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A mostrar mensagens de Junho, 2007

ANGOLA, descrita - Luanda

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Luanda, descrita pela "caneta" de J. Eduardo Agualusa, in "As mulheres do meu pai"


"Se fosse uma ave, Luanda seria uma imensa arara, bêbada de abismo e de azul. Se fosse catástrofe, seria um terramoto: energia insubmissa, estremecendo em uníssono as profundas fundações do mundo. Se fosse uma mulher, seria uma meretriz mulata, de coxas exuberantes, peito farto, já um pouco cansada, dançando nua em pleno Carnaval.
Se fosse uma doença, um aneurisma.
O ruído sufoca a cidade como um cobertor de arame farpado. Ao meio dia o ar rarefeito reverbera. Motores, milhares e milhares de motores de carros, geradores, máquinas convulsas em movimento.Gruas erguendo prédios. Carpideiras carpindo um morto, em longos, lúgubres uivos, num apartamento qualquer de um prédio de luxo. E pancadas, gente que se insulta aos gritos, clamores, latidos, gargalhadas, gemidos, rappers berrando a sua indignação sobre o vasto clamor do caos em chamas."

Pensar e Falar Angola

Resenha Histórica do Lubango

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1627 - O capitão-mor de Benguela, Lopo Soares Lasso, inicia a primeira expedição à região planáltica, ;
1764 - A notícia das condições excepcionais das terras e do clima da Huila inspiram ao Governador D. Francisco Inocêncio de Souza Coutinho os primeiros planos de ocupação do sul;
1769- É criada a povoação de Alba Nova, mais tarde passada a denominar-se simplesmente por Huila, para onde seguem o capitão-mor António Rodrigues Algarve e o padre Capuchinho, Gabriel de Braga, em missão pacificadora;
1789 - Nomeação para Alba Nova do capitão-mor António Rodrigues Jardim, após alguns anos de vida sem evolução significativa;
1790 - Nomeação do capitão-mor Francisco Inácio de Mira, em substituição do anterior;
1828 - Nomeação do regente Felício Matos da Conceição;
1837 - Nomeação do alferes João Francisco Garcia, fundador de presídios e fortalezas;
1843 - Luz Soriano, funcionário superior do Ministério do Ultramar, apresenta uma Memória em que se reforçam as ideias de Sousa Coutinho sobre a ocupaçã…

Por isto vale a pena

Caros amigos: Visito frequentemente o vosso blog para matar saudades de Angola. Sou português e trabalhei em MBanza-Kongo durante 2 anos, de 2003 a 2005. Infelizmente a operação encerrou e estou desde então de volta à Tugalândia. Ontem foi um dia muito triste para mim. Quando soube da notícia da queda do avião fiquei imediatamente preocupado porque, conhecendo muito bem o local, imaginei logo uma tragédia de grandes dimensões, que envolveria, por certo, a população, além dos ocupantes do aparelho. A tristeza transformou-se em choque profundo quando vejo o nome do Sr. Paciência e do Padre George como vítimas mortais. O sr. Paciência, actual administrador da cidade e chefe de gabinete do governador aquando da minha estadia lá, era uma pessoa extraordinária, com quem tive a honra de privar e de estabelecer laços de profunda amizade. Tinha visita programada para Setembro a Portugal, no exercício de funções, e já eu nos imaginava à volta de uma muamba e sei lá que mais, a matar saudades. Inf…

