quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Estado da Nação

O Presidente da República vai discursar na abertura da a terceira sessão legislativa da II Legislatura, apresentando na Casa da Democracia o Estado da Nação. A intervenção é aguardada com grande expectativa, porque José Eduardo dos Santos, nestas ocasiões, para além de apresentar com clareza a situação interna e internacional, costuma definir as linhas de força para o futuro. 
Estamos a meio da legislatura e Angola precisa de um grande impulso em todos os sectores de actividade. O discurso do Presidente da República sobre o Estado da Nação vai seguramente indicar caminhos, traçar estratégias e anunciar os resultados alcançados até aqui.
Os angolanos sabem o que foi feito e o que está por fazer. Nos grandes centros urbanos, onde as águas se perdem num mar de problemas, o esforço da reconstrução nacional não é sentido imediatamente. Mas nas províncias, onde tudo estava por fazer, os cidadãos sabem o que beneficiaram desde o início da legislatura. As crianças têm hoje escolas como nunca tiveram. Milhares de professores dão aulas por todo o país. Os cuidados de saúde chegaram às aldeias mais recônditas. 
A rede de estradas permite a mobilidade e é a base do crescimento económico em regiões onde até ao início desta legislatura apenas existia pobreza. O Presidente da República vai seguramente dizer aos representantes do povo que Angola, em poucos anos, saiu das ruínas da guerra e tem uma das melhores redes de estradas de África. O que nos causa orgulho, não é termos partido dos escombros e estarmos nos primeiros lugares. Este orgulho de ser angolano nasce da nossa imensa capacidade de vencermos a adversidade e nunca virarmos a cara à luta.
O Presidente da República vai seguramente dizer ao país, ante os eleitos pelo povo, que num clima de grave crise internacional, este ano Angola vai registar um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) na ordem dos 4,5 por cento. Estamos ainda longe dos dois dígitos do passado recente, mas este número coloca o nosso país entre os que mais crescem em todo o mundo. Somos nós, com a nossa técnica, com a nossa ciência, com as nossas empresas, com os nossos braços, com o nosso talento que estamos a produzir riqueza para amanhã todos terem uma vida digna e feliz.
O mundo rural renasce das cinzas da guerra. Os camponeses voltam a acreditar no futuro. Os programas governamentais estão a levar a todas as aldeias e vilas água potável e energia eléctrica. A Banca abre balcões em todos os municípios. O crédito está a chegar às associações e cooperativas agrícolas. Onde ontem faltava tudo hoje há comida e os armazéns começam a ficar cheios de excedentes. O apoio técnico à produção é uma realidade. As estradas permitem o escoamento dos produtos do campo. A fome deu lugar à abundância e os rendimentos dos camponeses melhoram. 
O Presidente da República vai dizer ao país que o mundo rural começa a caminhar por si, que as pescas continentais começam a ter expressão, que os grandes projectos agro-industriais estão a produzir os resultados esperados.
O mundo em que vivemos está perigoso e o espectro da fome e da guerra espreita o nosso continente mas também a Europa ou a América do Norte. Num quadro de crise financeiro e de recessão económica, Angola distingue-se pela positiva. 
O Presidente da República não vai seguramente dizer ao país que está tudo bem e vamos ficar ainda melhor. Mas vai dizer que o desemprego em Angola desce quando sobe em todos os países desenvolvidos. Que a nossa economia cresce quando está em recessão ou estagnada nos países mais ricos do mundo. Que aprendemos a viver com pouco e o que temos, neste momento, é mais do que aquilo de que dispõem milhões de trabalhadores em todo o mundo, sobretudo na Europa e nos EUA, que vivem a tragédia do desemprego, do corte de prestações sociais, de cortes drásticos nos salários. 
O Executivo quer responder às necessidades, aos anseios e aos sonhos dos angolanos. Está a criar estruturas que garantam as condições básicas para todos, sobretudo no que diz respeito ao emprego, à habitação, à saúde e à educação. 
O Presidente da República vai dizer aos angolanos que o Estado da Nação é bom, mas podia ser melhor. Para darmos esse salto qualitativo, é preciso o empenho de todos, o trabalho de todos. Desde o início da legislatura, Angola percorreu um caminho longo de sucessos, mesmo num clima universal de crise. O Chefe de Estado, na sexta-feira no Parlamento, vai seguramente dizer que podemos ir muito mais longe. No final da legislatura vamos seguramente ter muito que festejar


Pensar e Falar Angola

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