A Efeméride Nacional

11 DE NOVEMBRO DE 1975

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Nova Baía de Luanda concluída em 2012

Nova Baía de Luanda concluída em 2012

O projecto de requalificação da Baía de Luanda, cuja construção está a cargo do consórcio Mota Engil/ Soares da Costa, vai ser apresentado 'definitivamente' aos luandenses e angolanos, no geral, em Maio ou Junho de 2012, altura em que se prevê a conclusão da sua segunda fase.
Dividido em duas partes, a requalificação abrange uma primeira intervenção na área marítima da baía, com a limpeza e alargamento da drenagem da Marginal, e na área terrestre a construção de vias e espaços de lazer.
O troço entre o então Largo do Bailezão e a entrada da Chicala e Ilha de Luanda (propriamente nas imediações do local onde será erguido uma subestação de energia) compreende apenas a primeira fase, de acordo com os responsáveis da Sociedade Baía de Luanda, proprietária da obra. E a segunda fase abarca ex-Bailezão e o largo 17 de Setembro.
As obras terrestres vão permitir a construção de uma via com 3.1 km, com seis faixas de rodagem, a construção de uma ponte com ligação à Ilha de Luanda (ver espaço Nova Angola, página 28), a criação de 127 mil metros quadrados de zonas verdes, 106 metros quadrados de áreas pedonais e 1600, limpeza de colectores de esgoto e substituição de equipamentos das subestações.
Miguel Carneiro, porta-voz do projecto Baía de Luanda.
Na prática, segundo apurou O PAÍS através do director de gestão do projecto Baía de Luanda, Miguel Carneiro, o alargamento da via vai ficar de fora da actual estrada entre as avenidas de Amizade Angola- Cuba e 17 de Setembro (defronte ao Porto de Luanda e Hotel President Meridien).

A nova estrada, vai contar com seis faixas de rodagem, de cada lado, segundo os donos do projecto. Já a actual estrada que liga a entrada da Ilha e o Porto de Luanda vai ser transformada em espaço de estacionamento e praça. Serão ainda construídos campos de basquetebol, jogging e espaços infantis.
No primeiro semestre deste ano começam a ser plantadas cerca de quatro mil palmeiras e acácias rubras ao longo da costa marítima. As estruturas onde funcionam, por exemplo, o Banco Nacional de Angola, Banco de Poupança e Crédito, outros bancos privados, universidades e outros edifícios que, em princípio estão 'à beira', estarão no futuro a léguas do mar, que vai ser afastado aproximadamente 64 metros a dentro quando a obra terminar.
Para facilitar os trabalhos, o posto de abastecimento da Marginal vai ser retirado do local onde se encontrada actualmente e um novo vai nascer no local que está entre a entrada da Chi cala e o acesso a Praia do Bispo e Nova Marginal de Luanda.
O novo posto, denominado Fortaleza, entrará em funcionamento entre os meses de Agosto e Setembro deste ano, prevendo-se que seja um dos maiores em Luanda, abastecendo 24carros em simultâneo.
Outra inovação será a abertura de bombas exclusivas para motorizadas.
DESCONTAMINAÇÃO DO MAR

Não vai haver praia, por causa do talude marítimo. Mas a água terá qualidade para tal
Quanto ao mar, neste momento a área técnica do projecto Baía de Luanda alvitra a dragagem de um milhão de metros cúbicos de areias, aterro para o alargamento da Avenida Marginal entre 60 a 70 metros no largo 17 de Setembro e 150 metros junto à fortaleza de São Miguel, actual Museu das Forças Armadas Angolanas (FAA).

Segundo apurámos, nesta altura estão a ser tratados os resíduos que provinham de cinco estações de bombagem da baixa da cidade. A descontaminação passa pela lavagem da areia contaminada, onde durante cerca de 50 anos foram depositados os dejectos provenientes de vários instituições e imóveis aí situados.
José Manuel Nunes, um dos técnicos que funciona do projecto, conta que diariamente limpam entre 600 e 700 metros cúbicos de areia. Da areia limpa, segundo o supervisor de nacionalidade portuguesa, são retirados as materiais orgânicas e não-orgânicas. As não-orgânicas são sobretudo esferovites, ferros, vidros, latas e pedras que durante décadas foram depositadas ao longo da baía, fruto dos resíduos depositados por banhistas, pescadores e outros provenientes dos esgotos.
Serão ainda construídos campos de basquetebol, jogging e espaços infantis. No primeiro semestre deste ano começam a ser plantadas cerca de quatro mil palmeiras e acácias rubras ao longo da costa marítima.
Esses resíduos têm como destino final o aterro sanitário dos Mulenvos, em Cacuaco. Quanto ao material orgânico, segundo apurámos, é encaminhada para o alto mar através de um "pipeline" de dois quilómetros de distância, para dar nova vida ao ecossistema.

"Prevemos terminar com a limpeza da água entre Agosto e Setembro do próximo ano", disse José Nunes, ao lado da máquina proveniente da Bélgica, que efectua a separação entre a água com o cheiro nauseabundo, a areia e os meios não orgânicos.
O trabalho de limpeza e separação das areias é feito por 50 funcionários, que em turnos, labutam durante 24 horas ao dia, segundo apurámos. No total estão envolvidos 500 funcionários, maioritariamente angolanos, no projecto que pretende dar uma nova imagem à Baía de Luanda.
Outros foram contratados de países como África do Sul, Botswana, Portugal, Cuba, Líbano, Bélgica, Inglaterra e Holandeses. Para sustentar a vinda destes quadros todos, um dos responsáveis disse apenas: "para dar uma grande imagem a Luanda tivemos que buscar os melhores do mundo".
As razões da requalificação 
Aquando da adjudicação da empreitada ao consórcio Mota Engil/ Soares da Costa, o então ministro das Obras Públicas, Higino Carneiro, considerou o arranque da obra como "uma etapa importante para a vida de Luanda.
O actual vice-presidente do grupo parlamentar do MPLA assegurou, na altura, que "era um momento esperado, mas foi preciso esperar que surgissem novos impulsos e houvesse garantias de que o projecto poderia ser levado a cabo com garantias de sucesso".
Por seu lado, a então governadora de Luanda, Francisca do Espírito Santo, garantiu que "a obra, articulada com todas as outras que estão em curso na cidade, vai possibilitar uma melhor qualidade de vida a quem vive na cidade e a todos aqueles que visitam a capital angolana".

Dani Costa



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