Fotos da Tragédia

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As fotos da tragédia


Pensar e Falar Angola

GALINHA D'ANGOLA

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A galinha-d'angola (Numida meleagris) é uma ave originária de África mais concretamente da África Ocidental - Angola.
A mais comum é a pedrês - cinza com bolinhas brancas.
Com cerca de três meses, o macho já apresenta uma crista pronunciada para a frente, como um chifre; na fémea, essa crista é mais arredondada.
Algumas apresentam ornamentos depenas alongadas no peito. A espora está presente nos machos adultos. Possuem bicos curtos e fortes, próprios para ciscar.
As aves ficam nervosas facilmente, sendo extremamente agitadas e barulhentas. São aves de bando: vivem em bandos, locomovem-se em bandos e precisam do bando para se reproduzir, pois só assim sentem estímulo para o acasalamento. E, como grupo, são organizadas. Cada um tem o seu líder, o que é fácil de constatar no momento em que se alimentam: o líder vigia enquanto seus companheiros comem, e só depois de verificar que está tudo em ordem é que começa a comer.
São aves rústicas e fáceis de criar, exceto num ponto: deixadas soltas…

KURIKUTELAS

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Muitas estórias havia para escrever sobre os heróis desta época (1973/74) em que os Kurikutelas do Huambo foram protagonistas. Esta foi e é a minha equipa do coração. Mas hoje só me apetece prestar homenagem aos campeões de Angola em futebol desse ano fantástico que foi 1974. As estórias ficam para depois.

Pensar e Falar Angola

Teta Lando cantou o futuro!

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Por estes dias, cruzei-me com um candongueiro com a música altíssima, que foi impossível ignorar a keta.
...
Luanda já foste linda
Mas tenho esperança ainda
...

Marginal de Luanda


Rua Eça de Queiroz no bairro Alvalade


O que restou do Baleizão na parte baixa da cidade


Bairro Operário


Bairro dos Coqueiros

Luanda - Cidade com História (3)

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Os principais produtos por aqui exportados são: café (45%), algodão (89%), couros (23%), arroz (21%), óleo de palma e cera (18%).
A cidade é testa de um caminho-de-ferro que se estende para o interior até Malange, e que possui 479 quilómetros de linha – o Caminho-de-ferro de Luanda, incluindo o ramal de Zenza do Itombe ao Dondo, de 55 quilómetros; a ele couberam, em 1936, 120 782 toneladas, ou sejam 25% da tonelagem de mercadorias transportadas em todos os caminhos-de-ferro da Colónia, trazendo café da região de Cazengo (cerca de 1 300 contos) e fuba, milho e sisal do planalto de Malange (valores respectivamente de Ags. 442.473,00. 436.566,50 e 253.463,00).
Texto extraído do Roteiro da Cidade de S. Paulo de Luanda (edição da Imprensa Nacional – 1939)
Desde a época referida no texto anterior, Luanda foi conhecendo um crescimento regular, atingindo nos finais da década de 50 cerca de 300 mil habitantes, na área urbana. Mas, a grande explosão de crescimento urbana verificou-se a partir do i…

Fotos antigas, hoje documentos

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Lavadeira e Praia do Bispo, Luanda (Agosto 1900)
Palmeira e grupo de lavadeiras (Agosto 1905)

Pensar e Falar Angola

Poemas que eu escrevi na areia

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I

Meu bergantim, onde vens,
que te não posso avistar?
Bergantim! Meu bergantim!
Quero partir, rumo ao mar...
Tenho pressa! Tenho pressa!
Já vejo abutres voando
além, por cima de mim...
Tenho medo... Tenho medo
de não me chegar ao fim.
Meus braços estão torcidos.
Minha boca foi rasgada.
Mas os olhos, estão bem vivos,
e esperam, presos ao Céu...
Que haverá p'ra além da noite?
p'ra além da noite de breu?
Ah! Bergantim, como tardas...
Não vês meu corpo jazendo
na praia, do mar esquecido?...
Esse mar que eu quis viver,
e sacudir e beijar,
sem ondas mansas, cobrindo-o...
Quem dera viesses já...
que vai ficando bem tarde!
E eu não me quero acabar,
sem ver o que há para além
deste grande, imenso céu
e desta noite de breu...
Não quero morrer serena
em cada hora que passa
sem conseguir avistar-te...
Com meu olhar enxergando
apenas a noite escura,
e as aves negras, voando...
II

Meu bergantim foi-se ao mar...
Foi-se ao mar e não voltou,
que numa praia distante,
meu bergantim se afundou...
Meu bergantim foi-se ao mar!
levava bei…

Luanda - Cidade com História (2)

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Desenvolvem-se novos projectos em praticamente todas as áreas de acção dos municípios. Pensa-se na organização de uma área metropolitana para administrar a Grande Luanda.

