Ao longo dos últimos dois anos tive a oportunidade de desenvolver “8”, uma obra de arte pública criada a convite da Câmara Municipal de Viana do Castelo.
No passado dia 16 de maio, a escultura foi inaugurada no interior da Praça Viana, atual complexo desportivo da cidade. Este edifício, outrora Praça de Touros, é hoje um espaço dedicado ao desporto, à juventude e à vida comunitária, refletindo a transformação dos valores e da sensibilidade coletiva ao longo do tempo.
O título “8” refere-se aos oito fundadores da antiga Praça de Touros e, simultaneamente, evoca o símbolo do infinito, sugerindo a continuidade da memória e a permanência dos gestos humanos para além da finitude individual.
A obra foi construída a partir de objetos e fragmentos carregados de história, entre os quais um capote de toureiro, bandarilhas, fragmentos do antigo burladero e elementos em néon. Estes materiais são reorganizados numa nova composição que procura transformar vestígios do passado em matéria de reflexão e consciência.
Mais do que um monumento comemorativo, “8” propõe uma leitura crítica da história local, reconhecendo as suas complexidades e a capacidade da arte contemporânea para atribuir novos significados ao património e ao espaço público.
Foi um projeto particularmente significativo para mim, não apenas pela escala e exigência do processo, mas também pela oportunidade de contribuir para a memória coletiva da cidade onde vivo e trabalho.
A produção da obra foi realizada em colaboração com a ArtWorks.
Rita Guedes Tavares, mais conhecida como Rita
GT (Porto, 1980), é uma artista plástica portuguesa cujo
trabalho aborda temas como a memória, a identidade e os direitos humanos. O seu
percurso internacional permitiu-lhe explorar diversas culturas e perspetivas
históricas. Através da imagem, palavra e performance, investiga questões sociais
e políticas. Tem exposto individual e coletivamente em instituições e galerias
de renome em Portugal, Reino Unido, Angola, África do
Sul, Timor-Leste, Nigéria, Brasil e Alemanha. É
cofundadora do projeto e-studio.
Nasceu em 1980, no Porto, Portugal. Licenciou-se em
Design de Comunicação pela Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto.
Posteriormente, frequentou o Curso Avançado em Artes Visuais da Escola Maumaus,
em Lisboa, e integrou o programa de Mestrado em Belas Artes na Malmö Art
Academy, na Suécia.
O trabalho de Rita GT caracteriza-se por uma abordagem
multidisciplinar, incluindo instalação, vídeo, performance e práticas
colaborativas. A sua obra assenta em narrativas históricas e sociais,
recorrendo a imagens, palavras e rituais performativos para refletir sobre o
passado colonial e as suas repercussões contemporâneas.
Em 2015, foi comissária do Pavilhão de Angola na 56ª Bienal
de Veneza. Participou em diversas exposições individuais e coletivas, incluindo
a Bienal de Macau, em 2020, e uma exposição no Yorkshire Sculpture Park, no
Reino Unido, em 2021. A sua obra tem sido referida em publicações de arte, como
Artforum e Contemporary And e destacada por críticos e curadores.
"Artista crítica, intervencionista, e humanista com uma
prática que se desenvolve em torno de problemas sistémicos como os modos como
construímos memória colectiva e identidade na sua relação com a(s) história(s)
do colonialismo e com os direitos fundamentais dos seres humanos." para
adaptar e sustentar esta parte "para refletir sobre o passado colonial e
as suas repercussões contemporâneas."

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