sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Através das Portas - Mário Tendinha


de 27 de Setembro a 19 de Outubro no Centro Cultural do Instituto Camões em Luanda

Texto do Convite by Andrew Schnitzer da Silva:
O Alfarrabista do Deserto

O Mário conta histórias. Mas porquê utilizar portas para contar uma história? Qual é este fascínio, que não é novo, por portas? Utilizadas como símbolos mitológicos e de auto conhecimento nos anos 60 por bandas como os The Doors e escritores como Aldous Huxley, as portas representam uma entrada para um mundo desconhecido. A entrada para um mundo novo. No caso do Mário, abre- nos a porta para o seu mundo. A obra do Mário é muito narrativa e nas obras dele encontramos sempre histórias que nos quer contar. É como um convite a partilhar das suas aventuras e desventuras. Partilhar da forma como ele vê o mundo e como interage com ele. As obras do Mário ganham vida ao falarmos com ele porque acresce ao seu valor artístico, toda uma riqueza semântica através da história que o levou a criar a obra. 

O Mário funciona como um alfarrabista de histórias. Cada recordação tem um valor único e esse valor ganha vida ao ser transformado numa obra de arte. A necessidade de uma história para o Mário é fundamental. E para nós, de ouvirmos ou sentirmos uma história também deveria ser. A capacidade de viver episódios passados, de sentirmos as emoções dessa aventura, de nos rirmos com o sarcasmo evidente nalgumas delas e de aprendermos, mesmo que de forma romanceada, com algumas delas, é o que nos oferece cada obra do Mário.

O Mário passou maior parte da sua infância no Namibe e o Namibe que o viu nascer, nunca o deixou desde então. Tal como o alfarrabista tem o pó a cobrir os seus livros o Mário tem a poeira do Deserto, ou o próprio do Vento Leste, entranhado nas suas histórias. O calor e também o desprendimento com que são contadas dão lhe essa característica desértica que faz com que ganhem ainda mais vida.

Aqui, as portas que o Mário nos apresenta são como portas de entrada para um labirinto de capítulos que o Mário nos conta, entrelaçando-se umas nas outras, fechando-se umas e abrindo-se outras, formando assim uma história completa. A esta porta não é preciso bater para poder entrar, já que sempre se encontrou meio entreaberta para quem a quisesse visitar…

Andrew Schnitzer da Silva
Agosto 2012



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