A capital angolana, dentro de poucos anos, será uma nova cidade, recuperando grande parte do esplendor que já teve um dia…
A Província de Luanda é o espaço económico mais importante de Angola porque aqui se localiza todo o centro de decisão do país e porque o seu parque industrial é, sem dúvida alguma e, apesar dos inúmeros problemas que atravessa, o de maior dimensão e importância.

Região que enfrenta presentemente grande transformações, não deixa de ser uma das que maiores potencialidades tem, a nível mundial, nos dias de hoje, para todo o tipo de investimento. A legislação em vigor dá todas as facilidades ao investidor estrangeiro, garantindo o repatriamento de capitais, seguros de investimento e outras garantias. Para um investidor atento, há imensas oportunidades, nos mais variados sectores de actividade.
retirado d…

ÁLVARO CARDOSO

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Álvaro Cardoso (1961 - )

Educação e Cidadania

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É hoje relativamente pacífico o reconhecimento de que muitos dos ‘pensadores’ e militantes da esquerda dos anos 60 e 70, à medida que foram vendo desvanecer-se os ‘anos da juventude’, e sobretudo que foram ‘confrontados’ com a responsabilidade da ‘governação’, seja da ‘coisa pública’, seja mais prosaicamente das suas vidas pessoais e dos ‘negócios de família’, foram assumindo posições mais consentâneas com o ideário de direita, quiçá mesmo liberal e/ou néo-liberal, reflectindo um pensamento que noutros tempos era verberado como pequeno-burguês, reaccionário e anti-revolucionário.Claro que se passaram 30/40 anos, o mundo mudou (para melhor ou para pior, depende dos pontos de vista e dos modelos de análise), o Sol que brilhava no Império do Leste e que se dizia que tinha nascido para todos acabou por ‘implodir’ e, hoje em dia, os novos sacerdotes e pitonisas do capitalismo tudo fazem para nos obrigar a aceitar, sem discussão, que a História ‘chegou ao fim’.Mas se até FUKUYAMA já admite …

QUANDO DORMIU EU LHE CORTEI

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Confesso que sou adepto da tradição oral e que reconheço nesta forma de comunicação. Uma forma de fazer parte da história dos povos. Mesmo aquelas estórias que possam provocar algum rubor facial em quem as ouve ou que possuem gindungo demasiado para algumas mentes mais moralistas. Esta que vos vou contar não sei se foi baseada no filme japonês Império dos Sentidos mas tenho a certeza que se passou na nossa Luanda. Acabou de chegar e foi-me contada por quem trabalha comigo e passou algum tempo na banda a recarregar baterias. Que me desculpem os mais puristas. Vamos a isto.

Existe um programa na Rádio Nacional de Angola onde os caluandas colocam as suas inquietações e vão procurar milongos para o corpo e para a alma. Um dia destes soube-se que uma senhora tinha sido presa por homicídio voluntário. Acabara de assassinar o marido com quem vivia há já algum tempo. Tinham passado muitas coisas juntos, tristezas e alegrias, misérias e fortuna. O pobre homem, jovem ainda, tinha morrido sem pin…

SELOS 1998

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Pensar e Falar Angola

AUTO-CRÍTICA

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Há sorrisos que só são belos porque são do Sul. E no Sul não há pecado porque fica abaixo do Equador. E os sorrisos são mais solidários e mais belos. O encontro com o Luandino é daquelas coisas que só acontecem porque todos somos do Sul e amamos a nossa Terra. E como foi lindo ouvir algumas estórias (o Mia Couto que me perdoe mas também gosto desta palavra sem h! É mais sonora e menos aspirada) contadas por quem sabe, estórias de um tempo que todos vivemos. Lá na banda ou cá pela Europa. Mesmo que sentados no sofá à espera que outros as vivessem por nós. Contava Luandino (mil perdões se não sei contar como tu meu caro escritor):

