou nos Jerónimos ao som dos Blind Boys of Alabama.
A língua portuguesa, apesar da sua riqueza semântica e do seu valor utilitário, difícilmente poderá expressar, porque não contém a totalidade nem a exclusividade dos seus significantes primaciais, a essência dos sonhos que teci em todos esses lugares, sugeridos por impulsos seminais, velhos de muitos milhares de anos (de facto, na origem da própria Humanidade) e espalhados por todo o mundo, que em mim foram impregnados pelos meus ascendentes Bantu, a quem a língua de Camões foi violentamente imposta e a qual eles souberam usar e subverter por forma a preservarem a sua identidade cultural em qualquer língua e ao longo de muitas gerações – suponho que seja essa a razão fundamental pela qual não existe uma língua crioula em Angola.
Lamento, mas não posso subscrever a afirmação de Pessoa, segundo a qual “não tenho sentimento nenhum político ou social. Tenho, porém, num sentido, um alto sentimento patriótico. Minha pátria (sic) é a língua portuguesa.” Mas talvez me identifique com a ‘Nota Pessoal’ de Herberto Hélder: ”(...) quando alguém mostra a visibilidade do mito acha-se ao serviço de pretextos (... qualquer coisa tirada de passagem à Cultura) para, com seu uso, desencadear a explosão mítica. (...) Só não percebe quem vive mergulhado na cultura. Talvez se perceba numa certa África ainda. (...) Estou no mundo, a esquizofrenia fica longe, na cultura.”
Resta-me dizer que a minha mátria é Angola, nação Africana de língua oficial, não de expressão cultural, portuguesa.
(Publicado no SA - Luanda, Julho de 2002)
http://koluki.blogspot.com/
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terça-feira, 17 de junho de 2008
segunda-feira, 16 de junho de 2008
O Grande Prémio de Conto "Camilo Castelo Branco"
O homem que não quis o maoísmo para África - Texto de Leitor
Moisés Fernandes fala do livro sobre o político e poeta Viriato da CruzFigura política e histórica de suma importância, Viriato da Cruz foi um dos fundadores do Movimento Pela Libertação de Angola (MPLA). Exilado na China em plena Revolução Cultural, foi apoiado pelas autoridades até ao dia em que afirmou que seria impossível levar o movimento maoísta para África.
In http://www.hojemacau.com/news.phtml?today=09-06-2008&type=culture
Hoje Macau de 9 de Junho de 2008
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bibicrete
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A Opinião de Luis Kandjimbo - Ageração Literária de 80
Grande parte dos autores pertencentes a esta geração nasceu no período compreendido entre 1955 e 1965, durante o qual ocorreram factos de relevância histórica e sociológica. É o período das independências políticas em África e da continuação das resistências contra o colonialismo, através da luta armada, como são os casos de Angola, Guiné Bissau, Moçambique.(…)É nesse ambiente que ocorre a socialização da Geração de 80, a que denomino por Geração das Incertezas. Ela realiza a sua formação em circunstâncias marcadas por profundas incertezas do ponto de vista ontológico, além das experiências graves e catastróficas como a guerra. Esta geração alcança a maturidade em fins da década de 70, afirma-se na década de 80 com a publicação de livros, participação em concursos literários, a que se junta uma intensa e eufórica actividade associativa nos principais centros urbanos de Angola.
https://share.acrobat.com/adc/adc.do?docid=b977d4cc-d995-4a62-b4a6-e885b9190412
by http://koluki.blogspot.com/
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RITA GT em Viana do Castelo
https://youtube.com/shorts/qZkb4CfXTZQ?si=3K65JJEr5VQqsZZS Ao longo dos últimos dois anos tive a oportunidade de desenvolver “8”, uma obra d...
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Por que tenho de explicar o que minha alma sente quando meus olhos vêem as sombras calmas sobre a rua, das árvores da terra da casa, al...
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ELOGIO FUNEBRE Elaborado pela família de JOÃO BAPTISTA DE CASTRO VIEIRA LOPES Como assumiu [i] em vida, JOÃO VIEIRA LOPES, vi...
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Luanda (ANGOP - 13.06.2011) - O director regional da OMS para África, o angolano Luis Gomes Sambo, alertou haver muito a fazer para a dis...




