segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Escritores Angolanos - Manuel Rui Monteiro


Manuel Rui Monteiro nasceu na cidade do Huambo em 1941. Fez os estudos primários e secundários no Huambo. Licenciou-se em Direito pela Universidade de Coimbra. Publicou O Regresso Adiado, Memória de Mar, Sim, Camarada!, Quem me Dera ser Onda, Crónica de um Mujimbo, 1 Morto & Os Vivos, RioSeco, Da Palma da Mão.
A sua prosa ficção está profundamente marcada por preocupações estéticas de um realismo social que celebra o homem comum. Quando focaliza categorias de personagens da classe média, fá-lo para produzir caricaturas de comportamentos perversos. É aqui que este autor exibe a sua mestria no tratamento da sátira e da ironia. São recursos de grande eficácia no plano semântico-pragmático.
Isto é , no que diz respeito ao conjunto de significações que se lhes associam e ao modo como os leitores os interpretam.O que pode ser provado pelo número de edições e tiragens de Quem me Dera ser Onda, título que suscitou grande empatia do público leitor. É a história de um porco que habita um apartamento na companhia de uma família cujo chefe é Faustino. Da hilaridade ao patético, a presença do animal vai provocando uma série de transtornos aos moradores do prédio, muitos dos quais pautam a sua conduta por regras e valores de um mundo urbano que começa a ser outro, como é este o da domesticação de animais no espaço residencial para a satisfação das necessidades de consumo de carne. É uma sátira mordaz a respeito de fenómenos de mobilidade social de determinadas categorias, do mimetismo dos novos ricos, e do populismo político. O realismo social, a sátira e a ironia logram níveis de elaboração estética em Rioseco, um romance cuja história decorre numa ilha adjacente à parte continental de Luanda. Um casal de refugiados do sul e leste de Angola, em que o marido e a mulher pertencem a etnias diferentes, vai acoitar-se no mundo insular de pescadores pertencentes a uma outra etnia do norte. Tecem profundas relações sociais de solidariedade, e apesar das suas origens étnicas, acabam todos eles, por construir um mundo diferente em que procuram banir a violência que dilacera o continente. No plano da linguagem, Manuel Rui Monteiro experimenta o recurso à diglossia imprópria, através do qual os dircursos das personagens são impregnados de estruturas frásicas e semânticas que vazam das línguas autóctones e de uma psicologia equivalente. Não sendo ainda de desprezar a semântica do antropónimo de uma personagem feminina que é Noíto. Aqui vemos Manuel Rui lançar mão da memória que debita materiais para a ficção, pois trata-se de uma personagem que viveu no Huambo, afamada por ser uma grande quimbanda, ou seja, terapeuta tradicional a quem eram reconhecidos poderes do mundo intangível. E no romance Noíto é, no essencial, uma mulher capaz de decifrar os segredos da natureza e pressagiar infortúnios.

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O escritor Manuel Rui Monteiro regressou na passada quarta-feira às bancas, com o lançamento do seu mais recente trabalho literário intitulado "Ombela", uma edição bilingue (umbundu e português), em acto que teve lugar na sede da União dos Escritores Angolanos (UEA), em Luanda.

Nesta obra, o autor de "Quem me dera ser Onda", traz a público 20 poemas compostos a partir de «um universo de sensações metafóricas e de feminilidade, cuja essência foi reconstituída do lado em que a palavra é uma gota simples do som da água.»

O autor aposta nestes elementos de erotismo e fertilidade criativa para dar vida ao seu mais recente livro de poemas.

Numa linguagem de exaltação ao Eu interior, o ‘Ombela’, que em português significa ‘Chuva’, é a reflexão do autor sobre a natureza humana, com particular destaque para a feminilidade, o amor e a relação a dois.

Os poemas escritos por Manuel Rui em "Ombela" apresentam um mesmo ritual de arritmia e ressonância, que percorre a infinidade temporal da sua existência, particularmente enquanto entidade mítica e moralizante observadora do comportamento dos homens, emitindo conselhos e apologizando a liberdade das mulheres, a beleza e a alegria da vida.

Com ilustração de capa de Manuel Franca e sob responsabilidade da UEA, Manuel Rui Monteiro vai colocar no mercado, nesta primeira fase, mil exemplares do "Ombela".

Manuel Rui Monteiro nasceu em Nova Lisboa (hoje Huambo) em 1941. Com participação activa em diversas áreas (política, social, cívica e ensino), alia a prática da advocacia, que exerce em Luanda, à escrita.

Detentor de uma abrangente e multifacetada obra, tem colaboração dispersa em diversos jornais e revistas, figura em antologias de ficção e de poesia. Alguns dos seus textos estão traduzidos em várias línguas.

Membro fundador da UEA, Manuel Rui Monteiro é cronista, crítico e ensaísta. Publicou, até ao momento, nove livros de poemas e mais de uma dezena de ficção. Entre os seus títulos constam os livros "Quem me dera ser onda", com a qual venceu o Prémio Caminho das Estrelas. O mesmo foi adaptado para teatro e televisão.


Fazem ainda parte das suas obras "Crónica de um Mujimbo", "Rio seco", "Um anel na areia", "Conchas e Búzios" (infanto-juvenil), "O manequim e o piano" e "Estórias de conversa".






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