- Naqueles tempos, nada fáceis por sinal, vivia-se em Luanda com desconfianças. De tudo e de todos! E nos descuidos da noite, ou mesmo do dia, a casa podia ser aliviada do pouco que havia. Se o intruso era apanhado lá no alto, mesmo no 15º andar, tinha que ter asas, como o Red Bull, senão se esborrachava lá bem no fundo, no pouco alcatrão que havia nas ruas da …

Educar e Formar para Fixar

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Pensar e falar seja de que país for, tem que ser pensar e falar das e nas pessoas.
No mundo globalizado em que vivemos, não podemos olhar para nenhum país sem olhar, entender e pensar nas gentes que são os cidadãos do mundo (se pensarmos global), ou os cidadãos de cada país (quando o nosso olhar é mais local).
O convite que me foi feito para 'colaborar' neste espaço, só me faz sentido se aqui puder trazer algumas reflexões/preocupações, que podendo servir para 'pensar Angola', são antes de mais nada uma maneira de 'pensar as pessoas' e os respectivos direitos de cidadania.
E desculpar-me-ão aqueles que se derem ao trabalho de ler os meus 'arremedos' de prosa, mas não consigo despir a camisola de profissional do ensino, pelo que o parco contributo que poderei trazer irá situar-se nesse campo específico.
Até porque, do meu ponto de vista, a educação e a formação, ou dito de uma forma mais 'angolesa', a capacitação das pessoas, é a chave para o sucesso…

Angola - Futuro (I)

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Luanda Medical Center





Muila Hotel a ser construído no Lubango desenhos enviados por C. Freire, autor do esquiço e projecto da Arqta. Ana Ramos

NAMORO

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Namoro

Poema - Viriato da Cruz


Mandei-lhe uma carta em papel perfumado e com letra bonita eu disse ela tinha
um sorrir luminoso tão quente e gaiato
como o sol de Novembro brincando
de artista nas acácias floridas
espalhando diamantes na fímbria do mar
e dando calor ao sumo das mangas


Sua pele macia - era sumaúma...
Sua pele macia, da cor do jambo, cheirando a rosas
sua pele macia guardava as doçuras do corpo rijo
tão rijo e tão doce - como o maboque...
Seus seios, laranjas - laranjas do Loje
seus dentes... - marfim...
Mandei-lhe essa carta
e ela disse que não.

Mandei-lhe um cartão
que o amigo Maninho tipografou:
"Por ti sofre o meu coração"
Num canto - SIM,
noutro canto - NÃO
E ela o canto do NÃO dobrou

Mandei-lhe um recado pela Zefa do Sete
pedindo, rogando de joelhos no chão
pela Senhora do Cabo, pela Santa Ifigenia,
me desse a ventura do seu namoro...
E ela disse que não.

Levei á Avo Chica, quimbanda de fama
a areia da marca que o seu pé deixou
para que fizesse um feitiço forte e se…

Namoro de Memória

RuiMingas - "Namoro"(Poema - Viriato da Cruz)
Memória - 2006Pensar e Ouvir Angola

MEMÓRIA

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Rui Mingas quebra silêncio com disco «Memória»Fonte: Angola Press - Editado por AD
O músico Rui Mingas fez o lançamento do seu mais recente álbum "Memória" na Associação Chá de Caxinde, em Luanda.
Gravado em Angola (Estúdio Maianga) e Brasil (Estúdio Copacabana), os acabamentos do disco foram feitos em Portugal (Cervante Estúdio), onde se procedeu à captação, gravação, edição, mistura e masterização.

Com uma diversidade rítmica, onde o destaque recai para o semba, Rui Mingas conta com os préstimos de Katila Mingas, Carlos Mingas e André Mingas, no coro das canções, dezassete no total.

Neste disco, o autor musicou poemas de escritores angolanos, como "Meu Amor" e "Meninos do Huambo" de Manuel Rui Monteiro, "Mokezu" e "Namoro" de Viriato da Cruz, "Adeus à hora da largada" e "A Kitandeira" de Agostinho Neto, "Benguela" e "Pé de Maracuja" de Ernesto Lara Filho.
Incluiu ainda novas versões das músicas &quo…

SONS DA FALA

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Sons da Fala é um projecto em que participam 17 músicos, alguns não pertencentes ao grupo que concretiza os espectáculos. Entre eles contam-se um percussionista brasileiro e um guitarrista guineense. Nas vozes solistas existe também uma convidada muito especial - Nancy Vieira que, eventualmente, poderá no futuro ser integrada no projecto e no espectáculo.
O disco conta com trocas de repertório e parcerias vocais, com destaque para a canção “Menina estás à Janela” com André Cabaço, Vitorino e Janita Salomé ou o “Namoro” com Sérgio Godinho e Filipe Mukenga.

Cantores:

Sérgio Godinho (Portugal)
Vitorino (Portugal)
Janita Salomé (Portugal)
Tito Paris (Cabo Verde)
Nancy Vieira (Cabo Verde)
Filipe Mukenga (Angola)
Juca (São Tomé e Príncipe)
Guto Pires (Guiné Bissau)
André Cabaço (Moçambique)
Madeira Júnior (Brasil)

Os quatro primeiros não precisam de apresentações em Portugal.
Sobre os outros, que são personalidades importantes nos seus próprios países e no espaço lusófono (com excepção do representante …

Luanda - Cidade com História (1)

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Foi em 1575, quase um século depois de Diogo Cão ter descoberto e assinalado com os seus padrões toda a costa de Angola (1482-1486), que Paulo Dias de Novais, primeiro Governador e capitão-mor das Conquistas do Reino de Angola, desembarcou na Ilha de Luanda, com cerca de 700 pessoas, 350 das quais homens de armas, padres, mercadores e servidores estabelecendo o primeiro núcleo de portugueses.

Aqui, encontrou, além de alguns compatriotas, muita gente que nela vivia, toda, no dizer dos cronistas, “muito bem disposta ao cristianismo”.

Um ano depois, 1576, reconhecendo não ser “o lugar acomodado para capital da conquista”, funda em terra firme a vila de São Paulo de Loanda, e logo a igreja de S. Sebastião, no Morro de S. Miguel.

À volta da Igreja, a vila foi crescendo, tomando foros da cidade em 1605, no governo de Manuel Cerveira Pereira.

A câmara de Luanda deve ter tido início nessa altura em que a vila se estabelece em terra firme. Não há documentos precisos da sua fundação, mas sabe-se q…

POESIA DA TERRA

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Porra! Sim porra! Tenho hoje a oportunidade de mostrar a minha indignação sobre quem fala mal da banda e começar um texto com esta palavra da língua de Pepetela, Luandino e Neto. Ninguém, nenhuma das minhas professoras (?) de português, algum dia me deixou iniciar uma composição com esta palavra. Risco vermelho em cima do texto e negativa na prova. O que também prova que havia muita gente a pensar que Angola era Portugal e haviam de castrar o pensamento livre de quem só gostava de Angola, mesmo o pensamento ordinário. Sim porque de crónicas de pensamentos extraordinários de gente iluminada estamos conversados. É o lixo em Luanda, a corrupção, o avião do Presidente, as compras da Ana Paula, enfim pensamento de caluanda. Mas como Angola não é só Luanda trago-vos um "diamante" da minha terra, o Huambo. Aviso: se quiserem ler mais sobre o assunto vão ao NS de 23.06.2007 e leiam o artigo do Torcato Sepúlveda sobre o assunto. Então aí vamos.
Churiungo/é das palavras mais antigas -/…

A preto e branco

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Batoto yetu em Angola

Pensar e Falar Angola

O que é a Batoto Yetu

O que é a Batoto Yetu?

A Batoto Yetu é uma associação sem fins lucrativos que se estabeleceu em 1990 no Harlem – Nova Iorque e se estendeu a Portugal 6 anos depois, pela mão do angolano Júlio Leitão, coreógrafo e seu fundador e com o apoio da FLAD -Fundação Luso-Americana.O programa cultural da Batoto Yetu – Portugal destina-se a todas as crianças e adolescentes, de origem africana ou não, desde que sejam sensíveis ao ritmo e calor humano daquele continente. A base deste programa assenta no conceito de que a beleza e o envolvimento das danças, canções e lendas, ajuda os elementos da “família” Batoto Yetu a identificarem-se mais com o encanto e mistério de África aumentando simultaneamente o seu amor-próprio e a aceitação do outro.
Fonte: http://www.batotoyetu.pt/html/quem_.htm

Pensar e Falar Angola

Batoto Yetu - mukixi

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António Cardoso

Um dia ao António Jacinto

Um dia eu vou fazer um romance
com as histórias da minha rua
antes de se chamar Silva Porto
e os pretos irem embora.
Vai entrar a lua e meninos sem cor
a Domingas quitata, o sô Floriano do talho
com muita mistura de amor
e muito suor de trabalho.
Vou meter as cabras e os cães vadios da velha Espanhola
os batuques da Cidrália e dos Invejados,
os batalhões do "Treze" e do "Setenta e Quatro",
o bêbado Rebocho, o velho Salambió,
a Joana Maluca da garotada,
cajueiros, cubatas, lixeiras,
capim e piteiras,
e mesmo no fim da história,
quando os homens estão desesperados
e as fardas passam em fila,
acendo um sol de Fevereiro,
semeio algumas esperanças
e parto com o meu veleiro
a dar uma volta ao Mundo!
(No reino de Caliban II - antologia panorâmica de poesia africana de expressão portuguesa)


Pensar e Falar Angola

Momentos de aqui

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Pensar e Falar Angola

Uma biografia

Ontem contei uma ‘estória’ do Dr. Videira, hoje falarei dele, utilizando as palavras de Rodrigues Vaz Conhecida personalidade do chamado reviralho, cujos ditos se passaram às novas gerações como lendas e cujas atitudes eram tão louvadas pela oposição ao regime de Salazar, como criticadas pelos situacionistas que, nas décadas de 40 e 50 não eram tantos como isso, pois, como é sabido, em muitas cidades de Angola, o almirante Américo Tomaz perdeu a favor de general Humberto Delgado nas eleições de 1959.
Figura incontornável dos anos 20 a 50 da vida social luandense, era o Dr. António Videira conhecido essencialmente como ilustre advogado, apresentando-se ele próprio como "Cidadão português, domiciliado em Luanda, de jure no gozo dos seus direitos civis e políticos, livre de culpa, bacharel em Direito". Grande animador do Aeroclube de Angola de que foi um dos pioneiros. Um acidente de aviação que ocorreu na Namíbia inspirar-lhe-ia o livro "Talvez...". Mas o livro "A…

PLANO HIDROGRÁFICO DA BAÍA DO LOBITO (1891)

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Pensar e Falar Angola

Fotos antigas, hoje documentos

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Foto cedida por António Seabra e retirada do jornal Comércio de Luanda, 28 de Abril de 1963

Pensar e Falar Angola

Ideia para o futuro

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Pensar e Falar Angola
Pensar e Falar Angola

Angola, uma nação jovem de 30 anos, grávida de um futuro feliz e cheia de gente com valor, um arco-íris de ideias e culturas, um crisol de etnias e origens. Angola, um amor materno e uma lição aprendida, uma luta renhida de irmãos que no fundo se amam e acabam por se dar as mãos; a esperança d'áfrica iluminada na instrução, na justiça e na liberdade. Angola, o passado traiçoeiro dos ladrões de gente, do chicote ensaguentado e da opressão cruel, da razão tornada guerra e morte e do grito atroz do medo no palco de alheias contrariedades. Angola, o rio alegre descendo da serra, a chana fértil de vida ao nascer do sol.
A sério, este lugar do planeta tem uma ancestral predileção na minha alma viandante, no meu espírito vagabundo, no meu caos interior, no sereno da manhã fria do planalto na terra da minha terra.
Angola é.

Uma 'estória' de Luanda

Faleceu ontem a avó dos meus filhos que era filha de um célebre advogado de Luanda dos anos muito lá para trás, o Dr. Videira. Lhe conheço 'estórias' de ouvir falar. Esta que vos conto é verdadeira.

Um determinado indivíduo estava na barra do tribunal acusado de ter chamado "filho da p...", com todas as letras que nós conhecemos, a um outro que então se queixava. O advogado de acusação, o Dr. Videira, pedia punição severa, como era seu hábito. O outro causídico, na pele de advogado de defesa, dizia que, afinal, "filho da p..." não era ofensa... que era assim a modos que... uma palavra que se dizia, que entrava no vocabulário normal... que era só uma expressão que já era vernácula, normal...
O bom do Dr. Videira ia ouvindo... ouvindo... e... nada, não mexia um músculo da cara.
Até que o Juiz, admirado com a passividade, o interrogou mesmo.
- Será que a acusação não tem nada a dizer?
E o Dr. Videira, com o ar de bonacheirão que sempre teve... foi dizendo:
- Claro q…

POLÍTICA

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INDEPENDÊNCIA - 11 de Novembro de 1975
FORMA DE GOVERNO - República
CHEFE DE ESTADO E DE GOVERNO - Presidente José Eduardo dos Santos, desde 1979.
DIVISÃO ADMINISTRATIVA - 18 províncias
PRINCIPAIS PARTIDOS POLÍTICOS - MPLA (Movimento Para a Libertação de Angola) e UNITA (União Nacional para a Independência Total de Angola)
FONTE: Instituto Nacional de Estatística


Pensar e Falar Angola

Também há o lado sujo

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Ainda na peugada das minhas 'bloguevagabundagens' encontrei outro texto que aqui transcrevo, porque achar que não é só de coisas boas que a vida é feita, infelizmente, e porque tenho esperança de lhes poder, mais tempo menos tempo, mostrar que as realidades se vão mudando pela positividade.
Tem piada, tem!
Pois, que engraçado...Dizia-me alguém (com ar de espanto) que está para perceber que tipo de pessoa sou eu. Ya... Há gente para quem só é fixe quem diz bem de Angola; quem diz mal, é "reaças". E mais: como pode uma pessoa como ela (eu) que nunca deixou a terra e que se entregou até ao quase vazio, falar assim? É... acontece (aos melhores e aos piores). Gostaria de perguntar como se sentiriam os fazedores de power points com "belas" vistas aéreas da Luanda actual, se conseguissem fazer um zoom e ver o que se vê quando se está em terra firme, com os pés na lama, a tropeçar nos montes de lixo em plena cidade; a ouvir a voz do povo. E como se sentiriam se tivesse…

DEMOGRAFIA

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POPULAÇÃO em milhões - 11,2
DENSIDADE POPULACIONAL hab/m2 - 10,9
ESTRUTURA ETÁRIA 0-14 ANOS - 43,4%
15-64 ANOS - 53,7%
+ de 65 ANOS - 2,8%
ESPERANÇA MÉDIA DE VIDA em anos - 40,1
TAXA DE NATALIDADE nascimentos por cada mil habitantes - 44,64
TAXA DE MORTALIDADE mortes por cada mil habitantes - 25,9
TAXA DE MORTALIDADE INFANTIL mortes por cada mil nascimentos - 191,19
TAXA DE ALFABETIZAÇÃO - 42%
INFECTADOS COM O HIV em milhares - 240 FONTE: Instituto Nacional de Estatística
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